Marvels: A Era das Maravilhas!


I’M  BACK, BACK IN THE NEW YORK GROOVE! E bem, pra tentar equilibrar com a enciclopédia que o Vann tá fazendo do Multiverso DC, nada melhor do que provavelmente a obra definitiva contando a cronologia Marvel. Sim meus caros, hoje o artigo é sobre a obra de arte de Kurt Busiek e Alex Ross: Marvels.

Bem, para quem não sabe, a palavra “Marvel” significa “Maravilha”, eis aí o motivo deste título. Aliás, é justamente de “maravilhas” que a trama dessa história se foca. Se iniciando no fim dos anos 30 (mais precisamente em 1939), justamente na época em que surgiram nas HQs da Timely Comics (essa que hoje vocês conhecem como Marvel Comics, ou a casa do Arqueiro Verde Roxo), seguindo até 1973. Sem dúvida o que torna genial essa obra não é só o simples fato de organizar cronologicamente vários dos momentos dos personagens Marvel durante esse período, mas sim ter como protagonista um humano comum, um fotografo chamado Phil Sheldon, deixando os Super-Heróis num plano de fundo, como coadjuvantes, mesmos esses sendo o tema principal da história.


Essa graphic novel, dividida em 5 partes (4 tomos para a história principal e mais uma edição zero explicando melhor um dos trechos do primeiro tomo), foi publicada pela Marvel entre janeiro e abril de 1994 (a edição zero só foi sair em agosto do mesmo ano) e no Brasil pela editora Abril em janeiro e março de 1995 (a edição zero saiu pela Pandora Books apenas em 2001), além de ser possível encontra-la nos encadernados (capa dura e capa mole) de 2005 da Panini e o de 2013 (capa dura) da Editora Salvat (esse que li). Nesse artigo vou tentar analisar mais a obra, algo que não costumo fazer, é verdade. Logo, resolvi falar de EDIÇÃO POR EDIÇÃO, analisando cada uma e relacionando com edições clássicas da Marvel, as quais sempre recebem referências no livro. Não se preocupe, vou tentar evitar dar muitos spoilers, mesmo tratando de edição por edição. Mas antes, vou apresentar os principais personagens da trama:

Philip Aaron Sheldon: Fotografo freelancer, iniciou sua carreira durante os anos 30. Sonhando em trabalhar em meio a Segunda Guerra Mundial, acabou se apaixonando pelos super heróis que não paravam de surgir, os quais ele mesmo denomina como maravilhas (marvels). Phil passa quase toda sua vida fotografando super seres, o que lhe motiva a escrever um livro tratando sobre os mesmos, colocando as melhores fotos de sua carreira em seu livro. Durante a história Phil começa a ficar cada vez mais reflexivo, filosofando mais e mais conforme as atitudes das pessoas ao seu redor começam a lhe irritar ao passarem do limite da hipocrisia. 


John Jonah Jameson: Repórter durante os anos 30 e 40, é um velho amigo de Phil. Na trama conseguimos ver os motivos pelo "ódio" do patrão de Peter Parker pelos super heróis. Ele funciona como um lado oposto de Phil, vendo um lado maligno nos super seres, fazendo de tudo para que o povo se vire contra eles, gerando sempre conflitos com os ideais de Sheldon.






Doris Jacquet: É a namorada (e mais pra frente esposa) e Phil Sheldon. Enfermeira, viu junto com Sheldon o surgimento das maravilhas. Tendo duas filhas com Phil, durante quase toda a história se vê preocupada pela fixação de seu marido pelos super heróis, tema que o faz esquecer da família várias vezes, sempre focado em tirar fotos destes seres, para poder dar uma vida digna para sua mulher e filhas.





Marcia Hardesty: Também fotografa, se torna assistente de Phil no fim da carreira do mesmo. Com o cansaço da idade e com o seu grande envolvimento com os super heróis, Sheldon vê Marcia como sua sucessora. Ela compartilha de pontos de vista semelhantes de Phil e vê pessoalmente o tão envolvido e perdido Sheldon fica graças à hipocrisia humana.





Ben Urich: Repórter investigativo do Clarim Diário, ajuda Phil a escrever um texto envolvendo Homem de Ferro e Tony Stark, tratando sobre o recente investimento de Stark nos Vingadores, esses agora sendo perseguidos pela mídia e pelas pessoas, considerados farsas manipuladoras. Para quem não sabe quem é, ele é aquele repórter de boina no filme do Demolidor.








Agora que já estão apresentados, vamos começar essa budega pela edição 0. Sim, eu sei que ela foi a última a ser lançada, mas ele se passa durante os primeiros momentos da edição 0, então vamos botar isso na ordem, ok?

Marvels #0: A Origem do Tocha-Humana


Phineas Thomas Horton, sem dúvida um homem brilhante. Muito à frente de seu tempo, provavelmente foi o maior cientista dos anos 30. Sem ficar preso a limitação dos outros cientistas, Horton sempre buscou desvendar os mistérios humanos. Um androide. O projeto final de uma vida de estudos sobre a humanidade. Brincar de Deus, para muitos. Para Horton seria a demonstração da evolução científica.

Infelizmente seu projeto não saiu assim como previa, e seu “humano” artificial sofria uma grave reação química ao entrar em contato com o oxigênio, o fazendo pegar fogo, assim como uma tocha. É, uma TOCHA-HUMANA. Um homem que pega fogo, nada chamativo para a mídia e para a comunidade cientifica. Todos tinham medo do tão perigoso seria algo “medonho” como aquilo.



Infelizmente a sociedade não estava pronta para algo tão grandioso como isso. Ou estava? O destino não pergunta para as pessoas se elas querem aquilo ou não, apenas o faz. Um raio. Um simples raio serviu para liberar Tocha-Humana da prisão subterrânea que seu “pai” o mandou, para aprender sobre a vida e tudo de bom sobre ela, mas sem ao menos poder respirar aquele oxigênio tão bom mas que ao mesmo tempo representava perigo para os humanos. Um homem pegando fogo na rua, buscando seu destino entre os homens. Assim se dá início a Era de Ouro das maravilhas.


O Tocha-Humana original. Sem dúvida um personagem mais do que interessante. Aliás, o fim dos anos 30 foi muito interessante. Do nada começaram a surgir super seres nas bancas de jornais, todos com o único foco: Acabar com a bandidagem e espalhar a paz. Algo gratificante para as crianças, que ouviam nos rádios sobre a carnificina que estava ocorrendo na Europa. Mas considero o Tocha um personagem bem mais peculiar. Ele fugia um pouco do lado “ídolo” de Superman e Shazam, para seguir num lado mais focado no desenvolvimento da ciência e um pouco no terror (gênero o qual a Marvel trabalhou por anos), apresentando um personagem que buscava o bem, mas não era totalmente aceito (algo que seria reutilizado no Hulk e nos X-Men, por exemplo), algo que se refletia no Namor, os dois apresentados na mesma clássica revista Marvel Comics #1 (ok, Namor foi apresentado em 1938, mas vamos “considerar o cânone”). O medo de “homens criados em laboratório” sempre foi um conceito bacana, desde que o tema foi apresentado nos cinemas alemães em Metropolis e bem... Discussões de ética sobre clonagem e criação de androides nos tempos atuais mostra que não evoluímos tanto.


Marvels #1: Um Tempo de Maravilhas


Nova Iorque no fim dos anos 30. Uma sociedade sem medos, encorajada após superarem a grande depressão. Muitos com vontade de participar da sangrenta Segunda Guerra Mundial. Entre esses corajosos estava Phil Sheldon, um jovem fotógrafo que tinha como sonho trabalhar como corresponde na Europa, e poder presenciar de perto tudo que estava acontecendo, diferente de seu “amigo” Jameson, esse que ainda queria ficar na América, formar carreira e um dia se tornar diretor do Clarim Diário. A ilha de Manhattan parecia ser um simples local pacato, até que um cientista chamado Thomas Horton faz uma grande apresentação. Um androide, esse que pegava fogo. Um prato cheio para a difamação da mídia. Um truque de luzes, diziam a maioria, e deveria ser. Deveria até um ser flamejante passasse pegando fogo pelas ruas e deixando rastros. Não, deveria ser apenas um truque bem feito. Um homem nu com olharas pontudas e super força. Ilusões de ótica diziam. Em meio à uma sociedade de céticos, Sheldon era um dos poucos que tinha certeza que tudo era real, e as ocorrências de casos envolvendo água, fogo e seres poderosos deixava isso mais claro.

