Hajime no Ippo: O "espirito de luta" na sua melhor forma


Hajime no Ippo, obra do autor George Morikawa, estreou em 1989 e é publicado até os dias de hoje, contando com mais de MIL capítulos lançados e seguindo como um dos mangás mais longos de seu nicho. 

Você provavelmente pode pensar em Dragon Ball ou Hokuto no Ken quando lembra de obras japonesas com LUTINHA, huh? Mas sabendo que Hajime no Ippo tem MIL capítulos praticamente dedicados a PURA trocação de soco num ringue cheio de sangue, suor e mandíbulas rangendo a cada volume, você pode redefinir um pouco seus conceitos da coisa.

Isso tem motivo, afinal esse é um mangá de esporte, mais precisamente de BOXE. 

Temos aqui o caso perfeito onde não é a narrativa que move as lutas, mas a lutas que movem a narrativa!





Eu vejo essas openings do anime e já começa aquela vontade de socar o ar aqui...

...

Que foi? Um adulto barbado não pode se divertir?

Vamos ao enredo, e podem ficar tranquilos, sem spoilers pesados dessa vez:

Tudo começa com Ippo, um jovem estudante solitário que sofre "BULÊM" constantemente graças ao seu jeito ridiculamente tímido e desajeitado de gerir a vida. 

O velho caso do fracote que apanha de valentões, sim.

Tudo muda quando, em mais um dia de rotina onde Ippo tem seus bagos arremessados no chão, este é salvo pelo boxeador profissional Takamura, que amedronta os valentões sem usar nenhuma violência, apenas com sua velocidade e técnica. Sensibilizado pela situação deplorável do garoto, Takamura o leva para sua academia de boxe, para que o infeliz possa tratar seus ferimentos.

Consequentemente, Ippo é instigado a pelo menos aprender o mínimo como se defender, e é nesse momento que lhe surge a chance de mostrar algum potencial, dando um baita SOCASSO num dos sacos de areia sem nem ao menos saber que era capaz disso.

O que lhe traz um sentimento que nunca tinha experimentado antes.

E uma mão em carne viva, porque nada vem fácil aqui...

VABÊI!!
Como fruto de seus anos de trabalho "pegando no pesado" ao ajudar sua viúva mãe num serviço de locação de barco de pesca, Ippo adquiriu um excelente condicionamento. Com toda essa força, poderia facilmente dar conta dos caras que chutam sua bunda no colégio, mas devido a  personalidade gentil e o fato de não acreditar em si mesmo, tinha muito medo de fazê-lo. De uma forma ou de outra, após esse dia na academia, pela primeira vez na vida, o garoto desenvolveu um interesse genuíno por algo. Querendo se dedicar ao esporte e finalmente saber o que é ser "forte", ele entra de cabeça no mundo do boxe em busca de dar o melhor de si. 

Como é de se esperar, o caminho é ingrime, e desde o começo Ippo é constantemente pressionado por provas de resistência, treinamentos intensos, amigos, treinador, adversários e claro, por si mesmo. 

Mas ver a trajetória desse jovem em busca de seu objetivo enquanto tem a cara literalmente amassada por cada curva no caminho é mais do que interessante e divertido. Essa é verdadeiramente uma daquelas obras que inspiram seu espectador!

Não acredita no que falo?


Ouçam "Hekireki" e me digam que vocês não sentem a vontade de sair por aí correndo e socando as pessoas. EU DUVIDO!

É figura de linguagem, apenas, ok, pessoal?  Figura de linguagem!

Um dia eu fiquei tão empolgado depois de ver Hajime que até saí do meu quarto e vi a civilização, depois de meses!


MIL capítulos

Eu vejo que geralmente a galera se assusta com o tamanho de Hajime no Ippo. Pudera, são mais de MIL capítulos, será que já repeti isso nesse artigo? A explicação pro tamanho, creio, está nas lutas.

Praticamente todas elas são retratada com muitos detalhes, passam longe da superficialidade. 

O autor faz questão de mostrar o embate dos lutadores de ambas as perspectivas, não só criando um background pra o mínimo de empatia por cada individuo no ringue, como também criando cenas de análise técnicas (cheias de referências reais) e psicológicas de todos os envolvidos. Posso dizer que essa série nunca é "preto no branco".

Os personagens suam, sangram, rompem seus limites de força e espirito de luta!

Você consegue sentir isso, seja lendo o mangá, que é hábil em retratar impactos e sangue voando do rosto da galera a cada porrada no meio da fuça, ou assistindo o anime, com seus exegarados efeitos sonoros de turbina de avião que o Jabão tanto ama, ou simplesmente por aquelas osts sensacionais que instigam até um Snorlax que tomou diazepan com maracujina e ainda fez uma maratona de Fate/Zero de bônus.

Ambos os jeitos de consumir Hajime No Ippo são ótimos, eu diria até que eles se complementam.

Gancho de direita tão bem colocado que dói até no leitor.
Esse mangá é o que, 5D?

Meu ponto é: fica fácil trazer novos personagens e novos backgrounds. E como todas as lutas são importantes, como todas são bem construídas, creio que é confortável criar conteúdo em cima desse contexto, por isso o exorbitante volume de capítulos. Unido a clara qualidade, logicamente.

Imaginem o quão bom um título deve ser pra chegar tão longe?

São mais de MIL capítulos, quantas vezes terei de repetir?!

Pois é.

Esse é verdadeiramente um mangá pra quem gosta de LUTA. Se esse é o seu caso e tu ainda não o leu, essa leitura é pra você.

