O balanço e a ruína em Final Fantasy VI


OHHHH, o saudoso inicio dos anos 90! A época onde os JRPGs trilhavam o caminho do amadurecimento, tanto em seus gameplays como na forma de narrar suas tramas para os players. Obras como Secret of Mana, Phantasy Star e até mesmo Final Fantasy IV já tinham mostrado o potencial que tais maravilhas podiam alcançar ao se contar uma história.  Mas foi em 1994 que todos nós recebemos uma surpreendente voadora na cara: Final Fantasy VI, o ÁPICE da evolução narrativa dramática no mundo dos games! Mesmo hoje, são poucos os que podem ser comparados a esse jogo de 94 com gráficos que podem rodar até numa tapioca.

E isso é ALGO, pessoal.

Apesar dessa geração "HARDCORE URRR DURR"— que acha que APENAS fotorrealismos abestados definem se um jogo é bom ou não em qualquer ponto de vista — pensar o contrário. 

Não é a primeira vez que FF VI é citado nesse blog, mas hoje é dia de um artigo todo dedicado pra ele! E sem enrolar, vamos direto ao ponto:


Sobre o jogo


Não preciso falar que essa é a minha opening favorita da série, né? Mas, vou! Ainda tento identificar todos os sentimentos que essa introdução me traz.

Como vocês devem saber, a série de FF seguia um certo padrão de elementos. Aventuras medievais, seres fantásticos e cristais que definiam o destino do mundo e das criaturas que nele vivem eram alguns dos exemplos obrigatórios em suas concepções. Por cinco títulos, inovações de temas e conceitos na série foram mais técnicas do que narrativas, com toda a certeza. Daí, no sexto título, (ou terceiro pra nós do ocidente, como é explicado "detalhadamente" AQUI) a Squaresoft resolveu que isso devia mudar, e assim surgiu o limiar do novo caminho que a série iria seguir.

A primeira mudança vemos logo na intro do jogo. Enquanto os outros FFs possuíam um início que incitava mais a determinação e positividade para atingir seus objetivos, FF6 vinha com um tema mais pesado e escuro, seguido de uma trilha de fim de mundo dos diabos. Já era de se esperar uma trama um tanto obscura que estava por vir.


Além disso, ele trazia uma mudança de design, que saía do puro medieval e dava lugar a um mundo steampunk que como sempre digo, já é começar com 27 pés direitos!

Porque steampunk FTW.

Quero essa lindeza moldurada na minha sala um dia.

O jogo também é recheado de temas densos, por exemplo: guerra e ganância são forças motrizes que guiam o enredo para o seus pontos mais altos, mas é a megalomania que — como deveria — excede todos os padrões! Também não é difícil ver a solidão, o desespero e até mesmo suicídio como elementos recorrentes na obra, o que mostra o quão impactante ela pode ser se você observar suas nuances. Mas calma lá se tu acha que trata-se de um comboio de depressão em forma de cartucho.

FFVI mostra seus personagens numa perspectiva de crescimento pessoal, enquanto lidam com os traumas de suas vidas e o mundo ao redor, tentando superar seus problemas, se tornarem pessoas melhores. O que passa uma mensagem bem edificante para os players. E como eu já disse MIL vezes aqui nesse blog, esse é um tema que sempre tendo a admirar quando é feito direito, e meus amigos, é aqui onde Final Fantasy VI mais brilha! 


Sem falar dos vários momentos de alívio cômico durante a aventura, algo que com certeza não deixa a desejar, sejam por piadas, situações inusitadas ou simplesmente pelos absurdos legais que o sistema de combate de um rpg de 1994 podia fazer: 

SUPLEX NUM TREM FANTASMA FALANTE EM MOVIMENTO QUE NÃO MOVE AS RODAS, UHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

O que dizer de um jogo com um Boss assim? SÓ PODE SER BOM!

