Uma viagem filosófica sobre o universo de Fullmetal Alchemist

          


Alquimia no mundo real e no mundo de FMA

Uma combinação de várias áreas do conhecimento humano, de física à medicina, de química à filosofia, entre outras, todas unidas em uma definição (que gosto muito por sinal) Ciência Mística.

E AGORA? DESLIGA! TA PEGANDO FOGO, BIXO!!!!!
Seus objetivos mais conhecidos e comuns eram de “evoluir” metais ordinários para que se transformassem em ouro, usando inúmeros métodos químicos/"místicos". Eles acreditavam que todos os metais evoluíam para o ouro, logo, tentaram criar algo que acelerasse esse processo. Eles também buscavam obter um elixir que os proporcionasse vida eterna, e logicamente não foram os únicos ao longo da existência humana que procuraram algo assim. Mas o que seria tão milagroso para transformar aquele prego amassado e sujo que você pisou por sua falta de atenção porque é um bobão em algo tão valioso como ouro que vale mais do que dinheiro, ou o que faria você viver o suficiente para ver as odisseias espaciais da humanidade, e talvez, o capitulo final de Berserk

A Pedra Filosofal! 

Sim, existem inúmeras obras literárias e lendas que a usam como elemento incrível e inigualável em seus enredos. O fato é, a alquimia do mundo de FMA tem a mesma premissa que a real, exceto pelos claros fatos fantasiosos, como por exemplo, a alquimia ter um poder bélico tremendo e consequentemente ser usada em guerras, o que gera complexidades filosóficas e psicológicas nos personagens, entre outros. Claro, fazendo três círculos no seu quintal e “BAM!”, você faz um canhão que atira galinhas de ferro pra abater aviões de guerra. E vocês sabem que não estou exagerando. 

Bem, você precisa ser muito estudado, talentoso e ora, porque estou divagando sobre elementos conceituais de ação de um universo fictício? 

Eu sou idiota, enfim...

YEAHHHHHHHH, GALINHAS!!!
Apesar de ser uma "arte" antepassada, hoje em dia ainda é comum você ver alquimia. Provavelmente tem alguém que pratica no seu bairro. Calma, certamente sem círculos ou transmutações em humanos... Digo, existem estabelecimentos que vendem produtos de limpeza e que utilizam alquimia (da sua forma química, não mística)  em suas fabricações e... isso foi só uma informação random.


Prossigamos!

A Pedra Filosofal


Existe uma lei no nosso mundo muito respeitada pelos alquimistas e muito usada em FMA, a lei da Troca Equivalente: "Para se obter algo, é necessário oferecer algo em troca do mesmo valor". São inúmeros os exemplos que posso citar embasado nessa lei, mas quero que pense nelas sozinho, e quero que pense se nós humanos temos a capacidade de ignorar essa lei também. 






Bom, continuando, existe algo capaz de ignorar essa lei completamente, e você já deve saber o que é. Como já afirmei antes, ela também pode curar, dar vida eterna e transformar metais em ouro... ou qualquer coisa, na verdade, é um poder desigual sem restrições.  

A Pedra Filosofal é apenas um conceito de um material de extrema energia condensada, com capacidades supremas. Não é necessariamente uma pedra, pode ser liquido também, não há um formato físico definido.

Enredo

A história se inicia com os dois irmãos Edward e Alphonse Elric. Ambos alquimistas procurando a famosa Pedra Filosofal, com a intenção de resgatar seus corpos, já que eles os perderam brincando de adedonha com Deus. 


...

Ok, não foi bem assim. 

Ambos tentaram reviver uma pessoa amada, a mãe deles. Mas a transmutação humana é algo perigoso e incerto, é considerado um tabu para os alquimistas, uma violação das leis universais que regem o mundo. 


Por amor, inexperiência, e uma prepotência gerada pelo poder e o conhecimento da alquimia, eles ignoraram as leis e quebraram o tabu, um erro compreensivo. 

Eles enfrentaram a "Verdade", e as consequências disso foram graves, eles acabaram pagando um preço altíssimo por esse ato, não só fisicamente, como psicologicamente também. 

A Verdade, talvez cruel, mas absoluta.  

Fato interessante é que, até então, era tido como que eles tivessem errado em sua transmutação, algum cálculo, talvez,  mas, não, nunca daria certo, o universo possui leis, ninguém pode voltar a vida, e essa é a lei que nos conduz, nós humanos não devemos brincar de deus, não devemos brincar com a vida, e isso é sintetizado de forma genial nessa obra.  

