2015




Era o final dos anos 90 e a Squaresoft ainda não havia se fundido com a Enix e virado esse jaburu que conhecemos hoje em dia. Ela tinha acabado de causar uma revolução insana em 1997 com aquele tal de Final Fantasy VII, solidificando o gênero JRPG aqui em terras ocidentais e mudando para sempre os rumos de sua principal franquia.

Dois anos depois mesmo com alguns problemas, Final Fantasy VIII deu continuidade a esse sucesso, mas se afastando cada vez mais daquele jeitão clássico dos FF’s antigões.

Pois é, parecia que Final Fantasy nunca voltaria atrás e aquela temática retrô estaria morta e enterrada nas memórias dos poucos doidos que conheciam os antigos.  Até que para a alegria desses e pra desconfiança de todo o resto, em 2000 foi lançado Final Fantasy IX, trazendo de volta castelos, cavaleiros, princesas, cristais, e todos esses elementos que fizeram Final Fantasy ser ignorado aqui no ocidente até Final Fantasy VII chegar.

Infelizmente por isso o jogo é rotulado até hoje por uns ‘’fãs’’ BOBOCAS (sim, apelo pra xingamento pesado mesmo) como apenas um Final Fantasy para agradar os fãs mais antigos as custas de um ‘’retrocesso’’ pra franquia.

Claro que não há como negar que seu design caricato e premissa simples remetem sim aos primeiros jogos, e não há problema NENHUM nisso, até porque é  justamente essa vibe que me deixou fascinado de longe por ele durante anos até tomar vergonha na cara e ir zera-lo, resultando em uma das melhores experiências gamisticas que já tive em toda minha vida.

Mas reduzir esse game a apenas um descartável oportunismo nostálgico safado é muito... muito ERRADO.

Apesar desses larápios merecerem um texto de xingamentos inteiro dedicado só pra eles, vou tentar deixar meu rage de lado e apenas falar do jogo em si — que apesar de sua simplicidade também consegue tocar em temas que me fizeram refletir mais do que imaginava.

Enfim, chega de enrolação e vamos começar!



"Um sonho... Uma memória... coisas lembradas quando estamos dormindo. Coisas esquecidas quando estamos acordados... Onde as camadas mais profundas das memórias se tornam as camadas mais externas dos sonhos.

 Quais são realidade? Quais são ilusão? Não se pode dizer até que se acorde... Ou talvez eles são, ao mesmo tempo, realidade e ficção. Uma vasta nebulosa... sem limites... 

Um vazio equivalente a minha própria existência."


Muitas das obras da ficção são como portais para se trabalhar com temas mais complexos que abrangem muitas vertentes do conhecimento humano ou da busca dele. Muitas vezes responsáveis por nos causar epifanias e incitar pesquisas, mas não sem antes nos deixar com cara de tacho olhando pro nada por um tempo.



Elas são como “atalhos” para expor certas informações, as mesclando com seus enredos e criando mensagens em cima deles, somando muitas vezes para nosso crescimento pessoal. Vemos muitos exemplos assim em nossa cultura pop. Livros, filmes, quadrinhos, cada um de sua forma única. E um em especial, do qual possuo absurda admiração, são os games, capazes de nos causar uma sensação de imersão mais do que singular.  

São experiências incríveis.
Algumas das maravilhas.

Eu já divaguei sobre isso no primeiro artigo AQUI do blog, e finalmente comemorando o aniversário de 1 ano de vida desse site, irei dedicar um texto a um dos exemplos que mais sintetizam a capacidade que um jogo eletrônico — seguindo essa ideia de expressão — pode alcançar.

FINALMENTE hoje é dia de Xenogears, pessoal! YEEY!!!

"E o que esse jogo tem demais, seu infeliz em chamas, por que ele merece essa atenção especial?! DIGA-ME!".

É justamente o que iremos ver nesse artigo. Então comecemos de uma vez a falar dessa maravilha, mas vamos com calma, primeiramente, sem spoilers, depois partimos pra entender as mensagens cativantes que essa obra tende a nos passar, eu os avisarei o momento.


Sobre o jogo

O ano é 1998, a falecida Squaresoft ainda vivia com tudo nos seus tempos de ouro e a demanda dessa época era criar JRPGs com enredos e personagens bem trabalhados – certamente, a melhor era que o mundo dos games já viu, em minha humilde e boba opinião. Que diferença da demanda dos FPS genéricos de hoje, huh? Mas vamos lá, não quero dar uma de ranzinza aqui. Afinal, como já disse, mesmo com os meus poucos 85 anos, consigo observar que hoje em dia ainda sai muita coisa incrível! Estou no limiar da juventude observando as novas gerações enquanto escuto Alice in Chains no meu Walkman, tão pensando o quê?

Ai minhas costas...




"O sonho que o nosso planeta antes tinha, derrotou a escuridão e trouxe de volta um futuro brilhante.

Entretanto, esse era apenas o começo de um novo pesadelo...

A Batalha final pelo tesouro lendário, "O Frozen Flame"...

Uma batalha entre dragões, humanos, e o destino, que vai exceder até mesmo o tempo e espaço...

Está prestes a começar...

O sonho do nosso planeta

ainda não acabou..."


Qual é a coisa que mais te fascina num jogo? Diversão? Gráficos? Gameplay? Trilha Sonora? Sim, eu estou te perguntando, lazy arse!

A minha parte favorita num jogo é sempre a trama que ele me apresenta, e sim, as vezes é independente se o jogo é "meh" em outros quesitos, no fim é isso que sempre me cativa mais.

Mas não é por isso que eu não amo outros jogos também, adoro Sonic de todo coração, Mario, Gears of War, Uncha... naaah, esse só presta o segundo. Mas apesar de tudo, o que tende a me interessar é a história que eles proporcionam. Se Dark Souls fosse como 70% das pessoas pensam que é, (gameplay, gameplay, gameplay!) eu provavelmente nem estaria muito interessado no garoto, por exemplo!

Enredo, um mundo bem construído, personagens e situações interessantes, a imersão, são poucos os jogos que consegue fazer isso tão bem! Xenogears, alguns Final Fantasys, os Silent Hills, os Tales, Breath of Fire, os Shin Megami Tensei, todos esses jogos que eu amo me fascinaram não pelo gameplay e a diversão em si, mas pelo o que eles queriam me contar e me passar.

E bem, Chrono Cross é até hoje o que mais me surpreende nesses aspectos.



Chrono Cross, como vocês já estão cansados de saber, é o jogo que define a melhor parte da minha vida, e além das paradas que ele tinha me apresentado, como jogabilidade, gráficos e trilha sonora, aquela atmosfera que ele criou com o enredo dele me pegou de surpresa, e até hoje ele me surpreende com isso.

E é por isso que estou aqui hoje, se antes eu queria me reservar a apenas ao jogo em si, aqui eu quero me reservar apenas viajar e me aprofundar na sua história.

Estou de volta com Chrono, e se você não sabe muito bem do que se trata, pode começar lendo esse artigo AQUI onde eu fiz (ou tentei) um review do jogo, quem sabe eu não convenci ou convenço uma alma a conhece-lo, ou a rejoga-lo, discuti-lo, enfim!

Muitas das informações desses textos foram retiradas do site Chrono Compendium, e boy, se você é fã de Chrono, esse é o lugar certo pra tirar muitas duvidas, ganhar informações, e teorizar a respeito de Chrono!

Nem preciso falar que vai rolar SPOILER na sua melhor forma, né?



Esse é o jogo que mudou minha perspectiva sobre essas obras. Foi algo que estranhamente me prendeu na época e eu não entendia o porquê, mas nenhum outro jogo havia feito aquilo comigo. Só sei que o joguei incontáveis vezes.  

Estava totalmente submerso naquele mundo paradisíaco. Diabos, logo na tela de apertar o Start o jogo já havia me fascinado! Era como apertar o start e entrar num paraíso, ao menos eu acho que é assim que eu me sinto hoje em dia.



Bom, Chrono Trigger foi desenvolvido pela "Dream Team", uma equipe que tinha uma caralhada de gente boa envolvida, só podia sair algo muito especial de uma parceria gigantesca dessas. Vendo por um lado, ele parece um tipo de divindade suprema, e pra muitas pessoas ele é exatamente isso. Chrono Cross teve a difícil missão de ser a continuação desse jogo, e muitas pessoas simplesmente não puderam aceita-lo pois ele se distanciava de várias coisas do anterior, além de não controlamos os mesmos heróis do jogo passado.

