Pérolas Perdidas do Nintendo DS: Ghost Trick: Phantom Detective




Hoje resolvi ressuscitar uma série que criei lááá no meu primeiro artigo aqui no blog e que deixei no esquecimento por meses pois sou bobão. Trata-se de ''Pérolas Perdidas do Nintendo DS'', onde irei falar e/ou analisar de forma não convencional alguns jogos desse portátil fodelástico, que ou passaram despercebidos ou foram esquecidos com o tempo.

E vou falar de Ghost Trick! Esse que fica no meu Top 3 dos melhores jogos preferidos de NDS, feito que não é fácil de realizar, pois o DS tem uma imensa variedade de jogos fodas, de tudo quanto é tipo, ao contrário de seu concorrente que tem meia dúzia e talz...ops, disse algo? Ta, não vou falar mal do PSP aqui, pois além de eu também adora-lo, nosso Blog vem crescendo cada vez mais e não quero gerar uma treta entre PSP e DS nos comentários (pensando bem isso seria bem divertido de se ver...). Ok, vou parar de enrolar.

Sobre o game

Ghost Trick: Phantom Detective é um game de 2010, e olha só, da Crapcom! Mais especificamente de Shu Takumi mesmo criador da série Phoenix Wright (na verdade o nome oficial da série é Ace Attorney, mas vou chamar só de Phoenix Wrigth porque... Sim). Então, o que esperar de um game criado pelo mesmo cara que fez um jogo onde um advogado atrapalhado interroga um papagaio e ao mesmo tempo utiliza os conselhos de sua tutora morta que o ajuda incorporando na sua irmã mais nova, sem que ninguém no julgamento ache estranho?

Sim, isso soou mais confuso do que eu pretendia mas... O que quero dizer é que se Phoenix Wright já tinha suas bizarrices, e Ghost Trick conseguiu ir além.




Como eu disse, a franquia Phoenix Wright já explorou esse tema de espíritos desencarnados possuírem pessoas e talz... Então imaginem como ficou minha expectativa quando descobri Ghost Trick, um game inteiro feito em torno desse conceito? Pois é, o meu hype ficou MIL.

Aliás, pelo que eu me lembro, foi em Ghost Trick que eu joguei pela primeira vez com um protagonista fantasma (God of War não conta hein, Rabs), e o game já começa aparentemente com a morte do próprio protagonista... O que não de se estranhar, pois ele é um fantasma...

Ghost Outside The Shell

Enfim, tudo se inicia em um ferro velho no meio do quinto dos infernos numa noite chuvosa. O corpo do nosso azarado e esquisito protagonista está lá, jogado no meio de duas pessoas. Uma delas é Lynne, uma detetive ruivinha e adorável, que adora frango assado do mesmo jeito que eu adoro purê de batatas. Do outro está Jaego, o Míope, um assassino de aluguel de pele azul seja lá porque caralhos, com um rifle na mão, prestes a matar a ruivinha, aparentemente logo após ter matado o protagonista.

É então quando tudo parecia perdido, eis que uma voz surge anunciando uma salvação. Era de uma lâmpada falante! Ray, como a tal lâmpada gosta de ser chamada explica para nosso desnorteado protagonista sem memória que apesar dele não poder fazer nada quanto a sua própria morte, ele ainda pode salvar aquela detetive bonitinha. Como? Usando seus Truques de Fantasma.



Ray explica que o protago...ah droga, cansei de escrever ‘’protagonista’’. Sim eu sei que a identidade e o passado dele é um dos grandes mistérios do game, mas não é um spoiler tão grande falar que o seu nome é Sissel né? Claro que não, eu garanto ! *esperando as pedradas pelo spoiler*. Enfim, Ray explica para SISSEL que ele tem a sua disposição por algum motivo ‘’poderes especiais dos mortos’’, como por exemplo ‘’possuir’’ qualquer objeto e usa-los como quiser. Ok, isso não é novidade para quem conhece Poltergeist, mas Sissel tem outros truques que tornam seus poderes realmente especiais, como usar linhas telefônicas para se locomover a grandes distancias e o melhor de todos: voltar no tempo.

Calma, que não é voltar no tempo quando ele quiser, se não ele poderia voltar para momentos antes de sua morte e salvar a própria vida, não é? Na verdade funciona assim: ele só pode ‘’possuir’’ um corpo de um recém morto, e voltar para quatro minutos antes da morte do finado...O que não deixa de ser viagem no tempo, mas uma viagem no tempo meio diferente.

Enfim, ele é obrigado a estrear esse poder com Lynne, pois enquanto ele e Ray batiam papo a pobrezinha levava um tiro de espingarda no bucho.  Após salva-la se livrando de Jaego de um jeito que deixaria a Miley Cyrus com inveja (vocês vão entender quando jogar), Sissel descobre através de Ray, nosso querido mentor, que ele tem um prazo de até o amanhecer em sua ‘’nova vida pós-vida’’para desaparecer completamente deste mundo.



Mas Ray incentiva Sissel a antes de partir dessa para melhor definitivamente, pelo menos tentar descobrir sobre seu passado, quem ele era e porque diabos foi morto naquele ferro velho. E também diz que a chave para desvendar esses mistérios seria Lynne, a detetive ruivinha ( Ray aparece só nesse começo do jogo, mas NÃO se esqueçam dele).

Sissel — que não tem nada melhor pra fazer mesmo — aceita o conselho (ta mais para um pedido) e decide seguir/proteger Lyne para tentar descobrir sobre sua identidade. Eventualmente ele — e o jogador — vai descobrindo que a história é muito mais maluca do que já parece:  Lynne estava naquele ferro velho investigando um caso pessoal muito importante pra ela e por consequência se envolve em altas confusões com uma espécie de organização criminosa (eu acho) liderada por um velho estrangeiro de pele azul (aqui pelo visto nem precisa ser de outro planeta pra ser azul, só ser de outro país) e seu fiel subordinado robótico, que tinham algum tipo de negócio com Sissel quando ele ainda era vivo. Ou seja, de alguma forma ou de outra, tudo na história tem algum tipo de ligação, mesmo que de forma indireta.



É fato que histórias de fantasmas não são nenhuma novidade, mas em Ghost Trick isso é feito de uma forma... Digamos, não convencional. Não quero falar muito para não dar spoiler, mas o conceito de espíritos é completamente diferente do que é abordado em Phoenix Wright por exemplo (pela descrição da história que eu fiz ali em cima, vocês já devem ter percebido), além disso o enredo, como toda boa obra de detetive, faz o jogador ficar vidrado no game para descobrir os mistérios (principalmente sobre o passado do Sissel) e tipo, tem uns plot twists e confusões temporais que fritaram a minha mente.

Claro que não com a mesma intensidade de Bioshock Infinite ou Xenogears, mas de qualquer forma ter tamanha complexidade na história do game — que a principio pra mim teria apenas uma simples história de fantasma movendo objetos — foi uma grata surpresa.


Morrendo de Rir


Claro que ainda estamos falando de um jogo ‘’irmão’’ da franquia Phoenix Wright, então no meio de toda loucura dita acima, temos muito humor. E velho, como eu me racho de rir jogando esse game. 




Praticamente todo personagem é carismático e ‘’esquisito’', e por isso, engraçados pra diabo. Temos um detetive que anda SEMPRE dançando, policiais tão genéricos que são chamados de genéricos até por outros personagens, a própria Lyne que é fascinada por frango assado e que morre mais vezes que o Kuririn, mantendo seu otimismo mesmo assim... Ah, e não posso esquecer de Missile, um dos cachorros mais carismáticos que eu já vi em um jogo. Sério, é impossível não gostar desse bicho (que é uma homenagem a um cão que aparece brevemente em Phoenix Wright).



Isso tudo somado a maravilhosa e original arte do game — com um traço que mistura anime com cartoon — resulta em um jogo extremamente divertido não só pelo gameplay, mas também pelos diálogos. Claro que o humor de forma alguma atrapalha a seriedade da narrativa... E sim, temos seriedade aqui também, com direito a momentos emocionantes, desenvolvimento de personagens e até redenção de alguns deles. Então, para um game desse estilo, em que a história é crucial, e DEVE ser no minimo interessante para prender o jogador, Ghost Trick cumpriu bem o seu papel, seja pelos mistérios do enredo ou pelo humor, você não vai querer dropar o game até zera-lo (só bobões dropam antes...né Vann??? NÉ???).

Pegando o Espírito da Coisa

Quanto ao gameplay... Bem, falei indiretamente dele quando expliquei a história pois não da pra separar uma coisa da outra, mas vou detalhar um pouco mais. Existem dois ‘’mundos’’, vamos dizer assim. No mundo normal, você pode deslizar a ‘’camera’’ pelo cenário para ver o que ta acontecendo e talz, seja com a caneta do DS ou com o direcional, não importa, (o game te da a liberdade de optar entre jogar com ou sem a caneta, o que é louvável, pois limitar a um tipo de gameplay só sempre é um saco) e também pode interagir com balões de conversa dos NPCs ou de pensamentos do Sissel, que são vitais pois geralmente dão dicas sobre o que diabos tem de fazer... Além de serem bastante engraçados, então vale a pena ver.



