Art of Fighting - A revolução dos jogos de luta

Karate BOI NO SOCO FTW
O que mais te interessa num jogo de luta? Gráficos, jogabilidade, história, roteiro, são todos elementos dignos de atenção, com toda certeza.

... tá, roteiro nem tanto.

Mas uma coisa que sempre me admirou muito nesses jogos de LUTINHA, como diria o cara que narrou a EVO desse ano na ESPN, são os estilos marciais neles empregados.

Você sabe, Capoeira, Muay Thai, Karate, Kung fu ou seja lá o que usemos para dar voadora na cara dos nossos amiguinhos. Ver os movimentos dessas artes marciais sendo traduzidas nas mecânicas desses jogos (com toda aquela fantasia de praxe) é algo MUITO LEGAL e com certeza uma das principais razões para eu me ver absorvido por esse gênero desde antes de eu me tornar um adulto amargo que infantilmente despreza 90% das IPs "AAA" que saem nessa industria de "vidjo gueimes" levada pela demanda .

E além dessa minha estima sobre artes marciais e suas filosofias que são inteiramente irrelevantes para a grande maioria que deve me achar imbecil, algo que com certeza aumenta o nosso interesse nesse universo é a "madura" competitividade que despertamos com os nossos rivais. Tipo, passar horas a fio jogando SF, KoF ou SSB até seus dedos caírem e nascerem de novo só para fomentar discussões lógicas e educadas sobre o porquê de determinado personagem ser melhor que o outro, enquanto enfatizamos toda nossa maturidade a cada argumento, certo, Uor?

AhaiahIAHIAHI


E levando em conta que passei os últimos dias de "férias do blog" jogando maravilhas do tipo, finalmente resolvi que deveria voltar falando do tema! Sim, caros leitores desse site dos confins da internet, depois de toda essa introdução desnecessária, venho lhes dizer algo que o título desse artigo já revelou, com a maior cara de pau do mundo!

HOJE É DIA DE ARTE DA LUTA NO BLOG MIL!


Aquela série taxada simplesmente como uma cópia de Street Fighter por pessoas com a limitação mental de uma azeitona. Sim, EUA, estou falando com você, seu chupador de bolas de Street Fighter do inferno! Não me levem a mal, amo SF de coração, mas essa depreciação com Art of Fighting e muitas outras séries incríveis da SNK me deixa deveras desapontado. E já que eu estou perto de atingir níveis perigosos de parecer um velho ranzinza reclamão, vamos direto ao assunto deste artigo!

Antes de qualquer coisa, quero afirmar o óbvio aqui. Não sou o primeiro a falar de AoF e muito provavelmente vocês vão ganhar mais indo ver sobre esse conteúdo em outros cantos da internet. ENTRETANTO, como não posso deixar de falar sobre algo só porque já falaram por aí, e como também não sou besta, irei tentar convencer vocês com algo que com certeza acenderá o interesse em ler este artigo, pois acreditem ou não, todo o texto foi aprovado pelo nosso querido amigo LOBA!

DOREYAH!



...

Dito isso, continuemos, vocês dois leitores que sobraram.

Ah, e... SPOILERS, cuidado.

O início de AoF

Vamos começar do começo. 

No final dos anos 80, um jogo de luta chamado Street Fighter chegou nas máquinas de arcade. Ele não ganhou uma grande popularidade na época, mas já mostrava um potencial em seus conceitos de design e gameplay. Felizmente, a Capcom enxergou isso, pois foi no início dos anos 90 que a sua sequência surgiu, uma versão mais sofisticada e divertida que merecidamente gerou um estrondoso sucesso e fez com que casas de jogos ficassem lotadas com um monte de marmanjo soltando TASTATSTASTRUGENS e ESPINDOBARUKICKS um na cara do outro.


Com o sucesso de Street Fighter 2, a Capcom logicamente começou a ganhar MIL dinheiros, e o que acontece quando uma empresa lança um produto bem sucedido, pessoal?

Sim, uma reca de gente surge do nada em busca de imitar a fórmula e conseguir algum dinheiro com isso também. Afinal, sabemos que fazer um jogo é trabalhoso e CARO. Apostar numa ideia que "já deu certo" é uma alternativa muito apreciada pelos figurões investidores das empresas. E seguindo essa "filosofia", MIL CoDs, GTAS, joguinhos de zumbi ou qualquer cópia dos sucessos da época surgem na industria. Costume que com certeza permanecerá para SEMPRE.

