Pérolas perdidas do Nintendo DS: Hotel Dusk Room 215 e Last Window The Secret of Cape West


Vou ser xingado por isso, principalmente pelos meus parças  Flames e Vann, mas Nintendo DS é meu portátil preferido. Tá, o PSP é foda, tem Final Fantasy Crisis Core, tem Kingdom Hearts Birth by Sleep, tem Metal Gear Solid Peace Walker, tem....é, tem...uh...tem muitos jogos!

E principalmente, tem emuladores ! Jogar os dois Metroids e o Zelda Minish Cap do GBA no PSP foram experiencias inesquecíveis, principalmente porque jogava de madrugada, debaixo das cobertas, sem nínguem pra me encher o saco. Ah e não posso esquecer que o PSP também roda games de PS1, e foi nele que joguei o maravilhoso Xenogears, meu JRPG preferido de todos os tempos. E eu tenho moral pra falar, pois joguei muitos JRPGs na vida, muitos mesmo!

...

Falei tanto do PSP que estou até reconsiderando o fato do DS ser meu portátil preferido, mas o PSP me marcou mais como sendo um quebra-galho, tipo, pra  jogar jogos antigos e escutar musica, do que pelo seus próprios  jogos. Acho que o fato do meu analógico ter quebrado contribuiu muito nisso.

Vai DS!

Mas enfim, eu to perdendo todo o foco, to aqui pra escrever sobre o DS! Esse portátil maravilhoso, que junto com o seu sucessor, 3DS, são as máquinas de impressão de dinheiro da Nintendo. Não importa as merdas que ela faça com os consoles, esses portáteis são a garantia de que a Nintendo não vire uma nova Sega. Nintendistas, que provavelmente não estão lendo pois não sabem da existência desse blog, não se irritem, vocês sabem que é a verdade.

Porra, perdi o foco de novo...o que quero falar aqui é de pérolas perdidas do Nintendo DS. Jogos brilhantes que quase ninguém jogou, ou que foram esquecidos pelas próprias empresas que o fizeram, ou que foram esquecidos porque a empresa que fez faliu. Não, esse post não é uma apologia a hipsters. Hipsters é coisa do Matheus Allan , esse hipster aboiolado e fedido.
Enfim, vou parar de enrolar:

Hotel Dusk : Room 215

Olha a cara de felicidade do protagonista.

Vou começar por um  gênero de jogo que é perfeito para o DS: Adventure. Eu mesmo tinha preconceito com esse tipo de jogo, acho que é por trauma de infância, pois quando tinha uns 6 ou 7 anos, passei um fim de semana inteiro somente com um jogo desse tipo para o N64. E  o pior, o jogo era japonês. Imagine a merda que foi..

Mas esse preconceito bobo acabou quando joguei essa maravilha para o DS. Nesse jogo de 2007, desenvolvido pela finada Cing, você controla um ex-policial chamado Kyle Hyde, que saiu da policia depois de uma experiencia traumática: ele foi obrigado a atirar e supostamente matar seu melhor amigo, e também policial Brian Brandley, depois de descobrir que Brandley tava traindo a policia e fazendo negócio com uma organização criminosa chamada Nile.




Kyle então arranja um trampo como vendedor de porta em porta para uma empresa chamada Red Crown...mesmo achando esse trabalho uma bosta, mas como ele mesmo diz, não tem nada melhor pra fazer, e precisa de dinheiro .Apesar de tudo isso, ele ainda acha que Brandley não morreu e tem esperanças de encontra-lo de novo...sendo que foi ele mesmo atirou no cara, e viu ele cair no mar. Mas Kyle é otimista...pelo menos nesse ponto.

Ed Vincent, o chefe de Kyle nesse novo e maravilhoso emprego, o manda entregar um pacote em um hotel chamado Hotel Dusk, que pasmem, da nome ao jogo ! Lá, ele se hospeda no quarto 215 (que só pra avisar, também da nome ao jogo!), quarto esse que tem a fama imbecil de realizar os desejos das pessoas que se hospedam nele. Mas é claro, Kyle  eventualmente descobre que esse Hotel tem muito a ver com o seu passado, com Brandley e com o PCC do jogo, a organização Nile. Sim, parece uma baita coincidência ele ter ido para um hotel relacionado ao passado dele , mas não se preocupem, a narrativa do jogo é muito foda e nada é forçado como parece.


Bom, e como um mero vendedor descobre essas tramóias todas? É porque, possivelmente por ser ex-policial, Kyle é a pessoa mais curiosa que eu já vi em um game. Mas antes de falar da curiosidade level MIL do protagonista, me deixe falar de como funciona o jogo.