Sem dúvida é um jogo muito bem estruturado e coeso dentro de seu próprio universo, se levando à sério nos momentos certos, e com uma boa dose de humor. Além da ótima narrativa e do vilão merecidamente adorado por muitos fãs.

Caso você se pergunte o porquê de tantos afirmarem em UNÍSSONO que esse é o melhor título entre os seus irmãos, talvez esse artigo lhe ajude. Porém, deixe-me ressaltar uma coisa... ou melhor, dar um conselho.

Assim como muitos que fazem parte da internet, alguns """""""fãs""""""" da série tendem a expor suas opiniões e seus achismos como verdade absoluta sem nem conhecer direito do que falam. E isso tende a criar discussões bem cancerígenas por aí...


Enfim, o meu conselho é: formule suas opiniões APENAS depois de conhecer pessoalmente as obras em questão. Não ligue se o jogo é mainstream ou não, pffffff!!! A experiência com essas belezuras tendem a ir muito além de tudo isso!

Mas, vamos lá, fiz um difícil acordo mental comigo mesmo que evitaria expor revoltas nesse artigo, principalmente sobre a mítica e quase inexplicável fanbase de Final Fantasy. Vamos ver se consigo.

Pois então comecemos a falar dos detalhes da maravilha de hoje.

Conceitos do universo

A Guerra Ancestral

Há bem mais de MIL anos, três deuses conhecidos como Magi travaram uma guerra violenta entre si em busca de domínio. De uma forma certamente consciente, suas intermináveis batalhas transformaram uma parcela dos seres vivos do planeta em poderosas criaturas mágicas, os espers. Além de tornar o mundo uma "casca carbonizada" sem vida no processo. Foi aí que eles perceberam que esse conflito só estava gerando destruição, não apenas para o mundo, como pra eles próprios, e assim transformam-se em pedra, se exilando  em um continente flutuante guardado por grandes feras.



Já os espers, temendo a perseguição dos humanos, criaram sua própria dimensão para viver pacificamente, selando o portão para que nunca fossem incomodados. 

"Com o tempo, o poder da magia no mundo se perdeu, e nos mais de MIL anos que se seguiram, ferro, pólvora, e motores a vapor tomaram o lugar da magia, e a vida lentamente voltou à terra estéril. No entanto, agora existe aquele que almeja despertar a magia das eras passadas e usar o poder do medo para conquistar o mundo. Alguém poderia ser tolo o suficiente para repetir esse erro?"


Ascensão do império Gestahlian

Após milênios, o império liderado pela ambicioso Gestahl descobre a localização do portão para a dimensão dos espers e sai em busca de sequestra-los. De alguma forma, eles descobriram um jeito de drenar (mortalmente) a energia dessas criaturas, e assim poderiam imbuir máquinas e humanos com esse poder. Esse exercito foi capaz de subjugar seus inimigos e expandir o domínio de seu imperador, com a tecnologia que ficou conhecida como Magitek.   

E mais uma vez, a ganância e o poder destrutivo da magia estavam pondo em perigo o mundo e os seres que nele residem.

Oh, Celes <3
Introdução ao enredo


E a trama se inicia com Terra Branford, (ou Tina) uma mestiça de humana e esper controlada mentalmente pelo império, que está acompanhada por dois soldados randoms, com o objetivo de investigar indícios de uma criatura mágica de milhares de anos, supostamente desenterrada em uma mina. Sim, são os 3 que protagonizam aquela opening formidável enquanto pilotam suas fucking magitek armors. 

Após encontra-la, a criatura acaba por reagir a presença de Terra, o que resulta nos dois soldados virando pasta térmica de processador, enquanto a garota tem o dispositivo que controlava sua cabeça quebrado. E esse é o evento inicial que guia toda a trama.

 Os melhores figurantes do mundo dos games: Biggs e Wedge, em mais uma performance sem igual.  

Terra acorda com amnésia, como boa protagonista de RPG que é, mas, PLOT TWIST! Esse jogo não tem apenas um protagonista, e sim... 4! Ou seriam 3? Eu não sei direito, me ajudem. O lance é, o jogo tem personagens tão bem desenvolvidos que você até se perde com suas importâncias tão bem difundidas. São 12 characters principais (fora 2 secretos que não falam e mais outra dezena temporária). O número maior da franquia! Cada um com sua particularidade e dinâmica. 

Ela é acordada por Arvis, um integrante dos Returners, a facção rebelde que luta contra o império, que explica a atual situação que ela se encontra. Ciente que estava sendo controlada mentalmente pelo império, pela primeira vez na vida pode pensar sozinha sobre as patifarias que a cerca e decidir como seguir com a própria vida. E é nessa jornada de aprendizado que ela acaba por conhecer o resto da galera que forma esse incrível elenco.



Seu primeiro encontro é com Locke Cole o trombadinha "caçador de tesouros" da party. Mas ele é muito além de um ladrãozinh... digo, um caçador de tesouros. Locke é um digníssimo cavalheiro e desde o começo mostra disposição para proteger o elenco feminino do jogo sempre que for necessário. Você até pode pensar que ele faz isso com segundas intenções pra cima das moçoilas, mas você se engana. Como a maioria dos personagens do jogo, ele tem um background muito do bem feito por trás, que explica um trauma relacionado às suas atitudes. 


Locke (e uma gangue de Moogles porretas) ajudam Terra a escapar de uma emboscada de autoria do exército de Narshe, uma cidade neutra, mas que ainda assim não gosta das atitudes do império e busca retaliação em cima da garota. Logo após, ela parte com Locke para a cidade de Figaro, onde é apresentada ao jovem rei de lá: Edgar, o fracasso de galã engenheiro bem intencionado que também faz parte dos Returnes.  


E enquanto Edgar e Locke tentam convencer Terra a aderir sua causa, o império segue no encalço de recuperar sua "propriedade destrutiva", a mestiça esper. 

E quem eles mandam para resolver isso? 

Kefka, o Palazzo

KUKUKUKUKU!

Já falei desse "singelo" character quando fiz um artigo sobre insanidades AQUI no blog, e também não deve ser surpresa pra ninguém que ele é o grande antagonista da trama. Mas, nesse momento da história, é apenas um alívio cômico e nos faz dar boas risadas com suas galhofas de vilão de quinta categoria. Afinal, até o vilão evolui nessa obra. Ou seria melhor dizer "involui"? 

Edgar logicamente tenta proteger Terra, o que acarreta em Kefka e seus lacaios atacando o reino de Figaro e pressionando nossos protagonistas. É aí que um plano de fuga mais do que espalhafatoso é posto em prática. Não só os 3 heróis fogem montados em Chocobos ao estilo mais Final Fantasy possível, como TODA Figaro ativa um sistema de fuga onde ela submerge pela areia e some do perigo que Kefka propaga.

E a cena deles fugindo e deixando o palhaço pra trás com cara de tacho jogado na areia é um show de animação cômica à parte. Além de uma rápida luta com soldados do império onde Terra usa magia em frente à eles pela primeira vez:

As animações dos sprites dos personagens são muito amor
E a reação dos dois é demais. 

A partir daqui que eles seguem para levar Terra à Banon, o líder dos Returners, a fim de ajuda-la a compreender os seus poderes (e ganhar uma aliada poderosa pra caralho contra o império, porque eles não são bestas). A moça concorda e é nessa jornada que eles vão conhecendo as tramoias do mundo que vivem e os mais variados personagens.

Como Sabin, o brutamontes amigável que tem uma relação de fraternidade mais do que emocionante com o seu irmão, Edgar. Ele é o primeiro a ser recrutado pela trupe depois de acompanharmos o drama que ele passou após o treinamento com seu finado mestre e companheiro aprendiz. Também temos Shadow, o ninja caladão e misterioso com o passado nebuloso que parece nutrir mais ligações com o elenco do que imaginamos. Temos Celes Chere, uma poderosa ex-general do império, que assume a segunda parte da trama e protagoniza uma das cenas mais tocantes que já vi num jogo. Ou até mesmo Umaro, um abominável homem das neves muito do simpático e Gogo uma... ou um mímico extremamente misterioso! Dois personagens secretos sem muitas falas mas que deixam o jogo ainda mais admirável.



Existem outras dezenas de exemplos, mas antes de nos aprofundarmos nesses detalhes cheio de spoilers, (e falarmos mais da minha personagem favorita da série) como é de praxe, vamos aos conceitos técnicos...

O glorioso final de uma era

Como vocês sabem, Final Fantasy VI foi o ultimo da série principal ao usar o clássico sistema de gráficos com sprites fofinhos, inimigos estáticos e batalhas 2D. Porém, era fácil ver que essa era a versão mais impecável entre eles, até porque era a versão mais atual, então... isso faz sentido.

O mundo é enorme, os cenários são lindos e cumprem exatamente a sensação que querem passar. Até o ano de seu lançamento, não havia NADA que se comparasse à este belezura. E por mais antigo que seja olhando dos dias de hoje, devo dizer que esse jogo envelheceu bem, MUITO bem!








Foi aqui que o nosso amigo bigodudo Sakaguchi, (que faz toda a falta do mundo na série) estreou como produtor e deixou com que outros assumissem a direção de um FF. E a responsabilidade sobrou não só pra um, mas pra dois japas competentes: Hirouyki Itou e Yoshinori Kitase, (esse que em especial é um dos GRANDES pilares por trás da Square até hoje). 

Curiosidade: vocês sabiam que Soraya Saga também trabalhou em FF VI? Pois é. Já tinha um currículo legal antes da sua obra fabulosa Xenogears, que por coincidência já tem artigo AQUI.


É possivel ouvir essa música sem assobiar junto?

A trilha sonora ficou mais uma vez em cargo do já conhecido Nobuo Uematsu, o blackmage que conseguia passar melódias fantásticas pra consoles com o poder musical de uma chinforínfula. Imagino que ele possa criar operas com um saguim e uma concha sem se esforçar. Mas o caso com FF VI foi ainda mais impressionante. E sim, estou falando da parte da Opera de fucking 16 bits. Aquilo é MAGIA! Algo tão impressionante que já recebeu muitas homenagens de orquestras por aí.

E eis uma versão que amo em especial, deixo aqui com vocês:


"With me she'll know nothing but peace. MARIAAAAAAAAA!! MARIAAAAAAA!"
Essa parte final sempre arrepia.

Realmente a trilha de FFVI é muito linda, arrisco dizer aqui que é a mais bela da série. E não é pra menos, cada fragmento musical consegue passar sentimentos ímpares. Aquele órgão emblemático da Dancing Mad é de arrepiar, cara, DE ARREPIAR. Informações wikipedianas me disseram que Nobuo lançou CDs em piano, orquestra e se bobear até versão saguim e concha. Sem falar dos vários concertos que eu venderia um rim pra ir. 

Quero mencionar também o trabalho de uma galera muito fã desse título que compôs álbuns totalmente dedicados ao trabalho de Nobuo nesse jogo, e aqui estão algumas das músicas que amei de coração:


Gostei tanto que o título do artigo foi MERAMENTE inspirado nele.
... 


Outra lenda que está sempre presente nessa série (e que já teve uma galeria toda dedicada pra ele AQUI no blog), é Yoshitaka Amano, que mais uma vez fez um trabalho excelente e criou um dos designes de mundo steampunk mais legais do UNIVERSO.

E por sinal, ele diz em uma entrevista que sua personagem favorita de todos os FFs é a Terra. E... essa é só uma informação random que eu coloquei aqui.

E por último, mas não menos importante, o gameplay. Como sabemos, por cinco títulos a série se manteve fiel às origens e ao seu padrão de jogabilidade. Normalmente os JRPGs daquela época tinham jornadas consideravelmente "puxadas" e traziam dungeons que poderiam fazer qualquer garotinho da newgen chorar. 

Em FF V por exemplo, (um dos meus amores da série) eles realmente aperfeiçoaram bastante o sistema de gameplay, e mantiveram isso de forma soberba no sexto título também. Porém, tratando-se de dificuldade, FF VI estava longe de se comparar aos seus antecessores. E isso pode ter irritado os que buscavam mais desafio. Não que eu me importe, mas acho bom ressaltar.


Enfim, seu grinding era intuitivo e nos incitava a evoluir demais. Não é difícil você transformar pelo menos um membro da sua party numa máquina de destruição que pode solar mais da metade do jogo. No combate, como sempre, temos aqueles encontros randômicos que tendem a me irritar nos piores momentos possíveis, apesar de ser menos do que nos seus antecessores, mas tudo funciona muito bem.

Cada personagem tem uma habilidade especial única que poderá guiar suas estratégias em várias situações. Como exemplo, temos Locke com Steal, que pode roubar itens uteis dos inimigos. Terra com Morph, sua forma esper que aumenta drasticamente seu poder mágico, Celes com Runic, que permite absorver as magias inimigas etc.

As animações das magias merecem elogios também.

E claro, também é possível fazer as famosas evocações de Bahamuth, Ifrit, Shiva e afins. É só equipar os Magicites — uma espécie de sucrilhos de magia embutida que permite ativar habilidades de evocação ou até mesmo técnicas especiais. No caso, você pode escolher se seu personagem irá trilhar o caminho de um fighter degolador de cabeças ou um mago que atira bolas de energia do tamanho da sua mãe. Está tudo ao seu dispor, as opções desse jogo foram calculadas minuciosamente pra te viciar. Muito bem calculadas.


A experiência de avançar enquanto todo o universo do game muda ao redor é incrível. Sim, é algo usual de muitos jrpgs e em particular me cativa demais, principalmente nesse jogo em questão. Final Fantasy VI consegue terminar de forma mais do que honrosa a primeira era de jogos da série, e nos dá uma experiência sem igual.

Atma > Ultima

Se você chegou até essa parte do texto ainda sem jogar essa preciosidade em forma de jogo, TÁ NA HORA DE VOCÊ IR DE UMA VEZ, antes que eu apele para te chamar de bobalhão, pois não tenho limites em meus xingamentos pesados.

E nem precisa me agradecer depois.

Pois agora deixem-me expor porque esse jogo é um engradado de acertos! E se não quiser tomar spoilers, vá direto pras considerações finais e depois parta pra corrigir o erro de não ter jogado, seu infeliz!

Alerta de SPOILERS.



Desenvolvimento da trama 

Uma coisa que eu adoro observar em Final Fantasy VI é como ele se desenvolve. Na primeira parte, a exposição dos problemas, e na segunda as tentativas de resoluções. O enredo central de FF VI é simples, porém o emaranhado de sentimentos humanos em conflito é o que causa todo o diferencial.

Afinal, sentimentos humanos, o que é mais complexo que isso?


Sem dúvida é fácil de notar que a trama se desenvolve primeiramente com o background de Terra. Raptada e transformada em uma arma mágica desde criança, suas emoções foram reprimidas pela maior parte de sua vida, e não é difícil notar essas "cicatrizes" na sua personalidade. Ela não sabe como lidar com seus sentimentos, amor, carinho, são coisas que ela ainda não entende muito bem.

As cenas onde ela vê atitudes de afeto em público de outras pessoas  enquanto se sente sozinha por ainda não  ter um vínculo com alguém em especial são perceptíveis em muitas partes do jogo, fora o fato dela ainda se arrepender pelas coisas terríveis que foi forçada a fazer graças ao império. Prestar atenção nesses detalhes só acentua ainda mais seu entendimento sobre a personagem.

Apesar de abalada, ela não é uma donzela em perigo, ela é forte, sabe como lidar e não ser tratada como besta em muitas situações, e isso faz de Terra uma das melhores e mais fortes personagens femininas de todos os tempos, sem dúvida. E como sabemos, o grande nome por trás da manipulação cruel não só de Terra, como de todo o jogo também, é Kefka, e pra entender como esse infeliz se tornou esse insano que conhecemos, vamos voltar um pouco no passado.

SAY MY NAME


O responsável pela "Magitek" e pela transformação do exercito do império foi o inventor Cid Del Norte Marquez. E o primeiro a ser usado como cobaia em suas experiências foi ninguém menos que Kefka. O problema é que nessa época, o processo de imbuição mágica ainda era bastante rudimentar, o que ocasionou uma instabilidade psicológica gradativa no dito cujo e o transformou no que conhecemos hoje.


Depois de um tempo, o sem noção do Cid refinou o processo e testou em Celes ainda bebê e felizmente, dessa vez, o experimento deu certo. O resultado foi uma humana com poderes mágicos, da qual ele criou como sua própria filha. Essa que cresceu e se tornou a honrada e poderosa general do exercito do império e em nome do mesmo acabou por cometer várias atrocidades. Até que isso chegou a um ponto tão sério e cruel que a deixou contra o império e resultou nela presa com sua execução como traidora marcada. E é nessa confusão que ela acaba encontrando, por acaso, Locke, que a ajuda como bom cavalheiro que é (e posteriormente formam um dos casais que mais gosto do mundo dos games).

Mas o que quero expor aqui é que é justamente num dos detalhes iniciais da trama do jogo onde encontramos o problema central de tudo.

Ok, a priori, é a ganância do imperador em dominar o mundo que resulta nas divergências iniciais, e o conflito do império contra os returners guia uma boa parcela de todo o enredo. Mas é insanidade de Kefka que conduz os eventos mais intensos do jogo.


Como exemplo de sua crueldade, podemos citar o momento em que ele envenena toda a água do reino de Doma, assassinando milhares de pessoas, inclusive a família de Cyan, o honrado espadachim de ost legal, que só pode assistir toda a barbárie sem poder fazer nada. Também acompanhamos o palhaço usando Terra e Celes como brinquedo de destruição sem se importar com a integridade mental das moças, a morte de Leo — a primeira pessoa com que Terra estava criando um laço de admiração e fascínio —  com uma apunhalada nas costas, entre outras situações extremas.

Kefka, de vilão paspalhão que pede pra que soldados tirem areia de suas botas, transforma-se no grande maquinador diabólico do enredo. É intrigante pensar que num mundo de criaturas mágicas incríveis, maquinas de destruição, guerreiros habilidosos e homens poderosos, é apenas um homem maníaco e manipulador o maior e mais letal perigo iminente.

E observar um personagem se transformar dessa forma numa trama é deveras impressionante. Mais impressionante ainda quando vemos que isso é feito tão bem num jogo de 1994! É realmente O salto de desenvolvimento numa trama desse gênero do entretenimento, carambolas!

Desenvolvimento de personagens




Como eu já falei, a forma com que a narrativa do jogo guia os personagens é muito interessante. E como o grupo avança no jogo de formas distintas, eles acabam criando elos diferentes com seus amigos, e assim formam-se as "patotinhas". E pelo número de personagens, claro que é o jogo onde mais vemos isso, por exemplo, se comparamos com FF VII ou FF X, onde todo mundo é muito mais unido, vamos ver a diferença.