Vejam bem, não tenho absolutamente nada contra ideias reutilizadas de formas bem feitas ou até mesmo "evoluídas", existem centenas de bons exemplos disso por aí. Mas, infelizmente, sabemos que a maioria esmagadora não é assim, e acabamos tendo uma boa parte da industria estagnada com títulos genéricos e sem qualidade levados pela demanda. "Inovação" vai pro limbo assim. É, e algo semelhante aconteceu com SF naquela época, pois cada empresa queria ter seu próprio potinho de ouro que iria render-lhes VÁRIOS DINHEIROS para se aposentarem e gastarem tudo com maconha, prostitutas e fitas cassetes do Jiban. Ou pelo menos era o que eles queriam...

Graças as ideias genéricas de muitas empresas, tivemos coisas como isso:


Karnov's Revenge, famoso por tomar processinho da Capcom

Foi nesse cenário onde as empresas estavam se matando para criar seu próprio jogo de LUTINHA que a SNK se viu na obrigação de emplacar seu nome de vez no ramo. Fatal Fury já tinha estreado e ganhado sua gama de admiradores, mas eles queriam mais.

Os senhores Hiroshi Matsumoto e Takashi Nishiyama, os programadores e designers de SF 1 que tinham ido pra SNK, teriam a responsabilidade da próxima resposta à concorrência no mercado dos jogos de luta. Em outras palavras, os principais nomes responsáveis por enraizar os elementos tão famosos para nós da série da Capcom, iriam criar uma nova série.



Com todo esse "tumulto" no cenário dos games de luta que Art of Fighting veio ao mundo. E graças a algumas das suas semelhanças, automaticamente foi considerado uma cópia por uma grande parte do público. Sim, os azeitonas. Contudo, apesar da maré ruim, AoF não se deixou cair em esquecimento, pois sua qualidade gráfica e seus conceitos de gameplay extremamente inovadores o garantiram respeito e atenção de vários jogadores. Assim a série se instalou na industria e ganhou continuações, competindo no ramo por um bom tempo.

Veremos isso com mais detalhes abaixo.

Porradaria no melhor estilo

Inspirado pelos filmes da época, Art of Fighting trazia o enredo que mais podia combinar com um jogo de luta do mundo! A história se passa nos final dos anos 70, na cidade fictícia de South Town, responsável por ser cenário de outra série famosa também, o Fatal Fury, seguindo uma cronologia tão desnecessariamente confusa quanto... o enredo de Kingdom Hearts.

O nome do jogo no japão é Ryuko no Ken, algo como "Punho do Dragão e do Tigre", se referindo aos dois protagonistas do jogo.

THE INVINCIBLE DRAGON

O primeiro é Ryo Sakazaki, praticante do Karate Kyokugenryu, um estilo criado pelo seu pai, Takuma Sakazaki, que está desaparecido há anos. Ryo herdou o dojo do mesmo quando ainda era mais novo, e teve de cuidar não só dele mas também de sua irmã mais nova, Yuri Sakazaki. Certamente por lidar com tantas responsabilidades, Ryo é pobre e está sempre tentando conseguir algum bico que pague suas contas, (e provavelmente pra colocar combustível na sua moto "daoravida", da qual ele pilota com chinelos de madeira na maior moral do mundo). A SNK faz boas piadas com essa situação financeira até hoje em unzibilhão de jogos que ele participa.

THE MIGHTIEST TIGER

O outro é Robert Garcia, um filho de um milionário que entrou no dojo quando mais novo e despertou uma rivalidade e amizade bem forte com Ryo, ao mesmo tempo que despertou interesse amoroso em Yuri no processo, porque ele não é besta. 

A trama tem início quando Yuri é sequestrada por marginais da cidade, e Ryo e Robert ligam pras autoridades para que elas tomem as providências cabíveis.... mentira. Na verdade, eles saem pela cidade quebrando todo mundo em busca do paradeiro da garota, pois assim é MUITO MAIS LEGAL!

Cidade cheia de bandido, garota raptada, dois amigos saindo por aí chutando bundas alheias para salva-la, É DISSO QUE EU TÔ FALANDO!  Enfia complexidade nos seus bagos, isso é um jogo de luta!


Ryo usa um kimono laranja com as mangas rasgadas, foca seus movimentos em socos e possui um jeito mais sério nas lutas. Já Robert é o oposto, se especializou em chutes, tem um estilo mais despojado nas suas vestimentas e quando está lutando. Daí qualquer pessoa que conhece SF já liga os pontos: RYU E KEN.