O jogo utiliza muito bem os recursos do DS. Primeiro, para joga-lo, você tem que segurar o DS de lado, como um livro. Na tela da direita você controla Kyle, pelo mapa, usando a caneta stylus do DS, já  na tela da esquerda fica  a visão que você tem dos cenários, que são 3D, exceto pelos personagens que são 2D (você pode alternar entre as telas caso seja canhoto).


Kyle xeretando o quarto de um dos vizinhos, como sempre.

Os cenários tem gráficos até que muito bons para os níveis de DS. Você pode explorar bastante pelo hotel, e conforme vai avançando no jogo mais partes são desbloqueadas. Falando em exploração, na tela da direita além de controlar Kyle, você pode interagir com o cenário através dos ícones na tela. Como o icone da porta que serve pra... abrir portas (duh duh), o bonequinho para falar com pessoas que estiverem próximas, o caderno pra fazer anotações ,salvar o jogo, mexer nas opções, ver informações sobre os personagens  ou perder tempo fazendo qualquer desenho imbecil que venha na sua mente (no meu caso eram piramides com olho).

A lupa serve para investigar uma determinada área mais de perto e ver as pertinentes observações de Kyle, utilizando uma flecha para escolher qual objeto quer investigar.  A maleta, a marca registrada de Kyle, é onde se guarda os items, como chaves...e outras coisas que não lembro. Porra, joguei esse jogo em 2009, não esperem que eu lembre de tudo.



O jogo é bem desafiante, vira e mexe você estará travado, sem ter ideia pra onde ir ou o que fazer, lutando contra o seu orgulho  para não ir correndo checar um detonado. Como eu não tinha internet na época que jogava, não precisava enfrentar orgulho nenhum, só ficava furioso e com dor de cabeça mesmo.

Falei mais cedo sobre conversar com NPCs...bom  isso é mais complicado do que simplesmente conversar. Como eu também falei antes, Kyle é o  cara mais curioso e chato da face da Terra, portanto durante as conversas vão aparecer dúvidas em sua mente, representados por retângulos com um ''?"', e ele vai querer que os NPCs as respondam.

Não importa se a pessoa não que falar sobre o assunto, não importa se mexe com o passado, se vai magoar, se vai fazer a pessoa infartar, Kyle simplesmente não se importa e quer saber de tudo. Claro que essa chatice tem seu preço: se você pressionar muito, ou escolher as respostas erradas durante as conversas, vai dar Game Over.

As duvidas de Kyle são divididas em 3 classes.

- Amarelas : Perguntas que só podem ser respondidas por determinada pessoa.
- Brancas : Podem ser respondidas por qualquer zé ruela.
 -Vermelhas : São raras, aparecem mais no fim de cada capitulo, onde você terá uma conversa especial e decisiva com determinados personagens, são as conversas mais difíceis do game, qualquer resposta mal calculada de sua parte é Game Over e você será chutado do hotel. Essas conversas são uma especie de ''boss''do jogo.


Esse velho é o dono do hotel. Ele é o responsável por te chutar pra fora da espelunca caso você faça alguma burrice.

O game é difícil, exige paciência de monge budista as vezes, mas vale a pena. A narrativa é tão natural e  bem construída que você não vai querer largar o DS até  descobrir os segredos daquele hotel.  Todos os personagens são interessantes, TODOS mesmo. É aquele tipo de jogo que é tão imersivo que você quando se da conta começa a se envolver com os personagens, começa a odiá-los ou ama-los pelas suas características e pelas suas personalidades, e não por serem chatos e desinteressantes.

A arte do jogo é espetacular, mesmo sendo desenhado a mão as expressões dos personagens demonstram perfeitamente o que eles são e como se sentem, como o véio carrancudo da imagem acima (graças a um método de animação muito foda, coloco um vídeo explicando o processo todo depois, prometo).Isso somado a trilha sonora impecável e ao jeito como a história é contada, cria uma atmosfera tão unica ao jogo que é difícil não sentir imersão jogando essa merda. E o fato de eu ter jogado ele em uma época de inverno ajudou bastante. O que isso tem a ver?

É que o game todo se passa durante a noite dentro de um hotel, no fim do ano, ou seja, é inverno no game. E sendo inverno no game e inverno na vida real...a imersão aumenta. Pelo menos na minha cabeça isso faz sentido.

