Final Fantasy IX - Vivendo através de Memórias




Era o final dos anos 90 e a Squaresoft ainda não havia se fundido com a Enix e virado esse jaburu que conhecemos hoje em dia. Ela tinha acabado de causar uma revolução insana em 1997 com aquele tal de Final Fantasy VII, solidificando o gênero JRPG aqui em terras ocidentais e mudando para sempre os rumos de sua principal franquia.

Dois anos depois mesmo com alguns problemas, Final Fantasy VIII deu continuidade a esse sucesso, mas se afastando cada vez mais daquele jeitão clássico dos FF’s antigões.

Pois é, parecia que Final Fantasy nunca voltaria atrás e aquela temática retrô estaria morta e enterrada nas memórias dos poucos doidos que conheciam os antigos.  Até que para a alegria desses e pra desconfiança de todo o resto, em 2000 foi lançado Final Fantasy IX, trazendo de volta castelos, cavaleiros, princesas, cristais, e todos esses elementos que fizeram Final Fantasy ser ignorado aqui no ocidente até Final Fantasy VII chegar.

Infelizmente por isso o jogo é rotulado até hoje por uns ‘’fãs’’ BOBOCAS (sim, apelo pra xingamento pesado mesmo) como apenas um Final Fantasy para agradar os fãs mais antigos as custas de um ‘’retrocesso’’ pra franquia.

Claro que não há como negar que seu design caricato e premissa simples remetem sim aos primeiros jogos, e não há problema NENHUM nisso, até porque é  justamente essa vibe que me deixou fascinado de longe por ele durante anos até tomar vergonha na cara e ir zera-lo, resultando em uma das melhores experiências gamisticas que já tive em toda minha vida.

Mas reduzir esse game a apenas um descartável oportunismo nostálgico safado é muito... muito ERRADO.

Apesar desses larápios merecerem um texto de xingamentos inteiro dedicado só pra eles, vou tentar deixar meu rage de lado e apenas falar do jogo em si — que apesar de sua simplicidade também consegue tocar em temas que me fizeram refletir mais do que imaginava.

Enfim, chega de enrolação e vamos começar!


O mundo e seus elementos



Final Fantasy IX se passa em um planeta chamado Gaia (uma referência ao mundo de FF VII, uma das MIL referências a outros FFs) e tem toda sua civilização centrada em um único continente chamado Mist Continent. Esse continente é conhecido por esse nome porque é coberto inteiramente por uma estranha névoa de origem desconhecida, que além de tampar boa parte da luz solar, também produz monstros sanguinários por algum motivo. Então formar uma civilização aqui não parece algo muito inteligente não é mesmo?

Na verdade parece extremamente ESTÚPIDO.

Pois é, mas o povo — ou pelo menos a maioria dele — foi esperto o suficiente para construir seus reinos e cidades acima do nível da névoa, os mantendo a salvo dos perigos da mesma. Um desses reinos é Alexandria, o único que pode ser considerado ‘’reino clássico’’ por ter monarquia, arquitetura medieval e exército de cavaleiros — ou melhor, cavaleiras, pois apenas um pequeno grupo chamado Knights of Pluto é formado por homens, o resto é tudo mulher.

Porque não tem nada melhor do que um exército de mulheres duronas usando maiôs medievais

Temos também Lindblum, a galera mais avançada tecnologicamente do continente — algo notável pelo design e caracterização da cidade, e mais importante, pela construção dos navios voadores conhecidos como airships, um feito tão notável que por si só foi responsável por parar as constantes guerras no continente. Importante ressaltar que essas airships utilizam a própria névoa como fonte de energia para seu funcionamento.

Já as pessoas de Burmecia foram as únicas jumentas que construíram seu reino abaixo do nível da névoa, e por isso são afetados constantemente por uma chuva proveniente da mesma. Burmecia é um exemplo da diversidade de raças inteligentes em Gaia, pois é habitado por uma espécie de... ratos humanoides.




Pois é, e eles não são os únicos animais antropomórficos do jogo, então não se surpreenda se for comprar itens de hipopótamos falantes ou dormir em uma pensão redigida por um tubarão.

Depois do golfinho piloto de Xenogears, nada me surpreende mais.

Por ultimo temos Cleyra, o reino (ou cidade) com o design mais sensacional e único de todos pra mim. Ele é  formado por um grupo de pessoas de Burmecia que não concordavam com o aumento do gosto popular pela guerra, sendo um povo mais pacifista que dava mais valor para danças misticas e coisa do tipo. Eles então decidiram abandonar Burmecia e construir um novo lar, no alto de uma imensa árvore, protegidos por uma tempestade de areia mágica que os mantinham isolados do resto do mundo.



É uma ideia de design incrível, um exemplo de que mesmo usando uma temática padrão — como período medieval, cyberpunk, etc — esses japas conseguem criar mundos únicos e cheios de particularidades, não se prendendo criativamente apenas a temática do jogo.

Isso é algo que sempre admirei em Final Fantasy e em jogos japoneses em geral, é realmente uma pena que a indústria japonesa esteja em decadência hoje em dia, porque não da pra negar que esse tipo de loucura criativa é um aspecto bem característico desse povo oriental. Não é atoa que a maioria dos melhores e mais lendários jogos são de lá.