E realmente, ambos os personagens foram criados com os mesmos conceitos, afinal, como sabemos, são OS MESMOS responsáveis por SF I que criaram a série, raios! Não vejo nenhum problema em que o jogo permaneça com elementos que ELES BOLARAM. É notável que com certeza pegaram SF 2 e o estudaram para desenvolver alguns dos personagens do elenco. O militar John Crawley ou até mesmo o boxeador Mickey Rogers são exemplos disso. Mas é importante dizer que SF 2 moldou o gênero naquela época, ele era a referência. Mesmo assim, AoF foi mais longe, e por mais que existam semelhanças, taxar como uma cópia é deveras injusto e descuidado. A premissa de AoF é diferente, os personagens se desenvolvem de forma diferente, e o enredo também é diferente.

E para os que reclamavam de Ryo e Robert e suas técnicas, é a mesma coisa de dizer que o Keiji Inafune do Mighty No. 9 (o cara que criou Mega Man) está PLAGIANDO O MEGA MAN no Might.9! Porra, azeitona, que lógica é essa?



Mas, okay, vamos amenizar o rage. É importante ressaltar que quase ninguém naquela época manjava de quem tinha feito SF 1, o jogo nem tinha sido tão popular assim. Além do mais, estavam saindo centenas de clones de SF 2, então é até compreensível. Mas, hoje em dia alguém ainda insistir nisso, aí já um nível acima de azeitona.

Creio que me fiz claro até aqui.

E se o Inafune plagiou algo em MN9 , com certeza foi uma pizzaria.

...

Para quem entendeu a piada e ainda tiver coragem de permanecer nesse blog, continuemos.

Conceitos técnicos 




O jogo possuía 10 personagens disponíveis no versus, mas apenas Ryo e Robert podiam ser escolhidos no modo história. E enquanto saíamos linearmente pela cidade atrás de Yuri, precisávamos enfrentar uma gama de lutadores com estilos bem distintos e muito bem traduzidos nas mecânicas do jogo, junto de suas personalidades.

Podemos citar Ryuhaku Todoh, criador de um estilo de Aikijutsu chamado Todohryu, o qual rivaliza com Takuma e consequentemente com Ryo. Lee Pai long, um especialista em Kung Fu e velho amigo de Takuma. Ou Mr. Bigg, o mafioso careca apelão dos bastões que sequestrou Yuri. São alguns dos exemplos dos characters que podemos encontrar nesse jogo. Ah, e não podemos esquecer de King, uma jovem lutadora de Muay Thai que está trabalhando para Mr. Big e que se veste de forma masculina por razões particulares, mas principalmente para esconder sua identidade real. Caso seja derrotada de forma específica no jogo, sua roupa rasga, mostrando realmente que ela é uma mulher. E por mais que isso seja fanservice, é pelo menos um jeito muito bem bolado de adiciona-lo in game, admitam.

Seria machismo não lutar com ela porque ela é mulher,ou seria machismo lutar com ela porque ela é mulher?  Dissertem sobre essa linha tênue.

....

Mas eu acho que não é machismo, não. Afinal, King pode chutar a bunda de qualquer um nas mão certas.

KING S2

Aproveitando seu poder gráfico absurdo e superior a qualquer coisa da época, AoF adicionava efeitos de hematomas nos personagens durante a luta e formas diferentes de como os movimentos deles reagiam a cada soco ou chute que acertássemos. Sem falar da trilha e dos cenários, que não deixavam nada a desejar também. Porém eu diria que todo o conceito de transformar o jogo numa experiência cinematográfica não funcionou tão bem quando lembramos dos zooms que aconteciam caso chegássemos perto demais do oponente. Esse vai e volta da tela podia irritar alguns.

Mas o que realmente tornava esse jogo uma experiência única eram seus elementos de gameplay. Pra começar, você poderia correr na cara dos seus inimigos pra aproveitar qualquer brecha no meio da luta. O jogo também introduziu os "taunts", provocações que afetavam o seu oponente, mais do que psicologicamente. A possibilidade de usar a "parede para impulso" para atacar. O "spirit-gauge", uma barra de energia que funcionava como limitador da quantidade de ataques especiais que poderíamos soltar durante a luta, com a opção de "enche-la" ao se concentrar, bem estilo Dragon Ball Z. Também existiam os conceitos tirados de SF 1 de mini games, como quebrar coisas apertando os botões em sequências certas ou no tempo certo, e uma espécie de "tutorial" dos movimentos especiais. Assim poderíamos estar aptos a soltar  Hao Shokokens na cara dos coleguinhas.