É como um jogo novo, um sucessor espiritual de Chrono Trigger, mas a verdade é que ele é uma continuação direta. É isso isso ai galera, a Squaresoft (RIP) foi ousada e tentou esse movimento maluco, e mesmo que metade da Dream Team não tenha feito parte do desenvolvimento de Chrono Cross, os que restaram tentaram o seu melhor para criar um jogo ás alturas. Não sei bem qual foi o maior objetivo com Chrono Cross, eu não acho que tenha sido o mesmo que foi com CT, mas conseguiram criar algo único, um pouco distante do antecessor, mas ainda assim remete o mesmo em alguns aspectos e apresenta novos aspectos de uma forma sem igual.

E olhem só, esse é o jogo em que Yasunori Mitsuda compôs as melhores musicas da vida! 


Um dos pontos mais criticados de Chrono Cross é o fato dele não ter os personagens principais do jogo anterior e ter feito algo "cruel" com os mesmos neste futuro extremo de CC, mas pra mim esses fatos são algo que dão um charme enorme no enredo, mostrando que as vezes não existe final feliz no fim das contas.

Mas isso é assunto pra outra hora. Aqui eu só quero falar do jogo e unicamente sobre ele. Suas mecânicas, gráficos, trilha sonora... essas coisinhas! E claro, falar o que esse jogo significa pra mim. 

Vamos ao REVIEW!



Escassos são os que possuem tais almas brilhantes. Gravelord Nito, a bruxa de Izalith, os Quatro Reis de New Londo, herdeiros dos fragmentos da alma de Gwyn... e o ex-confidente do Lord Gwyn, Seath o Descamado. Todas as suas almas são necessárias para saciar o Lordvessel. 
...
Você está pronto?


E como planejado, trago a continuação da série "Cronologia do lore de Dark Souls" aqui deste recinto multiversal que é o blog MIL! Para os que estão chegando agora ou simplesmente pra quem quer recapitular, vocês podem conferir:

Parte 1: AQUI

Parte2: AQUI

Cronologia Dark Souls 2: AQUI

Cronologia Demons Souls que não tem ligação direta mas merece amor também: AQUI

E antes de qualquer coisa, como sempre digo, Dark Souls é uma série com a maioria dos seus eventos e elementos subjetivos, o que não dá direito de alguém afirmar praticamente nada com 100% de certeza. Mesmo que sempre tenha um que insista... Urgh.

Eu particularmente prefiro pesquisar lendo wikias, trivias ou descrições de itens, simplesmente porque prefiro ler. Porém, apesar de não ser do meu feitio, gosto bastante de assistir alguns canais do youtube, e um deles, o qual considero A referência pra qualquer um que gosta dos lores de Dark Souls, é o canal do Epic Name Bro, que eu recomendo DEMAIS, (apesar de saber que 99,9% de vocês já tão ligado nisso). Existem outros canais muito bons também e que não duvido que vocês ganhem mais os vendo do que lendo esses meus artigos. Mas enfim, pra vocês que ainda quiserem continuar desbravando esse blog, sigam-me.

Vamos ao artigo de uma vez!



"Somente, nas antigas lendas afirma-se, que um dia um "undead" deve ser escolhido para deixar o asilo dos mortos-vivos, em peregrinação, para a terra dos antigos Lords, Lordran."

E Dark Souls está de volta no blog MIL!!! YEEEEEEEEE!

Como eu havia dito, antes mesmo de criar o blog, eu já tinha em mente a vontade de falar deste que eu considero o meu terceiro mindblow no mundo dos games. Que pra mim, entrou na categoria “jogo que te faz jogar até seus dedos caírem e nascerem de novo”, e ainda foi além, por me fazer repetir esse processo mais do que o normal. 

Mas enfim, não pretendo contar o quanto esse jogo foi relevante para mim, pelo menos não de forma convencional. Nesse momento, eu irei continuar diretamente uma das minhas primeiras séries AQUI do blog, Cronologia do lore de Dark Souls, agora com o foco no que acontece IN-GAME. Como vocês devem saber, Dark Souls possui dois finais que redefinem um ciclo de eterno retorno em seu enredo.


Mas, e os fatos e caminhos para se chegar nesses destinos? E a história por trás do mundo atual, dos lugares e sobre os seres que nele vivem? Hoje no globo repórter... É justamente sobre isso que eu irei abordar aqui. Com certeza eu terei mais espaço e tempo para divagar sobre detalhes que tanto me fascinam nesse misterioso mundo do jogo e ainda a oportunidade de linkar os eventos com sua continuação, Dark Souls 2, que por sinal também já tem sua cronologia AQUI.

E mais uma vez, ressalto que praticamente tudo nessa série é ambíguo e isso não dá direito de ninguém afirmar 100% quase nada. Aqui irei expor observações pessoais, interpretações e teorias, explicando no processo, junto dos acontecimentos do game. Sinta-se livre para indagar, afinal, é o certo a se fazer quando estamos "loreando" Dark Souls.

Então, leitores que pairam nesse recinto multiversal, deixemos de enrolar e comecemos com esse artigo de uma vez!



Uma série única e que precedeu vários elementos nunca antes vistos nos games durante a sua trajetória. A complexidade do enredo, dos eventos que o contam, do gameplay e o do que mais pesa pra nós, a grandiosa interação dos personagens e seus conflitos internos e externos em colisão, são realmente de impressionar.

 Apesar de não ser a primeira nem a única série a trabalhar o lado social e emocional do ser humano de uma forma tão verdadeira, ela é com certeza única em sua forma de narrar todo o emaranhado de acontecimentos e uni-los, finalmente, a um gameplay tão bem arquitetado quanto a sua história.

Pois é, galera, um artigo MEGA ESPECIAL no Blog MIL, onde nós pretendemos abordar a série do nosso jeito, sendo três autores, cada um com suas particularidades e se focando em determinado tema e jogo da série. Mais apresentações são desnecessárias, creio, então vamos direto ao assunto!

Ah, e... SPOILER SPOILER SPOILER!!! Não jogou os games da série? Vai jogar, e se quiser, depois volta aqui. Estejam avisados.

Começando com o Pirata Verde, Vann.

Metal Gear Solid 1 - O destino definido pelos genes





Metal Gear Solid foi um jogo que marcou uma geração e trouxe de volta o gênero Stealth como nunca. Como é de costume da série, a cada jogo que passa só melhorias acontecem, tanto que Metal Gear continua se reinventando até hoje, mostrando mecânicas novas a cada título.



Aproveitar a vibe de Gorillaz e por que diabos não mostrar um pouco do artista responsável por dar vida aos personagens?


Jamie Hewlett tem uma arte muito única e traços inconfundíveis. O jovem rapaz, que é amigo de Damon Albarn, e juntos são responsáveis pela ideia da banda Gorillaz. Mas fora desse lado, Jamie participou de outras paradas. Também foi um dos responsáveis pela famosa HQ Tank Girl, que é a maior loucura não só na leitura, como também visualmente, coisa que Hewlett faz melhor que ninguém.


No final dos anos 90, dois amigos tiveram a ideia de criar uma banda, mas... uma banda "diferente". Seus componentes seriam fictícios, e diferente de muitas outras bandas do tipo – até então, a maioria se tratava de alguma paródia ou tinha o foco infantil – seus background e estilos seriam totalmente originais.  

Essa ideia surgiu enquanto ambos assistiam a MTV e pra quem se lembra, antes de virar uma tralha teen, era um canal realmente musical, psicodélico e cheio de propagandas surreais aqui no brasil, acredito que a gringa devia ser assim também.


Eles diziam que "passar muito tempo assistindo a MTV era um pouco como o inferno". Eu não discordo deles, aquelas propagandas eram um LSD visual... 

Ou coisa do DEAAAABO.

Enfim, esses amigos eram nada mais nada menos, que Damon Albarn, vocalista da banda Blur, e Jamie Hawlett, famoso por ter sido um dos artistas que trabalharam em Tank Girl, que em uma época de suas vidas dividiram um apartamento.


Uma palavra pra resumir esses dois? QUALIDADE! E em breve, um artigo sobre os trabalhos fenomenais de Jamie.




Pelo menos pra mim, o mais fascinante de uma boa história não é apenas ela em si, mas os mistérios que elas deixam em aberto para a galera especular. Sim, enredos sutis o suficiente para deixar os fãs malucos em fóruns e sites obscuros são meus preferidos (não é atoa que sou fascinado por Dark Souls e Berserk) e eu admito que viajo lendo várias teorias, até mesmo as bem malucas (mas tem algumas tão viajadas que extrapolam até o meu gosto por maluquice).