Caso não for o seu caso, você vai se cansar rápido, certamente.

Sobre o anime, apesar de ser fiel ao que adapta muito bem,  tem o defeito de ser inconstante, o que deve prejudicar consideravelmente a sua visibilidade por aí. Sua primeira temporada, The Fighting, teve início nos anos 2000, e contou com 76 episódios. Após algumas OVAs em 2003, a segunda temporada, New Challenger, só veio sair em 2009, e nos deu mais 26 episódios. E por fim, tivemos Rising, em 2013, com 25 episódios.


DEMPXI LORu


Desenvolvimento da trama

Podemos resumir Hajime no Ippo como a trajetória de não só um grande atleta, como de vários outros em busca de se superar, certo? Basicamente temos momentos de treino e dedicação, o momento da luta como prova final, e os momentos tranquilos onde temos as maiores doses de humor da trama.

E cara, os momentos de humor são ótimos. Essa galera do Ippo é a síntese de amigos fanfarrões que quando se juntam e começam a fazer as piadas mais imbecis uns sobre os outros no processo, tá ligado? Se no começo você acha que eles vão ser só alguns NPCs randômicos, posteriormente percebe que essa história não funciona e jamais funcionaria sem eles.

Takamura é basicamente como o irmão mais velho da galera, sendo o principal motivador para que seus amigos descobrissem o boxe como algo incrível. Temos Aoki, que de longe é o que me faz mais rir de todos eles, graças ao seu peculiar gosto por mulheres "menos bonitas" e seu jeito irreverente de lutar. E por fim temos o ligeiro e analítico Kimura que consegue protagonizar ótimos momentos, não só de comédia, como de superação.

Eu poderia passar o dia citando todos os personagens detalhadamente, mas prefiro mandar vocês que ainda não foram irem ler de uma vez. A experiência é muito melhor.

Pra os que que já leram, sabem do que to falando.


É fácil de rir com eles. 

E fácil de chorar também.

E não posso esquecer dos momentos criados para acalmar a pura testosterona de socos rangendo mandíbulas que esse título exala.

SIM, fanservices! Eles existem em qualquer lugar!
É, estou falando com você, Tomoko. Médicas gostosas são populares, Persona 5 que o diga.
Mas voltando ao desenvolvimento, falemos de Ippo, que mesmo com o passar dos anos, onde ele já é um adulto, continua o mesmo tímido e atrapalhado de sempre, e que longe do ringue nem parece aquele extraordinário boxeador que se tornara com tanto empenho de tomar bifa na cara e resistir.

Desde cedo vemos que é só no ringue que Ippo muda completamente, é o lugar onde ele pode mostrar pros seus oponentes tudo que tem. Assim ele vai inspirando admiração deles, dos espectadores, e até mesmo daquela galerinha que fazia bullying na época da escola.

Eu diria que o "clichê" do protagonismo exista em Hajime no Ippo, sim. Mas eu ressalto que tudo é consideravelmente bem feito demais pra incomodar. Não que clichê seja necessariamente um demérito, mas vocês sabem, tem gente que reclama de tudo por aí.

Digo isso porque não quer dizer que Ippo sempre irá ganhar uma luta, e se vencer, não quer dizer que será uma vitória fácil, sem consequências para sua mente e corpo. E logicamente, o mesmo vale caso ele perca. Afinal, preparo físico e psicológico são constantemente bem retratados na obra, e o recorrente drama dos atletas ao lidarem com seu intenso estilo de vida torna-se bastante palpável para nós.

Inclusive o preconceito com lutadores estrangeiros, a displicência de treinadores com seus lutadores, os riscos de vida e saúde que eles estão sempre expostos. Pra quem não conhece boxe muito profundamente, é bastante interessante ter alguma ideia desses detalhes.



"O que é ser forte?" é o grande dilema existencial de Ippo na sua carreira como boxeador, é a grande resposta que ele procura. E como diria seu admirável treinador:

"O que ele procura não é um objetivo ou sequer uma "coisa"... É como tentar agarrar uma nuvem.

Esse é um caminho mais difícil do que ganhar qualquer título."

Só nos resta companhar a jornada do rapaz para ver se ele realmente conseguirá.

Considerações finais

Apesar da aparência, e apesar de ter tanta luta, Hajime no Ippo não tem esferas de energia do tamanho de uma mãe para destruir cidades, nem transformações ilógicas de puro rancor adolescente pós algum character ter morrido pra um vilão. 

Esse é um mangá de esporte, os grandes embates e conflitos são resolvidos com observação, técnica, resistência e principalmente espirito de luta durante uma luta no ringue cheia de regras. Claro que os personagens rompem os limites humanos várias vez, afinal isso ainda é um mangá! Mas todo esse contexto faz dessa obra uma experiência singular e sem dúvida empolgante para os que tiverem coragem e paciência de lê-la.

Eu garanto!

Espero que eu convença pelo menos um mancebo infeliz de ir ler ou assistir a maravilha citada hoje neste recinto. Se eu conseguir, o objetivo principal deste texto foi alcançado. E um dia eu volto pra falar de Ashita no Joe também.

TATAKAEEEEE!!

Ah, e antes que eu me esqueça, estamos perto de fazer aniversário mais uma vez, o que quer dizer que teremos... COMEMORAÇÃOOOOOO!

Yee...!!

...

Esse tempo tá passando rápido demais...

Até dia MIL procês!

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