E quando eu disse a noite, é uma noite só. O jogo todo se passa no intervalo de 5 horas da tarde a 2 da manhã, dividido entre 10 capítulos,  mas não se preocupe, não existe um cronometro para você passar cada capitulo o mais rápido possível. Dependendo de quanto tempo você ficar travado, quinze minutos no tempo do jogo pode durar uma eternidade no mundo real, ao estilo batalha do Goku contra o Freeza.




Único grande problema que vejo nesse jogo é que ele é completamente linear, não existe alternativas diferentes para completar os capítulos, Ou seja, fator replay aqui não existe. Tá, com as limitações do DS seria meio difícil o jogo ter vários caminhos diferentes, mas não deixa de ser um problema não ter incentivo nenhum para voltar a jogar...a não ser  deixar ele parado durante tanto tempo que você vai esquecer mais da metade do plot e vai ter que jogar pra lembrar( aconteceu comigo).

Outra coisa que pode incomodar, mas que não considero um problema  é que o jogo pode ser meio frustrante as vezes....mas quer saber? Esse é um dos motivos que eu adoro esse jogo. Não vou ser retardado ao ponto de criticar o jogo por ser muito desafiador, como a mídia ''especializada'' fez com o Alien Isolation.

Enfim, o jogo é um dos melhores jogos de DS e infelizmente é muito pouco conhecido. Portanto se você não jogou, de um jeito e jogue. Isso vale não só para os leitores (se é que tem algum leitor), como também para os meus amigos colaboradores desse blog. Vão lá jogar.

Mesmo sendo desconhecido, o jogo teve uma continuação, que foi uma baita surpresa pra mim. Não é só pelo jogo ser desconhecido, e não é que o final não deixe brecha pra continuar....é que, sei lá, Hotel Dusk parece um jogo tão único, tire pelo próprio nome, o jogo todo se passa em um hotel especifico,que é crucial para a história, que desculpa os caras usariam para deixar o coitado do Kyle preso o jogo todo novamente em um ambiente novo sem relação com o velho Hotel Dusk na continuação sem que pareça forçado?

Eis que em 2010 essa pergunta é respondida pois é lançado Last Window : The Secret of Cape West. Somente no Japão e na Europa, americanos se fuderam.





Não vou falar muito desse jogo, porque não precisa. Todas as mecânicas do jogo anterior estão de volta, sem muitas alterações. Sim, os gráficos estão um pouco melhor, existem novas opções, como a possibilidade de combinar ou comparar items ,mas essas mecânicas são exigidas raramente.

O jogo ser quase a mesma coisa que o anterior não é necessariamente algo ruim, se você gostou do primeiro, é claro. A história continua interessante e bem conduzida, e quase não tem relação nenhuma com o jogo anterior, a não ser por umas poucas referencias. Isso é bom para quem começar primeiro por esse, pois não vai sofrer spoiler nenhum do outro jogo.

Lembram quando eu me perguntei qual a desculpa que dariam para colocar o senhor inconveniente Kyle Hyde  novamente preso em um só ambiente o jogo todo assim como no game anterior? Pois bem, a solução que arranjaram foi não colocar ele preso em um hotel, claro que não, isso seria uma falta de criatividade absurda.Dessa vez ele passa o jogo todo preso em um apartamento!

Apartamento esse que também já foi um hotel no passado.

Uma solução bela e criativa !!!

É...minha ironia extrapolou todos os limites nesse ultimo comentário, Mas é que realmente parece forçado e nada criativo o jogo se passar novamente em um hotel...digo, apartamento que já foi hotel. Mas por outro lado não consigo pensar em um outro ambiente para os jogos dessa série. Onde mais poderia se passar? Na vila do Chaves??? Olha só, até que seria interessante ver o Kyle enchendo o saco do Seu Madruga perguntando porque ele não paga o aluguel, ou perguntando pra Bruxa do 71 como ela tem tanto dinheiro se não trabalha.

É, to perdendo o foco de novo.

Melhor falar da história do jogo logo. O jogo se passa um ano após o anterior, em 1980. Ou seja, o game anterior se passa em 1979, algo que eu acho que não mencionei antes, pois sou imbecil.

O apartamento onde o jogo se passa, Cape West Apartaments, assim como o velho Hotel Dusk, é um lugar cheio de segredos...e por coincidência do destino também tem algo a ver com o passado do Kyle. Criatividade MIL.

