Alguns breves exemplos de filosofia nos games


Muito bem, vou começar falando sobre um assunto que muito me agrada: Games! Essas obras incríveis que nos sugam com seus plots e ambientações imersivas esquematizadas por mentes brilhantes afim de nos surpreender a cada ato, e que são simplesmente ignoradas e ridicularizadas por pessoas certas de que games são feitos apenas para crianças ou pessoas com nada na cabeça... O que é triste, mas convenhamos, uma arte nova esta sujeita a pensamentos preconceituosos daqueles que não conhecem completamente, correto? Tenhamos paciência, ou viraremos pessoas QUE QUEREM QUE AS OUTRAS VÃO PRA P... O que não queremos...

Certo?
...

Correto?



Logicamente não são todos os jogos que possuem essa densidade complexa de personagens e enredo, muitos jogos são feitos com outros focos de entretenimento, o que é aceitável e válido, afinal, geralmente eles servem para nos divertir. Cof, Cof, Call of Duty, Cof, Cof!



Mas não iremos nos ater a estes no momento. 


Então vamos resumir  basicamente o que é filosofia usando a ferramenta "favorita" de um grande amigo meu:  A WIKIPEDIA! " Filosofia (do grego Φιλοσοφία, literalmente («amigo da sabedoria») é o estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem." Pois bem, é isso aí. Explicativo o suficiente, creio eu.

Ohhhh não acredito nisso meudeusdocel

Pois é, caro leitor!! Jogos também tem a capacidade de tratar de temas assim! Impressionado? Hein?! Não está? Bem, se você não está, você acabou com minha vibe de novidade aqui, e agora estou triste. Tá feliz? Pois, eu não estou feliz! Mas, para você, outro leitor deste blog, surpreso que games possam ter a sensibilidade de tratar de problemas fundamentais da existência humana, estou aqui a fim de mostrar alguns exemplos e comenta-los no processo, nesse pequeno (ou não) texto introdutório sobre o blog que faço com meu tempo livre em vez de estar estudando para a faculdade, ou só assistindo a tv aberta como tortura por todos os meus pecados cometidos em todas as minhas vidas passadas... Ou simplesmente deitado na minha cama olhando pro céu, vendo as estrelas e pensando "o que houve com o meu telhado?!".

Uma cena incrível para um jogo incrível.

Para vocês que acham que a filosofia nos jogos começou com Assassins Creeds da vida, não tenho palavras para lhes dizer o quão errados estão, então apenas direi: Vocês estão errados!

Filosofia em games é algo muito antigo, e por muitos já esquecido, sequer lembrado ou talvez nem notado. O exemplo mais antigo que consigo pensar nesse momento sem muito pesquisar ou muito me debruçar e me esforçar a lembrar, é o saudoso Final Fantasy IV, com dramas pessoais do que é certo e errado vivido pelo seu protagonista, Cecil.

Mas posso dizer com toda certeza que os jogos atingiram seu ponto de narrativa e drama de personagens ao máximo quando o INCRÍVEL Final Fantasy VI foi lançado. Aqui no ocidente ele ficou conhecido como Final Fantasy 3, motivos? Batata. Não importa o motivo, o que importa é que ele chegou aqui no ocidente, e muitos puderam apreciar essa obra prima em pixels.

Final Fantasy VI e a evolução pessoal como ser humano

Simplesmente Yoshitaka Amano

Se você está se perguntando o porquê FF VI foi tão impressionante para sua época, e ainda continua sendo até hoje, eu vos digo! Este trata de temas complexos que necessitam de certa sensibilidade e atenção para perceber, como tentativa de suicídio, abuso mental, culpa, abandono, megalomania, solidão, a filosófica questão da ganância pelo poder provocando genocídios apenas pelos lucros, a luta pela paz mútua unindo todas a raças, entre outras dezenas de comportamentos humanos em conflito num emaranhado de acontecimentos, uma obra de causar inveja a milhares de livros e filmes, e da qual tenho um (talvez já observado) imenso carinho. Gostaria de passar horas divagando sobre esta belíssima obra, mas irei deixar isso para outro artigo, e irei prosseguir com os exemplos.

Ainda nos JRPGs, vou falar de algo menos conhecido, e talvez o jogo com a maior carga filosófica que existe nesse mundo fascinante dos games, um dos meus favoritos da vida:

Xenogears, um entendimento sobre o fluxo do universo e da vida 

XenofuckingGears!


