Bioshock Infinite: Explorando o Multiverso



A conhecida como "sétima geração" dos consoles foi absurdamente notável por ter sido a faixa de tempo com a maior carga de FPS's genéricos entupindo a indústria de games com a mesmice, certo?

De um jeito ou de outro, graças à isso, FPS virou sinônimo de jogo com plot raso sem nada de impressionante, a não ser, na maioria dos casos, diversão casual ou gráficos estonteantes que fazem  alguns """"gamers"""" ovularem enquanto mostram suas máquinas poderosas que podem rodar até a sua vó, se ela for instalada devidamente. 

Não dá pra negar que há um pouco de verdade nisso, mas como sabemos, sempre há exceções. A sétima geração também nos presenteou com muitas pérolas impressionantes do gênero, e posso citar breves exemplos, como  F.E.A.R, a continuação de Deus Ex e... Bioshock, só pra ilustrar. Sei que há muitas outras. 

E pra marcar essa nova temporada de artigos, resolvi que finalmente era hora de um momento dedicado à uma maravilha que certamente foi o tema mais sugerido por leitores deste recinto desde o seu início, algo que acho muito interessante da parte de vocês.

Sobre o jogo



Bioshock Infinite veio ao mundo em 2013 e marcava uma fase de renovação na série Bioshock. Compartilhando o mesmo universo, mas com novos personagens, nova história e nova localidade. O que o fazia acessível para todos que ainda não tinham vivenciado a úmida Rapture e ao mesmo tempo, salientava os fãs mais velhos com certas referências à personagens e lugares dos jogos passados, principalmente em sua DLC.

Uma ideia muito da legal, claro.

Mas esse jogo visionário fez muito mais, e mais uma vez, além de trazer um dos mundos steampunks mais bem construídos de todos os tempos, trouxe consigo um enredo mirabolante com dezenas de mensagens sobre conflitos ideológicos inspirados na transição do século 19 para o 20, o que podemos chamar de "o engatinhar da sociedade moderna", apesar de ainda existir retrocesso semelhante mesmo hoje em dia, em pleno SÉCULO 2016, nessa galaxia chamada planeta Terra!!!

...

Enfim.

Como vocês sabem, gosto bastante de enredos que carregam uma certa "densidade" de assuntos que se conceituam com a realidade. E Bioshock Infinite é um jogo que explora vários temas em várias perspectivas, de forma crítica, imersiva e bastante alusiva. O fanatismo religioso, racismo, preconceito e sexismo são alguns exemplos aqui, além  de personagens humanos lidando com seus próprios demônios, e o já mencionado enredo muito do bem planejado por trás.



Mostrando, mais uma vez, a capacidade que essas maravilhas tem de somar positivamente para o crescimento pessoal e o conhecimento crítico em vários pontos de vistas daqueles que as apreciam. É uma obra que te faz pensar, e muito.

E eu nunca me canso de bater essa tecla aqui.

Além disso tudo, esse jogo nos trouxe Elizabeth! O amorzinho que vai cativar todos, independente de sexo ou idade! E isso vale até se você for uma calopsita metálica gigante com problemas vocais.

... Que foi? É verdade.



Outra coisa que sabemos sobre Bioshock Infinite é que ele é um tremendo mindblow. E que com certeza fez ou fará você fritar seu cérebro por várias horas na busca de entender os seus elementos e conclusão, como todo bom enredo que usa o tema principal de realidades paralelas deve fazer.

E pra começar de uma vez, vamos à um breve entendimento sobre a...


Introdução do enredo

"Bring us the girl, and wipe away the debt!" *BAM! BAM! BAM!*

Melhor fanart


O jogo se passa em um utópico – porém bastante similar em vários detalhes – inicio do século 20, nos EUA. Pra ser mais exato, em 1912, uma época onde conflitos sociais eram intensos e o racismo e preconceito eram ainda mais comuns. Aqui, entramos na pele de um problemático detetive  que está buscando uma garota com nome de Elisabeth para pagar uma "dívida". O lugar que ele deve ir chama-se Columbia, uma cidade isolada do "mundo exterior" que paira pelos céus e se mostra como o "sonho americano" de convívio social entre as pessoas, pelo menos à primeira vista.