Mas enfim, essa narrativa de vários caminhos gera TANTOS momentos que nem dá pra citar tudo aqui.  Devo dizer aqui que uma das minhas partes favoritas do enredo é quando Sabin começa sua jornada, logo após se perder da party principal. Ele progride na história se aliando a Shadow e depois ao honrado espadachim Cyan, que como também já falei, tem momentos bem impactantes no jogo.

Nessa parte temos a chance, pela primeira vez, de usar magitek armor livremente, invadir um acampamento de soldados e tacar o terror! E claro, soltar um sumplex numa porra de um trem! É sem dúvida divertido. O final desses eventos resulta em Cyan encontrando a sua família partindo para o além, e é incrível como esses spritezinhos conseguem emocionar. As motivações do espadachim em se juntar com a trupe é com certeza uma das mais convincentes.



Temos também a parte da Opera. Além de ser um momento um tanto cômico graças à reação de Celes à situação de se disfarçar de cantora, tudo ainda fica mais inusitado quando Ultros insiste em atrapalhar nossos protagonistas por um motivo que talvez nem ele saiba! Ainda temos Setzer, o dono do único airship do mundo e um dos meus personagens favoritos, dono também de um dos background mais emocionantes da série. Seus plots com Celes nesse momento são divertidos e mostram o quão bem escrito é o roteiro.


E o que dizer de Locke e seu trágico passado com Rachel, uma mulher com o destino da qual ele se culpa, ou de uma das fraternidades mais admiráveis entre os irmãos de Figaro e o seu acordo do passado? Ou até de coisas mais simples como a relação cômica do moleque espivitado selvagem Gau com Sabin?



Posso falar da fragmentada, mas clara conexão de Shadow,  Strago e Relm e eu não poderia esquecer do Interceptor, que nos geram momentos mais do que legais em várias nuances! São tantos exemplos que eu poderia passar mais dias que já passei fazendo esse texto e eu ainda não poderia falar tudo. E como esse artigo já passou uns 20 parágrafos do tamanho que planejei, vamos ao próximo assunto.

Quem desenhou isso merece um prêmio.


O fim do mundo



O grande ápice do jogo é justamente quando estamos tentando parar Kefka e o Imperador de conseguirem dominar o mundo, no continente flutuante onde os Magi repousam. É aqui onde temos a cena magnífica que Celes recusa a oferta de dominar tudo junto do imperador e CORTA a cara de Kefka, na lata.

Ok, talvez não tenha sido uma boa ideia, até porque ele acaba mostrando seu verdadeiro plano, e não demora muito até que o palhaço do capeta consiga matar o imperador, adquirir o poder dos Magi e destruir todo o mundo, se tornando um deus que governa com o medo, enquanto se diverte manipulando as pessoas de formas cruéis ao se transformar num niilista completo da ideia de esperança da humanidade.

Pros nossos protagonistas que FALHARAM em impedir que o vilão do jogo consiga o que quer, só resta vingar o mundo pra depois tentar reconstruir o que perderam, e devo dizer que essa é a parte mais interessante do jogo, pra mim.

Quero essa obra prima moldurada na minha sala também. 

Após Kefka ter começado com "o fim do mundo", somos gratificados com um novo mapa, onde tudo está destruído e diferente. Celes está separada de praticamente todo o elenco, e não temos ideia quantos sobreviveram, muito menos ela, afinal ela passa um ano "em coma", sendo cuidada por Cid que está nas últimas graças à uma doença. Até que ele acaba morrendo e com ele se vai os últimos lapsos de esperança da coitada, que cai em desespero, protagonizando um dos momentos mais emocionantes desse.

Com o mundo destruído, sem seus amigos, sem o "avô" que lhe criou e sem Locke, Celes sobe um penhasco lamentado com suas esperanças despedaçadas.



A cena é realmente tocante, a animação e a direção impecável de 16 bits frisam até o momento das lágrimas, taquiopariu, ein. Mas é então que ela acha a bandana de Locke e reascende suas esperanças ao pensar que ele ainda está vivo, e sai da forma mais fofa da vida pra desbravar o mundo destruído em cima de uma JANGADA de madeira. Isso que é coragem. Não é a toa que é a minha personagem favorita da série.

Nesse momento que o o jogo nos dá a liberdade de explora-lo de forma completa, e é aqui a parte das resoluções de muitos problemas pessoais dos nossos protagonistas. Reencontrar os amigos também é muito tranquilizador, é legal ver como eles se relacionam tão bem. Não preciso expor tais resoluções aqui, até porque esses momentos de aprendizados pessoais são destinados àqueles que jogaram essa belezura observando tudo com muito cuidado, do jeito que esse jogo merece, tenho certeza que todo mundo absorve de um jeito.


Kefka como um desafio final é imponente, belas osts, o design é como já é de praxe de Amano, assombrosamente fantástico, mas claro, não dá pra dizer que é um desafio impossível, longe disso, principalmente depois de ter upado direito, mas é icônico, memorável. O final do jogo é apaziguador, podemos ver os personagens crescendo bastante em seus momentos finais. Totalmente o inverso do começo do jogo, é realmente uma transformação.

Ele não é 100% feliz, afinal tanto os personagens quanto o mundo ainda precisam se recuperar de suas feridas passadas, mas é exatamente ver como eles seguem em frente nesse caminho que faz esse fim tão especial.

Considerações finais

Eu acredito que já mencionei isso no blog, mas Final Fantasy é minha série favorita no mundo dos VIDJOGUEIMES.

E o meu critério pra decidir isso é simples, tenho no mínimo 4 títulos entre os meus tops de todos os tempos, e nenhuma outra série conseguiu fazer isso comigo, nunca. Ok, FF tem MIL títulos, isso o torna apelão, mas não muda meu critério.

Então pode se dizer que eu joguei praticamente tudo que tinha o nome Final Fantasy durante minha vida. E por mais que eu ame Final Fantasy VI, e por mais que eu o defina como O MELHOR DA SÉRIE, ele não é meu favorito!

"Uoooow, como assim seu ser em chamas de uma figa, tá loucão? Explique isso."



Ora, não é porque eu o acho MELHOR tecnicamente que precisa ser meu favorito, certo? Até porque os critérios dos meu favoritismos são totalmente pessoais, e vão além de "qualidade técnica", às vezes a nostalgia conta muito também, e acredito que com boa parte das pessoas seja desse jeito, afinal é a única razão que eu acho que explica alguém dizer que FF VIII é o melhor da série, por exemplo... já pessoas que falam que é o XIII, eu nem sei o que pensar. Não que eu os odeie, é apenas uma observação rude sobre suas características de gameplay, (e elenco... e enredo... e jogab... ok, parei).

Mesmo assim, FF VI é um amor da minha vida, e apesar de eu odiar fazer tops, diria que está no Top 5 de tudo que eu já joguei nesse planeta. Inclusive, acho a obra prima suprema do SNES, e olha que morro de amores por Chrono Trigger, que deve ganhar artigo um dia também. Mas enfim, é muito bom falar de um jogo que gosto tanto, e espero que eu faça uma trupe de infelizes irem joga-lo de uma vez, ou rejogar também, porque é sempre bom.

Outra hora volto falando de FF, muito provavelmente do meu favorito da série e da vida, da próxima vez. Se estão a fim de ler outras versões MIL de artigos sobre Final Fantasy, o Uor já escreveu sobre FF IX nesse sensacional artigo AQUI.

Mais uma vez quero agradecer à vocês que mandam mensagens nos apoiando pra continuar com o projeto, e que novidades estão por vir aqui nesse recinto multiversal da internet. Já sabem, se quiserem acompanhar nossas atualizações, só nos seguir no facebook e sugestões e rages são sempre bem vindas.

Até mais, volto no dia MIL!

Esse artigo foi patrocinado e aprovado por Shadow  e Interceptor vestidos de Kupo.

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