Enfim, meu fascínio por histórias desse tipo me levou a conhecer uma das mais incríveis obras que eu já vi : As Crônicas de Gelo e Fogo... ok, o que me fez conhecer foi a série Game of Thrones, mas meu fascínio por enredos misteriosos também ajudou, juro. Quem pensa que o único talento do criador da obra, George R. R. Martin, é nos fazer gostar dos personagens para depois mata-los das formas mais cruéis possíveis e traumatizar todo mundo, está enganado. Eu acho incrível como ele conseguiu criar um mundo rico, complexo, cheio de mitologia e mistério. E pra mim um dos mistérios mais intrigantes desse mundo (assim como da vida real) são as religiões e seus deuses.

Eu sei que falar de religião e deuses (até mesmo fictícios) é complicado. Já vi algumas pessoas tretando em fóruns por aí — tipo uma guerra santa virtual — defendendo que uma religião é verdadeira e a outra não, e vi outros brigarem por não acreditarem de jeito nenhum que existem deuses no mundo de As Crônicas de Gelo e Fogo. Pois é, ainda estamos falando de uma obra fictícia aqui, acreditem. Enfim, eu não sei se os deuses existem, mas eu sei (e acredito que vocês também) que existe algo mais por trás de algumas religiões e crenças nas Crônicas, sendo deuses ou não. E é sobre isso — e outras coisas  — que pretendo falar aqui.

Começando pelos deuses antigos do norte. Vou tentar falar sobre a história dessa crença, da cultura e dos povos que a seguem, e principalmente, tentar explicar e teorizar sobre a magia, os mistérios, e a importância desses deuses para a história em geral e para os próximos livros (e serve até para a série também, eu acho). E pra isso vou ter que dar alguns SPOILERS, principalmente do Bran no quinto livro, A Dança dos Dragões. 

Está avisado hein.

Os deuses antigos quando não eram antigos


A adoração aos deuses antigos vem de muito, mas MUITO tempo atrás, em uma era conhecida como Era da Aurora, a primeira era conhecida do mundo (o que não significa que é a primeira, e sim que não se sabe de nada da história antes dela). Nessa época o continente de Westeros não era habitado por humanos, e era predominado por duas raças, os Gigantes e os Filhos da Floresta. Os Gigantes eram bárbaros, viviam em cavernas  e não adoravam nenhum tipo de deus (que eu saiba), já os Filhos da Floresta eram totalmente diferentes.



Pequenos e frágeis como crianças (eu imagino eles como pequenos elfos) eles viviam dentro de bosques, florestas, cavernas, e era um povo muito unido (pelo menos é a impressão que eu tenho). Na verdade ‘’Filhos da Floresta’’ é um nome dado a eles pelos Primeiros Homens quando esses chegaram em Westeros, por causa da aparência infantil deles. O que é engraçado, pois por viverem muito mais tempo e serem muito mais sábios do que os humanos, os Filhos na verdade consideram os humanos as verdadeiras crianças (o que é bem verdade).

Eles chamam-se  entre si de ‘’aqueles que cantam a canção da terra’’, pois tinham uma conexão muito forte com a natureza, talvez uma conexão maior do que qualquer outra espécie no mundo. E através dessa forte conexão que o culto aos deuses que ainda não eram antigos teve seu início. Os Filhos criaram a adoração aos deuses e todas as suas tradições. Uma crença que não precisa de livros, credos, sarcedotes... tudo o que eles precisavam era a própria natureza. Eles preservavam os represeiros, árvores de tronco branco e folhas vermelhas, pois segundo a crença comum, os Filhos acreditavam que os represeiros eram sagrados para os deuses. Por isso mesmo eles esculpiam rostos nessas árvores, para que os deuses pudessem observar e proteger seu povo através dos represeiros. Tudo de importante era feito diante dos represeiros, pois não havia mentiras diante dos deuses (devo ter escrito ‘’deuses’’ umas MIL vezes só nesse parágrafo, imagina no artigo todo quando acabar).

E então os Primeiros Homens invadiram Westeros através do Braço de Dorne — que ligava Westeros a outro continente e terra natal dos homens, Essos. Eles encontraram os Filhos, viraram amigos e viveram felizes durante muit...pff, claro que não. É de humanos que estamos falando afinal.

O que na realidade aconteceu é que os Primeiros Homens chegaram na nova terra, com bronze e cavalos, e começaram a queimar os represeiros sagrados, o que certamente emputeceu demais os Filhos. E assim começou a guerra entre Filhos da Floresta e Primeiros Homens, uma guerra que não durou muito, durou apenas uns DOIS MIL ANOS. Sério, DOIS MILÊNIOS DE GUERRA. Eventualmente as duas partes fizeram um Pacto pra acabar com a pequena treta, e passaram a viver pacificamente desde então.



O Pacto dividiu terras para ambos os lados, com os Filhos ficando com os bosques e os primeiros homens com todo o resto. Foi a partir de então que os homens começaram a construir seus reinos e castelos por todo continente. Existe algumas teorias de que casamento entre Filhos e Primeiros Homens também faziam parte do pacto, e os nortenhos da atualidade são descendentes dessa união. Apesar de eu curtir essa teoria, não é nada confirmado. Falo mais disso depois.

Essa é a ilha onde foi feito o Pacto. Os Filhos esculpiram rostos em diversos represeiros na ilha para os deuses presenciarem o Pacto, e a ilha ficou a partir de então conhecida como Ilha das Faces


Os Filhos resolveram ensinar sobre os deuses para os Primeiros Homens, e esses caíram na armadilha aderiram a essa crença, passando a seguir todas as suas tradições, inclusive construindo bosques sagrados dentro de seus castelos com um único represeiro como forma de adoração aos deuses. Esses represeiros são chamados de árvore-coração. A crença nesses deuses foi abalada quando, muito tempo depois, um segundo grupo de humanos — mais avançados do que os Primeiros Homens, com armas e armaduras de ferro — invadiram Westeros. Esses eram os vândalos Andalos, que trouxeram uma nova fé consigo, a Fé dos Sete. Eles destruíram os represeiros, guerrearam contra os Filhos e contra os Primeiros Homens, e tomaram boa parte de Westeros no processo, substituindo os deuses dos Filhos pelos seus novos deuses (foi a partir de então que os deuses dos Filhos ficaram conhecidos como deuses antigos).

Esses orelhudos são os Filhos enfrentando os Andalos


Mas os Andalos por mais fodões que fossem, não conseguiram tomar o norte de Westeros para si, por isso os nortenhos são praticamente o único povo de Westeros que ainda tem sangue dos Primeiros Homens e seguem a crença dos antigos deuses. Sim, o povo nortenho é extremamente fiel a seus ancestrais e graças a eles a fé nos antigos deuses se mantém viva até os dias atuais.

Ok, mas o que são exatamente esses deuses antigos? A resposta mais óbvia e segura é de que eles são ‘’elementais’’, apenas espíritos da natureza. Faz sentido, pois os Filhos são bastante ligados a natureza mesmo. Mas porque eles consideram os represeiros tão especiais?  .

‘’Os meistres lhe dirão que os represeiros são sagrados para os deuses antigos. Os cantores (Filhos da Floresta) acreditam que os represeiros são os deuses antigos. Quando os cantores morrem, passam a fazer parte dessa divindade’’ (A Dança dos Dragões, Bran III)
                                                                                                   

Então, ao contrário da crença popular (crença essa difundida pelos meistres, tão confiáveis quanto os historiadores da vida real) os represeiros não são apenas um símbolo sagrado para os Filhos, eles são os próprios deuses antigos. Para entender do porque é preciso falar de algo que não falei ainda...

A magia dos Filhos da Floresta



Na minha opinião os Filhos tem uma relação bem diferente com seus deuses em comparação aos humanos. É inegável que os homens levam sua crença muito a sério, mas é apenas uma superstição (do tipo...'' ah to com problema, vou ali rezar na árvore'') uma tradição passada de geração em geração nas famílias dos homens. Já os Filhos, por serem tão ligados assim com a natureza, tem uma ligação direta com seus deuses através de magia. Os Filhos por si só já são uma espécie bem ''mística'', alguns eram troca-peles, podendo entrar na mente de um animal e controla-lo, outros tinham sonhos proféticos conhecidos como sonhos verdes, mas existiam alguns indivíduos extremamente raros e especiais dentre eles com um poder mágico muito além dos outros. Existe uma lenda de que esses ''escolhidos'' usaram o poder da natureza através de sua poderosa magia durante a guerra com os Primeiros Homens para quebrar o Braço de Dorne, tentando impedir que os homens chegassem a Westeros (é apenas uma lenda não confirmada, mas tal poder poderia explicar porque uma raça tão frágil como os Filhos conseguiram lutar por dois milênios com os Primeiros Homens). Esses magos poderosos eram chamados de videntes verdes.