  Ta, eu não falei de Treno mas ta ai a ost dela


Voltando a falar do mundo do jogo, no inicio nós ficamos restritos a explorar apenas o Mist Continent, mas depois de ganhar uma airship podemos explorar outros três: Outer Continent, Forgotten Continent e Lost Continent



Eles tem nomes bastaaaante criativos por sinal, (justo quando elogiei a criatividade dos caras...)

Exceto por um vilarejo de anões com linguagem quase indecifrável (sério, eu suei pra entender o que esses caras falavam) e alguns outros lugares, esses três continentes são completamente inabitados, porém eles contém algumas ''estruturas'' ancestrais que são importantíssimas  para se entender as origens do planeta Gaia, então não vou falar muito disso agora porque é SPOILER.

Mas não se preocupem, no final desse artigo terá uma parte especial só para SPOILERS, e com certeza vou detalhar as origens desse planeta. Eu aviso quando chegar lá.

Enredo e personagens

A história do jogo começa no reino de Alexandria, durante a celebração do aniversário da linda e melancólica princesa Garnet. Sabe aquelas princesas com espírito de aventura que se cansam de ficar presa em seus castelos? Pois Garnet é uma delas, e por isso decide fugir do reino bem no dia do seu aniversário.



A princesa só não esperava que a trupe de atores Tantalus — chamados para apresentar a famosa peça ‘’I Want To Be Your Canary’’ na celebração de seu aniversário —  fossem na verdade bandidos pagos para a raptarem e a levarem para longe de Alexandria. Um desses bandidos é o protagonista do jogo, Zidane, (prometo evitar piadinhas com o jogador de futebol), um cara alegre e metido a conquistador, que como um legítimo protagonista de RPG clássico não tem memórias  de suas origens.

A situação é tão conveniente que a própria Garnet pede que Zidane a sequestre, e é claro que ele aceita — não só por ser a missão dele, mas também por ter ficado afim de Garnet (eu não o culpo, Garnet é uma das personagens mais lindas que já vi em um jogo assim, sem exagero). A relação dos dois eventualmente vai se transformando em um conturbado romance... porque romance não pode faltar em um jogo com premissa assim, não é mesmo?



Enfim, eles até conseguem fugir em uma airship... mas durante a hilária fuga, Steiner — o atrapalhado capitão dos Knights of Pluto— e Vivi — um tímido Black Mage que só queria ver a peça — acabam se envolvendo e sendo levados junto com eles para longe de Alexandria.

A rainha Brahne logicamente fica furiosa com o rapto da filha e decide que a melhor opção para manter sua princesa em segurança é... BOMBARDEANDO a airship onde ela estava, que cai em uma floresta cheia de monstros. Que porra que essa gorda tava pensando?

Da pra acreditar que esse trambolho é a mãe de Garnet?

De fato já fica claro nesse inicio que tinha algo de muito errado com Brahne, e inclusive esse é um dos motivos de Garnet querer fugir do castelo. A loucura da rainha se torna mais evidente quando ela começa a atacar e dominar reinos vizinhos usando um exército de Black Mages artificiais, tão poderosos que nem Lindblum poderia conter.

E é claro que ela também envia monstros e assassinos para trazer sua filha de volta a Alexandria, mas não exatamente porque era uma mãe preocupada ou algo do tipo... Brahne queria mesmo era extrair dela poderosos Eidolons (como os summons são chamados aqui) que estavam selados dentro de Garnet por algum motivo.

Sim, essa gorda é muito má.

E para ajuda-la em suas vilanias ela tem ao seu lado um misterioso sujeito chamado Kuja — o cara que ganhou o prêmio de "ícone da androgenia" entre os vilões do mundo dos games — responsável por criar os Black Mages artificiais além de providenciar informações sobre os Eidolons á rainha e... ah, qualé! É óbvio que é Kuja que ''controla'' Brahne aqui, então fazer mistério sobre isso é imbecil, e se você considera isso spoiler é mais imbecil ainda (oloko).

Ui
Kuja é obviamente principal vilão desse Final Fantasy e mais uma pobre vitima de comparações estúpidas com Sephiroth ou Kekfa.

...

Espera, Kuja é o principal vilão do jogo? Será mesmo? Na verdade a história é bem mais complicada, mas falo mais disso depois, prometo. De qualquer forma, é claro que nossos heróis iriam embarcar em uma jornada para parar Brahne e Kuja porque... eles são os heróis, ora bolas.

Zidane acaba abandonando a Tantalus para acompanhar e proteger Garnet — que decide se chamar Dagger para não ser reconhecida, Steiner obcecado em proteger a princesa logicamente a segue como uma sombra, e Vivi enfrenta sua insegurança e decide acompanha-los para descobrir qual sua relação com os Black Mages artificiais de Brahne, resultando em um dilema central para o entendimento do jogo.



No decorrer da trama outros personagens vão aparecendo e se juntando a eles, como por exemplo Freya Crescent, uma Dragon Knight de Burmecia e uma espécie de figura trágica durante a história. Sério, acontece tanta merda com Freya que se só sendo muito alma ruim para não sentir algo por ela — e é admirável que ela consegue passar por essas dificuldades e se fortalecer com elas, sem dúvida uma das melhores personagens desse jogo.