Mas se a premissa não é nada criativa, o enredo continua intrigante e bem construído. Logo na intro, o jogo já nos mostra dois assassinatos. Um em 1955,  quando um cara  consegue abrir um cofre com uma pedra preciosa lá dentro. Parece o dia de sorte do sujeito, ele até da um sorrisinho besta como comemoração...mas eis que surge um estraga prazeres e atira no cara. O outro é em 1967, .uma mulher morta na mesa, enquanto seu suposto assassino sai do lugar, fechando a porta com cuidado para não incomodar a defunta. Ambos assassinatos acontecem no Hotel Cape West...sim, na época dessas mortes, o lugar ainda era um hotel. E porra, deve ser mal assombrado essa merda, de tanta gente que morre lá.




De volta a 1980, nosso herói vacila com o patrão, e esse de saco cheio  do jeitão dahoravida de Kyle, resolve demiti-lo. Kyle então volta com o rabo entre as pernas para o apartamento Cape West onde está hospedado. Para o dia ficar pior ainda, ele descobre que a coroa dona dos apartamentos quer que todos os hospedes saiam do apartamento até o fim do mês, pois vai demolir o lugar. Engraçado que ela deixou uma correspondência a muito tempo para todos os hospedes do lugar, avisando da demolição, mas Kyle é tão desleixado que nem chegou a ver.  O cara ta nem ai pra própria vida, pelo jeito só a vida dos outros o interessa.

Mas quando vai checar suas correspondências, não é só o aviso da coroa que Kyle encontra. Lá também está um amontoado de cartas, a maioria contas ou panfletos, ou seja, ele não da a minima. Mas uma delas chama a atenção: uma carta misteriosa, mandando Kyle investigar sobre uma coisa chamada ''Scarlet Star'', e também sobre os mistérios daquele apartamento que ja foi hotel. Ele eventualmente descobre que aquele lugar tem relações com seu passado....ou melhor dizendo, com o passado do seu pai.


Todos os personagens são legais...mas tenho um carinho especial pela Claire, a primeira da parte superior esquerda.

Assim como o jogo anterior, todos os NPCs são  interessantes, a trilha continua foda, assim como a arte e a ambientação. São 10 capítulos, dessa  vez se passando no intervalo de uma semana, e não de uma noite como Hotel Dusk. Mas isso não faz diferença pra falar a verdade, pois como eu disse antes, nenhum dos dois jogos te pressiona a passar as partes rapidamente.

Se o game traz de volta as qualidades do anterior, também traz seu principal problema: é totalmente linear. Mas pelo menos agora temos uns incentivos para voltar ao jogo. Como por exemplo, ouvir as excelentes musicas do jogo a hora que quiser, e dois minigames: Um de bilhar, e o outro que não entendo porra nenhuma.

Mas o melhor incentivo de voltar ao jogo é o modo de livro. A cada capitulo que você passa, poderá ler sobre os acontecimentos em forma de livro. Em ambos os jogos já tínhamos um resumo sobre os personagens no caderno de anotações do Kyle, mas eram sobre a perspectiva dele. Nesse modo de livro não, tudo é escrito em terceira pessoa de modo imparcial. O livro tem até um suposto escritor chamado Martin Summer, com biografia no começo e tudo.


Martinho Verão é o escritor do livro.

Isso é ótimo, pois se você curtiu a história e quer rever, não precisa jogar o jogo todo novamente, é só ler no modo de livro, que é muito bem escrito e detalha nos mínimos detalhes os acontecimentos da história.

Enfim, se você curtiu o primeiro game e ficou querendo mais, esse jogo é perfeito pra você. Não traz novidades, mas traz uma nova história tão legal quanto a de antes, e com as mesmas mecânicas que fizeram Hotel Dusk um jogo tão foda. Infelizmente esse foi o ultimo game da  desenvolvedora Cing, que fechou as portas em março de 2010. Uma pena, pois todos os jogos que joguei dessa empresa são fodas. Inclusive acho que vou tentar terminar um jogo deles chamado Another Code, que parei de jogar por algum motivo.

E antes de terminar esse artigo, vou cumprir a promessa de deixar um vídeo mostrando e explicando o processo de criação das animações dos dois jogos. O jogo mostrado no vídeo é Last Window...mas foda-se, vale pelos dois.




Bem, então aqui termino esse artigo que ficou mais longo do que imaginei, admito. Pretendia falar sobre outros jogos além desses dois...mas fica pra outra hora, afinal pérola perdida no DS tem de monte. Mas isso não significa necessariamente que meu próximo artigo vai ser sobre isso...pode ser que sim, pode ser que não, vai depender do destino , do cosmos,do alinhamento das energias cármicas universais de...mas que porra eu to falando? Melhor eu dar o fora antes que saia mais merda

Fui ! Volto no dia Mil.

Postar um comentário

[facebook]

Flames

PedroTreck

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget