Half Life: O homem certo no lugar errado pode fazer toda diferença no mundo


No fim dos anos 90, eu pegava os disquetes que estavam em cima da mesa e começava a puxar a cobertura móvel pro lado e pro outro enquanto esperava o meu PC meio amarelado finalmente ligar. O bate papo Uol governava, ainda usávamos fax e telefones do tamanho de uma caixa de cimento e pegávamos vírus a cada vez que respirávamos na internet.

E foi justamente nessa era que descobri Half Life — e vários títulos incríveis do PC. Alguns mais esquecidos, outros até hoje adorados. Diablo, Age of Empires, Pandemonium, Worms, Speed Eggbert, Civilization, RollerCoaster, Tomb Raider são alguns exemplos dos jogos que fizeram minha infância no PC.


Eu ainda era novo pra entender toda a complexidade das referências e do enredo de HL, mas o que me cativou realmente na época foi a diversão que ele proporcionava. Provavelmente o melhor gameplay do gênero FPS ATÉ HOJE, e uma vibe misteriosa e assustadora inspirada em grandes jogos da sua época me fascinaram desde pequeno.

Percebem a enfase no "ATÉ HOJE"? Pois é, ATÉ HOJE.

Foi então que anos depois sua continuação saiu, eu rejoguei o primeiro jogo e suas sequências várias e várias vezes a fim de entender tudo e me divertir também. E por isso digo que hoje é dia de falar desta MARAVILHA de série aqui no blog.

Como já é de praxe, spoilers leves... ou não tão leves assim. 

*Aquela musiquinha*
Half Life foi lançado em 1998. Os responsáveis? A galera "singela" da Valve, (ainda nova aqui), a empresa do ramo que mais respeito, seguida da Atlus. Empresas que realmente tem bolas pra inovar em suas políticas e games, e que não se forçam com pressão de fanzinho chato. Caramba, isso que é exemplo! O jogo foi publicado pela Sierra Entertainement, empresa bem sumida hoje em dia...

Em 2004 a sua continuação finalmente surgiu — Half Life 2 — essa que possuiu mais continuações episódicas, lançadas anos depois. Não é novidade pra ninguém que a Valve tem algum problema em usar o número "3".

Quero explicar alguns acontecimentos e conceitos para expor a ideia geral dessa obra, se você se perdeu nessa empreitada, quem sabe esse artigo possa lhe clarear.

Elementos do universo da série

Black Mesa

É uma corporação americana localizada no Novo México. Faz pesquisas visando avanços tecnológicos espaciais, robóticos, genéticos, nucleares e qualquer coisa semelhante.



Outras pesquisas mais secretas e obscuras, como portais dimensionais, ETs e até a razão comportamental das pessoas que assistem BBB ou defendem partidos políticos com a alma. É uma espécie de área 51 e possui muitas referências de conspirações populares e a fins.


Xen



Borderworld (ou “Zen”, como se pronuncia), é um plano existencial dimensional que foi descoberto por cientistas da Black Mesa. Surpresos com o que tinham acabado de achar, e como todos bons cientistas, não mediram esforços ou riscos para atingir seus resultados desejados. Eles começaram a pesquisar e estudar o local e as criaturas que lá residiam. A dimensão é exuberante, possui uma atmosfera bem singular e esquematizada, uma raça alien avançada com backgrounds bem montados, principalmente Nihilant — o alien cabeçudo líder do exercito de Xen. 

O incidente da Black Mesa




Black Mesa é o local onde se passa o primeiro jogo da saga, é aqui onde os acontecimentos do enredo se iniciam. Um acidente acontece durante o experimento com Xen, uma catástrofe dimensional pra ser mais exato — a Resonance Cascade — uma espécie de bug dimensional que permite que aliens não muito queridos se teleportem para a terra e façam o que bem entendem — tacar o terror, pra ser mais preciso.

É então que os EUA, percebendo a merda feita, age de uma forma que bem lhes convém, resumindo: destruir todos os indícios das próprias cagadas, mandando um exército especial com o objetivo de eliminar os aliens e todos os envolvidos nisso, cientistas, porteiros, o mano lá da cozinha... todos.  (Isso acontece em algum momento entre os anos 2000 e 2009)

O físico teórico silencioso




  "O homem certo no lugar errado pode fazer toda a diferença no mundo." — G-man

Dr. Gordon Freeman, um dos ícones das histórias dos jogos com seu famoso pé de cabra MIL e uma utilidades, o protagonista dessa série e o rapaz que se vê numa encruzilhada bem impertinente.

De um lado, aliens querendo comer seu almoço direto da sua barriga, do outro o governo querendo o crivar de balas. E tudo que nosso amigo Gordon quer é ir pra casa jogar Street Fighter 3.

Seu background é bem interessante, é um personagem inteligentíssimo e é bem legal você jogar com esse conceito em mente. Apesar de não proferir uma palavra, o diálogo em HL,  mais precisamente no 2,  é de suma importância pra o entendimento de muita coisa do enredo.

Combine

É uma organização interdimensional de aliens que almejam dominar todo o multiverso. Ninguém sabe exatamente quem está por trás controlando tudo, apenas que existem vários administradores visando o objetivo. Suas formas de domínio se resumem em bioengenharia, uma espécie de tecnologia de controle mental sustentável, onde eles manipulam as raças e usam a própria tecnologia do planeta em questão ao seu favor, com algumas melhorias.



Combine investe muito em propaganda pra se auto promover. Se intitula como algo "bom para o universo", quando na verdade é uma organização ditatorial buscando simplesmente imperar. Ela surge em Half Life 2, depois dos eventos finais de HL1 que bagunçaram os portais dimensionais e a fizeram chegar na terra. (Muita gente compara com nazismo, outros dizem ser inspiração do livro chamado 1984, e realmente as similaridades existem)

A guerra das 7 horas


Foi o evento que se resultou após os incidentes da Resonance Cascade. Combine chegou à terra, e em apenas SETE HORAS destruiu qualquer tipo de tentativa defensiva da humanidade. O administrador da Black Mesa, Dr. Breen, fez um acordo com os Combine para que salvasse os sobreviventes do planeta, em troca da "liberdade" humana.


Dr. Breen, que é o antagonista de HL 2 se torna um fantoche dos Combine aqui na terra, já que eles não são muito presentes fisicamente. Em outras palavras Dr. Breen se torna o soberano mundial, tendo em vista os objetivos do Combine no planeta, que são teoricamente os recursos que o mesmo oferece. Apesar de certas teorias conspiratórias terem outra visão sobre isso.

G-man

Rise and shine, Mr. Freeman. Rise and shine.

G-man é de longe o ser mais misterioso desse universo de HL, alguém que causou alvoroços teóricos em fóruns obscuros da internet muitas vezes. Ninguém sabe quais são seus reais objetivos, ou quem ele é, ou necessariamente quais são suas capacidades. Mas ele é responsável por muitas indagações minhas e de todo mundo que jogou, com toda certeza. Também responsável por muitas frases pertinentes, é um personagem realmente curioso.   


Conceitos técnicos



Eu já falei isso antes, mas falarei de novo: FPS SUPREMO! Na era em que HL foi lançado, já tínhamos jogos do gênero — não da forma genérica que temos hoje — e muitos deles eu adoro, Doom é um exemplo nato. Mas HL foi um marco, o "new gênesis" do FPS, e mesmo apesar de décadas ainda tem um gameplay delicioso de jogar. Tanto é que CS, uma derivação de HL, conseguiu ser provavelmente o marco FPS multiplayer de todas as galaxias jamais vista durante anos. Não sei como as coisas estão hoje depois de 300 CoDs e BFs por mês, mas também não me importa mais.

Importante ressaltar que inúmeros são os detalhes na série com o mundo científico real. O próprio título "Half Life" (Meia Vida) significa um deles. E você pode checar isso por aí. 

Os gráficos e texturas de HL sempre foram ótimos pra sua época — as texturas de HL 2,  de 2004, até hoje me impressionam. Na trilha sonora, um jogo tão ovacionado desses claramente possui suas ost icônicas.


A ambientação também merece atenção, os cenários são ricos e é incrível como eles trabalham bem todos os detalhes. Sério, esses jogos davam medo. Alguns bichos e seus grunhidos eram totalmente medonhos, como os Headcrabs zumbis e suas frases revertidas. Olhem AQUI esse vídeo. 

O jogo é bem desafiador e lembro que tive que me esforçar pra passar de várias partes, e isso é regra em todos HLs. Sem falar dos vários sustos que tive com os malditos Headcrabs!! Seus infelizes!

Ora pois, meu jovem. De forma alguma tive a intenção de lhe causar algum desconforto.


Vá se foder, Headcrab de uma figa!

O poder narrativo de Half Life



Depois de ter mostrado os conceitos do universo de Half Life, já dá pra saber o quão essa trama foi arquitetada fenomenalmente, certo? Mas eu falei apenas dos conceitos. O enredo, sua narrativa, os mindblows e os personagens com certeza vão acentuar ainda mais toda a experiência nessa obra.

O poder narrativo é uma arte, e são poucas as obras que se permitem realmente serem impecáveis nesse quesito, principalmente nos FPS, um gênero tão "genéricado" nessas ultimas gerações — sim, tem suas exceções... Mas... NÉ, minoria, caramba!




Adicional



O universo é tão rico e tem tanto potencial que até outros jogos da Valve, (que costumam a manter o padrão de qualidade) fazem parte do mesmo,  como vemos em Portal.

Considerações finais



Por mais que eu veja HL sendo comentado nas redes sociais, a galera mais se importa com a piada cultural de pedir uma continuação do que debater algo realmente relevante ao enredo da obra. Nada contra a piadas, lógico, mas isso é curioso.  Mas é apenas uma divagação randômica e pessoal.

Half Life foi o marco definitivo pra os FPS, não só em jogabilidade, como em enredo também, e eu pensei que nada se compararia à essa maravilha no gênero até Bioshock Inifinite chegar, algo que já tem seu lugar aqui no Blog MIL. Sou um grande fã de HL, mas como sempre digo, não sou nenhum especialista. Fiz esse artigo porque... Porque sim. Quem já jogou, espero que tenha notado o quão rico é o jogo e toda sua mensagem, e se já o fez, meus parabéns.

E se você já conhece e ainda não jogou... Bem... Sério... você não jogou... Qual seu problema? Vá de uma vez seu infeliz! 

E até dia MIL procês!

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