Além do mais qualquer um que tenha o título de ''Dragon Knight'' é automaticamente fodão

Temos também Quina — uma criatura fissurada por comida que pra falar a verdade é meio deslocada na história, mas protagoniza momentos memoráveis (impossível não rir com aquela cena do casamento, por exemplo) — Eiko — uma garota de apenas 6 anos e única sobrevivente de uma importante tribo de summoners — e por fim Coral Amarant — um assassino contratado por Brahne para caçar Zidane e os outros, mas que entra na party para tentar entender como funciona a mente altruísta de Zidane, algo incompreensível pra ele.



Tem vários outros personagens que são bacanas e merecem ser citados (com toda a trupe Tantalus ou Cid, o regente de Lindblum ) mas para não deixar esse texto mais enorme do que já ta ficando vou dar um destaque especial para Beatrix uma personagem que se eu não citar aqui com certeza vou ser xingado pelo Vann (e com razão).



Beatrix é a capitã do exército de Alexandria e simplesmente a guerreira mais temida de todo o continente! Ela é extremamente leal ao reino, mas com o tempo passa a questionar as ações da rainha e seu papel em tudo isso, um desenvolvimento bacana que a torna ainda mais adorável. Ela também tem uma rivalidade meio que infantil com Steiner, que depois resulta no melhor romance do jogo.


Sim, dane-se Zidane e Garnet, Steiner e Beatrix é o melhor casal aqui!

Enfim, princesa fugitiva, cavaleiros atrapalhados, personagens cativantes e uma rainha maluca sendo influenciada por um fdp.... a premissa inicial do enredo é bem simples e inclusive semelhante a outros jogos da franquia, sendo a intenção justamente transmitir essa atmosfera retrô. E é claro que isso também é refletido na jogabilidade e no visual.

De volta as origens... mas com novidades

Mesmo que não de forma explícita o sistema de ‘’jobs’’ dos antigos Final Fantasys estão de volta, assim como quatro personagens jogáveis de uma vez e o sistema Active Battle System introduzido em Final Fantasy IV, aquele em que as batalhas giram em torno de uma barrinha de tempo para realizar as ações.


Os summons — marca registrada  da série — é claro que também está presente, e como já disse eles tem uma interessante importância na história, algo que vou detalhar logo mais pra frente nesse artigo.

Sim, muita coisa voltou, mas não significa que o jogo não tenha suas novidades. Temos um novo sistema de ''skills'', onde ganhar uma habilidade nova depende de itens específicos que nós equipamos. Por exemplo, vamos dizer que o Zidane tenha uma habilidade chamada... ‘’cabeçada’’, para conseguir usar a cabeçada, você tem que equipar um item que habilite essa skill e ficar com ele equipado até que consiga pontos o suficiente (AP) para poder usa-la sem precisar do item.



Isso é bom porque incentiva preguiçosos como eu a lutar mais, o problema é que as vezes você é obrigado a jogar com equipamentos ultrapassados para ganhar habilidades que só eles dão, e isso é um saco. Ainda bem que a habilidade ''AP+'' minimiza esse problema, porque depender de 2 ou 3 AP por luta seria TENSO.

Também temos um novo tipo de Limit Break chamado Trance, que transforma a aparência do personagem e possibilita usar várias habilidades inéditas  temporariamente. Eu acho bacana que Trance não é apenas uma mecânica de jogo, como também faz parte do enredo, sendo ativado quando  as emoções da pessoa chegam no limite. Parece algo bobo, mas guardem essa informação, vai ser importante depois.



Mas a novidade mais interessante pra mim vem de fora das batalhas e se chama Active Time Event, que permite que vejamos cenas acontecendo com personagens importantes longe da party. Através disso podemos ver outro lado da personalidade deles, seus conflitos internos, informações de suas histórias, ou simplesmente cenas engraçadas (principalmente as que envolvem a Quina).

É uma pena que esse sistema tenha sido completamente esquecido nos jogos posteriores, mas acho que a Square se esqueceu até de que algum dia fez Final Fantasy IX, imagine então se lembrar de algo assim?

Enfim, visualmente esse jogo deve ser um dos mais bonitos do PS1, tanto graficamente quanto (e principalmente) artisticamente. Os cenários são pré-renderizados em 2D, e apesar de só ser assim por causa das limitações do PS1, pra mim isso só contribuiu para eles serem tão belos, pois os detalhes artísticos deles são extremamente caprichados, parece que desenhado a mão. Fora a originalidade né, não é qualquer jogo que tem cenários tão únicos quanto Cleyra, Lindblum, ou como aquelas dungeons incríveis no final do jogo.





Isso somado com a sempre sensacional trilha sonora do lendário Nobuo Uematsu fez com que eu ficasse embasbacado com esse jogo durante todas as suas 50 horas (exceto durante aquele minigame infernal dos Chocobos).



Foi uma experiência tão foda que se por acaso acontecesse algum problema no meio do jogo que me fizesse recomeçar, eu faria com muito prazer.

E aconteceu, só que consegui resolver.