Essa busca nos ensina muitas coisas, muitas filosofias a se pensar, no final nos faz crescer como indivíduos e percebemos a evolução dos personagens da obra também, não consigo dizer quantos personagens evoluem, de tantos que são, e isso é algo invejável pra qualquer obra que se submete a passar esse tipo de narrativa por aí.

O conceito filosófico do conhecimento como ruína


Como já falei antes, no universo de FMA a alquimia possui muitas abrangências. Medicina, engenharia e principalmente retratada aqui: como poder bélico. Consequentemente usado pelo exercito em guerras, o que acarreta tremenda desolação e assassinatos em massa, já que o poder da alquimia no anime é absurdo e em particulares casos ainda é potencializado. Lembra das galinhas de ferro que abatem aviões, não é? Tipo assim.

Mas vou dar um exemplo melhor:

O alquimista das chamas


Roy Mustang, com o poder mais insano de FMA, arma poderosa do qual herdou do seu professor, uma das, quiçá a mais mortal alquimia criada pelo homem, arma que terá o destino de morrer com Roy, já que ele "destruiu" a fórmula para que ninguém mais tivesse acesso, por culpa de tantos que ele assassinou graças à mesma.

Não só isso, as transmutações humanas, transmutações em bestas (sim, lembre da Nina), e os casos de desgraças que isso gera e gerou, só acentuam ainda mais a grande indagação que a obra propõe aos personagens e a nós, leitores ou espectadores. 

“A alquimia é a responsável por isso, ela é a culpada?“ 
                                
“Uma arte que causa tamanha destruição, é isso que vocês alquimistas tanto admiram?!” 

É fácil assimilar essa questão com os cientistas e a ciência que usamos no nosso mundo, certo? Uma “arte” que nos fez evoluir e que gerou armas terríveis de destruição. Foi a “responsável” pelo assassinato em massa de incontáveis pessoas ao longo das eras.

E qual a resposta de Alphonse Elric, o irmão mais novo, que perdeu o corpo “graças a arte que ele tanto admira” e foi obrigado a ter a alma confinada numa armadura, na tentativa desesperada do irmão para o salvar, sendo assim incapaz de sentir, alimentar-se ou dormir?

“Eu acredito nas possibilidades da Alquimia!”


A alquimia e meu irmão foram os responsáveis pela minha permanência nesse mundo, mesmo depois de ter errado,  mesmo que dessa forma, se eu reclamar disso, estarei não só reclamando da alquimia, mas também da chance que meu irmão me deu de sobreviver!”

Em suma, nós temos o poder da escolha. Nós temos a capacidade de escolher como usamos o poder que nos é dado, ou que nós conquistamos. 

A questão é: a culpa não é da alquimia, a culpa não é da ciência, não é da evolução. 

A culpa é de quem as usa!

Não devemos nos limitar de nós mesmos, devemos evoluir, achar as respostas compreendendo um ao outro,  evoluir espiritualmente juntos. E acho que essa é uma das maiores lições que tirei desse mangá com toda sua forma inteligente de expressar isso. 

Ora, vejam só, como é incrível ver esse tipo de abordagem literária em obras tão vitimas de preconceito. 

Continuemos.


Homúnculos e os pecados capitais

"Homunculus", mais uma criação alquímica antepassada, que é teoricamente um humano criado artificialmente. E no caso do anime, não é diferente, mas claro, com suas mudanças fantasiosas e suas capacidades extraordinárias graças à pedra filosofal como núcleo. 



Retrato de uma família feliz


Aqui temos 7 homúnculos que deram certo e todos foram criados com base em vícios da condição humana, descartados de seu pai, seu criador, uma espécie de homúnculo primordial.

Aqui os homúnculos são respectivamente representando pelos 7 pecados capitais, que podem ser considerado a “fraqueza” do ser humano, algo que o “pai” queria se livrar. Logo suas personalidades são bem difundidas, o que rendeu personagens fascinantes.

Eu estava pensando em definir o pecado que mais sintetizava o humano, mas, ao pensar bem, vi que era desnecessário, afinal, cada pecado está relacionado diretamente conosco, se tornou algo tão comum que nem percebemos, mas todos eles fazem parte da humanidade IGUALMENTE.