A barra limitava tanto os ataques especiais comuns, como os mais avançados.

E pra terminar, o jogo inseriu os "Super Moves ou Desperation Moves", sequências de ataques específicos que poderíamos usar quando estivéssemos arrebentados para virar a luta.  Pois é, AoF trouxe a barra, os especiais, os níveis de especiais e as provocações pros jogos de LUTINHA. Coisa que foi usada em 99.9% dos títulos do GÊNERO desde então, até hoje.

Traduzindo, o jogo que revolucionou a coisa toda, CARAMBOLAS!

E por que um jogo tão marcante na história dos games foi tão ofuscado? Você sabe, as malditas azeitonas! Mas como já sabemos, apesar de tudo, a qualidade da SNK conseguiu trazer fãs o suficiente ao título para apostarem numa sequência.

Art of Fighting 2

Em AoF 1, Ryo e Robert acabam encontrando e derrotando Mr. Big, junto de seus capangas, até que são surpreendidos por um homem mascarado, o verdadeiro chefão final desse jogo. Ele era o Mr. Karate, um homem de kimono branco, máscara de tengu e o mesmo estilo marcial de Ryo e Robert.

Mais um oponente que está aqui pra fazer você apanhar e chorar para sua mamãe.

Tengus são criaturas dos folclore japonês, são conhecidos por serem grandes artistas marciais.

No final, Ryo acaba o derrotando, mas é impedido de finalizar a luta, já que Yuri aparece do nada apenas para dizer quem é o mascarado, quando abruptamente é cortada pela TELA DE CRÉDITOS do jogo. Eu sinceramente não sei quem ligava pra história de jogos de luta naquela época ou até mesmo hoje em dia... mas alguém deve ter ficado frustado com isso. E esse tipo de narrativa virou moda em muitos exemplos de jogos de luta ATÉ HOJE. Eu sempre solto uma risada interna ao ver o quão irônico é um jogo taxado injustamente de clone, quando ele é o PILAR do GÊNERO.

Estou rindo agora mesmo.



A sequência da série saiu poucos anos depois e trouxe notáveis melhorias técnicas, explicações sobre a história e uma sádica inteligência artificial. Se você acha AoF1 difícil por arrancar os seus dedos a cada porrada na tela, imagine que AoF2 arranca seu pé, seu braço, sua vesícula e até sua mãe junto.

Descobrimos logo de cara que o mascarado era Takuma, o pai desaparecido de Ryo e Yuri. Ele revela que o acidente que matou a sua mulher, Ronnet, não foi um mero acaso, mas sim uma tentativa de assassinato direcionado ao mesmo. O responsável era Geese Howard, alguém "nada conhecido" para nós fãs de jogos de luta.  Um mestre marcial, gangsta, apelão, hater de prédios enormes e vilãozão de dois dos núcleos mais famosos da SNK. Aqui ele ainda era um criminoso em ascensão, quando ameaçou as crianças de Takuma e o persuadiu a trabalhar para ele durante anos, o fazendo assumir a identidade de Mr. Karate.

Geese queria que ele matasse Jeff Bogard, um também mestre marcial que conhecemos bem, de Fatal Fury.  Porém Takuma nega-se a cumprir a missão.



Então, enquanto Geese estava em uma viagem de negócios, Mr. Big, que era um de seus lacaios, sequestra Yuri para persuadir Takuma. Planos frustados por Ryo e Robert, que derrotam o carequinha e seus capangas. Assim, a família mais legal do mundo dos jogos de luta se reúne novamente e volta pra casa, para finalmente levar a vida normalmente.

Arte tirada de KoF 98 porque eu a adoro.
Até que depois de 1 ano...

Um novo torneio é anunciado em South Town. Era o King of Fighters, que prometia atrair os melhores lutadores da cidade, buscando testar suas habilidades de combate em mais alto nível. O homem por trás do torneio era nada mais, nada menos, que Geese, que visando expandir seu controle na cidade, buscava juntar os melhores lutadores em busca de mata-los ou recruta-los pra sua turminha da pesada que apronta altas aventuras do mal.

