Final Fantasy VII - A fantasia baseada na realidade que mudou uma era


No final dos anos 90, tínhamos o costume de ir em locadoras para jogar o que hoje baixamos num minuto em qualquer emulador na internet. Lembro de um antro cheio de PS1's carrancudos ligados à TVs TUBÕES, alguns desses ficavam emborcados, pois essa era uma artimanha milenar de monges asiáticos para fazer com que o console não entrasse na temida blue screen, coisa que nos dava um delay mental a cada inicio de jogo enquanto torcíamos pra ela não aparecer.

Nessa época, quem tinha um memory card com muitos saves tinha respeito, detonados valiam ouro e revistas sobre videogames existiam a rodo disseminando lendas urbanas dos mais variados tipos. Também lidávamos com o famoso e lazarento moleque random, que aparecia sorrateiramente por um portal interdimensional do além toda vez que você tinha dificuldade em alguma parte de ABSOLUTAMENTE qualquer jogo. Sua famosa e mística frase era mais ou menos algo como “QUER QUE EU PASSE PRA VOCÊ AÍ, VÉI?”. Uma entidade extinta hoje em dia, creio.

Foi numa dessas idas tranquilas à locadora que vi uma galera jogando um tal de Final Fantasy VII, e foi assistindo o jogo alheio, meio que por tabela, que eu fiquei extremamente interessado em jogar também.

O gameplay, os efeitos, os gráficos, a trilha sonora... definitivamente me enxiam os olhos.


OPA, não era essa imagem, não, pessoal. 

Era essa aqui.

PANANANNANANA

Pois então, depois de Xenogears ter estrelado meu último artigo comemorativo, resolvi que nesse ano finalmente chegaria a hora de Final Fantasy VII oficialmente pairar por aqui. Pois é, pessoal, 2 ANOS de existência de Blog MIL, YEEE!

...

Okay, talvez estejam pensando que eu serei só mais um na internet falando o óbvio sobre um dos, senão o título mais comentado da história no mundo dos vidjogueimes.

...

É, provavelmente vocês estão certos.


Contudo, resolvi me esforçar para pegar o conteúdo que conservo durante anos sendo um fanboy extremo sem vergonha e trazer algo relativamente atrativo para os interessados ao melhor estilo MIL.

Será que vou conseguir?

Espero que sim, pois depois dessa ligeira e desnecessária introdução que fiz para quebrar o gelo entre eu e o espaço em branco do qual escrevo, e depois de ter passado alguns minutos para bolar um título pro artigo que fosse chamativo, iremos direto ao assunto.

Sobre o jogo

Anos 90, sempre eles! Duas grandes empresas terminavam um relacionamento de anos que gerara pérolas como Final Fantasy VI ou Chrono Trigger na indústria dos joguinhos eletrônicos. A razão mais conhecida para o fato estava ligada às limitações técnicas do novo console da casa do Mario, que parecia impedir o pleno desempenho do próximo título da finada empresa que nunca vamos esquecer, a Square Soft. Existem outras supostas desavenças de políticas entre ela e Nintendo, o que com certeza deve ter ajudado nessa separação, mas batatas! Pra resumir, foi assim que Final Fantasy VII foi direcionado para o PS1, pois o console da novata no ramo, a Sony, certamente estaria pronto tecnicamente para o show gráfico que tal título iria nos proporcionar. 

Show gráfico, sim. Não me façam dizer "naquela época".
...
Tarde demais.

Em 1997/8 Final Fantasy VII veio ao mundo, e vocês já estão cansados de saber que "foi um marco, que popularizou o gênero do JRPG no ocidente e... bla, bla, bla", certo? Ele definitivamente não foi o primeiro a ter uma trama magistral, claro, porém, foi um dos mais notáveis a popularizar esse contexto por aí.

MAS o que diabos esse título trazia para dar essa voadora com os dois pés e o cotovelo de puro sucesso na indústria? Por que ele redefiniu o gênero e... bla, bla, bla? 


Pra começar, FF VII teve a sorte de  praticamente começar estreando uma nova geração de consoles, pegando o bigu do hype em cima do novo Ás da Sony, o qual tinha fortes quantidades de marketing borbulhando na TV mundial. O jogo abandonava de uma vez qualquer ligação com o medieval, dando lugar a um ambiente cyberpunk cheio de carros, prédios e poluição, ao melhor do "fantasia baseada na realidade" que algumas pessoas veem nos trailers promocionais de FF XV e não entendem o que diabos quer dizer.

Os personagens estavam repaginados pelo design do novo queridinho da Square, Tetsuya Nomura. Cabelos pontudos, atitudes agressivas, espadas do tamanho de um ônibus, motos com canos de escape escandalosos e robôs que atiravam misseis por aí, eram alguns dos vários elementos que chamavam atenção por si só. Sem falar da experiência gráfica, principalmente das CGs, que pegavam qualquer desavisado de SUPETÃO.


Junte todos esses conceitos técnicos chamativos e uma história bem bolada com reviravoltas e desenvolvimentos ímpares que causariam mindblows em todo mundo que tivesse prestando atenção na trama e não só nos peitos da Tifa – coisa que quem pegou o jogo em japonês ou entendia bulhufas de inglês demorou uns anos pra fazer – e teremos o maior oportunista do mundo dos games!

Se você se pergunta porquê toda a comoção envolta de tal título, pense que Final Fantasy VII surgiu no momento certo e teve a moral de assumir a responsabilidade pra mostrar seus dotes quando todo o mundo estava de olho nele. Como sabemos, o fez muito, mas MUITO BEM, colhendo os frutos do seu sucesso até hoje. Sucesso tão imenso que trouxe alguns problemas bobos, como aquele povo "especial" dizendo que o jogo "não é tudo isso", sites críticos com sensacionalismo, fãs bitolados por motivos dúbios ou até mesmo a péssima gestão da Square em controlar o título o prostituindo de formas distópicas para angariar dinheiros.

Mas dane-se tudo isso por agora, pois iremos falar da...

Introdução do enredo que você provavelmente já sabe, mesmo que não tenha jogado

Esqueça começar a jornada como um herói da justiça centrado no seu dever de vencer vilões "malégnos". FF VII nos coloca na pele de um mercenário inconsequente que trabalha para um grupo de "eco-terroristas" chamado AVALANCHE, este que é liderado por Barret Wallace, o provável único negro de todo esse mundo!!!