Inveja/Envy

Como já falei, todos os homúnculos possuem capacidades extraordinárias e que algumas vezes combinam com suas personalidades. Inveja pode se transformar em qualquer animal copiando sua aparência como bem desejar, por exemplo. E é um dos personagens com o maior crescimento pessoal da série. Ele despreza os humanos,  sempre que pode os diminui para se enaltecer, uma tentativa frustada de negar a inveja que ele tem das capacidades humanas que lhe falta.

Preguiça/Sloth

Pode parecer um personagem simples pra maioria, e na verdade ele praticamente não fala nada coerente, apenas algo que observei e achei extremamente interessante: Ele tinha tanta preguiça, que a morte, um “repouso aconchegante”, pareceu a melhor solução para ele fugir das suas responsabilidades, e ele a aceitou feliz e aliviado. 

Claro, por preguiça...

Gula/Gluttony

Criatura que se mostra inofensiva ou assustadora em determinados momentos, e com certeza é um conceito genial proposital que autora usou, ou só eu que penso assim? 

Orgulho/Pride

Mais um personagem que se mostra complexo. Por viver cercado de afeto acabou desenvolvendo a vontade e carinho, mas negou a si mesmo, com o orgulho.

Ira/Wrath  

O personagem mais BIG BOSS dessa série, THE FUCKING BIG BOSS, e direi apenas isso.

Luxúria/Lust

Particularmente todos adoram, a sensual que bancava a fodona mas foi a primeira "a rodar" e talvez por isso não tenha ganhado tanta profundidade dos seus plots.

Que ultraje!
Ganância/Greed

O personagem que mais me impressionou nesse anime e que mostra um ponto de vista fenomenal sobre esse vício humano que ele representa tão bem. 

"Eu quero reencontrar alguém", "Quero dinheiro", "Quero mulheres", "Quero proteger o mundo". Em outras palavras, desejos. Pra mim, não há bem nem mal quando se fala de ganância  – Greed


O que para nós parece algo nobre, nada mais é que puro egoísmo humano. Uma visão sensacional e um personagem inteligentíssimo pra mostrar isso, palmas pra tímida autora Hiromu Arakawa!

Bom, continuando sobre os homúnculos, todos eles desmerecem os humanos, seja por nossa mortalidade, fragilidade ou por assistirmos BBB e votarmos em ladrões para nos governar. Em determinado momento, Wrath esta conversando com Greed sobre seu mais novo recipiente humano, príncipe Ling Yao. 

Eles batem um papo normalmente, quando Wrath diz que já tinha discutido sobre o que era ser um rei com Ling, e o chama de idiota por ter virado o recipiente de Greed por vontade própria.




Ling se sobrepõe ao controle de Greed rapidamente só pra recitar essas palavrinhas em voz alta na cara do surpreso Wrath, que fica com cara de... bem...




Sempre vou rir dessa cena.

Ciclo de ódio 


São muitas as formas de identificar esse tema em FMA. Um massacre de uma população e sua cultura, uma igreja usando a fé para manipular uma população desamparada e causar guerra ou simplesmente o assassinato de um amigo querido que desperta o desejo de vingança. Todas tratadas coerentemente junto a uma grandiosa conspiração mundial.

Apenas uma diferença com o mundo real: os personagens que fazem parte disso evoluem na obra. 




Envy, em determinado momento, indaga desesperadamente sobre o porquê dos personagens não estarem se matando, dadas as suas diferenças relacionadas a vingança.

O que faz com Edward Elric solte um dos melhores quotes dessa série!

"Envy, você está com inveja dos humanos? Nós, humanos, somos bem mais fracos que vocês homúnculos... Mas mesmo que estejamos arrebentados e acabados, mesmo quando erramos nosso caminho ou caímos, sempre nos levantamos. As pessoas ao nosso redor nos ajudam a levantar, e você tem inveja dessas pessoas."

Eles mesmos tentam anular o seu ódio ou andar com suas próprias pernas, e isso é uma lição de vida que um anime, ou um mangá, uma "revistinha em quadrinhos" que para muitos não passa de algo infantil, e que ensina algo tão fantástico, de uma forma tão inteligente e palpável. A questão não é só a lição, também o exemplo dos personagens evoluindo e se relacionando, inspiram e enriquecem ainda mais a mensagem e os seus receptores.

A ideia de "Deus" 

“Eu sou o que chamam de “universo”, ou talvez “tudo”, ou talvez “verdade”, ou talvez “um” ou talvez “deus” e eu sou... você”.