Me pergunto como devo começar a falar dessa obra prima complexa e cheia de informações incríveis com orçamento de pão com ovo e suco de cajá, bem... Irei tentar! Afirmo com toda certeza que a base desse jogo é justamente tudo que a filosofia estuda e tenta explicar, palpável (ou não) na sua cara! Temos aqui um pequeno exemplo, abordado como elemento inicial que guia boa parte dos acontecimentos do jogo: Ego, SuperEgo, e Id, Para quem não sabe o que são esses nomes engraçados, irei fazer um breve resumo: São basicamente modelos hipotéticos estruturais da mente que segundo Sigmund Freud se divide em três instâncias. Continua sem entender? Bom, não se culpe. Pesquise no mundo da internet sobre isso, ou espere o dia que tratarei incisivamente sobre tudo relacionado a Xenogears detalhadamente.

Acredite, eu estou ansioso pra escrever sobre algo que tanto amo. O jogo, inicialmente trata do conflito entre tais instâncias na mente do nosso protagonista, Fei. Mas, isso é só um dos muitos elementos desenvolvidos no decorrer. Devo falar também da maturidade de como as coisas são mostradas aqui, um game nessa época com uma certeza que os personagens finalmente chegaram nos "finalmentes". SIM!!! Um jogo (quantas vezes já usei essa palavra nesse texto?) oriental sem assexuados!!! E tratados de uma forma sensível e madura, isso é incrível, palmas pra isso! ... Mais palmas!

Mais palmas, pessoal!


É sinceramente incrível a quantidade de informação insana que esse jogo consegue expor, estou realmente tentado a falar de muitas delas, mas deixarei para um próximo artigo, por enquanto fiquem com esse BREVE exemplo, se ficou curioso, jogue essa maravilha, não irá se arrepender.



Shadow Of the Colossus com seu enredo silencioso e interpretativo

Sério, cara? Uma flecha? Sério mesmo? OLHA O TAMANHO DESSA PORRA DESSA AVE DE PEDRA E GRAMA!


E aqui temos o nosso corajoso protagonista, Wander. Com certeza não o mais inteligente, mas com certeza respeitável por suas proezas em escaladas. Explicando, as flechas são usadas como meios estratégicos para conseguir a atenção dos bichinhos muitas vezes maiores até mesmo que a sua mãe!
Não preciso falar do quão insano é a jogabilidade e a trilha sonora dessa belíssima obra de arte. Então vamos nos ater sobre a filosofia que cerca esse enredo.

Um resumo do enredo é este:

Wander viaja para o fim do mundo, afim de fazer um contrato com um deus/demonio/diacho não muito querido nesse universo. Para quê esse contrato? Para reviver Mono, uma garota que morreu sacrificada por motivos, batatas, não dizem o motivo. As razoes dessa morte para Wander não passam de BULLSHIT, talvez um provável costume religioso de sua tribo. E o que ele pensa sobre isso? Ele quer é que se foda. Sinceramente? Certo ele. Então ele desafia seus superiores, rouba um artefato sagrado e sai em busca de reviver essa garota.

Dormin, o demonio/deus/diacho diz para que ele, com tal artefato, mate 16 criaturas colossais, aparentemente partes da natureza do local, imbuídos com fragmentos da alma do mesmo. Inocentes criaturas que apenas dormem, andam sem rumo e jogam WAR entre si quando estão entediados. Ele também  avisa que o Wander vai se ferrar no final do processo. Mas quem disse que Wander liga? Não, ele quer é que se foda, oras, eu já disse isso.

Numa atitude extremamente egoísta e insana, ele sai em busca de assassinar tais criaturas não se importando consigo mesmo. Ele não se importa com o que acontecerá com o mundo, e muito menos com ele, ele simplesmente quer ressuscitar a pessoa que ama, um humano seguindo seus próprios ideais. O desfecho dessa incrível história você verá quando zerar esse magnifico game, porque eu não vou contar.

Desejar o bem para quem amamos também é uma forma de egoísmo.
Próximo!


Metal Gear Solid 3: Snake Eater, o sacrifício da própria honra pelo bem de todos  

Not for honor, but for you!