Em resumo, esse grupo é uma espécie de Greenpeace com bombas e atitudes pouco ortodoxas, onde seu principal objetivo se resume em explodir os reatores de "energia Mako" da Shinra, uma empresa que controla várias áreas de atuação da civilização mundial e visa os lucros acima de tudo, enquanto degrada o planeta com métodos destrutivos e irresponsáveis,

Por mais que o motivo dos eco-terroristas seja "nobre", o habilidoso mercenário em questão, Cloud Strife, parece pouco se importar com o que acontece com o mundo ou com quem vive nele, desde que receba seu dinheiro ao final do trabalho para comprar sua cervejinha no 7th Heaven. E ele ainda faz questão de deixar isso bem claro, destratando a maioria das pessoas em sua volta do jeito mais EDGY possível.

Claro, há motivos que explicam a atitude imbecil do rapaz, chegaremos lá em instantes.

O jogo inicialmente se passa em Midgard, a cidade sede de Shinra, que por sua vez apresenta mais claramente os problemas ambientais e sociais causados por essa empresa infeliz. O céu é cinza e poluído, plantas são escassas e a desigualdade entre sua população é claramente observada nas favelas espalhadas pelos vários setores da mesma. Praticamente a grande São Paulo dos videogames.

No entanto, enquanto progredimos na trama e conhecemos novos personagens, o jogo mostra-se bem maior em sua premissa, nos fazendo entender que os problemas são ainda maiores do que capitalismo, destruição ambiental e sub-bosses robôs gigantes. Envolvendo raças ancestrais, cientistas sem noção, aliens do passado ou até mesmo um maníaco com uma vara de pescar de aço.

Conceitos técnicos


Na época de desenvolvimento do jogo, Yoshinori Kitase, homem com um excelente histórico de planejamento e direção nos jogos da Square, percebeu que a indústria migrava para o 3D. Ele quis implementar isso na série Final Fantasy também, o que acabou por gerar uma conhecida techdemo aos moldes de FF VI, um teste bem sucedido que deu sinal verde para o que estava por vir.  Foi aqui que descobriram o impasse dos cartuchos do N64, esses que não suportavam o tamanho do projeto, o que aparentemente foi o maior motivo do fim do casamento entre Nintendo e Square Soft.

"O que estava por vir" nós já conhecemos e sabemos que definitivamente foi surpreendente, principalmente quando lembramos que ele marcava a transição da série do 2D para o 3D e ainda era o primeiro grande título desse naipe a chegar nas prateleiras para o nosso deleite. Por exemplo, não tínhamos ideia que Ocarina of Time iria dar outra voadora em nós um pouco depois.

E como era esse FF VII? Sua jogabilidade, sua trilha sonora? Como ele envelheceu durante os anos? 



Bom, exceto pela mudança de 4 para 3 characters em batalha, o sistema de FF VII não trazia nenhuma grande mudança do habitual da série, mantendo as telas estilhaçando na nossa cara em encontros randômicos e o ATB (Active Time Battle), usado desde FF IV.  A adição mais evidente são as Materias, versões upadas dos Magicites de FFVI. Em resumo, são esferas de habilidades que podem ser equipadas nas ferramentas de batalhas dos personagens, os permitindo atirar bolas de fogo, evocar Bahamuts do tamanho da sua mãe, curar os amiguinhos, aumentar os status, ativar técnicas especiais, entre outros. Além disso, ainda era possível combina-las ou até upa-las individualmente. Com um pouco de dedicação, era fácil atingir as variações de ataques mais devastadores e apelões do game, e vocês sabem o quão apelão você pode se tornar em Final Fantasy, é só manjar das manjarias.



Outra adição muito bem vinda são os Limit Breaks, uma também versão upada de um conceito de FF VI, o "Desperation Attack". Basicamente, era uma barra de tolerância do quanto o seu personagem aguentava apanhar até ficar puto e atirar um ataque desmedido de bom senso em qualquer inimigo pobre coitado, o fazendo se arrepender de ter aparecido contra nossa vontade no meio da tela para todo o sempre. Era o melhor modo de tirar o estresse de batalhas randons em momentos inoportunos, pode ter certeza.


Pessoalmente, amo sistema de FF VII e o explorei de formas retardadas em CENTENAS de horas de gameplay, mas devo mencionar que há relatos dos famosos xiitas da fanbase, o que deve ser bem incomum hoje em dia, execrarem o fato da mudança de 4 para 3 personagens numa luta com toda ferocidade de nerds babões dos anos 90.

O que eu tenho a dizer sobre isso? Urrr durrr....

No mais, é um jogo de ritmos variados, assim como qualquer JRPG de praxe. Alguns momentos com muita ação, outros com o foco em dezenas de minigames que tendem a ser bem importantes pra nossa evolução no jogo. Uns são chatos, outros legais, não foge muito do padrão da série nessa época.



Há de se falar também dos bosses opcionais, que acentuavam ainda mais a diversão e o desafio da experiência, pois FF VII não é um jogo difícil, mas cumpre bem o seu papel em instigar os players com seus desafios.

Cite a sua experiência com qualquer Weapon desse jogo na internet e tenha um random falando o quão elas são fáceis instantaneamente para dar uma de bonzão... o pior é que ele pode não estar errado.

Já a trilha sonora ficou em cargo do digníssimo Sr. Uematsu, do qual conhecemos muito bem. E eu não preciso dizer que ela é boa, muito boa, mesmo estando num momento de transição de plataforma e sendo um pouco limitada por isso. Ela cumpre bem o seu dever de nos gerar momentos de empolgação unidas a fluidez das gestões técnicas de combate ou causando uma vibe soturna e claustrofóbica dentro da grande metrópole de Midgard, são vários os exemplos. Posso afirmar que ela faz jus à série.

Atenção especial para a One-Winged Angel, primeira música a possuir vozes digitalizadas num Final Fantasy.



Deixo aqui uma música que gosto bastante, apesar de odiar que as batalhas randômicas nunca me deixavam ouvi-la direito. 


Okay, sabemos que VII impressionava qualquer um. Mase o povo que HOJE o critica pelos gráficos, o que dizer? FF VII envelheceu mal ou as pessoas que menosprezam o game por isso são retardadas?

Cenários pre-renderizados são atemporais.



Em parte, ambas as afirmações estão corretas. Realmente, alguns conceitos do jogo envelheceram mal, como boa parte do 3D dos títulos daquela época. Alguns tão mal, que às vezes eu acho que estamos olhando pra tela no estado catatônico do Cloud. Sim, parte do submarino, estou falando com você.

Por outro lado, categorizar todos os gráficos de FF VII como "lixo" é tremendamente idiota. O 3D em batalha do jogo é ótimo, e os characters cabeçudos, (conceito também usado no divertido Musashi de PS1) são os últimos resquícios dos sprites fofinhos num título oficial da série. No mais, é um jogo belo pra mim mesmo nos dias de hoje. Já sob a ótica de enxergar o jogo como o primeiro grande projeto 3D daquela época, é até bobo falar o óbvio.

Cosplay de Nuvem feito do jeito certo.
O Sr. Sakaguchi, produtor nessa época, deu a ideia geral do enredo do título, mas deixou com que Kazushige Nojima, o roteirista de FF VII, e Kitase, o já citado diretor, aperfeiçoassem a trama, enquanto ele focava nos sistemas de batalha. E é sobre os elementos desse enredo soberbo que vamos falar agora! Acredito que já saibam que daqui partimos para os SPOILERS e mais SPOILERS.

Conceitos do universo

Lifestream 

É o fluxo espiritual que reside no âmago de Gaia, o planeta de FF VII. Ele controla a vida, a morte e o ciclo de renovação dos seres vivos, guardando a essência dos sentimentos e das memórias de todos que nele viveram através das eras. Claramente inspirado em inúmeras vertentes de crenças reais sobre a transcendência da vida.


Ao mesmo tempo, o Lifestream funciona como o sistema imunológico do planeta, quem em situações extremas, tem a capacidade de agir em retaliação a qualquer coisa que o mesmo ache prejudicial para sua saúde. Uma espécie de consciência destrutiva capaz de criar criaturas fofinhas com o poder para derrubar uma cidade em segundos, as Weapons.

Venha conferir essa turminha da pesada que apronta altas aventuras.

(momento retcon) 

Como ultimo recurso, a consciência do Lifestream ainda pode ativar um sistema de fuga que concentra toda suas informações e energia, partindo para uma viagem pelo infinito espacial em busca de outro planeta para se instalar. Praticamente um pendrive tamanho família, algo visto com mais detalhes em Dirge of Cerberus, jogo que terá seu lugar em uma hora mais oportuna por aqui.

Aqueles conectados com Fluxo da vida

Há muito tempo, os Cetra, uma raça ancestral aos humanos, existiam em abundancia em Gaia. Eles possuíam uma afinidade espiritual com Lifestream, e desenvolveram uma espécie de comunhão com o planeta. Certa vez, eles foram presenteados com dois itens pelo próprio.

O primeiro era a Black Materia, capaz de evocar um meteoro poderoso e causar a destruição iminente dos seres vivos ou até mesmo de todo o mundo. O segundo era a White Materia, que possuía uma capacidade inversa, a de proteger o planeta, evocando uma magia chamada Holy. Como os Cetra eram pessoas pacíficas, guardaram o poder da White Materia e negaram o poder da Black Materia, a selando num templo complexo e cheio de armadilhas.


Não dá pra saber porque os Cetra foram "presenteados" dessa forma. Tenho pra mim que isso deveria ser algum tipo de teste, ou talvez o planeta os julgou merecedores de decidir o destino dos seres que nele vivem. Adoro o fato do enredo de FF VII ser vago ao tratar dos seus "misticismos". Cria todo um ambiente misterioso e curioso sobre seus elementos, aberto para muitas interpretações.

A Calamidade que veio dos céus

Há cerca de DOIS MIL anos antes dos eventos do jogo, um asteroide se chocou com Gaia, o que resultou numa grande cratera localizada no norte do planeta. No entanto, além do impacto, o asteroide trazia Jenova, uma alien azul atraente, com uma das habilidades mais apelonas que você verá numa criatura em toda sua vida.  Seu plano se resume em usar o Lifestream para expandir sua força e conhecimento, continuando com seu objetivo de viajar pelo cosmo. Pessoalmente, guardo um imenso fascínio por essa personagem em questão, pois, ela consegue ser uma criatura totalmente fora do comum dentro do já FANTASIOSO universo de FF VII.

De onde ela surgiu, quais seus verdadeiros planos? Tudo o que sabemos sobre ela são linhas vagas das marcas que ela deixou no mundo ou dos seus desejos silenciosos narrados por outrem. É sem dúvida um elemento digno de se pensar nesse universo.


Enfim, enquanto Jenova infectava o planeta e o destruía, sobra para os Cetra frustar os planos da "boa moça" azul. Como eles não podiam mata-la graças a sua problemática habilidade de alterar metabolismos e controlar indivíduos simplesmente difundido suas células conscientes neles – o que praticamente a torna um ser "imorrível" – eles tiveram que sela-la, e assim a dita cuja permaneceu por séculos.

A expansão desastrosa da Companhia Shinra

De uma simples fabricantes de armas, Shinra logo alcançou o topo e se tornou o maior conglomerado industrial do planeta, a partir do momento que desenvolveu uma forma de refinar o Lifestream e converte-lo para "energia Mako". Com isso, ela podia alimentar centros urbanos e financiar avanços tecnológicos nas mais variadas áreas, como a da informação, espacial, genética, e principalmente a militar.

Não satisfeita, também criou seu próprio exército particular dividido em vários seguimentos, que vão de guardinhas comuns à organizações investigativas especiais (Turks), ou até mesmo uma "elite" de soldados geneticamente alterados com a própria "Mako energy", a Soldier. Palavras que soam melhor em inglês por algum motivo.


Quando a nação de Wutai discordou de muitas das atitudes da expansão mundial da Shinra, uma guerra rapidamente se instaurou. O conflito durou nove anos, e já dá pra saber o resultado final, levando em conta as artimanhas arrombadas e os recursos avantajados que Shinra podia prover para os seus exércitos. Não importava o que fosse, se a empresa considera-se algo como pedra no sapato nos seus planos, ela não media esforços ou sacríficos para resolver isso o mais rápido possível. Porém, as atitudes terríveis e idiotas da empresa eram ainda mais profundas.

Seu objetivo principal era o de encontrar a "Terra Prometida", um lugar fértil originado das lendas dos Cetra, que nessa época já estavam quase extintos. Shinra achava que o lugar era um grande playground para se extrair energia Mako, e não mediu esforços para tentar acha-lo.

Mesmo nunca tendo encontrado tal local lendário, foi mergulhando nessa busca ambiciosa que, cerca de 30 anos antes dos eventos do game, eles redescobriram Jenova, a nossa amiga alien que quase destruiu o planeta em outrora. No começo, o Professor Gast, cientista da empresa, achou que tratava-se de um Cetra ancestral, e começou, junto de sua equipe, inúmeros projetos genéticos com a criatura em questão. O que foi palco para dezenas de atrocidades envolvendo inocentes.


O projeto absoluto foi criado pelo cientista mais arrombado do mundo, Hojo. Esse era Sephirot, um soldado supremo imbuído diretamente com as células de Jenova desde sua fase fetal. Mal sabia a Shinra que estava prestes a conhecer o significado de "carma" por todas essas traquinagens que ela havia feito.

Protagonistas que você já deve conhecer mesmo que não tenha jogado

Além de um mundo com conceitos interessantes de se abordar e fácil de nos absorver, FF VII contava com uma narrativa impar cheia de lacunas no passado. A priori, as razões desconhecidas e vagas das atitudes dos protagonistas acabam ganhando forma enquanto avançamos no jogo, e descobrir ainda mais sobre a vida e os sentimentos deles tornam o enredo ainda mais envolvente, logicamente.




Comecemos por um dos meus personagens favoritos desse jogo!

Barret Wallace é o que podemos chamar de brutamontes de bom coração. O sujeito de canhão acoplado no braço, líder de uma trupe com ideais radicais e detentor do modelo 3D mais histérico da série, é o amoroso pai adotivo de Marlene, uma das crianças queridinhas do elenco de FF VII. E devo ressaltar que o mesmo possui um dos, senão o backstory mais "humano" desse jogo, vamos papear um pouco sobre.

A esposa de Barret sofria de uma doença grave, o que o levou tentar ganhar algum dinheiro cooperando numa construção de um Reator de energia Mako na sua penhascosa cidade natal Corel, o que inicialmente não teve a aprovação de seu amigo,  Dyne, que provavelmente já sabia das patifárias costumeiras da Shinra. Posteriormente Dyne voltou atrás, certamente pela situação que seu amigo Barret estava junto de sua mulher.

"Insira aqui a piada "Mr. T" feita a exaustão"
Tudo estava aparentemente bem, até que uma espécie de "1º AVALANCHE", da qual Barret logicamente não fazia parte, resolve "sequestrar" o reator. Barret se esforça e ajuda os Turks para que retomem o controle, mas, a Shinra e sua gestão canalha simplesmente explode tudo em retaliação, achando que os culpados eram o povo de Corel, matando vários inocentes.

Barret ajudando um reator e Shinra explodindo tudo em seguida... é, os tempos mudam. Enfim, na confusão, Dyne estava para cair de um penhasco, fazendo com que Barret corra desesperadamente para segurar sua mão. É nessa hora que Scarlet, uma das diretoras "alma ruim" da Shinra, atira no braço de Barret,  o que resulta em Dyne caindo pra uma suposta morte certa.

De algum modo Barret consegue sobreviver a barbárie, e na sequência adota Marlene, a filha de Dyne, do qual ele acredita estar morto. Assim, adquire seu canhão no braço, cria uma nova AVALANCHE junto de novos simpatizantes da causa e parte para Midgard, procurando parar com as filhadaputices da Shinra de uma vez por todas.

Tifa Lockeheart

Quem não conhece uma das personalidades mais famosas em artes sensuais ou na imaginação dos marmanjos (ou marmanjas) que jogaram ou até mesmo não jogaram FF VII? Porém, lembrem-se por um minuto que essa personagem é muito mais do que um conjunto de polígonos 3D hiper sensualizados.


Tifa é uma colega de infância de Cloud, ambos oriundos da pequena cidade de Nibelheim, um daqueles interiores que quando citados você já imagina que não tem televisão e seus sofás são feitos de feno. Desde garota, ela sempre fitou a cidade grande e o ideal das muitas oportunidades que ela oferece. Quando mais velha, abriu um bar em Midgard, nas favelas do Setor Sete, o que inspirou o nome de "7th Heaven". Consequentemente o lugar acabou se tornando o quartel general da AVALANCHE desde que ela se uniu a causa, afinal Tifa também tem um histórico de ódio pela Shinra.

Okay, um bar na favela não é bem um ideal de grande oportunidade, mas é com certeza um passo à frente para se tornar uma empoderada empresária, certo? Teoricamente!

Imagem tão linda que dá vontade de abraçar.
Tifa tem um histórico de interações "quase românticas" com Cloud na sua infância, porém não pensem que em algum momento ela nutra o ideal de "donzela indefesa" nessa trama, longe disso! Além da atitude de rumar sua vida para capital, a mulher é uma maquina de socos e pontapés. Nas mãos certas, pode se tornar uma das senão a personagem mais overpower desse jogo. É bom que os marmanjos que vão ao seu bar pensem duas vezes antes de fazer alguma piadinha sobre os dotes genéticos sensacionais da moça, o risco de ter o nariz afundado pra nuca é iminente.

Mas algo em especial que muito admiro na Tifa é o seu lado humano. Não é surpresa pra ninguém que ela possui um forte sentimento amoroso por Cloud, e é em um determinado momento da trama que a vemos dar um saudoso foda-se para o que acontecesse com o mundo só para passar os supostos restos de seus dias cuidando das enfermidades do rapaz. Se você para pra pensar que Tifa perdeu tudo assim como Cloud na tragédia de Nibelheim, ver o elo de cumplicidade e compreensão que ela tenta criar com ele é fácil de entender, e pessoalmente me cativa demais. Tifa é um amorzinho!

Cid Highwind


Shut up! Sit your ass down in that chair and drink your goddamn TEA!

Como costume, FF VII também tem o seu Cid, e de longe esse é o mais popular da série. Basicamente, ele é aquilo que chamamos de tiozão ranzinza retrogado de bom coração. De alguma forma isso deve fazer sentido, acredito.

Seu background se resume no seu sonho de ir para espaço ser frustado por Shera, sua companheira assistente. Tentando zelar pela segurança do seu amado, ela se põe na área de lançamento do foguete, numa atitude desesperada de sacrificar sua vida para impedir essa empreitada de sérios riscos já calculados e confirmados. Para não transforma-la em pastel assado, Cid aborta o lançamento, perdendo a chance e os investimentos que ele lutou por toda sua vida para conseguir, fato que o faz guardar um rancor absurdo por Shera, a tratando de formas imbecis por todos os anos futuros.

Apesar de gostar de Cid, é nesses momentos que tenho vontade de acertar dezenas de voadoras nesse retardado. A garota o salvou, e ela o ama. E apesar dele também ter sentimentos pela mesma, a trata de formas estúpidas.

Porra, Cid!

Red XIII (Nanaki)  

Um leão/leopardo/cachorro/ornitorrinco vermelho de calda flamejante, super inteligente, capaz de falar, inspirado em designes aborígenes, dono de uma das melhores themes do jogo e um dos meus Limit Breaks favoritos. Não é de se surpreender que é um dos personagens mais bem quistos pela grande maioria dos jogadores, certo?

Se não bastasse, ele ainda possui um dos melhores backgrounds de FF VII e protagoniza um dos momentos mais tocantes de toda a série também.





Red XIII nasceu no Cosmo Canyon, uma região árida do planeta Gaia. Ele vem de uma tribo de guerreiros de sua espécie, que encontra-se quase extinta nessa época, e carrega consigo o desapontamento de ter visto seu pai, Seto, aparentemente fugir de uma tribo inimiga, ganhando a fama de covarde por anos. Numa tentativa de proteger sua tribo, Red XIII deixa ser capturado pela Shinra para virar cobaia de testes nas mãos de Hojo, e é assim, meio que por acaso, que ele se junta a trupe dos protagonistas, posteriormente. O momento emocionante que eu falei, vocês já devem conhecer, e eu faço questão de expor aqui.

Insira choro aqui

Quando Red XIII descobre o corpo petrificado do seu pai, produto de uma luta até a morte contra as flechas envenenadas da tal tribo inimiga, os Gi, percebe que na verdade ele se sacrificou para conter os inimigos e morreu como um herói. Arrependido, Red XII se desculpa, e promete se tornar um guerreiro tão incrível quanto seu pai, é nessa hora que lágrimas escorrem do rosto petrificado de Seto, e podemos ouvir o uivo do seu filho, de respeito, lamentação, mas tranquilidade.

Yuffie Kisaragi

A ninja espevitada, ladra de Materias, hater de meios de transporte  e proveniente de Wutai, a nação com histórico de guerra entre Shinra, é uma das duas protagonistas "secretas" do elenco.

Se fosse com a arte do Nomura hoje em dia, a bandana da testa teria um zíper

Não tenho muito a dizer sobre Yuffie. Ela não é uma das personagens mais queridas por muitos que jogam, vai ver pelo fato dela ser escandalosa e nos dar trabalho roubando nossas coisas, mas eu não consigo desgostar dela. Acho que muito de suas atitudes são bem mostradas como lapsos dos traumas de guerra que ela passou, sem falar que ela tem lá seu lado de alívio cômico no jogo, protagonizando meu "sub trio" favorito de FF VII.

Uma das melhores missões do jogo.

Pra você que não sabe o que é sub-trio, basicamente é a panelinha dos personagens que possui mais intimidade. Você pode escolher a ordem da party como quiser, claro, a diferença em você deixar uma certa galera só muda alguns detalhes, nada drástico, mas bem interessante mesmo assim. Gosto de ver como isso foi bem explorado em outros jogos da compilação.

Vincent Valentine



Ou Vincentino Valentino, é o cabra da peste dotado de um revolver, roupas sintéticas aprumadas e transformações arretadas inspiradas em criaturas de história de terror, é o segundo personagem secreto do jogo e de longe um dos mais populares de toda a série. Além de ter sido qualificado como Vampiro por 10 de cada 10 jogadores dos anos 90, e de ser escolha certa para jovens como avatar em fóruns da internet, é possuidor de um backstory obscuro que envolve as primeiras sacangens da Shinra. Podemos dizer que ele é o cara que se fode com a empresa antes disso virar modinha.

Venha pra CHAPULETADA, FI DUMA ÉGUA!
O maior pivô da vida de Vincent ter se tornado uma desgraça tem nome, e se chama Lucrescia Hojo. Pra resumir, ele é o responsável pelas mutações incontroláveis do rapaz, entre outros acontecimentos ainda mais obscuros em suas vida. Como esse é o enredo base para seu jogo solo, Dirge of Ceberus, irei deixar para desenvolve-lo melhor na outra parte desse artigo, sendo assim vamos ao próximo.

Cait Sith / Reeve Tuesti




Cait é um gato de pelúcia antropomórfico montado num Moogle gigante robô, que se alia aos nossos protagonistas. Ele é controlado por Reeve, um dos diretores da Shinra com algum senso de responsabilidade por todas as merdas que essa empresa já fez ao mundo, e que trabalha como um "agente duplo",  usando o gato serelepe como seu avatar.

Aerith/ Aeris Gainbarough, seja lá como se pronuncia isso, é a garotinha das flores conhecida mundialmente por morrer empalada por uma katana de 200 metros manuseada com uma mão por um psicopata de cabelos brancos. Depois de todos esses anos, isso não seria spoiler no meio gamer nem pra quem mora em Nibelheim, vocês sabem.

Aerith é uma mocinha dengosa com provavelmente o maior delay mental graças ao Deja Vu de conhecer Cloud aos mesmos moldes que conheceu sua primeira paixão da vida, Zack Fair. Levando em consideração que Cloud parece muito com ele, temos mais um delay mental pra garota.

Aerith esteve chateada todo esse tempo com o Zack, pensando que ela o abandonou. Felizmente eles devem ter se entendido no Lifestream.

Verdade seja dita, eu nunca fui pego de surpresa pela morte dela. Lembro de ter sido spoilado por algum molequinho random maldito antes mesmo de poder chegar na cena em questão, e claro isso reduziu um pouco o impacto. O que não muda o fato de ter sido triste e ter pego milhares de pessoas de surpresa, a reação do público da morte foi tão descomunal, que pra muitos essa é a principal responsável  pela explosão de popularidade do game naquela época.

O que abre uma trivia interessante sobre a habilidade da moça (e sua raça) de mesmo morta, intervir materialmente com os seres vivos através do lifestream, em situações específicas. Essa ideia foi gerada por Sakaguchi, que tinha perdido sua mãe durante o desenvolvimento do jogo e queria criar um conceito em que, mesmo que a pessoa esteja morta, sua consciência de alguma forma permaneça viva. E eu pessoalmente adoro como essa ideia foi amadurecida e projetada pelos roteiristas do jogo, e claro, bem aplicada em FF VII.

"Insira aqui a reclamação repetitiva e genérica de ter tido upado a garota pra ela morrer depois"

Por mais que a Square tenha prostituído seu título e seus personagens ao máximo, fazendo com que Aerith "estampasse" sua cara em vários jogos até que não fazem parte da compilação do VII, eu não acho que sua morte perdeu "o peso" com o passar dos anos. Porém, ver fãs fazendo petição para deixa-la viva no "remake", é a confirmação sólida e absoluta que parte fanbase de FF não tem salvação mesmo, puta que pariu.

Cloud Strife

O já citado e DEVERAS conhecido mundialmente protagonista do jogo, a priori se denomina um "ex-soldado de primeira classe" da tão poderosa elite do exército da Shinra. Tifa é seu interesse amoroso oculto, o qual ele não consegue engrenar por ter uma personalidade instável em níveis incompreensíveis para qualquer pessoa que não esteja a par do que ele passou. E é justamente sobre isso que vamos falar agora.


É comum ver Cloud sendo alvo de represálias graças a suas atitudes, que realmente são tolas e o qualificam como um imbecil de marca maior. Ele era exatamente aquele tipo de personagem que fazia "HUNF" no meio de alguma conversa pra pagar de fodão, destrava pessoas por motivo nenhum, e ainda assim, todos pagavam pau. Isso deve funcionar com alguns garotinhos ou garotinhas, mas com o público mais velho, não cola, não. PORÉM, como eu já disse MIL vezes, Cloud tem motivos para ser assim, e ao descobrirmos isso, tudo muda... ou pelo menos deveria. Porque quando o entendemos, pelo menos na minha opinião, conseguimos enxergar um personagem cativante que evolui e tropeça em vários momentos na sua busca de finalmente se entender.

O contexto é o seguinte: na verdade, ele nunca conseguiu ingressar na "Soldier", sendo apenas um soldado de infantária comum. Seu herói e símbolo inspirador, se converteu para um lunático e assassinou praticamente toda sua cidade, pais e amigos. Além disso tudo, Cloud ainda foi mantido como um experimento falho, que resultou no seu primeiro estado vegetativo. Se não fosse pelo seu querido amigo, Zack Fair, um verdadeiro 1st Soldier, ele provavelmente ainda estaria num tubo de vidro pensando em batata pelo resto da vida.

Insira choro aqui

Mesmo assim, na fuga dos dois amigos das garras da Shinra, Zack se viu na obrigação de se sacrificar para que seu amigo pudesse viver, e mais uma vez, Cloud perdeu um ente querido sem poder fazer nada numa das cenas de polígonos mais tristes de toda história. Tão marcante que acabou ganhando CGs sensacionais no maravilhoso Crisis Core, que uma hora também terá seu lugar aqui.

Enfim, o trauma foi tão intenso que Cloud sobrepujou alguns ideais de Zack, construindo uma nova personalidade extremamente retroativa, afinal, ele não se sentia mais à vontade em manter vínculo com mais ninguém devido ao seu histórico de acontecimentos.

Como sabemos, a maré de azar dele não acaba por aí, porque mais uma vez durante a trama, ele perde outra pessoa em seus braços e nada pode fazer. Não satisfeito, posteriormente ainda entra em estado vegetativo mais uma vez ao cair numa fonte de puro Lifestream, recebendo a memória do planeta e quebrando sua mente. Mas que diabos, Cloud!



Isso porque eu nem citei os bullyings que pobre rapaz recebe de Sephirot, que constantemente aproveita os problemas na mente do mesmo para instaurar dúvidas se ele realmente existe ou não. Sephirot zoeirão arrombado pra caramba.

Percebam a cara de "e lá vamos nós" de Claudio quando ele está prestes a se foder mais uma vez

Mas enfim, é seguindo essa linha de desenvolvimento que pairamos na minha parte favorita de FF VII, eu já comentei sobre aqui no blog, mas resolvi realoca-la nesse artigo na maior cara de pau do mundo.

Tal cena, ou parte do jogo, é vivida  com ajuda de Tifa, sua amiga/paquera/namorada/porranenhuma. A viagem à uma mente fragmentada por incontáveis traumas, inclusive por uma experiência desumana, que dividiu e destruiu a personalidade do personagem.

Como assim, Tifa, eu não sou a maria betânia?!
Ele simplesmente juntou a identidade de alguém que ele admirava e criou uma persona assumindo ser tal pessoa. O interessante é que ele faz isso numa tentativa de estabilizar sua mente e suas memórias afetadas. Tal fato traumático o faz retroativo socialmente, meio depressivo e incerto sobre si mesmo. Ele é incapaz de manter uma relação sadia com qualquer individuo, uma arma da sua mente para se defender do incerto, uma arma para não se machucar, machucando-o no processo do mesmo jeito, com a solidão. Eu sinceramente acho fenomenal tal narrativa, e acho que muitas pessoas fazem o mesmo, em um certo ponto de vista. Na cena em questão, Cloud enfrenta seus próprios demônios, e junto com ele, nos surpreendemos com as reviravoltas sobre quem realmente foi e o que realmente aconteceu com o dito cujo.

Porra, Barret, SEJE discreto...

Agora imaginem estar jogando um jogo ciente da verdade do seu personagem, quando de repente tudo não passa de uma ilusão dele mesmo! A narrativa realmente tem todo o cuidado do mundo pra ser sútil e nos pegar de surpresa.

Temos até o momento embaraçoso de Cloud lidando com essas informações e tendo que olhar depois pra cara de seus amigos que estão com cara de WTF assim como nós que estamos jogando. Imaginem quão confuso e quão incerto ele é sobre sua identidade. É sem dúvida momentos como esses que me fazem gostar tanto do desenvolvimento dos personagens nesse jogo. E é esse um dos fatores mais impressionantes dessa história.

Afinal, quem realmente é o vilão dessa joça?



Eu sei que deveria colocar a clássica aqui, mas eu amo demais essa versão do Advent, então vai ficar ela mesmo. Me julguem.

Como sabemos, FF VII é um jogo muito famoso, e quanto mais famoso, mais pessoas opinam, consequentemente, pessoas que não se inteiraram sobre todos os fatos do mesmo, o que gera comentários idiotas e... enfim, vocês sabem, é o preço do sucesso. Um que me incomoda em especial é sobre quem realmente é o vilão do jogo. Vamos por partes.

De certa forma, FF VII possui uma narrativa minuciosa em dezenas de seus elementos, inclusive o de suas vilanias, que mudam o foco enquanto você progride nos atos do jogo. No primeiro ato, quem assume o posto de antagonismo no game é a Shinra, seu presidente e seus diretores, junto dos Turks, sua unidade especial para cometer os serviços "obscuros" da empresa.


Por mais mal caráter que seja boa parte dos envolvidos com a Shinra, capazes até mesmo de destruir TODO um setor de Midgard e simplesmente matar centenas de inocentes apenas para destruir a AVALANCHE, eles não passam muito de uma trupe de vilões pé no saco que chegam só pra terem suas bundas chutadas.  Sim, Turks, estou falando de vocês. Eles são tipo o Seymour do FF X.


No segundo ato, o antagonismo se volta para Sephirot, o antigo e respeitável herói de guerra que se tornou insano ao descobrir as circunstâncias soturnas de seu nascimento e se debruçar em estudar uma biblioteca inteira por dias sem cessar em busca de suas origens.

O que pode gerar comentários como: "Ora, seu ser em chamas de uma figa! Mas o Sefirola ficou louco porque leu um bocado de livros? Isso não faz sentido, é forçado! Se você discorda você é um bobão!!!"

Calma lá com os xingamentos pesados, caro leitor.

Entenda uma coisa. Sephirot sempre cresceu com um poder extremo, esteve à frente de qualquer oponente como um ser invencível. Sem saber o que é esforço para atingir seus objetivos e provavelmente vivendo se contendo à regras de senso comum que ele nem se encaixava, podemos imaginar que sua visão sobre o mundo era diferente do que muitos de nós sequer podemos entender. Agora levemos em conta a habilidade de Jenova de influenciar mentalmente aqueles dotados de suas células e você terá o combo de eventualidades que explicam o porquê de Sephirot começar a achar que era uma espécie de "deus", junto de sua "mãe", a Jenova.

Ele era um cara "legal", talvez, mas só precisou de um empurrão pra virar um desvairado e assassinar e queimar toda uma vila simplesmente por capricho.

SÓ VOCÊ ME ENTENDE MAINHA! Até porque você não fala...

Porém, seria Jenova a principal vilã de Final Fantasy VII?

Como já falei antes AQUI, Sephirot, ao assumir o plano de Jenova para si, se sobrepõe ao controle da alien, se projetando como o vilão principal de toda a trama. Se o jogo não deixa isso claro pra você, o que é compreensível por ser sutil narrativamente, pegue o Ultimania Book de FF VII e seja feliz, pois ele explica isso e muitas outras coisas interessantes sobre detalhes minuciosos da obra.

Cara de vergonha do Sephirot pra seus fãs melequentos
Enfim, não importa se ele tem fãs melequentos que o admiram como um personagem trágico, quando na verdade ele não é. Ou se a fanbase faz comparações estupidas entre os vilões da série enfatizando suas peripécias maldosas para que isso qualifique qual é o melhor ou não. Sephirot tem uma theme foda, protagoniza lutas incríveis e é ótimo em desempenhar o seu papel. Isso não deveria ser novidade pra ninguém.

O ápice da fantasia baseada na realidade que mudou uma era

Lembremos que FF VII não foi o primeiro da sua série a pegar conceitos da realidade, mas com certeza foi o primeiro a usar elementos tão atuais. Uma empresa capitalista destruindo o meio ambiente, problemas de poluição, desigualdade social ou uma cidade sendo vítima de um "desastre nuclear" são exemplos dos vários elementos usados no jogo. E realmente, eles nos fazem refletir.

Ruínas de Gongaga

Mas sinceramente, o que pesa pra mim são as atitudes dos personagens. Sabe, a maioria deles não ditam frases imensas cheias de firulas sobre a vida. Na verdade, eles são só uma trupe de desajustados buscando um rumo, um objetivo, e que por eventualidades, são unidos por um ideal mútuo. Até mesmo alguns antagonistas, como Rufus e os Turks, tendem a se entender e prosperar como indivíduos na trama. Afinal, eles se unem por um propósito maior, que é simplesmente para impedir que o planeta acabe.

Foto da sua mãe prestes a cair do céu

O plano de Sephirot se concentrava em usar a Black Materia, o artefato lendário já citado capaz de evocar um grande meteoro que certamente iria destruir todas as formas de vida do planeta. Ele sabia que isso causaria uma ferida tão profunda no planeta que o Lifestream iria se concentrar todo em único ponto, numa busca desesperada de consertar ou amenizar os danos. O objetivo de Seph era estar no meio desse evento, onde ele poderia absorver a energia e se tornar uma existência ainda mais poderosa, ascendendo para uma divindade.

Quando o meteoro já estava direcionado para o mundo, nada os protagonistas podiam fazer, pois Sephirot estava impedindo o efeito da magia Holy, aquela que Aerith se sacrificou para ativar. Então só resta a única opção cabível: mesmo que morram, eles não podem deixar que Sephirot atinja seus planos nefastos, e é assim que partem para a icônica batalha final do jogo.


Sabemos que a luta final com Sephirot não é da mais difíceis, as Weapons opcionais, por exemplo, dão muito mais trabalho. Mas zerar este game e vencer o boss final era algo lendário naquela época, pessoas até gravam as últimas cenas em video cassete de tanta comoção que existia em volta do título. E realmente, toda essa comoção é merecida, pois os eventos finais de FF VII são, me desculpem a expressão de narrador da sessão da tarde, DE TIRAR O FOLEGO. Acompanhar os personagens esperando a morte certa nos causava uma tensão absurda, pois estávamos próximos do maior Cliffhanger da série Final Fantasy.




Insira choro emocionado aqui

A magia Holy infelizmente não tem tempo de conseguir rebater o meteoro e tudo parece estar perdido, até que o planeta também começa a agir em prol de se defender, e em uma CG cheia de efeitos, temos a ideia que talvez ainda seja possível que nossos heróis sobrevivam. É assim que FF VII chega ao seu sensacional abrupto final.

Pra alguns, o melhor jogo da história, pra outros apenas superestimado. Eu discordo de ambas as afirmações, claro. Como já exemplifiquei, FF VII foi oportunista e soube responder a atenção muito bem. Isso já o qualifica como merecedor de todo o sucesso que ele conquistou, independente se você não ache ele o melhor RPG ou sequer o melhor FF.

Ah, em um dos finais secretos, é possível ver Red XIII com seus filhos algumas décadas de anos depois, rugindo do alto de um penhasco. Podemos ver uma Midgard cheia de verde no futuro, aludindo que se os humanos sobreviveram, finalmente voltaram a cuidar do mundo. É um final aberto, porém, somado com o final principal, perfeito, na minha opinião.


Compilação de FF VII e o tão esperado Remake



É certo que a Square abusou da popularidade de FF VII, mas sinceramente, não acho que tenha sido algo ruim para o universo do título. Como a parte dois desse artigo será focada nesse tema, deixarei para comentar disso na próxima ocasião.

Agora, e sobre o remake de Final Fantasy VII, o que dizer?


Tenho que botar isso pra fora. Por mais fã que eu fosse de FF VII, eu nunca fui da trupe que clamava por um remake.

...

Que foi?

Sempre foi um tema muito delicado pra mim, afinal, era necessário pensar no número de elementos originais que o jogo perderia num remake. Muitos dos sistemas da época são inviáveis hoje em dia, outros são pouco populares, como batalhas de turno. Era óbvio que o jogo iria mudar completamente, e levando em conta que a Square Enix não possui mais uma mão firme com a série, eu tinha medo do que podia sair, muito medo. Felizmente, ainda vemos empresas que mantém suas raízes e tem coragem pra fazer um título AAA com enfase em sistemas antigos e ainda inovar. Hype pra Persona 5, sim. Pena a Square não gerar a mesma confiança.

Porém, certo dia, assistindo a E3 lendária de 2015, tive a oportunidade de ver o trailer de anuncio do tão incansável pedido da comunidade, e minha reação foi... inexplicável. Logo no início eu já saquei o que era, mas deu tela azul, só conseguia rir, minha cabeça estava a milhão pensando em MIL coisas, e claro, eu estava surpreendentemente feliz. Até comecei a conservar boas esperanças.

Em outra ocasião, estava no trabalho, e ao entrar na internet, vi amigos mandando desesperadamente a primeira concepção de gameplay do jogo, e basicamente foi assim que tive um mini enfarto, aleguei que estava em ligação, larguei tudo e corri pra ver. Estava no céu de felicidade, assim como toda a comunidade da internet que floodava as redes sociais em euforia me fazendo quitar do facebook de tão chato que isso estava.



Mero detalhe, até essa altura eu já tinha programado meu ps4, meu hype estava nas alturas e eu tinha esquecido qualquer outro jogo em questão, afinal era o título da minha vida e... BLA, BLA, BLA, vocês sabem.

Daí chegou o dia da notícia de transformar o jogo em forma episódica... e... okay... belo de um balde de água fria na minha alma. Hoje em dia, depois de ficar deprimido trancado no porão da minha casa, eu me acostumei um pouco mais com a ideia, mas devo dizer que isso me desanimou um pouco.


Enfim, posso dizer que mantenho certa positividade envolta do Remake, e espero bastante que ele me faça feliz, pois como tiete do jogo, não irei me abster de comprar todas as suas MIL partes divididas de forma filha da puta pela Square.

Não que eu tenha orgulho disso...

Mas pensemos em coisas que o remake pode nos proporcionar. Um Sephirot fora dos padrões em dificuldade como vemos em KH? Uma exploração maior entre as tramas com a AVALANCHE e a Shinra no primeiro disco do jogo? Biggs e Wedge sendo relevantes em mais uma de suas atuações dignas de oscar no mundo dos games? Invocações ao nível de FF XV, um gameplay upgradeado de Dirge of Cerberus no Vincent, são tantas as imaginações possíveis que mal consigo processar. E ora, mesmo que de alguma forma tudo dê merda, ainda temos o maravilhoso jogo original, e nesse ninguém mexe.

Considerações finais



Muito bem, e chegamos ao fim desse ARTIGÃO sobre o jogo que já deixei bem claro ser especial para mim. Ele não é melhor Final Fantasy já feito, tampouco o melhor JRPG já feito, porém com certeza é responsável pelas minhas mais divertidas memórias, e isso é o suficiente pra eu tê-lo como meu jogo favorito. É apenas uma opinião pessoal, não técnica, muito menos lógica. Simplesmente é um jogo do qual nutro uma ligação emocional, pelo menos zero uma vez todo ano e creio que cada um de vocês tem um desses também.

Sinceramente, não devo ter muito mais a dizer sobre FF VII que já não disse nesse artigo, a não ser que seja pra reclamar da fanbase, mas prometi a mim mesmo parar com essas coisas, afinal não sou um ranzinza cheio dos mimimis!

... ok, ok, só as vezes.

Obrigado pelas ZUMILHÃO de visualizações e obrigado por seguirem o blog! Devo dizer que boa parte dos leitores contribuem com ideias e comentários que admiro bastante. Esses 2 anos passaram voando e fico feliz que o projeto tenha evoluído e se mantido desde aquele dia que cheguei nuns infelizes e convidei pra montar um site. Sinceramente, espero mais anos vindouros ao lado desses arrombados de marca maior e de vocês leitores. Agora paremos com o momento fofinho antes que eu tenha um AVC.

Aguardem a provável continuação dessa vibe de VII aqui no blog e até dia MIL!!!



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