No mundo fantasma você controla o espírito de Sissel, pelo direcional ou com a caneta. Para se locomover você tem que ‘’possuir’’ os objetos, passando pelos ''núcleos espirituais'' deles... O problema é que o espirito de Sissel não tem um alcance lá muito grande e como, claro, não é todo objeto dos cenários que tem núcleo, você deve se virar de algum jeito quando um núcleo estiver muito longe. Pra isso você pode mudar para o mundo normal após possuir um objeto, e ‘’ativa-lo’’, por exemplo, ligando um liquidificador ou abrindo a porta de um armário. Assim você terá que planejar estratégias de acordo com a função de cada objeto para poder alcançar núcleos que estão muito longe, ou simplesmente chamar a atenção dos NPCs (fazendo barulho com um violão para assustar alguém, por exemplo). É foda que as vezes você vai ter que fazer essa transição do mundo normal e fantasma rapidamente pois tem um limite de tempo no game. Calma, isso não é sempre não, é só quando uma pessoa morre e você deve salva-la. Lembra quando eu disse que pra salvar uma pessoa morta, Sissel possui o cadáver dela e volta quatro minutos antes de sua morte? Pois é.


Ao voltar quatro minutos antes da morte de uma pessoa, você tem esse tempo para impedir que ela morra, possuindo os objetos para de alguma forma mudar o destino dela. Quando você muda o destino dela, mas ainda assim ela corre risco de vida, você apenas ganhou mais tempo...E isso serve como o checkpoint no jogo. Parece complicado, mas acredite, o tutorial explica melhor do que eu. Ah, e não se preocupem pois, se você fizer alguma merda, pode voltar para os ‘’quatro minutos antes da morte ’’ ou para um checkpoint quando quiser. 



E o interessante é que, quando você possui um cadáver, você pode interagir e conversar com o fantasma do recém morto (e geralmente eles, ao contrário de Sissel, mantem a memória de quando eram vivos... O porquê disso vocês vão ter que descobrir jogando, e mais interessante ainda é que depois que você o salva, ele ainda se lembra de ter morrido, mesmo a ‘’realidade’’ onde ele morreu não existir mais. Na verdade eles até se lembram da conversa que tiveram com Sissel na forma de fantasma. Eu acho até hilário a forma natural que os personagens reagem mesmo se lembrando de que morreram e foram salvos por um fantasminha gente fina. Vamos considerar isso parte do humor característico do jogo, então.




No geral o gameplay é bem divertido, apesar de ter aquela falha característica nesse tipo de jogo para DS: lineariedade. Você tem de ter gostado muito do jogo como eu para rejogar todos os capítulos de novo e ver as mesmas coisas, pois não existem caminhos alternativos para se seguir aqui, só há um jeito de avançar no jogo, e o game meio que te força para você fazer a coisa certa e não tentar nada diferente... Até porque não da mesmo. Eu geralmente não reclamo disso — principalmente em um game de DS, que como bem sabemos é bem limitado tecnicamente — mas vendo a proposta desse game, controlar um fantasma para mover objetos pelos cenários e tal, acho que pelo menos não ter mais de uma alternativa para avançar no game foi uma oportunidade perdida de deixar o jogo bem mais dinâmico. 

Considerações Finais

Ghost Trick foi uma bela maneira que Shu Takumi encontrou para diversificar um pouco e criar algo diferente de Phoenix Wright, e prova disso é que apesar de muitos terem conhecido o game e dado atenção a ele só por causa do advogado atrapalhado (eu incluso) Ghost Trick não vive na sombra de sua franquia irmã, e se destaca sendo um dos melhores e mais originais games do DS — mesmo esse com um mar de jogos originais. Mas infelizmente o game não foi reconhecido o suficiente para virar uma franquia, e é bem improvável que tenha alguma continuação um dia. Mas quer saber? Acho que ele não foi criado com a pretensão de ser uma ''franquia sucessora de Phoenix Wright'' (até porque PW segue até hoje firme e forte) e sim foi criado com a mentalidade de se fazer um game único — em todos os sentidos possíveis. E lembrando aquele final... Só me faz ter certeza disso...

Volto no dia MIL



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