Os videntes verdes pra mim são um dos conceitos mais fascinantes de todo o mundo de As Crônicas de Gelo e Fogo. Eles ''fundem'' suas consciências — seu próprio ser — com um represeiro, e ai que entendemos o que de especial tem essas árvores. Os videntes verdes se tornam um só com a rede de represeiros espalhados pelo mundo, conseguindo manter seus corpos vivos mesmo depois de MUITO tempo, e viajam com suas consciências pelo próprio tempo e espaço para observar através dos represeiros.

''Bran fechou os olhos e libertou-se da pele. Para dentro das raízes, pensou. Para dentro do represeiro. Transforma-te na árvore. Por um instante conseguiu ver a caverna no seu manto negro, conseguiu ouvir o rio a correr em baixo. 

Depois, de repente, estava de novo em casa. 

O Lorde Eddard Stark estava sentado numa pedra ao lado da profunda lagoa negra no bosque sagrado, com as pálidas raízes da árvore-coração a retorcerem-se à volta dele como os braços nodosos de um velho. A espada Gelo estava ao colo do Lorde Eddard, e ele limpava a lâmina com um oleado. 

— Winterfell— murmurou Bran. 

O pai ergueu o olhar. 

— Quem está aí? — perguntou, virando-se... 

... E Bran, assustado, afastou-se. O pai e a lagoa negra e o bosque sagrado desvaneceram-se e desapareceram e ele viu-se de volta à caverna, com as pálidas e grossas raízes do seu trono de represeiro a embalar os seus membros como uma mãe embala um filho. Um archote ganhou vida na sua frente.''  (A Dança dos Dragões, Bran III)

Aqui acabamos de presenciar Bran — que está treinando pra liberar seus dons de vidente verde (falo disso depois) — voltando no tempo e vendo seu pai no bosque sagrado de Winterfell (que foi? Eu disse que teria uns spoilers, não vá me xingar).

Por mais maluco que isso possa parecer, é por isso que os represeiros são tão importantes para os Filhos: eles fazem seus videntes verdes transcender o próprio tempo e espaço e observar eras e eras através dos represeiros (e ainda já vi gente falando que os POV do Bran são perda de tempo, sendo que revela um dos conceitos mais fodas de todo universo da obra. Parabéns pra essas pessoas! Vocês são demais!).

''Um leitor vive mil vidas antes de morrer — disse Jojen. — O homem que nunca lê só vive uma. Os cantores da floresta não tinham livros. Não tinham tinta, nem pergaminho, nem língua escrita. Em vez disso tinham as árvores, e acima de tudo os represeiros. Quando morriam, transferiam-se para a madeira, para folhas e ramos e raízes, e as árvores recordavam. Todas as suas canções e feitiços, as suas histórias e preces, tudo o que sabiam sobre este mundo. Os meistres lhe dirão que os represeiros são sagrados para os deuses antigos. Os cantores acreditam que eles são os deuses antigos. Quando os cantores morrem, passam a fazer parte dessa divindade.'' (A Dança dos Dragões, Bran III)

A partir disso não é muita loucura dizer que os videntes verdes tem acesso a todo um histórico de informações de várias gerações passadas — ou até passa a fazer parte de uma espécie de consciente coletivo de todos os antepassados— nesse sentido, os videntes verdes são equivalentes a xamãs, uma pessoa especial da tribo que tem acesso a um conhecimento transcendental, uma ponte que liga o mundo material com a sabedoria de um ''mundo superior''.

Mas apesar de tudo isso fazer parecer que eles são magos extremamente poderosos, não acho que eles poderosos no sentido exagerado de, sei lá, summonar um meteoro na hora que quisessem. Acho que a influência deles no mundo é sútil, não algo direto e overpower que possa parecer um Deus Ex Machina na história (talvez a influência deles era mais direta na guerra contra os Primeiros Homens porque estavam no seu auge de poder, mas mesmo assim não era tão exagerado pois não conseguiram nem vencer a guerra). E outra, eles podem viajar pelo tempo, mas não pode muda-lo, apenas aprender com ele (imagina a bagunça que história não viraria se eles pudessem mudar o passado ou futuro?)

Importante dizer também que os represeiros não tornam uma pessoa um vidente verde, ela já nasce um. Um represeiro apenas expande seu poder... mas como diabos eles fazem isso?.

O sacrifício de sangue aos ''deuses''



''Tinha uma tigela de represeiro nas mãos, esculpida com uma dúzia de caras como aquelas que as árvores-coração ostentavam. Lá dentro trazia uma pasta branca, espessa e pesada, com veios vermelhos escuros a atravessá-la. — Tens de beber disto — disse Folha. Entregou a Bran uma colher de pau. 

O rapaz olhou para a tigela com incerteza. 

— O que é? 

— Uma pasta de sementes de represeiro. 

Algo no aspeto da coisa deixou Bran maldisposto. Supunha que os veios vermelhos fossem só seiva de represeiro, mas à luz dos archotes pareciam-se notavelmente com sangue. Mergulhou a colher na pasta e hesitou. 

— Isto fará de mim um vidente verde? 

O teu sangue faz de ti um vidente verde — disse o Lorde Brynden. — Isto vai ajudar a 
despertar os teus dons, e vai casar-te com as árvores.''  (A Dança dos Dragões, Bran III)

Ai vemos que um vidente verde já nasce sendo vidente verde, mas a seiva dos represeiros desperta e amplifica os seus poderes. Mas o que há de especial nessa ''seiva''? Existe uma famosa teoria de que essa seiva que o Bran toma na verdade é sangue do seu amigo Jojen. Essa teoria é controversa e muita gente se recusa a acreditar nela porque eles acham inaceitável que Bran, um dos supostos ''heróis'' da história faça canibalismo ao beber o sangue de uma pessoa ( ainda mais de um amigo). Bem, independente de ser sangue do Jojen ou não, eu acredito que é realmente sangue que ele tomou. Isso porque é dito que no passado eram feitos sacrifícios humanos para os deuses. E uma outra passagem do livro — quando Bran tem outra visão de um passado ainda mais distante — parece indicar isso.

''E agora os senhores que Bran vislumbrava eram altos e duros, homens severos vestidos de peles e cotas de malha. 

Alguns tinham caras de que ele se lembrava das estátuas nas criptas, mas desapareciam antes de conseguir ligar um nome a essas caras. 

Depois, enquanto ele observava, um homem barbudo forçou um cativo a cair de joelhos perante a árvore-coração. Uma mulher de cabelo branco aproximou-se deles através de um monte de folhas caídas, vermelhas escuras, com uma foice de bronze na mão. 

— Não — disse Bran — não, não faça isso— mas eles não conseguiam ouvi-lo, tal como o pai não o ouvira. A mulher agarrou o cativo pelo cabelo, encaixou a foice em volta da sua garganta e cortou-a. E através da névoa dos séculos, o rapaz quebrado só conseguiu observar enquanto os pés do homem tamborilavam na terra... mas quando a vida fluiu para fora do seu corpo numa maré vermelha, Brandon Stark conseguiu saborear o sangue.'' (A Dança dos Dragões, Bran III).

Isso não é uma prova concreta, mas é algo considerável. Segundo a teoria, sacrifício de sangue oferecidos aos represeiros é o que desperta os poderes de um vidente verde, lembrando que sangue  é um conceito mágico muito importante no mundo das Crônicas, então não é nenhuma maluquice pensar que sangue poderia aumentar os poderes mágicos dos videntes verdes. Isso é uma teoria que eu particularmente acredito. Agora, se o sangue que o Bran tomou foi do Jojen mesmo, só vamos saber quando o próximo livro sair, no dia MIL. E outra, seria por isso que os Filhos resolveram ensinar sobre os deuses para os Primeiros Homens e converte-los  para essa crença? Para além de espiona-los através dos represeiros, faze-los sacrificarem pessoas para aumentar seus poderes? Quem sabe...

Outra coisa que quero destacar é que pelo que eu saiba, os videntes verdes surgiram no passado dentre os Filhos da Floresta — e apenas dentre eles. Então, por que humanos como Brynden Rivers e Bran são vidente verdes? A resposta, o próprio Brynden Rivers nos deu ali acima.

A linhagem mágica do norte 


''O teu sangue faz de ti um vidente verde''

Então, se os dons mágicos dos videntes verdes (e até alguns menos poderosos, como troca-peles) surgiram e estão ligados aos Filhos da Floresta, essa frase de Brynden Rivers praticamente confirma a teoria de que houve casamentos entre os Filhos e os Primeiros Homens,  e assim suas linhagens se mesclaram. Talvez foi realmente parte do pacto. Além disso, apenas pessoas com sangue do norte (os únicos descendentes dos Primeiros Homens) até agora demonstraram habilidades semelhantes aos Filhos da Floresta, como trocar de peles. Sim, essa teoria está fazendo total sentido  mas aposto que alguns de vocês estão pensando: ''ô retardado de nome estranho, e esse Brynden Rivers, hein? Ele é nortenho? Claro que não, acabei de fazer uma pesquisa na wiki e vi que ele é Targaryen. Cala boca ai você, só fala bosta, essa teoria não tem nada a ver!''

Bloodraven é um dos personagens mais fodões dessa história, e se você discorda, sinto lhe dizer... você é um bobalhão!


Primeiro de tudo, acalme-se, nada de exaltações. Vamos falar brevemente de Brynden Rivers, mais conhecido como Bloodraven. Ele realmente é Targaryen, um dos filhos bastardos de Aegon IV, rei mais desprezível dos Sete Reinos. O Reino e a família Targaryen pelo que parece eram bem importantes para Brynden, que serviu como Mão do Rei e praticamente comandou o reino durante muito tempo, além de lutar do lado dos Targaryens e matar seu meio irmão também bastardo Daemon I Blackfyre — em uma rebelião causada indiretamente pelo pai Aegon, que no leito de morte legitimou todos os seus bastardos. Já nessa época, Brynden tinha fama de mago, era dito que ele tinha ''MIL olhos e mais um'' e sabia de tudo o que acontecia no Reino (os mais céticos dirão que ele apenas tinha espiões, tipo um Varys da vida, mas acredito que essa fama dele tem a ver com sua habilidade de trocar de peles).

Tempos depois foi enviado para a Muralha por ter matado um dos filhos de Daemon, Aenys Blackfyre, quando não deveria ter matado, e logo se tornou Senhor Comandante da Patrulha da Noite — sim, ele comandou o Reino como Mão e comandou a Patrulha da Noite como Senhor Comandante, esse cara é foda. Depois Brynden desapareceu nas terras pra lá da Muralha e foi dado como morto (mas todos sabemos o o que aconteceu com ele).

Mas o que muitos se esquecem por não prestar atenção na parte feminina da linhagem é que a mãe de Brynden é Melissa Blackwood, e a Casa Blackwood são descendentes dos Primeiros Homens. Então, Brynden Rivers tem sangue de Targaryen e dos Primeiros Homens, o que o torna duplamente foda e não desvalida a teoria.

Na minha opinião dar o poder de videntes verdes para os Primeiros Homens através da linhagem sanguínea foi um dos motivos para que os Filhos tenham aceitado o Pacto e o suposto casamento entre ambos. Mas não porque eles queriam compartilhar esse poder com os humanos, até porque foram esses que causaram guerra e tanta destruição, dar um poder desse tipo a eles seria muito perigoso...e burro, muito burro. Eu acho que eles fizeram isso como uma garantia de que, se a quantidade de Filhos da Floresta diminuísse muito e não tivesse mais nenhum vidente verde disponível, eles poderiam se esconder e usar os videntes verdes humanos a seu favor. E isso eventualmente aconteceu.

Primeiro teve a apocalíptica Longa Noite, o inverno sem fim onde segundo as lendas, os Filhos e Primeiros Homens tiveram de se unir e lutar contra os misteriosos Outros (ou White Walkers) na sangrenta guerra que ficou conhecida como Batalha da Aurora. 

A Longa Noite foi um evento global e diversas culturas a descrevem de maneira diferente, mas a maioria tem algo em comum: um herói lendário que acabou com a escuridão


Depois veio a também sangrenta invasão dos Andalos, que além de dizimarem boa parte dos Filhos e dos Primeiros Homens, destruíram os represeiros em boa parte de Westeros... o que deve ter enfraquecido o poder dos poucos Filhos que sobreviveram.  Talvez eles viram esse futuro sombrio e cheio de terrores e decidiram garantir o poder de sua magia na linhagem dos Primeiros Homens, mas revelariam esse poder a eles apenas quando fosse conveniente. Nos mais de MIL anos de paz entre Primeiros Homens e Filhos da Floresta antes dessas tretas, é possível que muitos humanos fossem videntes verdes mas passaram suas vidas todas sem saber, porque não desenvolveram seus poderes. Somente quando a coisa apertou para os Filhos que eles resolveram revelar os poderes mágicos aos videntes verdes humanos e usa-los a seu favor.

Claro que essa é uma teoria que acabei de bolar aqui, sinta-se livre para repudia-la e me xingar se quiser... ou pegar de maneira mágica uma parte do livro que contrarie essa teoria. Sério, não sei como a fanbase das Crônicas conseguem achar precisamente as citações dos livros de maneira tão rápida. Ou vocês tem uma baita memória ou são bruxos. BRUXOS!

Enfim, eu acho que os Filhos estão usando videntes verdes — como Brynden Rivers, Bran, e talvez outros antes deles que não sabemos — com algum propósito.

O objetivo dos Filhos e a importância de Bran




                                       Você nunca mais voltará a andar, Bran... mas irá voar


É praticamente certo que Bran vai substituir Brynden como vidente verde, ele foi escolhido pra isso. Muitos adultos troca-peles passam a vida toda só conseguindo entrar em corpos de animais — e nada mais — mas Bran mesmo sendo uma criança conseguiu trocar de peles com um humano! Isso é extremamente difícil, o moleque é realmente um prodígio. Enfim, a pergunta é o que diabos vai acontecer com ele quando substituir Brynden. Primeiro, não acho que ele vá sair dessa caverna — até porque não faz mais sentido, ele não pode mais andar mesmo...no entanto ele vai poder fazer algo muito melhor: voar.

Existem muita gente querendo achando que ''voar'' quer dizer automaticamente ''voar em um dragão'', algo que eu sinceramente não consigo entender, mas enfim.. Sim, seria bem bacana mesmo o Bran poder trocar de peles com um dragão, mas me desculpem, não acho que isso vá acontecer... quer dizer, pode até acontecer mas não foi isso que Brynden quis dizer quando disse que Bran iria voar, e sim que ele vai desenvolver seus poderes de vidente verde e fazer o que eles fazem: viajar com sua consciência pelo tempo e espaço. Mas mesmo que o ''voar'' seja algo mais literal, Bran já voou quando começou seu treinamento com Brynden:

Bran escolhera uma ave, e depois outra, sem sucesso, mas o terceiro corvo fitara-o com astutos olhos negros, inclinara a cabeça, soltara um quorce fora assim de repente que deixara de ser um rapaz a olhar para um corvo para passar a ser um corvo a olhar para um rapaz. A canção do rio tornara-se de súbito mais sonora, os archotes arderam um pouco mais brilhantemente do que antes e o ar enchera-se de estranhos cheiros. Quando tentara falar, a voz saíra num grito e o seu primeiro voo terminara quando colidira com uma parede e acabara dentro do seu corpo quebrado. O corvo não se magoara. Voara para ele e aterrara-lhe no braço. Não muito tempo depois, já voava pela caverna, serpenteando por entre os longos dentes de pedra que pendiam do teto, batendo mesmo as asas por cima do abismo e descendo para as suas frias e negras profundezas. (A Dança dos Dragões, Bran III).

Pois é, Bran está treinando pra substituir o Brynden e se tornar um poderoso vidente verde, mas quando isso acontecer, o que ele fará com seus poderes? Ele poderá usar os seus poderes para ajudar as pessoas que ele ama, ou terá que seguir a ''agenda'' dos Filhos da Floresta? Eu me pergunto isso porque, como disse antes, acho possível que a consciência de um vidente verde possa acessar uma espécie de consciente coletivo dos antepassados — nesse caso, dos antepassados dos Filhos. Nesse sentido, será que os videntes ainda mantém sua personalidade individual, ou suas consciências passam fazer parte desse consciente coletivo, perdendo a individualidade no processo? A possibilidade de personagens perderem suas identidades individuais não é algo inédito nas Crônicas (só lembrar de Arya e os Homens Sem Rosto).