Enfim, parece um daqueles exageros imbecis, mas repito o que eu disse no inicio desse artigo: Final Fantasy IX é um dos melhores jogos que joguei na vida, sendo não apenas um retorno as origens, como uma homenagem a toda a franquia. Ele pode não ser o melhor Final Fantasy, mas é o que melhor define a série, misturando perfeitamente elementos tanto dos jogos antigos quanto dos até então na época recentes — e mesmo assim criando algo único. 

Ok, você deve estar se perguntando porque diabos esse artigo ficou com clima de despedida assim de repente, mas calma ai, não clique naquele X ainda, nós só estamos começando. Aqui termina a primeira parte do artigo, agora na segunda vou explorar mais a fundo o enredo do jogo. Sim, é a parte especial só para SPOILERS que eu citei lá no começo, então se você ainda não zerou, vá zerar e volte aqui depois... ou continue lendo mesmo assim, você decide

O despertar de Alexander


Como já disse, é Kuja quem controla Brahne, mas ''controle'' não é uma palavra muito boa para definir o que acontece entre eles, porque ao contrário do que muitos pensam, Kuja não usou nenhum feitiço de controle mental ou algo assim em Brahne. Ele não estava controlando ela diretamente, e sim a influenciando, alimentando um sentimento de egoísmo e ganância que provavelmente já existia nela antes, mas que ele tornou muito maior para usar em sua vantagem.

O plano dele era usar isso para causar guerras e conseguir os Eidolons para si. Mas não apenas isso, ele queria também o Eidolon mais poderoso de todos, o lendário Alexander.


Se você está se perguntando por que Garnet consegue summonar... é porque ela na verdade nasceu no mesmo vilarejo de summoners de Eiko


Há muito tempo atrás, quando arte de summon era comum no Mist Continent, os summoners tentaram invocar Alexander mas seu poder era tão grande que chegava a ser perigoso pra todos. Então eles decidiram sela-lo em um cristal, o dividindo em quatro pedaços entre os principais povos do continente. Ou você pensou que um Final Fantasy clássico assim não teria cristais como algo central na trama?

Kuja planejava usar a ganância de Brahne para dominar os reinos do Mist Continent, roubar os cristais dele para si, e depois se desfazer da  rainha quando ela fosse traí-lo. Sim, porque com sua ganância MIL, era óbvio que Brahne não iria dividir o poder com ninguém. Tudo isso se concretiza, e Alexander é eventualmente summonado nessa que é sem dúvidas a cena mais épica desse jogo!



Mas os planos de Kuja são frustrados quando aparece um velhote futurista chamado Garland em uma nave chamada Invincible e destrói tanto Alexander quanto o próprio castelo de Alexandria. Esse pra mim é o primeiro grande twist do jogo, afinal como diabos eu iria imaginar que em um jogo com temática de fantasia medieval iria aparecer uma fucking  nave soltando uns laser? E quem diabos seria esse Garland?

Pois é, saber qual é a desse velhote é vital para entendermos o enredo de todo o jogo, e pra isso precisamos voltar um pouquinho no tempo... tipo uns 5 MIL anos.

Movidos pelo desespero


Mais ou menos nessa época, existia um planeta com uma civilização MUITO avançada em tudo que era vertente, seja culturalmente, tecnologicamente e até magicamente. Esse planeta se chamava Terra, um lugar habitado por mentes geniais e orgulhosos do que conseguiram construir... mas nem esses gênios conseguiam impedir algo inevitável para tudo que existe: o fim.

Cada planeta no universo tem dentro de si como fonte vital um cristal — sendo responsável pelo nascimento de todo tipo de vida, vegetal, animal, inseto, TUDO — e esse cristal controla o ciclo de almas. Toda criatura que morre tem sua alma de volta ao cristal, que a reorganiza e a renasce em outro corpo, num ciclo natural que é responsável pelo avanço e equilíbrio de toda vida no planeta.



Mas tem um detalhe, a fonte de energia dos cristais não são eternas — assim como nada é eterno — e assim que o cristal perde toda sua força, a vida no planeta também chega ao fim. Afinal planetas também são criaturas vivas, e como tal tem de passar pelo processo da morte.

Sim, não importa o quão avançado tecnologicamente que a Terra fosse, ela ainda era apenas mais um planeta, e não tinha como fugir desse processo. Isso era algo que seus habitantes não conseguiam aceitar de jeito nenhum... ter tudo que eles construíram apagado da existência era algo inconcebível pra eles. Foi assim que eles criaram o plano de assimilação.

Usando uma arte mágica chamada Fusion, eles conseguiram estender o tempo de duração do cristal da Terra ao fundir o próprio planeta com outros em período de nascimento, tomando para si a energia vital de seus cristais mais jovens. Porém chegou uma hora em que eles não tinham mais planetas recém nascidos para assimilar, e a ultima alternativa era fundir a Terra com um planeta jovem, mas que por não ser recém nascido, já tinha desenvolvido um ciclo de almas próprio, tendo inclusive civilização.

Esse planeta era Gaia.



Por ser muito arriscado, os habitantes da Terra entraram em um estado de sono e deixaram um androide com o único propósito de supervisionar a assimilação e completa-la não importa como. Esse androide é o tal velhote futurista, Garland.



