Tengen Toppa Gurren Lagann: O clichê na sua melhor forma




"As pessoas se perguntam: 

"O que somos?" 

"O que é a vida?" 

"O que é o espaço?" 

...

Todos irão morrer sem essas respostas, é o destino da humanidade."

Essa é a indagação que dá início a TTGL, responsável por me prender instantaneamente, não só por ser um reflexo da maior frustração como existência de tantos seres pensantes, inclusive a minha, como por ser ressaltada numa introdução de animação e trilha sonora embasbacantes.






Entretanto, o clima denso inicial se esvai na medida que conhecemos seu elenco e mundo, dando espaço para humor e lutas tão non-sense que quebram o senso comum mesmo para os padrões do gênero, sendo traduzidas em momentos onde literalmente o impossível pode acontecer e resultando numa experiência de diversão visual mais do que singular, que felizmente acabou virando uma assinatura dos seus criadores.

Sabem a sensação de assistir aqueles cartoons que tiravam bigornas do tamanho de vossas mães do fundo do bolso para atirar em seus respectivos adversários?

TTGL te dá a mesma sensação, te faz vibrar com isso, e se não bastasse, se emocionar também, ao se unir com os clichês do gênero shonen em sua melhor forma!

Pudera, o mesmo foi produzido pela Gainax (em 2007), empresa responsável por obras originais e corajosas, residentes da "GOD TIER" do mundo da animação, que merecem artigos exclusivamente dedicados a cada uma delas num futuro não tão distante, como Kill La Kill, Evangelion ou meu adorado e alucinógeno FLCL.


Dito isso, vamos falar um pouco do enredo, e sem spoilers por enquanto.

Introdução

A humanidade vive no subterrâneo por eras, doutrinada a jamais sair de suas redomas ou sequer acreditar que existe uma superfície, enquanto estão sujeitas a uma vida simples, certamente onde racionamento de alimentos é necessário e terremotos fatais são um perigo constante. 



Nesse cenário, está o determinado e carismático Kamina, que fita a ideia de ir para a superfície e a impõe no seu jovem irmão de consideração, o tímido e receoso Simon, cativando desprezo da vila pelas peripécias e traquinagens que os mesmos aprontam na busca de seu objetivo.

Tudo muda quando um buraco para superfície é aberto acidentalmente por um robô gigante inimigo, que resulta não só no descobrimento de um caótico novo mundo para os 2 "irmãos", como a adição de novos companheiros, incluindo, inicialmente, o icônico robô-rosto de membros pequenos, Laggan, o respeitável e divertido mecânico Leeron, e claro, a virtuosa e volumosa atiradora de elite Yoko, protagonista de muito fanservice de peitos pulósos ou closes bundísticos nessa empreitada.

E não inventei essas palavras, elas existem no dicionário!!

...  

Ok, não.



A série possui 27 episódios e é dividida em quatro arcos, sendo o primeiro focado em entender quem comanda os robozões gigantes que caçam humanos na superfície e desenvolver um plano para ataca-los de volta, enquanto temos um Simon ainda covarde, devido a sua personalidade e idade, crescendo como personagem e tendo a admirável inspiração de Kamina para se tornar um homem de verdade do seu próprio jeito.



"Não acredite em você, acredite em mim. Acredite no Kamina que acredita em você!"



E segue até os arcos mais avançados que procuram se desdobrar no multiverso e no papel da humanidade numa expansão espacial catastrófica, que é conduzido sob um EMOCIONANTE, CORAJOSO e consideravelmente maduro trajeto final.

Existem também 2 filmes, lançados em 2008 e 2009, respectivamente, que são basicamente um resumo de todos os episódios, com cenas e melhorias adicionais, que as qualificam, em minha opinião, como "experiência final" e obrigatória para os interessados nesse universo, apesar que, logicamente, o contexto que o anime tem em apresentar cada membro do elenco é mais efetivo.

Mas, sério, vejam os filmes.

Não posso esquecer que existe um mangá, que nunca terminei de ler mas parecia ser bem fiel ao anime, inclusive nos traços, o que é bom.

E do Gurren Laggan Parallel Works, que trata-se de 15 mini animações das peripécias paralelas individuais de parte do elenco, e eu destaco especialmente a número 9, do Kittan e suas irmãs.

Saquem esse vídeo, que maneiro.

Que traço espetaculoso, MANO, eu amo a Gainax.
Agradecimentos especiais ao Sr. Hiroyuki Imaishi.

Lutinha de robôs gigantes

Você gosta de lutinha de robôs gigantes?

E de animações sensacionalmente divertidas, gosta também?

Então é sua obrigação ir assistir essa joça, seu infeliz!

Se você conhece pelo menos uns 3 animes de "mecha", deve ter observado que as cabines onde os pilotos ficam geralmente são praticamente abstratas, eles mexem numa alavanca, (às vezes com uma conexão neural mais abstrata ainda) e "bam!", fazem o robozão dançar break enquanto solta misseis pela axila.

Claro, não há absolutamente nada errado nisso, só acho engraçado como algumas séries tentam, desastrosamente, impor lógica nessa funcionalidade.

Outras séries, como o amável Patlabor, tem uma coesão maior ao trabalhar esse conceito.

OLHA QUE CABINE MANEIRA!

SOLDADO, VÁ EM FRENTE, VÁ EM FRENTE, NÃO TENHA MEDO, NÃAAO (8)

Até hoje não sei se canto isso certo.


De qualquer forma, TTGL não dá a mínima pra nada disso, e define o uso dos robôs em pura força de vontade humana, que tem o poder de literalmente tornar o impossível em realidade.

As especialidades de cada robô também não são explicadas em diálogos expositivos, mas se desdobram durante a ação, nos dando a opção de sacar exatamente como funciona no meio de toda aquela confusão, e sim, é uma particularidade que considero positiva.

Eu resumo esse anime como uma experiência despretensiosa, daquelas que estão interessadas unicamente em entreter da forma mais direta e ousada possível.

Suas breguices escancaradas em frases de efeito sendo proclamadas em alto som no meio de grandes lutinhas de robôs gigantes, com consideráveis doses de humor ou feels motivacionais, são elementos que, quando bem feitos, podem me comprar fácil, e se é o seu caso também, saiba que aqui isso atinge um nível de qualidade sem igual!

E OLHA ESSES DESIGNS E CORES, que coisas deliciosamente bacanas.


Personagens


Provavelmente você já viu animes de mecha onde os robôs eram sensacionais, mas os seus pilotos inspiravam tanto afeto quanto indíviduos de 30 anos que fazem guerras de console, certo?

Já vi muita gente reclamando desse tipo de coisa, eu já devo ter reclamado também, mas ressalto que esse não é o caso aqui.


Os personagens são tratados de forma providencial, mostrando tanto seus tropeços totalmente humanos e egoístas, como seus momentos de amadurecimento, seja dos homens ou das mulheres, pois vale mencionar que elas não estão na trama só para pagar a cota de curvas sensuais, se você é bobão e achou isso.

Elas são fortes, são decididas, e nutrem uma relação de companheirismo, apreço e até mesmo inspiração para seus respectivos companheiros, principalmente quando eles estão desencontrados com a vida, e o mesmo acontece da parte deles para com elas, o que acaba me gerando enorme admiração pelas interações desse elenco.

Gosto como o roteiro consegue dividir bem o humor abobado, a seriedade e tristeza, afinal temos o peso da perda bem exposto em TTGL, temos o olhar maduro dos nossos personagens ao observar as novas gerações e fitar a prosperidade de seus amigos.

E TEMOS GALÁXIAS SENDO USADAS COMO SHURIKENS, HELL YEAH!


Se não bastasse, o anime trabalha com temas de explorações espaciais, multiverso e uma consciência espacial subjetiva que rege a realidade com toda a densidade de roteiro que lhe pode ser cabível, tornando-se uma mistura de tudo que eu adoro, enquanto dosa bem seus elementos usando o SHONEN POWER como base.

E eu já falei de muita coisa positiva da série, pois vocês já devem ter percebido que sou um baita de um fanboy, mas observo que é comum que pessoas não gostem tanto da "segunda parte" do anime, que tem um começo mais lento e visa a exploração espacial com viagens ainda mais viajadas. Sem falar dos personagens com problemas pessoais mais... "adultos" e perdas irrevogáveis, algo que talvez não funcione tão bem com o público shonen.

Talvez.

Eu concordo que as roupas da segunda parte não são tão legais quanto a da primeira, mas apenas isso, pois é nela que estão a maioria dos conceitos que já admiti admirar, o desfecho final mais empolgante que me lembro num ANIBÊ e um dos finais mais difíceis que um shonen já me propôs.

No artigo de Xenogears, eu disse que existiam 3 obras de mecha que amava com a força de MIL SÓIS e estariam nos meus tops do entretenimento.

A primeira é a já citada, e a segunda, sem dúvida, é TTGL.



Recomendação MIL pra vocês que ainda não conhecem, irem conhecer de uma vez, pois está na hora de entrar na zona de SPOILERS do texto.

Estejam avisados!

Uma reflexão de poder e limitação

Pessoalmente, gosto como não há basicamente nenhum diálogo expositivo, mais uma vez, para conceituar um elemento desse universo.


Em TTGL, a "energia espiral", aparentemente, é uma particularidade apenas humana, regida pela vontade e dotada da capacidade não só de controlar esses robozões, como transmuta-los e evoluí-los, enquanto manipulam os limites do universo, em sua forma extrema, quase como deuses. E o próprio enredo nos alude que estes são ferramentas ancestrais de outras civilizações que já adentraram o mesmo patamar de desenvolvimento, mesmo antes do Lord Espiral existir.

E um poder que sintetiza a força de vontade humana para atingir novos horizontes tem justamente a limitação como opositor, que visa proteger o universo da destruição que seres egoístas dotados de tamanha capacidade, (tipo controlar robozões maiores que galáxias, o que é realmente algo INSANO, puta merda) podem acarretar.