Tocha Humana e Namor. Eram esses os sujeitos. Duas aberrações para o povo, e para Sheldon também pareciam ser. Os dois eram vistos como monstros assassinos, e mesmo com suas boas ações, o povo preferia ver o lado ruim da coisa. A questão é que, ao menos Namor, estava longe de ser um pacifista e realmente se apresentou como uma ameaça à sociedade, querendo vingar seu povo. Do outro lado havia o Tocha, esse que amava a vida humana e por isso sempre queria protege-la. Com duelos de fogo contra água, Tocha Humana começou a ganhar o apoio da sociedade, essa que logo esquecia esse apoio ao fim das batalhas, o culpando dos mortos e feridos em suas lutas. Um show no ar, era o que Phil conseguia ver nas lutas entre os dois, fazendo ele admira-los, levando a abandonar a ideia de ir para a guerra, e odiá-los, o fazendo temer pela vida de sua noiva Doris.



O primeiro tomo da história eu diria que é o mais longo. Aqui é possível ver a negação e a aceitação do povo em relação aos super seres. A população de Manhattan começa a ver que eles que teriam que se adaptar aos “heróis” e por isso querem cada vez mais o distanciamento dos seres. Ao passar do tempo surgem mais e mais “poderosos”, mas eis o principal: Capitão América. Os Estados Unidos enfim entraram na guerra, e agora possuía um símbolo, esse que seria um espião americano que lutava contra nazistas. Enfim a América possuía um herói só seu.

Desde já podemos ver o tom “humano” da HQ. Aqui muito se foca nas consequências dos super seres, com graves feridos e mortos durante as aparições de Namor e Tocha Humana, principalmente quando o combate era entre os dois, um assunto que muitos hoje adoram discutir sobre a batalha final de O Homem de Aço.

Sim, o Namor é aquele vulto montado em golfinhos sobre a onda... Sem dúvida um claro pacifista :)


A história sozinha resume bem a fase Timely Comics, representando momentos principalmente da Marvel Mistery Comics e considero uma boa pedida para quem quer saber mais sobre essa fase dos anos 30 e 40 da Marvel.

Marvels #2: Monstros


Bem, a primeira parte pareceu bem interessante, não? Bem, eu diria que ela é a “menos melhor” e... PRA MIM, os tomos 2 e 3 são os melhores, então...

Década de 60. Duas décadas se passaram, sendo que um grande período desse “salto” foi marcado pelo “sumiço” dos heróis, mas eis que novos poderosos surgiram, e agora são muito mais aceitos na sociedade... Ou não. Ao invés de ter apenas dois grandes heróis em Manhattan, agora haviam inúmeros, como Homem de Ferro, Homem Aranha, Homem Formiga, Vespa, Thor e, principalmente, o primeiro super grupo da cidade (os All Winners/Invasores seriam um grupo mais concentrado na Europa no meio da guerra), o Quarteto Fantástico. Além disso, vários desses personagens também possuíam sua própria união, chamada de Vingadores, esses liderados por Capitão América, esse que foi encontrado congelado depois de anos. Além disso também existiam os X-Men, um grupo de “aberrações” mutantes que segundo a maioria queria acabar com os humanos comuns para haver apenas a raça deles, e são justamente os mutantes o foco desse tomo, então vamos comentar mais sobre eles depois.



Phil Sheldon, agora já velho, continua a trabalhar como fotografo freelancer. Nos anos 40 ele acabou sofrendo uma marca causada pelos super seres, mas nem por isso deixou de admira-los, e justamente esses seres lhe deram a fama de ser o principal fotografo de super heróis. Agora casado e com duas filhas, quer enfim conseguir garantir o futuro de sua família, e agora quer lançar um livro apenas com imagens dos super heróis, esse que se chamaria Marvels (Maravilhas).

A história coincide com um dos principais momentos da fase inicial do Quarteto: O casamento de Sue Storm e Reed Richards. Sem dúvida o maior evento nova-iorquino, semelhante aos casamentos de príncipes na Inglaterra. O Quarteto Fantástico se tratava do maior grupo da época, mas mesmo assim sofria do preconceito do povo. Enquanto Sue e Reed se tratavam do “casal perfeito”, Johnny Storm se tratava daquele rapaz que todas as garotas gostariam de namorar. Em compensação o Coisa seria a aberração do grupo, o monstro “adotado pela família perfeita” e que “ao menos não era um mutante”.



Á partir deste tomo Phil começa à filosofar como nunca antes, refletindo sobre o porquê dos super heróis “comuns” serem aceitos e os mutantes não. Até mesmo “monstros” como Hulk e Coisa eram mais aceitos. Phil inicialmente era um dos preconceituosos, que via os mutantes como uma grande ameaça que queria exterminar a humanidade e se provar uma raça superior. Ironicamente, em meio ao seu preconceito e medo da segurança de sua família ele acaba conhecendo uma mutante, fazendo ele mudar seu ponto de vista sobre aquela situação.



A relação entre mutantes e humanos seria semelhante à de judeus e nazistas. Mas quem seria quem, afinal? Os mutantes que queriam provar ser uma raça superior e exterminar seus inferiores... Ou os humanos que queriam aniquilar os mutantes com medo e inveja de sua superioridade? Seria certo querer matar seres só por serem diferentes do grupo em maior número? Isso não seria algo semelhante ao holocausto? Hitler não era um monstro?

Além do preconceito claramente tratado nesta edição, também vemos uma reflexão sobre o gosto pelo caos da humanidade. Se algo está ruim, isso será motivo para baderna e sangue, e no fim, darão um argumento fajuto para aquilo. O caos é atraente ao homem. Ele alivia o stress, ele libera o lado selvagem do ser, ele monstra que o homem não passa de um MONSTRO que busca uma desculpa para destruir e matar. O que queremos é morte, mas não queremos nos sentir culpados por isso, para assim saciar nossa amor sádico pelo caos sem culpa.


Marvels #3: Dia do Julgamento


De heróis para uma farsa. De um dia para o outro tudo muda, e aqueles que antes eram ídolos indiscutíveis agora são objetos de perseguição da sociedade. “Morra herói ou viva o bastante para se tornar vilão”, já dizia certo filme da concorrente. Phil Sheldon agora se vê em uma sociedade ingrata buscando teorias de conspiração para tudo. Além disso, agora tem que escrever, junto a Ben Urich, um artigo para J. Johan Jameson sobre Tony Stark, famoso empresário, estar comprando atenção ao investir dinheiro nos Vingadores, grupo que possui um de seus empregados, o Homem de Ferro (tá, nós sabemos a verdade, mas diferente do cinema, a revelação demorou DÉCADAS nas HQs).




A sociedade quer o fim dos super heróis, simplesmente isso. Para não machucar o orgulho americano a sociedade busca ao máximo respostas que digam que eles não precisam de heróis, e nunca precisaram. Os homens comuns podem viver sozinhos, pois não existe nenhum mal real envolvendo vilões canastrões com roupas colantes. Heróis não são mais bem vindos, pois estariam apenas prejudicando o mundo. Mas...


E se uma GRANDE ameaça surgisse? Realmente não seria necessária a ajuda dos super seres? O homem poderia resolver isso sozinho com suas forças? E se O DIA DO JULGAMENTO chegasse? Os descrentes agora correriam abraçar os “deuses” os quais diziam não crer, no caso aqueles com a benção divina, os anjos que protegem o homem, AS MARAVILHAS.

Mas e se as tais maravilhas não ligassem por serem renegados pelo povo? E se elas aparecessem para salvar aqueles que queriam o fim delas? Mas... E se nem elas fossem capazes de impedir o fim do mundo que conhecemos?



Agora, ao saber que nem as “divindades” são capazes de impedir a destruição de tudo aquilo que você conhece? O que você faria? Rezaria esperando a salvação, se não fosse da carne, que fosse da alma? Tentaria se desculpar de seus pecados em vida para poder morrer de alma tranquila e quem sabe ser perdoado por Deus? Curtiria suas últimas horas, ou quem sabe minutos, de vida, se divertindo? Se juntaria com sua família para morrer com quem amou em vida? Ou agir normalmente, como se nada estivesse acontecendo?



A questão é: E se as maravilhas, milagrosamente, conseguissem salvar o mundo? Você enfim acreditaria nelas? Ou mais uma vez acreditaria que aquilo foi uma farsa e que você na verdade sempre soube disso? Ninguém é maior que o homem, homens só são diferentes entre si, mas não existem nada além de seu poder?

Eu digo que o terceiro tomo não seria uma grande sátira aos ateus, mas sim aos ateus hipócritas. Aqueles que adoram dizer que não creem em nada, mas quando aparentemente sua morte está próxima, busca aqueles os quais dizia não acreditar, ou aqueles que dizem não acreditar mas sempre criticam não só quem acredita como também aqueles que diz ser uma farsa. 




Marvels #4: O Dia Em Que Ela Morreu


Os anos se passam, e mais e mais informações surgem, reduzindo as polêmicas envolvendo os super seres. Mesmo assim, a ingratidão e a hipocrisia são coisas que, não importa o que aconteça, sempre existirão.

Phil Sheldon agora se tornou um homem muito mais frio com a vida. Sua raiva sobre o modo como os super heróis são tratados começa a tomar conta do seu lado profissional. Mesmo com o lançamento do seu livro, ele ainda não consegue se afastar do tema o qual sempre o perseguiu desde sua juventude. Mesmo assim ele busca uma sucessora, essa chamada Marcia Hardesty. Mesmo com a má fama dos super heróis, novos “fantasiados” não param de aparecer, agora se baseando em heróis de rua, considerados marginais, como Viúva Negra e Luke Cage, além de alguns antigos como Homem Aranha e Demolidor.



A mais recente polêmica envolvia a morte do Capitão Stacy, um dos principais policiais de Nova Iorque, esse que teve sua morte associada pela mídia, principalmente pelo Clarim Diário, ao Homem Aranha, mesmo com a polícia não vendo por esse lado. Eis que Phil Sheldon quer fazer sua última coisa envolvendo super heróis: Inocentar o Homem Aranha.

Sheldon começa a buscar informações sobre o caso, quase que abandonando seu emprego de fotografo, tudo para ajudar aquele que, junto a outros, ajudou a proteger a cidade. Nessa busca desenfreada por informações, Phil começa a ver que muitos estavam cada vez mais sendo manipulados pela mídia, essa a qual ele sempre contribuiu. Ao mesmo tempo ele vê, que justamente as pessoas mais associadas ao Stacy, como o Departamento de Polícia e sua filha Gwen pouco tinham ódio pelo Homem Aranha.


As maravilhas estariam no mundo para servir aqueles os quais creem neles, pouco importando com aqueles que queriam lhes difamar. Enquanto ainda houvesse pessoas de bem, inocentes, essas teriam a quem contar quando estivessem com problemas. Enquanto alguém crer, sempre haverá uma “divindade”, um “anjo” para te proteger...



Ou não? E se aqueles que você sempre acreditou falhassem? E se você acreditasse tanto na proteção daqueles dos quais você crê e eles te decepcionassem? E se... Uma vida fosse perdida por causa da falha deles?

Esse então seria o momento de notar que nem sempre a vida é justa e que ela as vezes prega peças trágicas. Muitas dessas se perdem no passar do tempo, sendo facilmente esquecidas. Mas não para aqueles que acreditavam que o destino sempre seria bondoso enquanto houvesse fé. É nesse momento que você nota que, mesmo não precisando deixar de ter fé naquilo, seu fanatismo prejudicou sua mente.



Eis a conclusão da saga de Phil Sheldon. Aquele que teve medo, teve admiração, teve insegurança, teve esperança, teve ódio, teve vergonha, teve pena, teve idolatria e teve decepção. No fim ele pode ver que sua oposição de ideias com parte da sociedade poderia ser muito exagerada. Ao mesmo tempo que a sociedade era ingrata, ele acreditava demais.

Seria Sheldon um paralelo com a criança inocente dentro de cada um, aquela que acredita no impossível, que possui admiração por aqueles que ela considera insuperáveis e que mais e mais se vê dentro das histórias fantásticas as quais lia quando pequeno? E a população hipócrita, seria um paralelo com o lado adulto, aquele que adora criticar, só acredita em fatos e se desprende das fantasias as quais sonhava quando criança, apenas para se mostrar superior? Quem sabe...

Referências:

Aqui vai uma lista com todas as HQs que foram representadas ou citadas na Graphic Novel. Lista retirada do encadernado da Panini de 2005. Se não estiver conseguindo enxergar, aperte sobre a imagem para ela ampliar.


Easter Eggs

É possível ver, durante a história toda, INÚMEROS easter eggs. Aqui vou listar a maioria, ou os mais importantes. Para quem não estiver muito interessado, pode pular para a conclusão.

Lois e Clark

Lois Lane e Clark Kent (leia Superman) podem ser visto em 3 das 5 edições de Marvels:


Eles à direita na apresentação do Tocha Humana em Marvels #0
Agora em Marvels #1, também presenciando a apresentação do Tocha Humana
Os dois, junto com Jimmy Olsen em Marvels #4. Também é possível ver Hugh Hefner (fundador da Playboy) brindando com seu irmão Alex

Capitão Mar... SHAZAM!