Eu disse que a trama era mais complicada do que aparenta.

Mas por já ter, digamos, uma ''identidade espiritual própria'', Gaia rejeitou a fusão com a Terra e as consequências foram desastrosas — toda a civilização do jovem planeta foi destruída no processo. Percebem como o desespero podem transformar as pessoas em tremendos cuzês? O medo egoísta do povo da Terra simplesmente destruiu um planeta inteiro!

Devido a fusão incompleta várias estruturas da Terra começaram a aparecer nos ''continentes perdidos'' de Gaia (sim, aqueles que eu citei no começo do artigo) como por exemplo Oeilvert — um lugar criado como registro das notáveis conquistas históricas e tecnológicas do planeta Terra, mais uma prova do orgulho e do desespero de seus habitantes em querer que o que eles construíram nunca fossem esquecidos.


Com Gaia totalmente destruída, Garland precisava de algo que fizesse o planeta se recuperar mais rápido (para depois pilantra tentar assimilar de novo, é claro) e pra isso transferiu a lifa Tree da Terra para Gaia, mas mesmo assim a recuperação durou mais de MIL anos. Depois disso Garland colocou seu novo plano em prática: usar a lifa Tree como um verdadeiro fltro de almas, bloqueando as almas de Gaia do cristal do planeta, e só permitindo a circulação das almas da Terra.



As almas de Gaia eram então dispersadas pela lifa Tree para a superfície do planeta, em forma de névoa.

Sim, a tal névoa que permeia todo o Mist Continent são ''restos'' de almas dos antigos habitantes de Gaia, e os monstros nascidos da névoa são representações do sofrimento e desespero dessas almas perdidas. Garland sabia que a negatividade dessas almas era tão forte que começariam a influenciar as emoções das pessoas, e é por isso que o Mist Continent era assolado constantemente por guerras.

E pelo menos pra mim, isso tudo ai é MUITO disturbing.



Garland pretendia usar essas guerras — ou seja, muitas mortes— para destabilizar ainda mais a energia do cristal e assim completar a assimilação, o preenchendo com as almas da Terra. O problema é que essas guerras pararam quando o povo começou a usar a névoa — ou seja, a fonte da negatividade — como combustível para  as airships (o que acrescenta mais um ponto no nível de disturbing) e o plano de Garland foi por água abaixo.

Mas mesmo com esses fracassos, Garland continuaria a manipular e corromper tudo que fosse necessário para que a assimilação fosse completa, esse era o único propósito de sua patética existência. É claro que ele não ia desistir.

Os anjos da morte



Perto do final do game Zidane e os outros conseguem ativar o portal  que conecta Gaia com a Terra e chegam nesse planeta. É legal ver como ele é totalmente diferente de Gaia visualmente, mas o mais notável é ele ser habitado por um monte de... Zidanes.

Ou pelo menos MUITO parecidos


Claro que isso deixa Zidane confuso, mas o que mais o incomodava é o fato desses carinhas serem ‘’estranhos’’, sem nenhum tipo de emoção ou qualquer tipo de expressão, além de serem bastante ingênuos. Mas dentre eles uma menina chamada Mikoto parecia diferente, conseguia se comunicar melhor e tinha muito mais conhecimento sobre o que estava acontecendo. Ela então leva Zidane para um observatório chamado Pandemonium para descobrir a verdade sobre quem eram eles. Sobre quem era ele afinal.


Nesse observatório estava Garland, o criador de todas aquelas criaturas, que então revela a verdade óbvia a Zidane: ele era um deles. Mas quem eram eles afinal?

Quando os habitantes da Terra entraram em estado de ‘’sono’’, eles abandonaram seus corpos físicos, ou seja, eram suas almas que estavam em repouso. Garland então precisava de corpos para preencher com essas almas quando a assimilação do planeta fosse completada, e pra isso ele criou uma raça de criaturas artificiais chamada Genomes — vazias, sem emoções ou idade definida. Praticamente sem vida.

Mas Zidane não acredita naquilo, afinal ele não era como eles! E só por questionar isso já prova que ele estava certo, Zidane era especial. Ele tinha personalidade (até demais), emoções, enfim, ele tinha uma alma. Como ele poderia ser como os outros?



Na época em que as guerras acabaram em Gaia, Garland precisava de uma influencia mais direta dentro da sociedade para que causasse guerras novamente. Ele então decidiu criar um Genome especial, com uma alma e personalidade própria para essa tarefa. Zidane é o resultado disso, o Genome criado para provocar guerras e destruição, um anjo da morte.

Ao contrário do que geralmente acontece com personagens sem memórias de suas origens, Zidane pouco se importou com isso no decorrer do jogo, mas o choque de saber a verdade mudou tudo. Saber que foi apenas ‘’algo’’ criado com propósitos de filhadaputagem foi demais pra mente de Zidane, e pela primeira vez no jogo vemos ele destruído psicologicamente, se sentindo sozinho, se sentindo um merda completo.

E então ele começa a enfrentar os monstros de Pandemonium sozinho, dispensando a ajuda de seus amigos. Mas todos, cada um deles foram ajudados e motivados por Zidane de uma forma ou de outra durante o jogo, e claro que eles não o abandonam mesmo contra sua vontade.