This isn't even my final form!


Pois é, estou falando do Anti-Espiral, a consciência humanoide gerada por todo um planeta de seres espirais ancestrais que se "selaram" a fim de estancar seu desenvolvimento a um ponto seguro suficiente para que ajam como protetores do universo, segundo seus preceitos, regendo a realidade e os seres que nela habitam.

O mais perto de entidade cósmica semelhante ao ideal de "Deus" que acho pertinente no mundo da ficção, junto da Verdade de FMA e a Wave Existence do já citado Xenogears.

IRÊGULA

E a ideia da limitação é bem recorrente em TTGL, por sinal, isso me lembra do quote sensacional do Lorde Espiral, onde ele diz que a "ignorância é uma sina", ironizando aqueles que lutavam contra seu domínio a fim de libertar a humanidade, quando o mesmo agia como "protetor" ao limita-los no subsolo, com o objetivo de incapacita-los de desenvolver o poder espiral e lhes garantir sobrevivência, mesmo que de uma forma distópica.

Deixando os "homens-fera" como residentes principais do planeta, afinal eles não manipulam energia espiral e parecem nutrir uma relação mais "natural e passiva" com o planeta/universo, o que não necessariamente os fazem deixar de ser uns cretinos, anyway.

Destaque pra Adiane e suas expressões espetaculosas.


E algo semelhante acontece com o Anti-Espiral, responsável direto pelo desespero que assolou o Lord Espiral e o fez decair como um herói de uma raça para o seu maior algoz, ao trair seus semelhantes e matar a maioria deles.

Agora, por que tô expondo isso?

Porque o Anti-Espiral é a realidade, a limitação da humanidade, que teme si mesmo, que teme seus semelhantes e o quão perigosos são seus anseios, que podem destruir não apenas a si mesmos como todo o universo, (e podemos conceitualizar com a realidade, apesar que estamos bem longe de destruir o universo, é risível imaginar isso, mas pondere, se pudéssemos, o faríamos).


Meu ponto é que TTGL se trata justamente de chutar a bunda dessas limitações, de acreditar em si mesmo, nos seus companheiros e até mesmo na humanidade e na sua evolução, algo que... okay, praticamente todo shonen faz, é o clichê máximo, mas que nesse anime em especial gera uma sensação um pouco diferente, ou pelo menos eu absorvi de uma maneira diferente do usual.

E não foi só pelas cenas escalafobéticas de robôs BEM MAIORES que sua mãe lutando entre explosões cósmicas infinitas, ou uma peleja de socos e pontapés extremamente bem animada entre Simon e o Anti-Espiral, que deve ter inspirado MIL animadores nesse planeta (inclusive a galera do CDZ OMEGA, olhem só).


GIGAAAAAAAAAA.... DORILOOOO.... BREIKAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Eu falo daquele sentimento que TTGL deixa ao seu final, após aquela cena deveras bonita do casamento entre Simon e Nina, que termina com a bela moçoila deixando de existir, afinal esse era o preço disposto a pagar por todos os nossos protagonistas, ela inclusa, para salvar a humanidade e garantir sua prosperidade.

E é um tanto irônico, afinal, desde Kamina, o anime incita a ideia de desafiar e mudar a realidade, por sinal vemos nossos heróis realmente "chutando a bunda da lógica e fazendo o impossível", eles são invencíveis...

Até que de repente... alguém importante morre, e é irrerversível.

O sentimento da perda fica bem palpável pro telespectador, serve como um choque de realidade, no meio de tanta quebra de lógica heroíca non-sense que acontece nessa trama.

Acredito que isso sirva pra fortalecer ainda mais a mensagem final, porque por mais clichê que ela seja, e por mais forte que o sentimento da perda se torne, vemos os personagens caminhando, aos tropeços, pra frente, pensando nas futuras gerações, nas pessoas que irão nascer e continuar o legado daqueles que foram um mártir pela prosperidade da humanidade, com toda maturidade que olhos calejados de tantas aventuras podem observar.

Eles respeitam suas mortes e tentam honra-las o máximo possível.



Intrigante também é pensar que da última vez que analisei uma obra e sua mensagem final, eu falei de Devilman, que é justamente O INVERSO EXTREMO DE TUDO ISSO, e é irônico ter ambas obras tão destoantes nos meus tops do entretenimento pessoal, acredito que é porque ambas permeiam uma certa coesão de realidade sobre a humanidade, pro bem ou pro mal.

De fato, no final, Simon atua como o legado de Kamina, compreendendo e inspirando seus companheiros e semelhantes, confiando na próxima geração que irá percorrer os caminhos deixados pelo mesmo, reconhecendo exatamente quem ele é, um simples humano cheio de imperfeições, e sei lá, quem sabe, nos inspirando a fazer o mesmo.


Next
This is the most recent post.
Postagem mais antiga

Postar um comentário

[facebook]

Flames

PedroTreck

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget