Interstella 5555: Quando a música substitui as falas


É, já faz um tempinho desde o último artigo (pra mim tá parecendo tempo pra caramba), mas enfim tô de volta nessa bagaça. Nos últimos tempos tava com bastante compromissos, daí resolvi aproveitar pra escrever algo nesse feriado. Do que vou falar hoje... TÁ NO TÍTULO, CARAMBA! Nunca ouviu falar? Que vergonha, meu Deus... Bem, hoje vou falar de um filme que descobri por acaso há alguns anos e que eu curto pra caramba. Curiosamente vou encaixar esse artigo com tag de música, anime e filme. É, meu amigos, hoje irei falar sobre Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem.

Interstella 5555 é uma produção francesa e japonesa lançada em 2003. O filme foi dirigido por Kazuhisa Takenouchi, roteirizado por Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, com supervisão de Leiji Matsumoto. Bem, o que posso dizer dessa galera é que... São todos caras de alta moral. Takenouchi dirigiu alguns episódios de Dragon Ball, Sailor Moon e Slam Dunk. Leiji Matsumoto é nada além de um lendário mangaká do Japão, sendo criador de Galaxy Express 999, Captain Harlock e Patrulha Estelar (esse que tinha anime exibido na extinta Rede Manchete). Já Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo são dois caras que provavelmente você conhece mas nunca ouviu falar muito de seus nomes e muito menos viu seus rostos. Thomas e Guy-Manuel são a dupla francesa de DJs que formam o grupo Daft Punk.




O projeto do Interstella 5555 surgiu da mente da Daft Punk, durante a produção do álbum Discovery (esse que o melhor álbum deles pra mim, até o Random Acess Memories de 2013). Eles queriam fazer um filme envolvendo as músicas do álbum com uma temática de ficção científica, e também queriam o envolvimento de Matsumoto, esse que é um ídolo deles. O projeto chegou à Tóquio e acabou se concretizando.

A trama do filme é a seguinte: Uma banda de rock formada por personagens azuis estava se apresentando em um show (para pessoas também azuis), mas do nada foram sequestradas por alienígenas. Para salvá-los, os guardas do planeta chamam Shep, o piloto de uma nave próxima. Shep então vai atrás da nave dos sequestradores, essa que atravessa um portal para uma galáxia paralela e chega ao seu destino: A Terra.

Intestella 5555 é um filme “quase mudo”. Não há falas no filme, apenas alguns gritos e efeitos sonoros. Em compensação, o filme possui músicas do começo ao fim, sendo essas TODAS as músicas do álbum Discovery do Daft Punk. A ordem das músicas no filme é a mesma do álbum, sendo essa:


1 – One More Time;
2 – Aerodynamic;
3 – Digital Love;
4 – Harder, Better, Faster, Stronger;
5 – Crescendolls;
6 – Nightvision;
7 – Superheroes;
8 – High Life;
9 – Something About Us;
10 – Voyager;
11 – Veridis Quo;
12 – Short Circuit;
13 – Face to Face;
14 – Too Long.





O filme é relativamente curto (cerca de uma hora), logo se eu fosse tratar do enredo sem dizer spoilers, iria ser apenas a sinopse que coloquei anteriormente. Por isso, SIM, VAI TER SPOILERS DO FILME Se você não quiser tomar os spoilers, assiste o filme aí (sim, tem o filme inteiro no Youtube). Se bem que assistir o filme é uma experiência única, então eu acho que mesmo você sabendo a história do filme quase que inteira, isso não fará ele perder a graça.



Vamos considerar cada música um pequeno capítulo, para ficar mais fácil de compreender. No primeiro capitulo temos o que expliquei na sinopse. A banda, ainda sem nome revelado, está se apresentando em um show. Enquanto todos da proximidade estão curtindo a música, inclusive os vigilantes espaciais, uma nave chega no planeta e libera tropas. As tropas (já no 2º capítulo) liberam gás sonífero no show, apagando os fãs e banda, menos um dos membros que tenta fugir mas acaba sendo pego. Os guardas, que também foram atingidos pelo sonífero, mandam um sinal de socorro para uma nave próxima.

Na nave conhecemos o herói da nossa história: Shep. Shep, que estava voando com sua nave (em forma de guitarra), recebe o pedido de ajuda dos guardas (isso já no 3º capítulo). O piloto, sendo um enorme fã da banda, e principalmente de Stella (a única mulher do grupo), a qual ele é apaixonado, resolve seguir a nave que sequestrou a banda, indo parar na Terra. Na Terra (e no capítulo 4), Stella, Arpegius, Baryl e Octave (os quatro membros da banda) são mandados para um local aonde tem suas roupas arrancadas, suas peles pintadas e suas memorias alteradas, além de receberem óculos com controle mental, fazendo assim surgir os Crescendolls.

O líder do rapto (no capítulo 5), se passando como empresário da banda, os apresenta à uma gravadora e, ao mostrarem seu talento, logo se tornam celebridades conhecidas no mundo todo, aparecendo nas TVs de todos os lugares e tendo “One More Time” entre as músicas mais tocadas na rádio. 



Até aqui já foi mais de um terço das músicas, mas tudo bem, era isso o necessário. Como eu já disse, o filme não possui diálogos, sendo tudo representado pelas imagens. Até mesmo os efeitos sonoros são escassos, logo tudo se resume ao vídeo e às músicas. Talvez por isso o desenvolvimento da história se mostre bem simples, o que não deixa de ser verdade. Mesmo assim é uma simplicidade cativante. Mesmo sem nenhuma fala, todos os nossos cinco protagonistas (Crescendolls e Shep) são MUITO carismáticos, algo que é de total admiração, não só pela escassez de falas mas pela curtíssima duração (sendo que tem anime aí com mais de 300 episódios e com um bando de retardado sem graça). Você nota uma imensa amizade entre todos os membros da banda, além do amor de Shep por eles, e a honra que ele sente de estar indo salvar seus maiores ídolos.

Por mais simples que seja a história, ela é bem contada. Claro, há alguns deslizes e incoerências, mas é uma trama bem feita e que dá pra entender sossegado, superando muito filminho enorme atual que demora horas e não consegue se desenvolver decentemente. Shep se mostra um tremendo herói, e o “empresário” um tremendo FDP. Aliás, um dos pontos mais fortes da trama é as semelhanças entre o que acontece no filme e na vida real, mas mais tarde volto nesse ponto explicando o que quero dizer.



E a música, o que dizer dela? Como já comentei acima, considero Discovery o segundo melhor álbum do Daft Punk, se bem que muitas vezes inverto as posições com Random Acess Memories. Todas as músicas são incríveis, sendo ainda mais fenomenal o modo como conseguiram encaixar as músicas de um álbum todo em um filme (esse que saiu 2 anos após o álbum), realmente parecendo que as músicas foram feitas para o filme. São várias batidas repetitivas (nada do nível das do Human After All) mas que seguem um ritmo louco que faz brotar diferentes sensações que realmente são expressas na tela. Boa parte das músicas possuem vocais, mas se resumem à repetições de refrãos.

Daft Punk é a minha banda favorita de música eletrônica por uma série de motivos, e quase todos eles são apresentados no filme. Thomas e Guy-Manuel se inspiram e utilizam muitas batidas do funk (tô falando de funk mesmo, não AQUELE MONTE DE MERDA AQUELA PORCARIA QUE FICA OCULPANDO METADE DA HOMEPAGE DO YOUTUBE COM OUTRA PORCARIA QUE É MINECRAFT), além de utilizar ritmos de rock (incluindo um solo sinistro de guitarra em Aerodynamic). Também tem a questão que a música deles não é algo tão “dançante” como de David Guetta ou Skrillex, por exemplo, mas algo mais para apreciar (como um bom lorde inglês tomando chá) e notar detalhadamente a variação de batidas e o ritmo ao fundo (fones de ouvido, te amo).



Eu havia comentado agora há pouco sobre as semelhanças com a realidade e algumas possíveis críticas inclusas no filme. No caso, vamos por partes. A princípio, temos uma situação inversa ao velho clichê dos filmes de alienígenas. Como assim? Normalmente temos uma nave ou tropa de aliens que invadem a Terra para aniquilar ou sequestrar os humanos, mas aqui temos uma situação inversa. É o homem que vai para outro planeta para sequestrar os alienígenas. Isso, na minha visão é uma óbvia crítica à esse velho clichê. Oras, o homem não é nenhum santo pra sempre ter algum alien malvado querer lhe sequestrar. Se fosse pra alguém sequestrar e explorar outra raça, esse seria o terráqueo (assim como sempre foi possível ver na história humana).

Outro aspecto é a exploração dos empresários em relação aos artistas. Aqui vemos um “empresário” inescrupuloso que abusa de seus artistas apenas para conseguir o que quer, que no caso é o Disco de Ouro. Muitos devem saber que por detrás de vários músicos famosos (assim como artistas e esportistas) sempre tem um empresário que abusa da “estrela” em benefício próprio, criando rotinas exaustivas e lucrando muito mais que o artista. Essa crítica é bem clara, principalmente se considerarmos que a Daft Punk é uma banda que sempre agiu como queria sem muita gente colocando pressão em suas costas, tanto que o último álbum só saiu 8 anos após o penúltimo, além deles serem seus próprios produtores.



Outro detalhe interessante de se notar (AVISO DE SPOILER SOBRE OS ULTIMOS CAPITULOS DO FILME) é que toda a história de que todos os outros artistas os quais o Conde de Darkwood era empresário eram alienígenas se parece muito com as clássicas lendas que sempre inventam sobre determinados artistas serem alienígenas disfarçados (vide Elvis Presley, Michael Jackson...), sendo que pra mídia muitos deles morreram de angústia e depressão, o que coincide com vários os quais essas lendas aconteciam.

No aspecto de ficção cientifica e filme espacial ele se sai até que muito bem. Ele usa muito de artifícios visuais, com várias luzes brilhando e se contrastando, isso acompanhado com a música que se encaixa perfeitamente nos trechos espaciais. Toda a história da manipulação mental é bacana, tem androides disfarçados, viagem espacial, quase tudo que uma boa ficção científica apresenta.

Bem, por hoje é só. É, acho que ainda tô meio enferrujado pelo hiato desde o último artigo, mas sempre que for possível vou tentar arranjar tempo pra fazer (talvez faça mais um esses dias pra postar daqui algum tempo, se bem que o próximo feriado não tá longe). Espero que tenham gostado e... ASSISTAM LOGO ESSE FILME, É MUITO BOM! Até qualquer dia, FLW!


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