Columbia é comandada principalmente pela religião, ou mais precisamente, pelo fanatismo religioso.. Quem encabeça os líderes dessa cidade é Comstock, o criador de Columbia e um reverenciado profeta de "Deus", que usa a população como massa de manobra através do fanatismo e "propaganda".

Opaaa, já viram algo semelhante por aí?


Logo, Booker descobre que sua chegada era "esperada" e começa a enfrentar sérios problemas na busca e fuga com Elizabeth, que é diretamente ligada com Comstock e a própria cidade. No meio de toda a aparente alegria de Columbia, ele conhece a Vox Populi, uma organização formada pela classe segregada da cidade: operários, negros e pessoas pobres, mostrando a discrepante diferença vivida pelos habitantes dessa cidade "perfeita", e deixando em evidência a real face de Columbia – ao mesmo tempo que retrata o comportamento da própria sociedade real, principalmente naquela época.

Não importa como você absorva, o jogo consegue expressar isso de forma bem contundente, e isso fica exposto em frases e comportamentos, às vezes diretos demais, às vezes em nuances no cenário ou algum quot de alguém na rua, é só observar bem. É nesse contexto que a confusão de colisões de realidades paralelas começa a ganhar ainda mais forma com o avançar do jogo. Até que se transforma numa complexidade absurda que nos pega bastante de surpresa até o final.

Biomindblowshock Infinite! 

Mas, antes de entramos nesses assuntos mais profundamente, como já é de praxe, vamos falar um pouco dos...

Conceitos técnicos



As áreas de Columbia, (em plano mais aberto) nos dão um novo deslumbre de interação dinâmica com o cenário pra criar e recriar estratégias lidando com os inimigos. Ken Levine conseguiu realmente dar "novos ares" (badun tss) pra série, podemos dizer que ele pegou os sistemas já elaborados dos primeiros jogos e os evoluiu. O cenário amplo e a possibilidade de usar as "skylines" nos dá uma sensação singular durante as batalhas, e unidas com a ação desenfreada do jogo, forma uma das experiência mais prazerosas que tive jogando um FPS na minha vida.

A trilha sonora é sensacional e retrata fielmente toda a classe e estilo dos primeiros anos do início do século vinte. Sobre a dublagem, a atuação é fascinante. Temos um dos melhores trabalhos de Troy Baker, aquele cara de dubla o Booker, o Coringa, a Elizabeth, eu, você, sua mãe e muito mais.

Ok, parei.

Na verdade, a dubladora da Elizabeth é a belíssima e talentosa Courtnee Draper, que intensificou ainda mais a empatia dessa fabulosa personagem. Todo o cast é excelente e merece nossos aplausos.

As magias estão novamente presentes, como é do feitio da série e agora são chamados de "Vigors", dando aquele ar biopunk que creio que deve definir Bioshock por inteiro, além de também servirem como "dispositivos" de interações únicas com o ambiente, nos favorecendo em situações com inimigos de forma mais do que relevante.


E falando em interação, uma das, se não a melhor parceria de gameplay de todos os tempos: Elizabeth! Conhecida por no auxiliar com suprimentos, dar dicas sobre itens e principalmente o seu (Cheat), misterioso dom de abrir fendas entre dimensões paralelas, nos trazendo objetos de realidades alternativas que nos auxiliam em vários momentos do jogo. E como toda boa parceria de game deve ser, ela não dá trabalho graças aos seus poderes especiais de imortalidade, defesa e teletransporte, que não estão nos script do jogo, mas mesmo assim ESTÃO LÁ. E assim não precisamos nos preocupar com a segurança dela durante os momentos de batalha.

E claro, isso é um segredo e eu não deveria estar contando. Creio que Elly, Carpeado e Tails me colocarão na suas listas negras também.