Continuando no ps2, Metal Gear Solid é uma série de games que sempre teve um excelente gameplay e uma ótima trilha sonora, mas não é só nisso que se sobressai. Os personagens são extremamente bem trabalhados, e o enredo tem todo o seu naipe charmoso de espionagem e "fantasia na realidade" que fascina milhões de fãs. São muitos os temas tratados nessa série, basicamente os conflitos políticos, guerras e toda sua desolação causada, e o que mais pesa pra mim, o fator de abalo psicológico que acarreta em todos os personagens da trama!

Quem é o vilão realmente? Qual o lado certo, e no que acreditar? As motivações, o entendimento sobre a complexidade subjetiva humana e a tentativa de compreensão de suas decisões, MGS nada mais é que um insano exemplo de todos esses temas juntos a uma narrativa fascinante e madura.

Vai uma cutscene aí?

Se não jogou ainda, o que está esperando?! Sente no sofá e prepare-se para assistir, digo, jogar essa belíssima obra!


Pensei num exemplo pra tratar de filosofia nos games da sétima geração, que praticamente já acabou. Inicialmente iria falar de Dark Souls, o jogo que mais joguei da geração, e talvez da vida, mas de certeza virão muitos ENORMES artigos sobre isso no futuro, neste blog, então escolhi outro. De um gênero muito criticado por geralmente abranger jogos mais "rasos", um FPS, Bioshock Infinte.

Pois bem vocês que tem preconceito com jogos de tiro em primeira pessoa, aqui está a razão para vocês pararem com essa merda!

Bioshock e a complexidade do Multiverso

A paixão momentânea que você com certeza adquire quando começa a jogar, Elizabeth! (isso vale se você for mulher também, não adianta negar!)

Bioshock Inifinite é um grande MINDBLOW na sua cara, e isso só o faz ser mais atrativo. Digo aqui que esse jogo merece, e mereceu todo hype e seu sucesso com toda certeza. Por jogabilidade e enredo. Os dramas tratados nesse jogo e os conceitos filosóficos interpessoais e religiosos são bem explícitos, basicamente uma crítica à religiosidade cega, um jogo a ser apreciado com toda calma e cuidado que ele merece. Mais um exemplo de história e narrativa que fariam inveja à este marasmo de filmes e livros que tenho acompanhado nos últimos tempos. E vejam só, o tema "multiversal" dele combina com nosso blog, que legal.

Pois bem, já ficou claro que muitos games são com toda certeza obras insanas, somadas com formas de imersão soberbas, e pessoas "pseudo intelectuais" amantes de sua verdade absoluta, ou simplesmente pessoas ignorantes por aí a fora, estão mais erradas do que pensam em pensar o contrário. Não só games, desenhos animados, histórias em quadrinhos, (nisso incluo animes e mangás também), são obras que podem chegar a níveis absurdos, e também entram nesse quesito de preconceito.    Espero que um dia isso diminua bastante, mas, esse dia... não é hoje!

Então é isso! Como já falei antes, música, séries, filmes e muito mais coisas terão análises próprias e detalhadas no decorrer do blog, que espero que viva bastante, pode-se dizer que isso é uma pequena introdução de muita coisa que estar por vir, e devo dizer que todos que contribuirão pra isso estão bem animados.
Aqui termina essa (o) grande pequena (o) introduçãodoblog/artigo.
Até a próxima pra vocês.. que será no dia.. MIL.


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Legal sua análise, concordo plenamente que existem muitos jogos que são grandes obras de arte, uma pena que nem todos conseguem ver a complexidade do mundo dos games. Agora devo ressaltar que não são muitos jogos da nova geração que estão assim, muitos estão sendo feitos apenas por questões gráficas e deixando o conteúdo de fora.

Otima analise, mas achei injusta a piadinha com Call of Duty no inicio. Desde o Modern Warfare COD apresentou uma campanha com personagens imersivos, valores como amizade, honra e dever são muito bem retratados ao longo da serie. Acho que dá pra se refletir bastante jogando uma campanha de um Call of Duty, na serie Black Ops chega a ser difícil compreender a mente de Alex Masson e todas as suas alucinações com o Reznov, juro também que ainda não sei se dou razão ao Raul Menendez ou se o considero um simples lunático.

Artigo impressionante. Acredito que o melhor poder que os games podem proporcionar, diferente de livros e filmes, á a capacidade de fazer com que seus jogadores vivam momentos, o que faz com que os mesmos sintam um pouco do que os personagens que estão controlando também sentiram.

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