ESPECIAL MIL: 30 anos de "essência" Final Fantasy




Do meio para o final dos anos 80, o mundo dos VIDJOGUEIMES vivia o seu gênese com títulos que definiriam algumas das franquias mais longínquas e bem sucedidas de toda a indústria.

Como exemplo, podemos citar Mario ou Dragon Quest, que não só venderam milhares de cópias por aí, como consolidaram os seus nomes (e o dos seus respectivos responsáveis) merecidamente pelas últimas décadas.


Essa capa japonesa é TÃO MELHOR.
QUEIMEM A CAPA AMERICANA!



E como é de costume, empresas ordinárias investindo em "fórmulas de sucesso já testadas" (lê-se copiando na cara dura as ideias que venderam muito), surgiam tão rápido quanto morriam, na busca de angariar dinheiramas com seus joguinhos eletrônicos que geralmente possuíam pouca qualidade ou pouco apelo de marketing.

Oh, e adivinhem só? A SquareSoft, nessa época, era uma dessas.

Após acumular lançamentos inexpressivos em sua recém trajetória, a empresa estava prestes a fechar suas portas, e foi aí que o Sr. Hironobu Sakaguchi, que nessa época era um simples desenvolvedor contratado tão conhecido no ramo dos games quanto o Josefino dos Teclados do bar Risca Faca, resolveu pegar Dragon Quest, o sucesso estrondoso do momento, joga-lo até "achar papel gostoso", copiar suas características positivas, melhorar as negativas, e criar o primeiro ripoff bom da história da empresa até então, junto de uns 7 assistentes pagos com chamequinho.

foto REAL do momento em que Sakaguchi entra em colapso após MIL horas de griding penoso em Dragon Quest e resolve comer papel.


E esse é o background por trás da história que todo mundo já deve estar cansado de saber, pois sites de "gueimes profissionais" curtem expor o fato todo ano pelo globo, afinal essa é uma série popular que gerará visualizações fáceis sempre que mencionada.

Gostaram desse meu resumo incontestavelmente confiável? 

Sim, falo do surgimento oficial de Final Fantasy em 1987, como última cartada messiânica para salvar a SquareSoft de uma iminente falência, com um nome que marcava o teor de última aposta de Sakaguchi e ironicamente gerava uma FRANQUIA que já possui mais de 30 anos de peripécias no seu gabarito.

TRINTA ANOS, SABEM O QUE É ISSO? é mais do que o triplo da idade de qualquer criatura que participe (não ironicamente) de console war na internet!

De idade mental, falo.

"Essência"

"Essência" de uma obra/série de entretenimento, seja de qualquer mídia, por si só, já é um bagulho complicado de se discutir...

Porque basicamente, trata-se de um emaranhado de características que exprimem um padrão que os fãs reconhecem. Esse padrão pode ser de um entendimento artístico PESSOAL ou um "geral" que a grande maioria pode perceber por consenso. E por enquanto, vou focar no geral, pois quero ser o mais simples possível aqui.


Por exemplo, qual a essência de Dragon Ball? 

Despretensiosidade? Destruição de planetas num arroto? Níveis de poder? Torneio? Esferas do Dragão? Transformações? "PAPAAAAAAAAAAAAAI"?

Sim, objetivamente isso (e mais uma dezena de coisas, claro), define Dragon Ball realmente como Dragon Ball.

Esses "padrões de essência" se tornam VENDÁVEIS nas mãos de produtores, o que consequentemente os incita a trilhar o caminho "safe" e entregar pro fã purista o que ele quer consumir. 

Por exemplo, o grande plot do último arco do anime oficial canônico da "marca Dragon Ball" girou em torno de um torneio.

Entendem o que eu quero dizer?

Às vezes, essa limitação criativa é tudo que um bom fã purista quer, e TUDO BEM. 

Às vezes, por outro lado, isso acaba sendo um tanto frustante.

Persona sempre nos entregará uma trama com alunos do ensino médio? Dá pra imaginar a quantidade de oportunidades perdidas, já que não exploram outro setting? 

Se eu for falar do que a GameFreak faz com Pokemon então, jesus..

Eu entendo os motivos COMERCIAIS por trás dessas decisões, e esse é um "problema" que está difundido A RODO pela industria, e a maioria dos fãs nem percebem.

E esse é exatamente meu ponto aqui, porque apesar dos pesares, mesmo que Final Fantasy não seja nada imune as peripécias capitalistas da Square, temos aqui um caso de franquia que criou uma ótima relação com sua "essência" através dos seus títulos.

Mas antes de discorrer mais sobre isso...

Como surgiu a "essência Final Fantasy"?




É muito importante ressaltar que Final Fantasy nasceu apenas como uma cópia, e mesmo que fosse melhor tecnicamente em quase todos os aspectos do original, não possuía a mesma relevância  (ainda) e nem seria ovacionado como percursor do gênero, como é o caso merecido de Dragon Quest.

Mesmo assim, o jogo era realmente bom, possuía o "jovem" Nobuo Uematsu como compositor, contava com as artes de Amano e salvou a empresa do fundo do poço vendendo relativamente bem.

Se Dragon Quest é o grande nome por trás da criação dos JRPGs, Final Fantasy é o nome por trás do refinamento destes, e foi sobre o seus ombros e sob o gestão da FINADA SquareSoft que o gênero pôde durar e se expandir fortemente por boas gerações através do globo.

É, e em 1987 a série já dava seus primeiros passos em desenvolver sua "essência", porque além de ser melhor tecnicamente, Final Fantasy contava uma história.