Essa é a visão sobre a força suprema que controla o fluxo do universo de FMA, e uma das mais, apesar de abstrata, coesas que já vi. Ela é mostrada como uma força suprema, aterradora e justa com as leis universais. Tal existência aparece em frente ao Portão da Verdade para os que fizeram a transmutação humana.

Essa é exposta como alguém que possui silhueta de quem a “visita”, com voz e forma, creio que inspirado pelo “somos criados à imagem de Deus". Há muitas variações de como consigo entender essa visão da autora, creio que seja a "consciência potencial", ou um “Deus interno”, que quem vê a “verdade” adquire, como a autora mesmo diz. Algo que só pode ser visto por quem alcançou a "verdade". Em outras palavras, algo que desperta do nosso interior, um "nós" falando com "nós" mesmos... Já que "deus" é tudo e todos... 

Sim, eu sei, é confuso.

E provavelmente eu deixei mais ainda, agora, com essa viagem.

O portão da verdade possui a Arvore da Vida desenhada nele, um sistema cabalístico complexo e bem estudado por alguns no ocultismo.  

                                     
                                     

De alguma forma, parece que é possível chegar a "Verdade" e absorver "Deus", mas digamos que isso seja algo abstrato demais, e que talvez seja tratado num texto pertinente apenas à isso, em outra hora.

A ideia do "preço" da "Verdade" é uma das coisas mais interessantes que dá pra se observar em FMA. 

Como punição para os que se tornaram pretensiosos, a verdade toma "algo" importante pra eles em troca. No caso de Alphonse, que perdeu todo o seu corpo e ficou incapaz de sentir aquilo que tanto admira, o carinho e o calor daqueles que são próximos. Roy Mustang, um homem com uma visão próspera do futuro, almejando mudar tudo, teve sua visão levada. 

Enfim, alguns dos exemplos das "vítimas" da verdade absoluta na obra.


A ideia central de FMA

"Um é tudo e tudo é um". 

Em outras palavras, tudo é criado a base de um, e tudo retorna a um, esse é um entendimento universal que FMA e a alquimia propõe, não só no próprio universo como no nosso também. 

Mas qual a ideia realmente?

A de compreender o mundo ao redor e a nós mesmos!

A alquimia tem um sentido filosófico, o sentido da transformação, não apenas de materiais químicos, falo mais especificamente da transformação mental, espiritual.


A capacidade de mudar e evoluir individualmente como ser humano. Pra mim, essa é a ideia central de FMA e minha visão favorita sobre a alquimia.          

Será que há alguma forma de ignorar a regra “absoluta” da troca equivalente?

"Procurar possibilidades não baseadas nas regras, é necessário para evoluirmos".

Esse anime, e a própria ideia filosófica da alquimia nos incita a mudança pessoal, andar com as próprias pernas e achar as respostas observando o nosso mundo e nós mesmo, então busquem uma forma de conseguir compreender isso.

Considerações finais

Chegando ao fim desse artigo quero ressaltar certas coisas, pra começar quero falar de FMA 2003, um anime que foi conduzido ao seu final com a péssima ideia de terminar antes do mangá se concretizar, o que rendeu um grandioso filler que eu descartaria se não fosse sua animação sensacional, sua trilha emocionante e... muita nostalgia. Vejo muita gente dizendo que o 2003 tem arte e trilha melhor, o que eu discordo, mas, bem, isso é questão de gosto pessoal e não tenho pra quê discutir isso aqui.

A história original do mangá é uma mistura madura de humor e seriedade, precisamente no anime, com lutas fantásticas e bem animadas, bem arquitetadas, assim como a autora/artista projetou já no mangá. As lutas geralmente possuem vários elementos, e RARAMENTE, terminam num embate... "1x1", se é que me entendem.

Com uma qualidade invejável, uma trilha incrível, uma animação de encher os olhos e que qualquer pessoa deveria assistir. O desenvolvimento dos personagens é genial e você tende a evoluir junto com eles, e o enredo se completa coercivamente juntando todas as pontas soltas, com certeza uma obra emocionante!





No mais, assistam o anime Brotherhood, ou leiam o mangá, caso ainda não o fez é tá sendo idiota pra ler esse artigo e tomar um monte de spoiler, ou tá sendo idiota simplesmente por ler esse artigo, quem sabe. Desfrutem dessa obra genial, e se o já fez, meus parabéns!


Até o próximo artigo, que sai mais ou menos no dia... MIL!

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