Dai começa a tocar aquela música chamada ‘’You Are Not Alone’’ e  to arrepiado aqui só de lembrar.



É uma das cenas mais poderosas emocionalmente do jogo — mesmo sendo de certa forma aquele clichê de ‘’poder da amizade’’, mas não de maneira boba, foi algo bem impactante, muito foda de verdade. Enfim, mais uma vez os planos de Garland deram errado (só faz merda esse cara), pois mesmo tendo sido criado como uma máquina de matar, Zidane não se tornou isso, muito pelo contrário. Então, o que aconteceu?

Bem, antes de criar Zidane, Garland criou outro Genome especial com esse propósito, um outro anjo da morte. Porém esse Genome desprezava completamente a sua existência como Genome, ele não queria ser comparado de jeito nenhum com aqueles ‘’caras esquisitos’’, ele queria ser mais do que um objeto nos planos de Garland. Pois é, eu to fazendo esse mistério imbecil mas vocês já sabem, esse Genome é Kuja.



É interessante como a revelação sobre o passado de Kuja muda completamente nossa perspectiva em relação a ele. Apesar de parecer isso durante todo o jogo, Kuja não era um maluco por poder sem sentido nenhum, por pura maluquice, ou por... batatas. Tudo o que ele fez foi desafiar Garland esse tempo todo, querendo pegar os Eidolons para si pois sabia que isso era a única coisa que Garland temia. Inclusive sua aparência extremamente boiola extravagante  foi uma maneira que ele encontrou de se diferenciar dos outros Genomes e de qualquer outra pessoa. 

Tudo o que ele buscava era uma identidade própria.

Isso não muda o fato dele ser um sujeito insuportável, infantil, birrento, egoísta ao extremo, filho da puta, e nem justifica nenhuma das merdas que ele fez, mas ao menos saber disso tudo o torna um personagem mais interessante e bem desenvolvido — inclusive por suas falhas imbecis. E essa personalidade birrenta tem uma explicação: Kuja foi criado já adulto, e por isso ele não consegue desenvolver emoções complexas proveniente de experiências com outras pessoas como... afeto talvez? Enfim, isso quer dizer que sua personalidade é dificilmente maleável, e isso tornava sua rebeldia ainda mais perigosa para Garland, pois ele nunca conseguiria muda-lo. Garland considerava Kuja uma falha, e por isso preparou Zidane como substituto.

Ao contrário de Kuja, Zidane foi criado como uma pessoa normal seria — nascendo como um bebê — e por isso poderia adquirir emoções complexas ao crescer. Talvez com Garland o criando desde criança e o doutrinando com seus objetivos, ele ainda teria uma personalidade complexa, mas seria submisso a ele — ao contrário de Kuja, que nunca seria.

Pois é, mas Kuja tinha ódio e inveja de Zidane por se sentir inferior a seu irmão (complexo  Liquid Snake) então decide joga-lo em Gaia sem Garland saber — Zidane é encontrado pela Tantalus e criado junto deles, o resto é história conhecida. Após essas revelações (e depois que Zidane se restabelece psicologicamente) Kuja reaparece depois de ter conseguido finalizar seu plano B. Já que o plano dos Eidolons não deu certo, ele descobriu outra fonte de poder: o Trance.

Como eu já disse antes, Trance ocorre quando as emoções da pessoa chegam em seu limite, certo? Porém, Kuja não tinha emoções complexas, por isso não poderia usar Trance. Mas ele percebeu que como Genome, ele pode ‘’absorver almas’’, já que todo Genome é criado como um receptáculo de almas mesmo. Ele então absorve todas as almas que o Invincible capturou (sim, aquele laser dele capturava almas) usa as emoções dessas almas e vira super sayajin entra em estado de Trance.



Com todo esse poder ele se tornou praticamente invencível, podendo facilmente derrotar Garland e tomar tanto Gaia quanto a Terra só pra ele. Praticamente um deus. Até que Garland revela que na verdade Kuja, ao contrário dos outros Genomes, tem um ''prazo de validade''. Assim como os habitantes da Terra no passado, não importa o tanto de poder que Kuja tivesse, ele iria morrer.

E então seu mundo caiu.

Encarando a mortalidade




Antes nesse artigo eu disse que o dilema que Vivi enfrenta é vital para entender o jogo inteiro, então chegou a hora de falar sobre isso. Vivi é um Black Mage artificial assim como aqueles do exército de Brahne, criados por Kuja. Mas Vivi é um protótipo deles, que caiu de uma airship no inicio de sua ''vida'' e foi encontrado por uma criatura da mesma raça de Quina, que o criou como seu ''neto''. Importante ressaltar que Kuja criou esses Black Mages usando a névoa, ou seja, usando almas — e é por isso que eles podem adquirir autoconsciência. É o que acontece com Vivi, que foi aprendendo tudo sobre o mundo com seu avô, se tornando bem diferente daqueles outros artificiais. Vivi ganhou uma vida.