O Capitão Marvel da DC, o Shazam, aparece duas vezes em Marvels #1, uma como Billy Batson e outra transformado:

Billy vendendo jornais
Shazam no cinema

Nighthawks

Alex Ross faz uma homenagem à "Nighthawks", pintura de 1942 feita por Edward Hopper em Marvels #1:

Trecho de Marvels #1
Pintura Original

Nick Fury

Para aqueles que prestam bastante atenção, é claramente possível ver Nick Fury ainda jovem conversando:


Ele também aparece no fundo da igreja no casamento de Sue e Reed, conversando com o Agente Gabriel (meu xará):

Pra quem não se lembra o Agente Gabriel era o braço direito do Nick no desenho do Hulk e ele também é aquele soldado negro parceiro do Capitão América no primeiro filme

Popeye

O senhor aqui debaixo é uma clara referência ao marinheiro clássico dos desenhos e quadrinhos:


Goodman

O dono do Clarim Diário na década de 30 possui o sobrenome "Goodman", o mesmo de Martin Goodman, fundador da Timely Comics (Marvel):


A Sedução do Inocente

Nas paredes da Empire Books é possível ver cartazes do livro A Sedução dos Inocentes de 1954, de Fredric Wertham, livro que quase levou ao banimento das HQs nos Estados Unidos:


Norman McCay

O pastor de O Reino do Amanhã (trabalho de Alex Ross que veio depois de Marvels, agora pra DC) já fazia uma aparição no casamento de Phil Sheldon (o pastor em questão tem como imagem base o pai de Ross):

A mulher de vermelho é a mãe de Ross

Del Close

O diretor do Globo Diário é baseado no ator Del Close, com imagens baseadas em seu personagem no filme A Testemulha Ocular de 1992:


Kennedy

John e Jacqueline Kennedy estão no mesmo elevador que Phil Sheldon em Marvels #2:


The Spirit

Na primeira página de Marvels #2 é possível ver Spirit correndo na rua:


Medusa

É possível ver Medusa, ainda como vilã, andando na rua:


Beatles e The Dick van Dyke Show

No casamento de Sue e Reed, é possível ver os 4 integrantes dos Beatles na igreja, sendo interessante reparar que quem está perto faz expressão de surpreso. Além deles, Rob e Laura Petrie de The Dick van Dyke Show também aparecem:


Os CARAS

Vários grandes nomes da Marvel aparecem durante a história. O próprio Alex Ross serviu de base para o DUENDE VERDE DA CAPA DE MARVELS #4. Aqui vão outros:


1. Kurt Busiek (roteirista de Marvels) e sua esposa Ann;
2. John Romita interpretando um taxista;
3. Joe Sinott e Jack Kirby (artistas da clássica primeira vinda de Galactus à Terra na revista do Quarteto) em um carro;
4. Stan Lee bebendo em um bar.

Recriação "exata"

Logo após o "acidente", existe uma cena retirada diretamente da HQ que serviu de base para o momento apresentado:


Who watches the Watchmen?

Na última invasão de Namor à Nova Iorque em Marvels #4 é possível ver a nave do Curuja (de Watchmen), com ele e Spectral dentro, além de um arqueiro que poderia ser Oliver Queen (até porque Hawkeye não usa uma roupa dessas):


Badfinger

Na cena abaixo é possível ver os membros do Badfinger, uma das bandas favoritas de Alex Ross:


The Who

Em uma das cenas é possível ver o rosto de Pete Townsend e Roger Daltrey, da banda The Who:


Motoqueiro Fantasma

O garoto entregador de jornais que aparece no fim de Marvels é ninguém menos que o Motoqueiro Fantasma:


Conclusão


Bem, por hoje é isso. Espero que tenham gostado do artigo e tenho motivado a quem não leu a finalmente ler essa que provavelmente é a obra máxima da Marvel. Sem dúvida é um marco na história dos quadrinhos, não só pelos textos de Kurt Busiek, mas também pela arte extremamente inovadora e realista do mestre Alex Ross, arte a qual muitos tentam copiar até hoje, mas nunca conseguindo chegar ao seu grandioso trabalho.

Espero também que o artigo tenha ajudado a quem já leu a entender certos aspectos da obra, e até mesmo compreender meu ponto de vista, talvez te fazendo reler, até mesmo pra procurar os easter eggs. Muito obrigado pra você que leu tudo (e até pra quem não leu) e realmente espero também ter ensinado um pouco da cronologia da Marvel. Até dia MIL!



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