Mas Brynden parece ainda manter a sua personalidade — ele se lembra claramente dos fantasmas de seu passado (um irmão que odiava, uma irmã que amava), mas será que ele mantém uma vontade própria e pode usar seus poderes para o que quiser, ou os Filhos apenas estão usando os poderes dele para benefício próprio? Talvez os Filhos o convenceram de que o objetivo deles é o correto e eles estão trabalhando em conjunto, sem nenhum tipo de manipulação. E falando nisso, qual é o objetivo dos Filhos afinal?

Eu sei que com todo esse papo de ''usar os videntes verdes humanos com algum propósito'' estou dando a entender que as intenções dos Filhos da Floresta não são lá muito nobres. E talvez não sejam. Será que eles querem vingança pelo que os humanos fizeram com eles no passado? Querem tomar Westeros de volta pra eles? Não sei, tudo é possível. Mas eu não acho que eles são do tipo que são afetados por sentimentos como vingança.

''Antes de os Primeiros Homens chegarem, toda esta terra a que vós chamais Westeros era para nós um lar, mas mesmo nesses tempos éramos poucos. Os deuses deram-nos vidas longas mas não um grande número, para não sobrepovoarmos o mundo como os veados sobrepovoarão uma floresta em que não existirem lobos para os caçar. Isso foi na aurora dos dias, quando o nosso Sol ia nascendo. Agora está a pôr-se, e esta é a nossa longa queda. Os gigantes também já quase desapareceram, esses que foram a nossa desgraça e os nossos irmãos. Os grandes leões dos montes ocidentais foram mortos, os unicórnios estão praticamente extintos, os mamutes reduziram-se a algumas centenas. Os lobos gigantes perdurarão mais do que todos nós, masa sua hora também chegará. No mundo que os homens criaram não há lugar para eles, nem para nós.'' (A Dança dos Dragões, Bran III). 

Isso foi o que Folha, um dos Filhos da Floresta, disse ao Bran. Claro que isso pode ser interpretado como ódio aos homens por terem tomado suas terras e construído um mundo onde criaturas místicas não tem lugar, mas eu vejo nessas palavras muito mais conformismo, tristeza e pena do que ódio. Acho que eles veem os homens como criaturas jovens e inocentes, que estão, sem perceber, fazendo dano a eles próprios e ao planeta. Então, o objetivo dos Filhos seria usar os poderes do Bran para de alguma forma consertar as merdas que os homens fizeram e estão fazendo... antes que seja tarde. E pelo jeito, já é tarde.

''Vi o teu nascimento e o do senhor teu pai antes de ti. Vi o teu primeiro passo, ouvi a tua primeira palavra, fiz parte do teu primeiro sonho. Estava a observar-te quando caíste. E agora vieste finalmente ter comigo,Brandon Stark, embora a hora seja tardia.'' (A Dança dos Dragões, Bran I)

Mas por que é tarde demais? Eu acho que é porque finalmente o inverno está quase chegando. Mas não um inverno qualquer, e sim um inverno mais longo e poderoso como nenhum outro antes. E com ele,o retorno dos Outros e uma nova Longa Noite. 

O massacre de Durolar na série só faltou ter os Outros montados nessas aranhas pra ficar perfeito


Talvez as merdas que os homens fizeram durante as eras desequilibraram a magia do mundo, e isso faz com que os Outros saiam do extremo norte, das terras de sempre inverno para destruir a vida do planeta. Seriam os Outros uma espécie de defesa para o planeta? Com a função de matar todos para destruir as ''pestes'' que estão danificando o mundo, semelhante ao Old One do Demons Souls , por exemplo? Ou eles só são monstros cruéis e sanguinários mesmo, que esperam a oportunidade de um inverno muito longo e implacável para invadir? Por enquanto não da pra confirmar nada (assim como não da pra confirmar boa parte desse artigo, eu gosto de teorizar, me julguem), George R.R. Martin já confirmou que os próximos dois últimos livros vão finalmente explorar as terras de sempre inverno e os Outros, então finalmente teremos respostas. Eu espero.

De qualquer forma, eu acho que os Filhos e Brynden querem (ou queriam) usar os poderes do Bran como vidente verde para equilibrar a magia do mundo e impedir que a Longa Noite aconteça novamente. Mas como eles farão isso (se farão) não faço ideia. Será que os Filhos da Floresta e Bran usarão seus poderes para auxiliar um certo herói que será o responsável de equilibrar a magia do mundo... a canção de gelo e fogo? Eu não sei, mas tenho certeza que os Filhos, Brynden, Bran, e todo o conceito de videntes verdes serão importantíssimo nas guerras que estão por vir. 


Considerações Finais

Então depois de tudo isso volto a fazer a pergunta que fiz no começo desse artigo: o que diabos são esses deuses antigos afinal? Eles são os videntes verdes? Eles são o suposto consciente coletivo dos antepassados e sua sabedoria transcendental, que os videntes verdes tem acesso através dos represeiros? Ou eles são os próprios represeiros, que despertam o poder dos videntes verdes? Não posso confirmar nada, mas acho que é a resposta é uma combinação de tudo isso.



Cheguei a conclusão de que os ''deuses'' antigos não são deuses individuais no qual as pessoas devem servir (algo óbvio, duh) e nem são apenas elementais da natureza. Eu penso que o conceito que os Filhos chamam de ''deuses'' é todo um ''sistema místico'' da  própria natureza, que envolve os represeiros, a magia dos videntes verdes e mais importante, o tal conhecimento transcendental (e talvez, consciente coletivo dos antepassados) que os permitem — entre outras coisas — grande sabedoria e viajar pelo tempo. É por isso que os represeiros são tão importante para os Filhos da Floresta ao ponto de eles consideraram essas árvores os próprios deuses, porque são a chave para todo esse sistema funcionar, a ponte que conecta o vidente verde com a sabedoria superior. A simbologia da árvore como ligação a planos ou mundos elevados de existência, com sabedoria superior ou alguma doidera do tipo, é bem comum em diversas mitologias e religiões da vida real. Será que foi essa a inspiração do George R.R Martin?

Enfim, termino esse artigo (que ficou mais longo do que imaginava, admito) mas pretendo depois continuar a falar das outras religiões e deuses desse fantástico universo — tenho certeza que devem ter conceitos tão interessantes quanto dos antigos deuses — se ficaram interessados, curtam nossa página no Facebook para ficarem atualizados quando esses artigos estiverem prontos, e também para verem outros artigos do blog, claro.

Flw pra vocês, até o dia MIL!


"Muitos monarcas chegam e se vão. Um se afogou no veneno, outro sucumbiu nas chamas. Um outro ainda repousa em um reino de gelo. Nenhum deles conseguiu ficar aqui, como você faz agora. Você, conquistador das adversidades. Nos dê a sua resposta."

Todo mundo sabe – ou deveria saber – que o enredo da série Souls é bem fragmentado. Passagens e retalhos de uma história enorme, espalhados quase que randomicamente durante o jogo, mas que se ligam de alguma forma, se você observar do jeito certo.

Digamos que a série Souls é um livro com vários contos não lineares, onde no final, pra você entender, você precisa achar um meio de juntar isso tudo até que faça sentido. Ora, e esse é justamente o charme dessa série, e um dos principais atrativos pra muitos dos jogadores – sem falar do design, do gameplay e outras MIL coisas que existem pra se falar desses jogos, mas que deixarei pra outra ocasião.

Sempre tento montar a cronologia dos fatos destes na minha cabeça, é uma espécie de costume que eu tenho desde que fiquei "levemente" imerso nesse universo da série. Sim, sim, "LEVEMENTE".



Tive a ideia de fazer ESSE artigo sobre a cronologia de Dark Souls no blog logo quando o criei (que vai ser bem importante pra entender esse). Seguindo a vibe, Uor fez o mesmo com Demons Souls, NESSE sensacional artigo. E então chegou a hora de falar do mais fragmentado de todos eles! Finalmente a cronologia de Dark Souls II no recinto. Ou a tentativa de criar uma... De qualquer forma, quero avisar que tentarei focar nos detalhes do enredo principal, já que existem muitos fatores de acontecimentos distintos que complementam, mas não alteram o entendimento sobre tudo.

Uma ideia que define bem Dark Souls é o “Eterno retorno”. Isso já é fácil de observar em DS1, porém fica MUITO mais claro na sua sequência. Não importa o que façamos, sempre haverá, em algum momento da história, a ascensão e o declínio de alguma “hegemonia” diretamente ligada ou não com a Chama Primordial – um elemento totalmente subjetivo desse mundo, que define a vida e a evolução dos seres nesse ambiente.



Acho que a obra mais comentada neste blog foi Sandman, foi comentado bastante em vários dos meus artigos, sem falar nesse artigo AQUI dedicado a obra, que foi escrito pelo Flames.

Sandman tem um mar de assuntos para serem discutidos, é uma obra atemporal, onde sempre vai ter pessoas comentando a respeito... Claro, ela possui personagens muito marcantes, e o mais marcante entre eles, é essa menina que nenhum de nós podemos evitar de conhecer um dia, a Morte! 

Bem vindos a mais uma galeria de artes do Blog Mil!

Não vou focar em um artista em especifico, nesta galeria. Quero apenas mostrar a vocês toda a beleza da Morte e lhes acalmar, porque no fim, nós vamos encontrar essa garota linda que vai nos guiar para onde quer que nós vamos.

Sou apaixonado pela personagem, não de uma forma real, claro... Ou não. Mas ela me cativa sempre que leio seja lá o que for, e se uma historia tem a Morte envolvida, eu fico mais apreensivo e grudado na leitura, por ela ser a personagem mais comum e disparadamente a mais interessante da obra, e claro, a mais fofa e linda de todas (tá, Delirium é mais fofa, mas Morte é a Morte).


SAMURAIS!!! Guerreiros habilidosos e disciplinados que viveram absolutos há seculos. Num período onde ser fatiado em dois pedaços no meio da rua não era algo incomum. Onde a honra definia sua vida e sua morte, e por sua vez, o seu legado. Uma era  que mesmo depois de tanto tempo, ainda fascina milhões de pessoas, por sua beleza, filosofia e cultura.

Um dia, alguém se inspirou nesse tema samurai que tanto admiro e uniu com referências de um estilo do qual também admiro bastante: Hip hop! (Hip hop de verdade, não aquele lixo nocivo que costuma a tocar na rádio, por favor).

Não sei o que levou essa mistura... não foi a primeira vez que alguma mídia fez uma releitura do tema usando um estilo mais moderno, mas aqui, isso atingiu um nível nunca antes visto.

Dessa fusão maluca, saiu Samurai Champloo, uma animação muito original dirigida por nada mais, nada menos que Shinichiro Watanabe!

E essa mistura tão impensável ficou boa?

Ora, é disso que vamos falar neste singelo artigo deste singelo blog!

E os avisos de sempre: Spoilers! Tentarei avisar nos momentos certos.

Não que eu esteja prometendo nada...


Samurai Champloo é um anime lançado em 2004, tem 26 episódios, e todos eles embalados ao hip hop! O estúdio responsável foi o Manglobe Inc, que já trabalhou com obras como Michiko No Hatchin, Ergo Proxy e Segonku Basara — e que belo histórico de trabalhos!

Em 2006 o anime ganhou uma excelente dublagem brasileira com apenas alguns erros de nomes em um ou dois momentos, algo tolerável, e acabou passando na Cartoon e na Play TV anos depois. A dublagem não deve em nada a original japonesa, que é ótima também, apesar de eu achar a nossa versão tupiniquim melhor.

Mas isso é questão de opinião, correto?

Como já disse antes, o diretor desta maravilha de anime é o Watanabe, e se vocês não o conhecem por nome, talvez vocês conheçam alguns trabalhos desse exímio senhor:

Duas “sides animations” pra Animatrix, ambas fenomenais.



Zankyou no Terror, uma animação recente e maravilhosa, apesar de um pouco atropelada.

Colocando a capa do album da Soundtrack porque ela é uma coisa linda
E Cowboy Bebop, que com certeza está no top animações da minha vida, e que todo mundo deve conhecer, e se ainda não conhece, deveria correr pra conhecer.


Ah, tem Space Dandy também, que ainda não terminei de ver, porém vou muito com a cara, só estou querendo um pouquinho de tempo pra ele... Não sou muito de acompanhar animes hoje em dia, mas alguns realmente merecem uma olhada.

Por coincidência ou não, todas as animações que Watanabe trabalhou estão entre as  que eu admiro com a força de MIL sóis, junto com suas trilhas sonoras. Passei boa parte da minha vida ouvindo a trilha de Bebop. (Seatbelts é incrível. Já viram um Show ao vivo deles? É magia, aquilo!). E o ultimo ano ouvindo bastante a trilha de Zankyou, por sinal.

Vai ver... Quem sabe, talvez, apenas talvez, Watanabe seja MUITO foda, e tudo que tem o dedo dele, fique no mínimo ótimo. Não só em animação, como na trilha sonora também.

Ok, ok, e Samurai Champloo? 

Vamos por partes, não sejamos apressados.

Conceitos técnicos 

Quando somos apresentados a opening do anime, já dá pra sacar que estamos vendo algo bem único.

Some days, some nights!

Admiro muito animações de todos os tipos, e acho que já disse isso em algum artigo por aqui. Arte em movimento, putz, é um trabalho foda demais. E a animação de Samurai Champloo é soberba!  Pra quem realmente estima esse tipo de mídia, não deve ser difícil ficar feliz com o que vê.

Uma coisa que define bem esse anime é simplicidade. Tanto no seu enredo, quanto em vários dos seus elementos, mas de forma alguma isso o torna "raso".

O design da arte é estilizado, porém, simples. Então, temos partes onde vemos silhuetas dos personagens sem muitos detalhes. Como também há momentos onde vemos seus rostos bem detalhados, com alguns traços mais escuros e fortes. Dá pra observar que a arte do anime é bem inspirada num estilo mais surrealista. Algumas vezes, (poucas) mostrando realmente isso na sua melhor forma:



As cores são bem vivas, uma terapia para os olhos, principalmente quando a direção nos mostra as paisagens características desse belo país.




BAAANZAAAAI!

Mas a direção faz mais do que isso...

Lembram quando eu disse que os episódios são embalados ao hip hop? É mais do que em trilha sonora. As transições das cenas que entrelaçam os vários eventos de um episódio possuem uma característica de “batida”, uma clara referência ao trampo de um DJ de executar o sincronismo de seus ritmos. (DJs de verdade, não esses rui... vocês sabem.) Pois é! Mas isso não é feito sempre, claro. Apenas o suficiente pra você sacar a ideia que Samurai Champloo quer passar.

A trilha sonora ficou em cargo de vários artistas do ramo, alguns exemplos são:  Fat Jon, Force of nature, Minmi, Midicondria, todos ótimos. Inclusive um que ouvi mais do que bastante, Nujabes! Já perdi as contas de quantas vezes ouvi as melodias desse DJ fenomenal, e do quão importante são pra mim. Ele foi sensacional em sua vida, o único artista que eu consigo ouvir em qualquer momento, com qualquer humor. As músicas dele realmente afetam meu estado de espírito. Um dia sai um artigo especial em homenagem a esse senhor, podem apostar.

A trilha logicamente combina bastante com a vibe do anime, e demarca bem momentos mais sentimentais, mais sérios ou totalmente descompromissados de humor, durante a sua narrativa.

Já falei que gosto de Nujabes? Sério, vão ouvir. E isso vale para todos os citados acima.  Nujabes não é o único que trabalha aqui, todos são bons. Tenho o costume de ler várias coisas ouvindo essas músicas, e tô ouvindo nesse momento enquanto escrevo também, olha só...


Faz bem pra alma.

Conceitos do universo: O anacronismo de Samurai Champloo

Bom, vocês sabem o que é anacronismo? Anacronismo é aquilo que não se adéqua aos usos ou aos hábitos característicos de uma determinada época. Pra exemplificar, em Samurai Champloo temos a cena hip hop estabelecida no convívio social de um Japão há centenas de anos, e essa é bem a ideia do significado dessa palavrinha que eu acho tão legal. Esse anime usa esse conceito da melhor forma que consigo imaginar.



A cidade, os costumes, o dialeto e até a forma de se vestir, sintetizam bem a cultura hip hop, e isso é feito de forma tão natural, que é capaz de você nem perceber tanto, seu subconsciente se familiariza com esses conceitos automaticamente, já que são comuns pra gente. É realmente uma mistura de estilos que de alguma forma acaba dando certo.

Champloo significa “mistura”, e acho que isso combina bastante, huh?


SAAAMURAI!!!!!!!!

Uma observação, os diálogos no nosso idioma são bem fiéis, (na dublagem).  Há palavrões, — não de forma descuidada — mas sim nos momentos pertinentes, claro. E cara, como eu admiro isso! Afinal, é bem raro os dubladores terem essa liberdade por aqui, principalmente em animes.

Samurai Champloo se passa no período Edo, especificamente na era Tokugawa. Uma época de instabilidade política, perseguições ao cristianismo e de estrangeiros. E há exemplos disso sendo tratados durante o anime. Mas como o narrador fala:

Essa obra de ficção não é um retrato histórico preciso. E a gente se importa?! Agora cala boca e aproveita o programa!

Apesar de tratar de muitos desses assuntos com humor e de forma natural com a narrativa, ainda há críticas bem montadas sobre esses temas, tanto do passado como do presente.



Temos um lunático com propósitos egoístas, usando as palavras de “deus” e enganando fiéis ignorantes para atingir seus objetivos, um estrangeiro homossexual buscando a cultura oriental para suas práticas e sendo perseguido por isso e facções antigoverno que buscam dar golpes de estado, entre outros exemplos. E o mais interessante nisso, tudo acontece de forma randômica durante os episódios, histórias fechadas que duram geralmente no máximo 3 episódios, e eu tenho tendência em adorar séries assim. Claro, se tiverem um tamanho adequado.

Geralmente acho perfeito 26 episódios pra animes, (com algumas exceções). 13 episódios deixa tudo atropelado, como vemos em Zankyou no Terror ou Shingeki no Bahamut, os dois únicos das novas temporadas que eu tive alguma vontade de ver nesses últimos tempos. Mas estou divagando aqui, continuemos!



Enredo



Como eu disse, simplicidade define bem esse anime. E a premissa do enredo e dos acontecimentos também. A história começa com Fuu, uma personagem de “peso”, e uma das 3 protagonistas da série. Ela tem o desejo de encontrar um “samurai com cheiro de girassóis”. Ela não sabe como ele se parece, seu nome ou qualquer coisa do tipo. Única informação precisa é que ele mora em outro extremo do país.

Por uma casualidade do destino, Fuu acaba conhecendo Mugen, um habilidoso espadachim que usa movimentos de breake dance e capoeira em seus golpes, uma mistura visual fantástica. E posteriormente Jin, um disciplinado ronin que vaga pelo Japão, com destreza e técnicas precisas, algo que é de praxe dos samurais, ele é bem tradicional nesse sentido, o que sempre cenas estilosas como essas:





Ssempre fui maluco por esse tema samurai, o mangá que cresci lendo foi Rurouni Kenshin, e meu mangá favorito de hoje em dia é Vagabond. E há outros mangás e animes desse estilo que adoro também. Lobo Solitário, Blade of The Immortal, Samurai Seven, Afro Samurai, Hanzo no Mon, Yuki, e talvez outro que não lembro agora, não que eu esteja me esforçando pra lembrar...

 É, acho que é um tema que guardo uma grande estima, hein... E por incrível que pareça, só me dei conta disso enquanto fazia esse artigo.


Voltando ao assunto. Aqui não temos nenhum enredo com complexidades multidimensionais ou estudos filosóficos sobre o porquê da existência humana. Apenas algo leve, com suas profundidades emocionais, tornando tudo bem cativante. Afinal, vocês sabem, complexidade não define qualidade sempre, lembrem-se disso. Não existe uma linha do que é bom e mal aqui. São humanos agindo como humanos. Às vezes há compreensão, como também às vezes é necessário fazer o que deve ser feito. E certas decisões acabam por trazes consequências, muitas vezes desastrosas.

Então, espere humor, lutas incríveis e... vários feels...

Personagens 


Fuu, uma garota de apenas 15 anos, (lembro de ter ficado impressionado quando descobri a idade) espivitada, e moleca. Mugen, um rapaz de 20 anos, vagabundo, folgado e falastrão. E Jin, também um rapaz de 20 anos, centrado e sério, totalmente o oposto de Mugen. Três extremos de personalidades distintas unidas graças a uma aposta supostamente perdida, onde Jin e Mugen assumem o compromisso com Fuu de achar o tal dos samurais dos girassóis...

Devo dizer que as vozes brasileiras combinaram perfeitamente com eles. O Jin é o Kuwabara, Mugen é dublado pelo mano que faz o BÁTIMA (o novo). E temos a Fuu sendo dublada pela mocinha que fez a Izumi do Patlabor (Filme) — quem conhece Patlabor merece um biscoito — são dubladores excelentes e que fizeram um trabalho digno de palmas.

Os três são esteriótipos bem difundidos, temos Jin, que usa um óculos sem grau, (apenas por estilo) pra dar um ar mais intelectual pro personagem, que foi treinado em um dojo aos moldes mais convencionais possíveis. Mugen, com roupas mais largas e uma atitude mais agressiva e folgada, que praticamente improvisa sempre em suas lutas — dois gênios em combate totalmente distintos. E por fim, temos Fuu, uma garota mais nova, representando um lado mais dependente, porém que ainda assim sabe se virar sozinha em vários momentos, do jeito dela.



A relação dos protagonistas é demais. Um humor ao estilo mais infantil e bobo, porém que sempre me faz rir. Lembro que logo quando eles recém se conhecem, Fuu vai vê-los numa cadeia, no intuito de ajuda-los, claro. 

E o diálogo é mais ou menos esse:

– Ué... Não querem saber por que estou aqui? — Fuu indaga enquanto os dois olham pra sua cara sem perguntar nada.

– Não. – afima o Mugen rapidamente.

– Então tá bom. –  Fuu responde, enquanto se afasta. 

– Espera, espera! Eu tava brincando. – Mugen exclama.

Nos episódios, você cada vez mais se apega aos três, conhecendo suas manias, imperfeições e o background de cada um, e isso não se aplica apenas para nós telespectadores. Os próprios personagens acabam se apegando,  consequentemente criando um elo, e isso é interessante demais de se ver.

Que fofura de arte!

São decisões bem humanas que esses personagens tomam e tomaram durante sua vida, então é fácil se apegar e entender seus dramas. Se você já assistiu e sacou, ótimo! E para vocês que ainda não viram... VÃO LOGO. Nem precisam me agradecer depois!



Até queria falar de todos os episódios, dos três protagonistas e suas relações com outros personagens. Do episódio que o Mugen aprende a escrever, que é uma comédia. Do Jin dizendo "é hora de sair" pro samurai que fala dos vaga-lumes, algo que sempre me mata de rir. Do episodio de baseball, entre outros vários momentos que são mais do que sensacionais. Mas falar disso tudo num artigo seria inviável, quem sabe em outras discussões, talvez.

E hey, saquem só essa cena. Ela é um combo visual muito interessante. Talvez isso seja spoiler, ou faça você pensar que é...

Bom, não é.

Só veja quando ver o anime, de preferência. Essas viagens que o Mugen tem no limiar da morte sempre são fodas.



 + Adicional

Samurai Champloo também teve sua versão mangá, e assim como a de Cowboy Bebop, a qualidade deixa MUITO A DESEJAR. E eu acabei descobrindo da pior forma, comprando e gastando dinheiro... Afinal, o mangá era lacrado.

Sério, ele foi desenhado com o PÉ!  Porra, Masaru Gotsubo!

Mas já tenho há tantos anos esse mangá aqui, que hoje até guardo um carinho por ele.

Lembro de nas paginas finais o artista se desculpar pela diferença DISCREPANTE de qualidade entre o anime, pelo menos ele estava ciente disso...

Mas, hey! Temos que ver o lado bom de tudo, as capas dos volumes são demais, olha só uma delas:




Considerações finais


                                             
Aqui termino mais uma análise pouco convencional neste recinto. E bem, fiz de tudo pra não dizer isso no começo, mas vou dizer de uma vez... Adivinhem só qual é o meu anime favorito?

Exatamente!

Eu tentei ser imparcial aqui, ok? Juro.

Samurai Champloo é meu anime favorito, não só por nostalgia de um tempo bom, mas sim porque ele é realmente incrível.

As endings dessa obra sempre são belíssimas, músicas únicas que já perdi a conta de quantas vezes ouvi. E quero encerrar aqui com uma delas. Ora, ver esse vídeo pra muitos pode ser spoiler, então, se eu fosse vocês que ainda não viram o anime, deixaria pra ver depois.


É uma mistura de sentimentos que essa ending me traz...

Me despeço com essa melodia incrível, e recomendo ESSE artigo muito bom também sobre os conceitos de Hip Hop em Samurai Champloo, só clicar AQUI.

Até!


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