Um amor essa menina! Só não venha me afogar... Ei... EI!
Algo que admiro bastante nesse jogo é que ele te incita a explorar o mapa, que não é um mundo aberto, mas sim um conjunto de várias áreas exploráveis separadas pelos famosos "loadings" isso já é característico da série.  Outra coisa comum é mais uma vez a imersão automática que o cenário bem projetado de Columbia nos causa. Essa concepção de cenários de Bioshock é excepcional, sem mais.

Não vou entrar em mais detalhes, pois acredito que a experiência é melhor vivenciada pelo gameplay pessoal. Apenas saibam que tudo funciona e mostra-se bem arquitetado. Dependendo da dificuldade que você escolher, os inimigos se tornam bastante desafiadores ao desviar de balas e planejar rotas para chegar perto de você do nada, te fazendo gritar como uma arara assustada enquanto atiram na sua vesícula.


O design do jogo mais uma vez é feito em cel shading, e é consideravelmente bem feito, apesar de não ser o ponto forte do jogo. E falo, especificamente, das expressões dos characters que, – exceto por Elizabeth que recebe atenção especial pela importância e foco na empatia – são bem simples.

Claro, nada que comprometa a experiência visual, e olha que quem tá falando isso é um fanboy de Dark Souls, série onde exceto as serpentes com gengivite, todos os personagens possuem expressão facial o suficiente pra ser aquela garota do Crepúsculo.

Não, o "vampiro", não. A outra garota!

Em defesa de Dark Souls, digo que a direção de dublagem é tão perfeita que se esses personagens fossem abóboras falantes sem rosto, ainda assim seriam mais do que fenomenais em sua expressividade. Agora parando o momento fanboy, continuemos.

Vocês já devem ter notado, mas odiamos analisar um jogo como se fosse um... "robô", né? Tipo essas análises de "Gráficos: nota x, jogabilidade nota x" ah, pessoalmente eu acho isso muito chato. Quando vejo pessoas usando gráficos realistas como parâmetros de qualidade absolutos, ou até mesmo notas de sites como argumento, eu já sei que tá na hora de chamar uma nuvem voadora e fugir pra longe.

Enfim, pra resumir, esse jogo é uma delicia de jogar. Sempre tive em minha concepção que nenhum outro FPS superaria Half Life em enredo, quiça em jogabilidade. Então surgiu Bioshock Inifinite e ele realmente se provou pário demais. Forma um dos 3 melhores jogos do gênero que já tive o prazer de jogar. Ainda sou meio descrente com isso, mas existem sim pessoas que o julgam negativamente por ele ser um FPS, mostrando que o preconceito é burro em qualquer realidade paralela, puta que o pariu. .





A trama é complexa, mas acreditem, se você conseguir separar bem os fatos, tudo fica numa boa... ou quase. Pra começar, narrativamente falando, o jogo é bem direto e não perde tempo explicando conceitos detalhadamente. Ele apenas os joga de forma sucinta em acontecimentos que você deve juntar, prestando atenção nos detalhes espalhados, pra finalmente entender tudo.

Então pra deixar o lance mais simples, vou tentar fazer uma coisa que gosto bastante de fazer aqui nesse blog, que é "cronologizar" as coisas.

"Mas essa palavra nem existe seu ser em chamas idiota!"

Eita, que violência, vamos lá.

Bom, se existe alguém ainda que não teve a oportunidade de pegar essa MARAVÉLIA, aqui é a hora pra você ir corrigir esse erro, seu bobão! Chegamos a zona dos SPOILERS. Não sou nenhum especialista quântico ou que quer que seja, mas vou tentar expor algumas ideias desse jogo de forma... MIL, não esperem explicações científicas, claro. Se não jogou, vá, e depois volte pra ler porque... hm... ler é bom...



Universos colidem


"Por que você pergunta "o que", quando a deliciosa questão é: "quando"?
A única diferença entre passado e presente é.... semântica.
Vive, viveu, morrerá.
Morre, morreu, morrerá. 
Se pudéssemos entender como o tempo realmente é...
Por que motivo os professores de gramatica nos tirariam da cama?" 


Na teoria geral sobre realidades paralelas (interpretação de muitos mundos), acreditasse que há sempre um estado primordial que cria milhões de estados através dos múltiplos caminhos a se seguir. Em outras palavras, uma realidade primordial que cria milhões de outras que não se comunicam entre si.

Uma das ideias mais comuns é sobre o fato de cada decisão nascer um mundo diferente, e assim sucessivamente e infinitamente enquanto o multiverso estiver em expansão.  Então, o que aconteceria se de alguma forma, um desses mundos pudessem se conectar, o que aconteceria se as pessoas pudessem atravessar essas realidades?


Ora, é justamente essa a premissa que define Bioshock Infinite. Vamos começar do começo, e o começo se resume em: Booker DeWitt, um veterano de guerra famoso por sua crueldade com seus inimigos e sua habilidade com armas. 

Foi recrutado como muitos jovens de sua época para travar uma guerra civil conhecida como Wounded Knee Massacre – uma batalha real onde americanos massacraram indígenas em 1891, nos EUA. Após isso foi condecorado como herói, mas ele se arrependia das atrocidades que tinha cometido, isso o atormentava e ele acabou saindo do exército. 

Foi então que surgiu a "oportunidade" de se redimir dos seus pecados. Um padre o oferece a chance de se batizar, ter um novo nome e esquecer a dor do seu passado, mas, Booker se nega, com a certeza que isso jamais poderia apagar e nem mudar os seus pecados. Como vemos, aqui surgem duas possibilidades de escolha, e isso gera vários caminhos. Em uma realidade, Booker realmente recusou o batismo, e seguiu com sua vida, até se viciar em álcool, apostas e perder tudo, inclusive sua filha, Anna, pra pagar uma dívida, de tão ferrado na vida que ficou.

Que pia bonita, né, Comstock?

Porém, em outra realidade, ele aceitou o batismo e mudou seu nome. O nome escolhido, como sabemos, foi o de Comstock, o profeta antagonista do game. Esse que mudou sua vida e se tornou um rico político disposto a mudar o mundo. Foi aí que ele conheceu Rosalinda Lutece, uma fantástica fisicista quântica que precisava de fundos para continuar suas pesquisas sobre a recém descoberta de sua vida: realidades paralelas.




Comstock era um ambicioso homem que tinha planos em mente de como ganhar em cima disso e a ajudou com investimentos. Rosalinda conseguiu entrar em contato com outros universos e acabou achando sua contraparte, Robert Lutece, diferente dela, mas com inúmeras semelhanças. Por sorte ou não, mesmo Robert com muitas diferenças, ainda era tão brilhante quanto, e juntos, conseguiram criar uma máquina que os permitia transitar pelas dimensões, usando "fendas" entre as mesmas.  E é claro que Comstock iria usar isso de formas "filhasdaputas" ao seu favor. 

Foi assim que Constock começou a viver entre as dimensões e tempo, ganhando conhecimento o suficiente para criar maravilhas da tecnologia e profetizar acontecimentos que ele sabia que poderiam ocorrer, graças às fendas.
  
Assim foi possível criar, (junto de R. Lutece) Columbia e montar uma religião, afinal, qual arma mais poderosa para se controlar a população? Comstock almejava dominar o planeta! Nesse tempo, também conheceu sua esposa, referenciada no jogo apenas como Lady Comstock. Uma mulher simples, que se apaixonou e se tornou uma fiel aliada nos planos do marido.



Porém, o poder das fendas tinha seus "custos". Usa-las demais afeta gradativamente o corpo e a mente, e foi assim que Comstock envelheceu absurdamente rápido, se tornou estéril e afetado psicologicamente com tantas informações e memórias de universos e tempos diferentes. Se tornou um completo fascista com filosofias destorcidas e só ligava pra sua ambição. Em busca de ajuda pra se curar da sua incapacidade de deixar herdeiros, Comstock procurou Rosalinda, que o revelou que em alguma realidade, Comstock poderia ter tido um filho ou filha, e foi aí que paramos em Booker.

Os compradores eram nada mais que os "gêmeos" Lutece e Comstock, que ofereciam uma boa quantia para que Booker vendesse a própria filha, Anna. Desesperado com a vida que levava, ele cedeu, mas logo se arrependeu e foi atrás de Anna.



Tarde demais, ela foi levada, e deixou apenas um dedo graças ao fechamento do portal, a fazendo "presente" em dois mundos paralelos de uma vez, e a dando poderes incríveis por isso. É então que vemos o que tais acontecimentos desencadeiam muitas e muitas realidades, mas que levam de alguma forma à um único destino de colapso em todas as direções. Pra entender melhor, vamos ao próximo tópico.

Uma prisão de possibilidades 


"Booker, você tem medo de deus?

– Não.... Eu tenho medo de você."  

Quando Booker finalmente encontra Elizabeth, eles começam a conhecer mais a história por trás de Columbia e seus envolvidos. E ao explorar as fendas, viajam entre as dimensões e suas "diferenças semelhantes". É interessante como eles ficam confusos sobre a viagem que eles mesmo fazem, e acabam nos deixando confusos também. Desde a primeira vez que eles entram na fenda, eles buscam o seu objetivo de sair de Columbia em outra dimensão, em outras palavras, é como se eles nem percebessem no que estavam se metendo.


E eles acabam passando ainda mais por dimensões alternativas, como a de Booker sendo um mártir pela causa da oposição a Comstock ou em lugares onde certos personagens que morreram ainda estão vivos, e isso causa uma espécie de "bug mental dimensional" neles, ou pra ser mais específico, em Booker, já que Elizabeth é "especial".  Outros que são afetados são as pessoas que acabaram lembrando que morreram, em dimensões distintas. E cara, é bem disturbing ver essas cenas, você percebe um desespero nos personagens e entende mais ou menos o porquê disso.

Ao transitar pelas dimensões paralelas, as pessoas tem suas memórias readaptadas pra cada realidade, o que causa confusão e sangramento no nariz. Mas, ninguém pode lembrar da própria morte, é uma lei universal, e isso vai causando uma bagunça multiversal durante esses momentos que Elizabeth e Booker nem imaginam, muito menos a gente.

Essa confusão nos leva até o destino de Elizabeth ser levada por Songbird para Comstock, com o intuito de se sacrificar pela vida de Booker, na esperança de que um dia ela fosse ser salva. Mas, Booker acaba alternando pelas dimensões mais uma vez, e nessa realidade, até ele voltar pra busca-la, isso leva décadas de tortura e sofrimento passadas pela mesma, até que ela acaba se entregando as maquinações de Comstock e se tornando que nem ele. Juntos, se tornam tão poderosos que buscam dominar todo o mundo, e é esse o resultado:



Uma coisa interessante é que, Elizabeth se torna um monstro por ela mesmo. Sua esperança se vai, e ela se entrega aos sentimentos destrutivos, mostrando um traço da sua real personalidade, dependendo das possibilidades. Os poderes de Elizabeth não deveriam existir, ela é um "bug dimensional vivo", e o destino dela trazer o caos e destruição é algo absoluto dentro das realidades paralelas. Isso é revelado pra o Booker, e é por isso que temos aquela conversa entre os dois, sobre o que ele realmente teme. 

Essa velha Elizabeth traz Booker pro seu universo pra dar esse aviso, entrega uma mensagem para a Elizabeth da realidade dele, e o leva de volta pra a realidade dos primeiros acontecimentos do jogo, num momento que ele poderia impedir de Comstock tortura-la até ela perder as esperanças.  É aí que gastamos muitas balas e salts pra enfrentar os desafios muito bem arquitetados e divertidos do jogo, até finalmente chegar em sua conclusão.

Mas imaginem, desde o dia da "rejeição ou não" do batismo de Booker, infinitos universos tem nascido. Universos que se separam por possibilidades de eventos, por momentos no tempo. INFINIDADE.


