Sandman: O tempo e a morte sob a perspectiva de homens "bem afortunados"


Em meados do século 13, anos marcados pela Revolta Camponesa e pela violenta Peste Negra, homens bebem e conversam numa singela taberna na Inglaterra. Eles comentam sobre os dramas de sua época, onde a Morte "abraça" as pessoas cada vez mais novas e poucos são os sortudos que passam dos 30 anos de vida.

Na discussão, destaca-se Robert Gandling, ou "Hob", se preferirem, um camponês inglês desiludido com os horrores de seu tempo, que de forma desesperada, embora faça de tudo para não transparecer,  trepida em argumentos pouco lógicos na tentativa de negar a aterradora ideia que o persegue.


vãosefoderem do século 13.

Ele só não contava que a nossa querida, afável e perpétua Morte, uma vez de tempos em tempos, tome a forma humana para entender melhor as criaturas que ela "carrega nos braços" tão constantemente, e estava justamente bem ali do lado, ouvindo tudo. Dessa vez, ela levou seu irmão mais novo, Sonho, que apesar de relutante, acaba por se interessar pela ignorância do mortal que diante de todos, não apenas desconhece o propósito, como nega a única certeza de todo ser vivo, que é morrer.



Provavelmente vocês já devem saber que estou falando do memorável capítulo #13 de Sandman, "Homens de Boa Fortuna" bastante marcante pra muita gente no conjunto de edições de contos do admirável Sr. Neil Gaiman

Aqui acompanhamos as reviravoltas seculares da vida de Hob, com suas conquistas e fracassos sendo compartilhados  na mesa de uma taverna, uma vez a cada 100 anos, fortalecendo não só a conexão do senhor dos sonhos com a humanidade, como a nossa visão sobre quão frágil é o ideal da "realização humana" e suas conquistas arbitrárias. 

Não posso esquecer de mencionar como é interessante ver um personagem tão bem escrito lidando com a "sorte" de viver sem limites e aguentar as alegrias e as tristezas que acompanham nós humanos durante tantos e tantos anos, exceto que este possui a invejável, (ou não) escolha de abraçar a morte apenas se assim desejar.

E cara, como eu gosto do timing dessa narrativa, mostrando simplesmente as discussões com o passar dos séculos, na mais simplória, legal e direta forma de conversar criada pela humanidade: na mesa do bar. TRAZ MAIS UM COPO!

Devemos ficar atentos também para as dezenas de referências reais históricas, quanto as referências fantasiosas, que são tão interessantes quanto, jogadas no ar através de nuances e valendo bastante quando observadas e reconhecidas.


O conto é certamente o mais simples (e talvez clichê) dos contos de Sandman, e deve ser por isso que ele se torna tão fascinante de se observar, afinal simplicidade é tudo que ela deve e precisa ter para questionar um assunto tão mundano, criando um elo palpável com o leitor.

Hob é um homem ordinário com objetivos e prazeres superficiais, além de teimoso e certamente ingênuo, que almeja dinheiro, mulheres e bebida, levado pelo senso comum de que isso é "aproveitar a vida", algo que parece estar enraizado na sociedade há...  milênios, né?

Enquanto observamos seus relatos de enriquecer e falir, amar e perder, guerrear e até mesmo a se esconder daqueles que percebem a sua cobiçada condição de nunca morrer, vemos que Hob, mesmo vivendo encarando a "morte" ao seu redor o tempo todo, ainda quer ser imortal.

E bem... às vezes eu me pego pensando, acredito que todo mundo pensa nisso uma vez ou outra, afinal, é a nossa expectativa finita que traz todo essa sede de viver?

É puramente instinto?

E quanto aos casos daqueles que consideram viver demais "loucura e sofrimento"?


As experiências e a realidade se mostram diferentes pra cada um, de fato, cada caso é um caso, e tanto a história de Hob, quanto Sandman, não trazem qualquer resposta e muito menos conclusão sobre tantas das nossas perguntas reais.

Mas trazem o questionamento!

E isso basta, na verdade, na minha opinião, é o ideal.

É o tipo de característica de história que gosto bastante, aquelas que nos fazem pensar, com certeza Neil Gaiman é hábil em criar coisas com esse tipo de objetivo, e Sandman, no geral, é uma das suas várias facetas que provam isso.

...


LEIAM SANDMAN!

Gosto do leve atrito entre os dois.
É sempre curioso observar que o perpétuo Morpheus é definitivamente um ser em aprendizado.

*Para caráter informativo, Hob volta em outros capítulos de Sandman.

*Link para a mais aproximada cronologia dos eventos e referencias que circundam os relatos de Hob através da história e mostram como o autor gosta de fazer as paradas bem feitas: Aqui .

Considerações finais 


Esse pequeno texto foi criado há uns 2 anos com o objetivo de iniciar uma série de artigos pro blog, com indicações rápidas, sabem? Nem lembro porque isso não começou, mas olhem só, querendo voltar a movimentar o recinto, o encontrei no meio "do entulho" e achei pertinente traze-lo a vida.

Quem sabe teremos mais disso em breve?

Eu sei, eu sei, o blog MIL esteve hibernando por uns tempos. Fico realmente feliz por ver uma galera que realmente se importa e até mesmo cobra a volta desse recanto adoidado da internet.

Apenas para informar, pros que querem saber, minha vida mudou um pouco nos últimos meses. Resumindo, eu mudei de um emprego que eu trabalhava bem menos... mas também não ganhava tanto, pra um emprego da minha área em que trabalho o quíntuplo, mas ganho bem melhor também, e posso afirmar que estou bem feliz e satisfeito profissionalmente, por enquanto.

TODAVIA, tudo tem seu lado ruim, e meu tempo ficou extremamente reduzido. E sabem aquele ditado de que "quem quer, arranja tempo pra tudo?" É MENTIRA, pro inferno quem inventou isso.

Eu mal consigo jogar meus joguinhos de lutinha hoje em dia. E jogos de lutinha são jogos de lutinha, vocês sabem.

Só quero dizer que o blog não terminou, nem pretende. Estou apenas com pouco tempo e não sou o único da galera MIL com inconsistências na vida, mas com certeza daremos um jeito pra atualizar isso aqui.

Estou ansioso para falar do filme novo de Dragon Ball, por exemplo.

E sim, terminar a lore de DS3, não pensem que esqueci.

Já queria avisar vocês há algum tempo, só não queria chegar sem algum conteúdo novo, vocês entendem.

Né?

Enfim, são vários projetos e vou tentar me esgueirar sobre o tempo, aguardem... ou não, irei fazer do mesmo jeito, seus infelizes, HELL YEAH!!


Até dia MIL.


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