Geese pensando que falta algo na sua vida, pois ainda não aprendeu a falar "PREDICTABOU" pra humilhar os outros

A trama se resume no torneio, e já sabemos que não precisamos de nada mais complexo do que isso pra deixar as coisas interessantes. Boa parte dos personagens antigos estão de volta, com algumas pequenas adições de elenco. Como Yuri, usando seu famoso kimono + calça de ginástica e todo o seu estilo próprio de usar os movimentos do Kyokugenryu Karate. Ou Takuma, agora sem máscara, mostrando realmente como o MESTRE do estilo luta. O Eiji Kisaragi, um ninja rival dos Sakazaki por motivos de batatas, descendente do Zantetsu do Last Blade, um dos jogos, senão O melhor jogo luta de SAMURAIS que já vi, tema do qual muito admiro. Temos Temjin, um mongol que trabalha nas docas e gosta de lutar... seus motivos são "batatas" também. Por fim, temos o já mencionado Geese.



O que AoF 2 fez foi refinar o que AoF 1 tinha feito, afinal, como sabemos, o primeiro jogo já tinha "zerado a vida" nos seus sistemas de inovação. A mais relevante melhoria, além das gráficas e de movimentação, é o fato de poder entrar no modo história com qualquer personagem, algo que foi bastante pedido pelo público.


A grandiosidade dos cenários atingiu novos níveis, de fato. Mas me explique o terno em cima da casa.

Muito bem, e se está se perguntando como AoF 2 chega no seu climax de história, vejam esse vídeo:

Cenas tiradas de algum jogo de Pachinko, responsável por DEZ de cada DEZ motivos de depressão de qualquer fã da SNK. O vídeo foi editado com vozes de participações deles em várias séries da mesma, algo muito fanboy e que eu aprovo completamente! Palmas pro editor.


Pra resumir, Ryo foi oficialmente o segundo cara que arrebentou o Geese na vida dele, o primeiro cara que o fez cair de um prédio, e também foi o primeiro campeão oficial do torneio King of Fighters da história! Issaê, Ryo! Foi depois disso que Geese resolveu mudar de estilo e virar um mestre em Aikijutsu, pra apelar de novo. Se estão se perguntando quem foi o primeiro que deu uma pisa em Geese, foi o Krauser.

AoF 2 é um jogo muito mais consistente, com começo, meio e fim. Pode-se dizer que é uma das séries com o enredo mais "fácil de engolir" dentro do gênero, e por toda sua simplicidade é a que mais me cativa, com toda certeza. É também notável que tivemos um desenvolvimento maior nos relacionamentos com o elenco, além das já citadas rivalidades.

Owwwn!!


Um exemplo é King, que após derrotada por Ryo em AoF 1, aceita ajuda-lo a achar Yuri, guiando a dupla para derrotar Mr. Big e finalmente ficando livre de suas ordens. Posteriormente, em AoF 2, ingressa no King of Fighters procurando ganhar dinheiro para pagar a operação do seu irmão mais novo, que não podia andar. O legal é saber que no final, Ryo e Robert pagam a operação como agradecimento pela a ajuda com Yuri.

Outro desenvolvimento que podemos observar é o do casalzinho Robert e Yuri, que é oficializado e nos gera bons diálogos durante o jogo.

"Finalmente você já é de maior, hehehe"

É aqui que também fica mais evidente os ciúmes que Yuri sofre por parte do pai e do irmão mais velho, que relutantes apoiam a garota que desenvolveu seu próprio estilo apenas assistindo o Ryo treinar. Yuri até mesmo é capaz de usar técnicas especiais do Kyokugenryu, essa menina é um gênio! 

Outro foco de ciúmes é pelo seu relacionamento com Robert, e toda essa dinâmica de humor e união desse time é a responsável por me fazer gostar tanto dele.


Mas enfim, pra terminar de falar sobre AoF2,  devo dizer que derrotar todos os oponentes sem continue, (que já tinham uma IA psicopata de difícil) pra poder chegar no Geese, que é apelão desde que saiu da barriga da mãe, realmente era algo penoso demais. Não duvido que esse seja o jogo mais difícil do gênero. Toda essa dificuldade afastou muitas pessoas, porém, seu ponto forte era o versus, e graças aos personagens e seu gameplay aperfeiçoado, conseguiu agradar seu público.

Assim, uma terceira continuação era pertinente, ou pelo menos deveria ser, pois em 1996 tivemos o...

Art of Fighting 3


Imaginem que Jairo, o mais novo roteirista da SNK teve o seguinte diálogo com Nishiyama.  