Destruindo a prisão das possibilidades

"Há sempre um farol, há sempre um homem e há sempre uma cidade."



"Vê? Não são estrelas. São portas.
                                                                   – Portas para...?
Para todos os lugares."

Após matarmos Comstock e controlar o Songbird, pensamos em algum canto das nossas mentes, que finalmente podemos ir embora com Elizabeth e talvez viver uma vida feliz de pai e filha, certo? Mas, não. Não é assim, e não poderá ser. Pra acabar com esse ciclo de realidades era necessário acabar com o início do problema. Elizabeth agora despertou poderes inimagináveis e consegue estar presente em todos os universos possíveis de todas as realidades. Ela sabe a razão do problema, e sabe como acabar com ele. 

É aí que temos as cenas final do jogo. Tudo começou naquele lago do batismo, e era lá que iria terminar. Booker tinha que morrer, assim não existiria a possibilidade de surgir mais um Comstock. Era o que precisava ser feito. "Trazer a garota e quitar seu débito" se tratava e se mesclava temporalmente na resolução de um erro passado, a o mesmo tempo com a resolução do futuro. Mesmo com um Comstock morto, existiam infinitos dentre o multiverso, que ainda poderiam causar o mesmo problema. Como diz a velha Elizabeth "eu vi o mesmo destino acontecer centenas de vezes".

Lutece também ciente, manipula e ajuda para que o destino de Booker e Elizabeth se unam da forma necessária. No final, Booker deixa de bom grado que sua própria filha o mate afogado, finalmente dando um fim ao ciclo, sendo a decisão mais honrada que teve em sua vida.


A verdade enterrada no mar

PORÉM... essa empreitada não acaba por aí.


Acho que vocês já perceberam, mas de um jeito ou de outro o destino de Bioshock sempre acaba dando em água...

Enfim, muitos pensaram, (assim como eu) que essa seria apenas uma DLC simples onde teríamos momentos  em Rapture e até poderíamos jogar com Elizabeth por puro fanservice, mas quem pensou isso... se ENGANOU BOBOCAMENTE. Olha que linguajar terrível e mal educado, mas eu precisava dizer isso.

Agora estamos em Rapture, a cidade mais bela da série, em minha opinião. E não só isso, agora estamos aqui para concluir toda a série de forma fenomenal e passar mais MIL horas fritando o cérebro pra entender tudo. Essa DLC realmente fecha as pontas soltas, mesmo assim, muitos dos seus detalhes ainda são ambíguos e criaram algumas linhas de interpretação pessoais pra muitos que o jogaram.

Quando Booker foi afogado no final do jogo, as realidades entraram no eixo, e Comstock não deveria mais nascer em qualquer outro mundo. Mas, ainda existiam outros "Comstocks" vivos pelas dimensões. Um problema tinha sido resolvido, mas ainda faltava outro, e sobrou pra Elizabeth lidar com cada um deles em busca de sua vingança.

Muita gente fala do final da DLC, mas o que mais me intriga é o começo. Deixe eu explicar o que penso.


Elizabeth ter se tornando um ser onisciente que poderia estar presente até em realidades que ela nem nasceu é plausível. De alguma forma os Lutece tem capacidade parecida. É o que sabemos de certeza. Eles são especiais e as leis comuns da realidade não os afetam.

Ok até aí.

Mas, agora complica.

Elizabeth tenta impedir que os Comstocks restantes das outras realidades tentem encontrar a filha de outro Booker de alguma realidade. Digo, mesmo que a realidade primordial que originou os eventos para de permanecer ativa (afogamento de Booker), outras infinitas realidades "semelhantes mas diferentes" vão continuar existindo, a única diferença é que nenhuma mais irá surgir da primordial. É o fim de um problema, mas não de todos. É realmente um oceano infinito de possibilidades. Mas, digamos que isso em parte ainda é teoria.

Isso é o cajuzinho, mermão!

E ainda em teoria, acredita-se que Elizabeth passou todo esse tempo matando todas as possibilidades de Comstock que existiam. Com seus poderes, isso nem era tão difícil assim. Então eu considero plausível.

De qualquer forma, a informação que temos realmente é que em alguma realidade, um certo Comstock estava vivo e era semelhante o suficiente com o que conhecemos. Até tentou roubar a filha de um certo Booker por aí. Só que deu ruim. E a Elizabeth foi tentar resolver.

Vemos já na intro  que em uma certa realidade, o certo Comstock tenta roubar uma certa Anna (Elisabeth bebê). Elizabeth tenta impedir, (não de uma forma muito providencial, pra ser sincero...) e acaba ajudando um certo Booker a puxar a certa Anna com mais força. Pena que isso não é feito rápido o suficiente e o portal se fecha, dessa vez não arrancando o mindinho da menina, mas sim a cabeça.

Empurra direito, mulher!

Daí, esse certo Comstock se torna extremamente amargurado pelo pecado que tinha cometido, e pede aos Lutece para ir pra outra realidade e fugir de sua tristeza. Deixa uma certa Columbia e vai para Rapture... A Rapture onde se passam os primeiros jogos!

Como vocês sabem, quando alguém alterna em dimensões, sua memória se funde com a paralela e o nariz sangra. Depois de um tempo, aparentemente a memória da nova dimensão se sobrepõe, a antiga se torna algo reprimido do subconsciente. Logo, Comstock esqueceu daquela certa Columbia e sua tristeza, se transformou no Booker dessa realidade, que com um tempo se um tornou detetive famoso.



Mas, sempre tem um porém.

Booker/Comstock adota uma menina chamada Sally – sim, aquela – e tenta viver uma vida normal, até que ela desaparece. Pra resumir a história, ele acaba achando que ela morreu e acaba vivendo mais uma vez a culpa de perder uma "filha". Parece o destino constante que Booker/Comstock deve viver em todas as realidades.

Elizabeth descobre que ainda existe um Comstock e parte pra concluir sua vingança. Se disfarça e diz saber onde esta Sally, pra manipular e ter a chance de matar o seu último alvo.


É, ela deu uma mudada...


No final da parte 1 da DLC, Booker/Comstock acaba redescobrindo o passado, e tenta pedir perdão pra Elizabeth, que manda um NÃO e ele acaba sendo morto em seguida pelo Big Daddy. Pronto, agora Elizabeth pode finalmente ir pra paris e seguir sua vida após toda essa vingança egoísta que ela insistiu em fazer, correto?

NÃO, chegou a parte 2

Fechando as pontas soltas

Agora nossa vingadora se sente culpada por ter usado Sally, uma criança inocente, apenas como ferramenta para cumprir seus objetivos mesquinhos, e isso começa a atormenta-la. Elizabeth então quer voltar naquela dimensão para tentar salvar a garota pra poder deitar no travesseiro e dormir em paz, mas... sempre tem um porém.



Após o Big Daddy matar Booker/Comstock, Elisa também é atacada em seguida, e acaba morrendo naquela dimensão. Quando ela decide ir pra lá mesmo assim, os Lutece a avisam que ela não poderia manter seus poderes – e consequentemente suas lembranças primordiais geradas da sua onipresença porque já tinha morrido. Provavelmente essa é a única regra das realidades que não pode ser quebrada, nem mesmo por alguém como Elizabeth. Mas mesmo assim ela quer se redimir, e tenta voltar pra lá.

Perdendo suas memórias, seus poderes e se tornando uma sobreposição quântica (palavrinha bonita pra dizer que só tem essa Elizabeth agora existindo, e se ela morrer, FODEU.) Ela acaba tendo lapsos de seu conhecimento perdido no subconsciente através de uma projeção mental de Booker, então o temos sendo nosso auxiliador dessa vez – a sua relação paterna de carinho e apreço que tinha vivido em Columbia, naquela aventura distópica.

E é aqui onde Elizabeth se torna a principal influência de inúmeros acontecimentos de toda a série de Bioshock, além de nos fazer descobrir, junto com ela, várias informações importantes.


Como o porquê da conexão do Big Daddy com as Little Sisters ser tão forte, que é o mesmo porquê da relação dela com o Songbird ser tão forte. Como as duas cidades foram moldadas praticamente juntas através de Fendas, e isso inclui todos os seus elementos tecnológicos. Descobrimos porquê Daisy "tenta" matar o filho de Fink, quando na verdade é só uma encenação programada pelos Lutece que tinham manipulado a situação para que Elizabeth a matasse com uma tesourada nas costas. Daisy aceitou esse destino em troca da vitória da Vox Populli e morreu por sua causa (Os Lutece estavam visando o amadurecimento de Elizabeth, tanto em controlar seus poderes como psicologicamente). Estranho ou não, estavam certos, matar a tornou fria.


Certamente, os Lutece já pensavam em criar essa Elisabeth de hoje.

Por fim, ela ferra conscientemente o imbecil ambicioso do Atlas, reconhecendo a frase que seria um gatilho para que Jack viesse para Rapture. Em seus últimos momentos de vida, vê o futuro, (ou já tinha essa informação em seu subconsciente) onde Jack terminaria o ciclo de violência em Rapture e salvaria Sally. Elizabeth morre feliz em ter esse último lapso de memória. Fazendo dessa personagem a mais importante e a principal responsável em moldar todo esse universo de Bioshock. E provando o quão bem feita e humana foi projetada pra ser.

Elizabeth é inocente no começo, e acaba tendo uma trajetória de amadurecimento através da trama. Se torna uma mulher, que comete erros e egoísmos eventualmente, como qualquer um. É impossível não se afeiçoar por ela. Seja por seu carisma, sua inocência e cuidado de início, ou simplesmente sua evolução e amadurecimento depois. Junto de Booker, ela forma uma relação de carinho e cuidado muito interessante de se ver. Eu pessoalmente adoro como eles são bem trabalhados durante o jogo, não há malicia ou algo do tipo, e sim uma conexão de estima mútua, o que eu acho sensacional.


No final, pode parecer que Elizabeth se sacrificou por Sally de forma desesperada e descuidada, mas a possibilidade dela já ter "estudado" todas as probabilidades possíveis – inclusive a de tudo dar certo  usando seus poderes e enxergando através dos universos é completamente possível. Então, ela já sabia que podia dar certo, mesmo perdendo seus poderes e memórias, de alguma forma ela sabia o que estava fazendo, só precisou acreditar em si mesmo até o fim. E ciente dos seus erros, resolveu seguir em frente e se sacrificar pela garotinha.

E assim se fecha a série finalmente.



Considerações finais

Lembro que esse jogo fez um tremendo sucesso na época que foi lançado, e todo mundo só falava dele. Foram muitos que já comentaram desse jogo por aí, e de certa forma sempre fiquei surpreso com a galera pedindo uma versão MIL dele. Valeu mesmo, galera. E lembrem que sempre há um lugar por aí na internet com mais informações pra vocês interessados nessa série sensacional, e não duvido que saiam mais informados do que por aqui. Não quis bem explicar todos os eventos e sim explorar o tema multiversal, que como vocês já devem ter percebido, gosto bastante.

Além disso, quero informar que passamos dos meio milhões de views no recinto. UHU! Vocês sabem que às vezes a gente demora pra postar artigo, mas é normal. Ser adulto é um saco e tem um monte de responsabilidade, o tempo fica escaço. Sem falar que escrever às vezes flui rápido, às vezes não. Mas vamos cumprir nossas metas, até porque o Blog MIL tem muito projeto pra esse ano.

Creio que Bioshock é realmente uma série bem complicada de se tratar, existem inúmeras teorias e interpretações sobre vários dos seus elementos, seria interessante saber se você tem alguma e quer compartilhar. Pra terminar, fiquem com a modelo oficial da concepção de Elizabeth, porque ela é um amor:


Ah, e tomem também porque sim:


Se tiverem sugestões ou rages, os comentários estão aí pra isso.

Até dia MIL procês!

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