É interessante como pode-se fazer um paralelo entre Vivi e Zidane, Kuja, e os Genomes em geral. Assim como Zidane, Vivi foi criado como uma máquina de matar mas que por sorte acabou se desviando de seu destino e se tornou totalmente diferente do que foi designado. Assim como Kuja, Vivi enfrentou o dilema de ser uma ''coisa'' e do significado de sua identidade como criatura.



Mas diferente de Kuja, Vivi conseguiu aceitar sua existência como é, compreendeu que ele é uma criatura como qualquer outra, no fim sua ''artificialidade'' não significava nada. Ele pode ter uma aparência ''frágil'' e introspectiva, mas Vivi, perdido sozinho em seus pensamentos durante toda a história, foi mais corajoso do que Kuja jamais foi.

No entanto Vivi começa a viver outro dilema quando descobre que ele não foi o único Black Mage a ganhar consciência, um monte deles também conseguiram e formaram um pequeno vilarejo no Outer Continent. Ao chegar lá ele descobre outra característica perturbadora de sua ''raça'':  o curto período de vida.

Vivi já conhecia a morte quando seu vovô ''deixou de funcionar'', mas foi ao lado do Black Mage n° 228 naquele cemitério que ele assustadoramente a encarou de frente pela primeira vez. Eu vi um comentário extremamente imbecil sobre isso por aí na internet, um cara falou ''ain, Vivi fica perturbado ao descobrir que vai morrer, ele pensou que ia viver pra sempre é? Que imbecil''. O que o animal que comentou isso não percebe é que todos nós sabemos que vamos morrer, sabemos que temos um prazo de validade... mas não damos a minima pra isso até encarar essa possibilidade de frente.

Você ai, vive sua vida a cada dia como se fosse o último? Claro que não, por mais que você saiba que pode ser o ultimo, sua mente se ''acostumou'' tanto com a ideia de viver que não vai fazer você reparar nisso. Mas quando essa possibilidade é real e jogada na sua cara, a mente trava de medo. É exatamente isso que o dilema de Vivi quer nos passar.

E de Kuja também, claro. Com todo o seu soberbo poder, a ultima coisa que poderia passar em sua mente era  morrer, mas quando descobre que é isso que iria acontecer ele fica extremamente desesperado. Toda a sua pinta de deus cai por terra, e tudo o que lhe resta é o medo de deixar de existir. E esse medo egoísta dele — semelhante ao dos habitantes da Terra — o faz querer destruir TUDO o que existe, ele não consegue conceber que o mundo exista sem ele.



Kuja não é o verdadeiro vilão desse jogo, ele é apenas uma criatura patética que nega a morte com todas suas forças. Garland não é o verdadeiro vilão desse jogo, ele é só a personificação do desejo doentio dos habitantes da Terra em querer escapar da morte a qualquer custo.

O medo da morte, a destruição que isso causa... esse é o verdadeiro vilão desse jogo.

A solução



Existe outra característica dos cristais que eu ainda não falei, pra justamente deixar pro final: as memórias. Cada cristal dentro de um planeta não apenas organiza as almas do mesmo, com também as memórias dessas almas, e essas memórias individuais de cada alma se torna um aspecto coletivo dentro do cristal. No fim, as memórias não são só de pessoas individuais, mas sim do próprio planeta.

Os Eidolons nascem dessa memória coletiva, eles são as lendas da humanidade que ganham vida através do cristal ( Berserk feelings), sendo guardiões do mesmo. Eles vão evoluindo e mudando de ''forma'' cada vez que a cultura do mundo — moldada pelas memórias das pessoas — vai mudando também. Isso explica porque o Eidolon e boss secreto Ozma é estranho daquele jeito, uma... bola sem forma. Ele é um Eidolon que foi esquecido durante o tempo, que perdeu sua forma.



E num processo semelhante das próprias pessoas, quando o planeta morre, sua ''alma'' e suas memórias vão para o cristal no centro do universo, que deu origem a todas as coisas. ''Assim em cima como em baixo''... quem diria que eu veria hermetismo em Final Fantasy IX hein?

Enfim, viajando através da Memoria (dungeon mais foda do jogo), Kuja consegue chegar no cristal central do universo, onde tudo se originou, para colocar um fim em toda a existência. Zidane e os outros o seguem mas Kuja é poderoso demais e todos são derrotados. Esse medo dele, doentio, cego, egoísta e tão extremo ao ponto de querer destruir a porra do universo fez despertar uma misteriosa entidade cósmica, e talvez o boss mais incompreendido da franquia:  Necron.




Muita gente reclama que Necron é algo para encher linguiça, desnecessário, imbecil, sem sentido, blablabla. Mas essas pessoas devem ser acostumadas com shonens bobinhos onde no final tem que ter uma batalha com o vilãozinho canastrão (no caso Kuja) e fim. Algo subjetivo como Necron não entra na mente de barata deles.

Desculpe, mas se você acha que Necron não faz sentido e é irrelevante dentro do jogo, você jogou com a bunda. Necron é justamente o resultado de todo o dilema que venho falando há tempos aqui nesse artigo: o medo da morte. Como ele mesmo diz, todas as pessoas sentem medo, que leva ao ódio, que leva a destruição... através de Kuja e do que ele foi capaz de fazer, Necron chegou a conclusão que a própria vida é autodestrutiva.