"E aí, chefe. Tive uma ideia genial aqui. Vamos pegar o dinheiro que conseguimos arduamente desviando das críticas imbecis dos fãs de SF e investir tudo no mais polido tecnicamente título para Art of Fighting, um dos, senão o maior atual ganha pão da empresa. Porém, a sacada começa agora: vamos mudar todo o elenco legal que todos os nossos jogadores se acostumaram a gostar e colocar personagens que NINGUÉM DÁ A MÍNIMA e são tão interessantes quanto o Didi falando de pão!"

E então, Nishiyama que estava em seu PC curtindo memes no facebook enquanto tomava remédios para curar sua depressão de não estar mais na Capcom ganhando todos os créditos por SF 2, abruptamente exclama: "INCRÍVEL IDEIA!"

E aí temos AoF 3.

Qualquer inconstância nessa minha história narrada detalhadamente é mera impressão sua. 

O jogo é considerado apenas como Ryuko no Ken: Gaiden no japão, e "Gaiden" é algo como uma "história paralela" numa tradução livre ordinária que acabei de bolar. Em outras palavras, não era algo oficial para o enredo principal, o que mostra que os efeitos do remédio passaram na hora de nomear oficialmente o jogo, né, Nishiyama.

Isso não aconteceu com sua versão ocidental... porque batatas. Ficou AoF 3: The Path of Warrior mesmo.



E a história genial do nosso novo roteirista Jairo é a seguinte: Alguns meses se passaram desde o final de AoF 2, e Robert Garcia está viajando com seu carro maneirão pela estrada à encontro de sua mina, a Yuri. Até que repentinamente "algo" aparece na pista e o faz desviar o carro desesperadamente imaginando que iria atropelar um pai de família que resolveu fazer uma caminhada matinal numa rodovia. Porém, na verdade era apenas uma "mala" de uma menina viajante, que chega ofegante para Robert e agradece por ele não ter atropelado suas calcinhas e produtos jequiti que lá dentro estavam. Mas não sem antes reparar um colar que o mesmo tinha, do qual ela coincidentemente tinha também. Ora, parece que eles eram amiguinhos de infância, um acontecimento histórico para as ciências exatas.

Eu adoro o diálogo do qual ela fala mais ou menos algo como: 

"Quem me deu esse colar foi um amigo RICO, quando éramos crianças."

Clap. Clap. Clap.

Assim, a garota, que se chama Freia Lawrence, explica o porquê de estar viajando e deixando sua mala cair numa estrada, ao mesmo tempo convencendo Robert a escolta-la até o Acre para ajuda-la a resolver suas pendências de vida. 

Mas é muita coincidência mesmo. Minha nossa.

Mas essa não é a melhor parte dos planos de Jairo, o roteirista. 

Sobre os inimigos que lutamos durante o modo história, eles estão lá... porque sim... e nos desafiam pra lutar... porque sim....

Talvez se o elenco não fosse tão fraco eu o consideraria mais. Mas os personagens são tão nada a ver e suas lutas são tão randômicas que às vezes eu fico me perguntando como esse jogo foi aprovado.



Exceto por Kasumi Todoh, a filha de Ryuhaku, que busca vingança pela derrota humilhante de seu pai por Ryo. Ela é um ótimo adicional, eu a amo e vou defende-la. Ryo é jogável, mas está lá apenas para auxiliar Robert, e o mesmo pode-se dizer de Yuri, que só aparece em cutscenes.

E você achando que aquele kimono laranja era colado no Ryo, né?
....

E ele é mesmo, isso aí é uma montagem.


Sobre o gameplay, posso dizer que ele funciona relativamente bem. Com um ou outro adicional, agora era possível novas sequencias de combos no meio da luta, mas o maior diferencial desse jogo eram suas animações. E até hoje seus sprites fascinam qualquer um que nutra o mínimo de empatia por esse estilo gráfico. Apesar do pagodinho que o Robert dança em suas lutas, podemos dizer que é aqui onde encontramos um grande esmero da equipe da SNK em trabalhar com o design de seus personagens. Pena que a maior parte deles não foram construídos bem o suficiente para despertar a mínima afeição dos players. 

Ok, a Lenny desperta alguma afeição, sim. If you know what i mean.

Pra terminar com AoF3, vamos resumir o roteiro do nosso querido Jairo, o roteirista. Basicamente, o pai de Freya era um arqueólogo que havia feito uma descoberta intrigante na América do Sul. Querendo descobrir mais sobre o que tinha achado, se juntou com uma amiga bióloga da época, e juntos começaram a fazer experimentos. Quando ele notou que era perigoso demais, saiu fora e abandonou sua amiga, levando os arquivos embora. Ele se sentiu culpado por isso a vida toda, e como ultimo desejo antes de sua morte, incumbiu sua filha de levar suas pesquisas novamente para sua amiga a fim de consertar o seu erro.

No meio de toda essa "complexa" trama, temos Wyler, um brutamontes que almeja o que os dois estavam pesquisando, uma espécie de elixir que poderia aumentar a força do usuário, o deixando bombadão e insano pra caramba... com isso ele poderia... quebrar coisas. Ohhh, temam!

Bem, já sabemos no que isso dá, certo?

Nessa série resolvemos as coisas com:

VOADORA!

Eu poderia dizer que AoF3 cometeu o mesmo "erro" de SF3, mas SF3 é um dos, senão O jogo de luta mais fluído criado da história, e além da qualidade gráfica, possui excelentes personagens. Suas primeiras versões realmente não foram lá muito boas, mas com o tempo a Capcom consertou o jogo divinamente. Pena o mesmo não ter acontecido com AoF 3, até porque não dá pra comparar a taxa de sucesso e atenção.

Mas ainda assim, AoF3 é um dos poucos jogos conhecidos que podem estar numa pequenina e isolada gama de qualidade sem igual no mundo dos jogos de LUTINHA, ou qualquer outro.

Trivia RANDOM

Kyokugenryu Karate:


AoF sempre foi um poço de inspirações e referências à muita coisa da cultura pop. E uma dessas que mais admirei nele, como vocês devem imaginar, foi o estilo marcial.

O kyokugen é baseado no grande Kyokushin Karate, criado por Masutasu Oyama em 1964. Um estilo de Karate que ficou lendário pela sua disciplina e foco no auto aperfeiçoamento (é o que faz a maioria dos estilos ficarem famosos...). As lendas diziam que Oyama poderia derrubar BOIS com socos, de tanto que havia desenvolvido sua força e estilo. Sou meio cético quanto a isso, mas sabemos o quanto os asiáticos podem impressionar. De qualquer forma, é por isso que chamo de "Karate Mata Boi no Soco", ou simplesmente "Karate Boi no Soco".

Vale lembrar que o próprio Takuma foi inspirado no Oyama.

Minha admiração maior ao Kyokugenryu vem pela sua valorização de ataques bruscos e sequências do tradicional karate, principalmente com o estilo de Ryo e Takuma, algo que acho sensacional de ver e consequentemente jogar. Sim, Ryo é do meu time, não creio que isso seja surpresa.

Hokuto no Ken:

Outra similaridade que podemos encontrar em AoF é a aparência de Ryo, que possui bastante semelhança com a de Kenshiro, o ícone primordial das artes marciais no mundo do mangá/anime.



A outra bastante conhecida é o Zeretsuken, o conhecido ORAORAORAORAORA, também inspirado no WATATATATATATATATA de Kenshiro. Hokuto no Ken ainda vai ganhar artigo aqui, podem apostar.



Dan Hibiki:

Ok, esse aí deve ser conhecido até pelas nossas vós, mas, não é por isso que devo deixar de citar. AoF pegou muitos elementos de SF, e vice e versa, ambos foram dois pilares monumentais que formaram os jogos do gênero. Mas, a Capcom resolveu fazer uma paródia, se a intenção era zoar no começo, acabou virando uma homenagem depois.


Dan é uma mistura de Ryo, Robert, Yuri, Takuma, seu cachorro, e o que mais você enxergar de referência nele. Um personagem que eu gosto pra caramba.

E é notável ver que ambas as empresas tratam tudo com o melhor humor possível.

Já pro lado da SNK, quem ficou responsável por parodiar SF foi a Yuri. Pois uma parte dos seus movimentos são tiradas de SF ou até mesmo Dan, e aplicadas com toda sua forma irreverente.

Por sinal, ela até tem um Raging Demon:



Trajetória em KoF:



Sabemos que a série KoF une lutadores de vários universos de games da SNK, ignorando totalmente suas cronologias para ter a desculpa sensacional de colocar todo mundo pra lutar num torneio. Já que AoF teve de ser "descontinuado" depois da sua falta de sucesso com AoF 3, foi em KoF que ele pôde desenvolver um pouco mais sobre a relação dos seus personagens, mesmo que de uma forma confusa dentro da linha de tempo. Outra coisa muito fanservice e que gosto bastante, é a amigável rivalidade de Ryo e Terry, que também é responsável por fomentar muita rivalidade dos players por aí.

Enfim, o time Sakazaki esteve presente em todos os títulos, mesmo com uma mudança ou outra na sua formação, e com certeza fechar o jogo com eles é motivo certo pra diversão.



E o que podemos falar de Ryo e King, o provável único "shipp" que eu apoio no mundo da ficção? Essa suposta relação dos dois ficou ainda mais evidente nos KoFs, onde Yuri, Robert e até Takuma estão sempre tramando alguma forma de juntar ambos, já que Ryo é extremamente lesado e atrapalhado pra isso, além de King ser tímida e orgulhosa demais também.


Provavelmente um dos momentos que mais ri com eles foi nos finais de KoF 11 e 13, vou deixar-los aqui.






Em KoF 13, tivemos uma certa "volta às origens" de muitos elementos clássicos da SNK, um dos exemplos inseridos é o famoso rasgão na roupa de Yuri e King (essa que em especial tem o melhor sprite já feito pra ela na série).

F A N S E R V I C E

Outro momento de boas risadas é o diálogo que King e Andy protagonizam em KoF 13 também, onde ela diz que Terry e Ryo foram no bar dela, beberam um monte e colocaram na conta. O fato é, ambos não tem emprego, mas o Ryo pelo menos tem o Robert milionário pra ajudar, já no caso de Terry, quem se ferra é o Andy.

Pra quem manjar dos ingreis, só clicar nas imagens abaixo e ver em sequência.









E sobre a versão deles no KoF 14, gostei de todas, principalmente da King. Admito que no começo eu realmente não dei uma foda pra esse jogo, observando a evolução de design e de gameplay que ele acabou tendo ao passar dos meses, meu interesse subiu imensamente. Espero ter logo em mãos.

HYPE TRAIN.


Podemos ver aqui que o especial da Yuri é mais outra paródia com o Dan também.

Não sou muito fã do plot que inventam pra boa parte dos lutadores, aquele que diz que eles estão num torneio "para mostrar seu estilo de luta pro mundo". Acho preguiçoso, mas no sentido de AoF, combina perfeitamente. Levando em conta que eles são LISOS e precisam angariar alunos pra pagar as contas, esse é uma forma providencial de conseguir isso.

Só queria que voltassem com essa stance do Ryo, porque ela > all


Mainha misteriosa

Se você tem curiosidade em saber como era a matriarca Sakazaki, aqui está a imagem. Dá pra ver a quem os filhos puxaram.



Filme ruim:

Houve um filme  obscuro de AoF que é até fácil de achar no youtube. Ele é ruim, mas é tipo, muito ruim mesmo. Nem os dubladores do Goku (Robert) ou Trunks (Ryo) conseguiram salvar aquela bomba.



Mas, vale assistir pela curiosidade.

...

Ou não.

Garou: Mark The Wolves:

Esse é um jogo EXCELENTE que se passa após os eventos finais de Fatal Fury, narrando o crescimento e o desenvolvimento do filho de Geese, do qual Terry adotou. Pertence oficialmente e cronologicamente o universo de AoF e Fatal Fury, no futuro.


Infelizmente Ryo não teve sua aparição aqui como Mr. Karate, nome que assumiu depois de ter herdado o dojo de seu pai oficialmente quando ficou mais velho. A responsabilidade ficou para Marco Rodriguez, um brasileiro mestre no Karate Boi no Soco que é muito maneiro de jogar também.

Mas ainda fico um pouco desapontado de não ver uma versão dessa do Ryo in game.



Considerações finais

King s2²
E chegamos ao fim de mais um artigo no recinto! Esse que particularmente estava planejando fazer há bastante tempo, afinal, se tem um gênero que me deixa mais viciado além de jogos de RPG, é o de LUTA! Espero realmente que eu possa fazer alguém conhecer melhor AoF, aprender sobre o que ele fez e respeita-lo. Acho que essa série precisa e MERECE muito isso. Vamos torcer pra que a SNK volte com força a ser o que era e traga uma continuação de AoF, de Garou, de Last Blade e faça a maldita saga do dragão em KoF!!! 

... 

No mais, pretendo fazer um artigo desse naipe sobre SF uma hora também, é uma série da qual admiro muito, principalmente o enredo base sobre a versão "Boi no Soco" do universo dele.


MESSATSU!

E Bloody Roar que também nos espere!

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