A vida é feita para a morte, e no meio deles só há o medo, que gera o sofrimento. Necron apareceu com a solução para esse problema, um meio de acabar com o sofrimento definitivamente:

                               Trazer tudo de volta ao nada.



Veja pelo nome dele, ''Necron''... eu sei que isso foi coisa da tradução americana, seu nome no Japão é ''Darkness of Eternity'' uma clara alusão ao ''Cloud of Darkness'' de outro FF antigo (não vou falar qual é pra não ser spoiler dele). Mas os americanos foram espertos a chama-lo de Necron, pois vem de ''Necro'', que vem de morte. E se você não acredita que ele tem relação com a morte depois de tudo isso, saiba que o o planejamento inicial era de que no lugar dele o ultimo boss do jogo fosse nada mais nada menos que Hades, o senhor dos mortos, que acabou virando um boss secreto. Eles trocaram o boss, mas mantiveram a ideia.


Então pode-se dizer que Necron é a representação da morte, ou do medo dos humanos em relação a ela.

Ai vai minha teoria sobre sua origem: do mesmo jeito que Eidolons são personificação de lendas das memórias dos humanos que ganham vida pelo cristal... seria Necron algo semelhante? Mas não algo restrito aos humanos, ou a um planeta específico... mas a toda a vida? Uma espécie de Eidolon cósmico representando o medo da morte, nascido do cristal central do universo? Eu acho que isso é muito possível.

Mas Necron não esperava que Zidane e os outros fossem tão resistentes, eles com sua coragem, sua vontade de viver, quebram a ''teoria de solução ''de Necron e ele desaparece. A batalha contra ele é algo muito mais subjetivo do que literal, tanto que ocorre em outro plano de existência, o misterioso ''Hill of Despair'', então não o ''matamos'' de forma convencional... é uma parada muito mais doidera entende?


Depois disso Kuja se redime ao salvar a party os teleportando de volta a Gaia, e depois Zidane arrisca sua vida para salva-lo. Achei muito bacana Zidane te-lo salvo não só por ter um coração bom, mas por reconhecer que se os planos de Garland tivessem dado certo e Zidane ficasse no lugar de Kuja, ele provavelmente teria feito tudo o que ele fez.

Só que confesso que no começo achei meio forçado Kuja se redimir, e apesar de não ter engolido isso muito bem até agora.... não é algo totalmente sem sentido.


Veja bem, após liberar toda sua fúria para destruir o cristal primordial, ele perdeu todos os poderes, perdeu tudo de mais precioso... mas também não tinha mais nada o que perder. Todo aquele medo de antes deixou de existir, tudo que lhe restou foi o alívio, como se um peso enorme estivesse desaparecido de suas costas (semelhante ao que aconteceu com Brahne) e ele finalmente aceitou a sua própria mortalidade. No fim os males que ele causou sempre serão lembrados... mas para os Genomes, Kuja virou uma espécie de herói, o cara que desafiou a condição deles de ''coisas''.

Quem diria que ele seria lembrado pro algo bom também, hein?

Considerações finais 



Vou chegando ao fim desse artigo, mas sem antes perguntar: qual seria a mensagem que Final Fantasy IXquer nos passar afinal? Nada melhor do que Vivi para nos mostrar, afinal apesar de não ser o protagonista principal, os dois temas centrais da trama — identidade e mortalidade —  foram centrados nele, então pode-se dizer que ele é tudo que esse game quis abordar em um personagem só!

O final do game é o mais feliz possível, com todo mundo resolvendo seus problemas, o mundo de volta a paz e Zidane e Garnet finalmente ficando juntos. Mas há algo de nesse final que o torna mais triste do que parece: o monologo de Vivi no final. Pois é, muita gente não percebeu na hora (inclusive eu, admito) mas quem recita esse monólogo é Vivi, e ele termina com a seguinte frase:

''— A todos... obrigado. Adeus. Minhas memórias serão parte do céu.''

Isso significa que o inevitável realmente aconteceu e Vivi morreu. E apesar de isso ser triste pra caralho — até porque ele é o personagem preferido de muitos, inclusive meu — sua morte é importantíssima para entender a mensagem que o game quis passar. Ele já havia aceitado que iria morrer há muito tempo atrás, ele entendeu a morte mais do que qualquer outro personagem do jogo.

No cemitério da vila dos Black Mages, ele descobriu que não importa que ele ''parasse de funcionar'', suas memórias e as memórias de seus amigos em relação a ele serão eternas, e através delas ele continuará vivendo. 

Não importa se a vida vai acabar um dia, ela não é autodestrutiva, pois o que vivemos e construímos enquanto vivemos  continuarão presentes nas memórias dos que ficam.

E parando pra pensar, essa mensagem pode ser atribuída ao próprio jogo em si, porque pouco importa se ele é ignorado ou xingado por um monte de gente por motivos imbecis, ou se a própria Square se esqueceu dele — ele sempre será lembrado por nós que jogamos, e através de nossas memórias ele viverá para sempre.

...

Ta, eu não esperava terminar esse artigo de maneira tão profunda e melosa assim, então antes que eu me empolgue de novo vou terminar essa bagaça logo de uma vez. FUI!

ATÉ O DIA MIL

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