E por mais simplória que seja se compararmos com títulos mais atuais, era impressionante na época de sua criação.

Acho que vocês já tem uma ideia, mas jogos nesses tempos possuíam manuais minúsculos de apertar botões e enredos resumidos em frases que te transformavam num office boy fantasioso a fim de cumprir sua simplória missão até a tela da STAFF aparecer num fundo preto.

E o primeiro Final Fantasy trazia não só um tipo de abordagem mais profunda que qualquer outro JRPG lançado até então, como trazia fórmulas que se estenderiam inspirando toda a franquia até os dias de hoje.

Afinal, os cristais inerentemente ligados com o planeta e seu equilíbrio, base de roteiro primordial quando falamos dessa franquia, nasceram aqui.





Pouco tempo depois, Final Fantasy II foi lançado, e na tentativa de se reinventar tecnicamente, acabou criando um dos sistemas de evolução mais intragáveis da série, senão o mais, consequentemente sendo bem menos divertido que o seu irmão mais velho e causando uma concussão em todos aqueles que ousaram joga-lo uma vez.

Não, sério... quem diabos ficou responsável por esse aspecto do jogo?

O Ono?

PRO INFERNO, VOCÊ, ONO!

Em contrapartida, o elenco de FF II trazia personagens que interagiam, possuíam backgrounds e personalidade, definindo arquétipos e estabelecendo bases de roteiro que se estenderiam até os dias de hoje.

O jovem protagonista herói cheio de boas intenções, a jovem determinada de bom coração, o brutamontes edgy que na verdade é bonzinho e o PRIMEIRO Cid da franquia, eram alguns dos exemplos.

E o primeiro CHOCOBO!


O mesmo podemos falar do seu antagonista, Emperor Mateus, que oficialmente definia a tradição de por um vilão atingindo os níveis mais absurdos do famoso "GOD COMPLEX" do MAAAAAAL, explorando forças místicas obscuras do passado para evoluir e se tornar ainda mais poderoso.

Vez ou outra me pego pensando o quanto o segundo título da franquia não tem o reconhecimento que merece, afinal ele foi um passo fundamental nesses aspectos de narrativa dentro da série.

Vender a alma ao diabo, ir para o inferno, dominar o inferno, e tentar destruir o mundo depois, é algo para poucos.

A Square, provavelmente vendo que havia cometido erros ao tentar explorar novas mecânicas, resolveu voltar pra sua zona de conforto de simplicidade com Final Fantasy III, que marcava o último, porém melhor tecnicamente, game em 8 bits da série, com uma trama mais simples do que seu antecessor e personagens aleatórios sem individualidade, entretanto ainda contando uma história minimamente interessante, que se unia com a dificuldade de gameplay mais expressiva de todos os títulos da empresa, e que jamais foi vista novamente desde então, se tornando um título libidinoso para todos aqueles fanáticos por desafios, grinding e turnos!

Ora, e se FF II nos trouxe chocobos, FF III nos trouxe o job system eeeeee...

Moogles!





FFIII é certamente mais voltado para experiência de GAMEPLAY, e eu acho que podemos definir isso como seu charme.

Indo para o quarto título da franquia, percebemos um considerável passo para estabelecer a tão citada "essência de Final Fantasy".


Final Fantasy IV não trazia apenas a estreia do sistema ATB pra família, como trazia os maiores backgrounds de personagens na série até então, com desenvolvimento de trama ainda mais complexa.

Já de início, nos deparávamos com Cecil, nosso protagonista, vivendo o dilema de seguir o seu senso de justiça ou seguir as ordens de seu rei, boas ou más, sem pestanejar, enquanto exerce o papel mais legal de protagonista em FF (pelo menos na sua época) desde sua concepção, um Dark Knight, uma maquina de matança de visual MUITO MANEIRO.

Infelizmente, nossa felicidade dura pouco, pois nas primeiras horas de jogatina, Cecil abandona sua armadura negra bolada após uma jornada de auto conhecimento e metamorfose cheia de monstrengos, escaladas e uma batalha com o seu lado "malégno", para no final se tornar um paladino brilhoso justiceiro de cabelos esvoaçantes e um olhar 43 de bishounem capaz de deixar qualquer garota oriental com os faróis apontados para marte.

Ah, qualé...

Você poderia ser um paladino da justiça com aquela armadura, oras!

Mas que diabos, Cecil...

Ok, quando eu falo que FF IV desenvolve mais uma vez a "essência" da série, é porque daqui em diante, a Square não voltou a usar mais protagonistas "sem individualidade" como a escola dos RPGs ocidentais tanto influenciaram os orientais no início de sua concepção. 

Depois de FF IV, ou melhor, depois de Final Fantasy V, a série cavou cada vez mais fundo em busca de desenvolver a complexidade de seus personagens, atingindo novos limites ao se contar uma história. 

No divertido Final Fantasy V, que eu pessoalmente adoro, a trama consegue ser imensamente simples, mas ainda contamos com nossos heróis cativantes que se desenvolvem de forma minimamente relevante, além de sempre estarem rodeados de um digníssimo bom humor.

Cadê que colocam a Faris num Dissidia?!
Ou o Zack?!
Ou a Fran?!
Ou a Celes?!
Ou o Vincent?!
 Bando de infelizes!


Sem falar que FF V tem o vilão da série mais PORRA-LOUCA de todos os tempos: Ex Death, uma arvore (?) cósmica do mal com o objetivo de destruir tudo, até mesmo a EXISTÊNCIA!! Que tipo de carambolas escalafobéticas de criatura é essa, e por que berinjelas ela teria um objetivo tão insanamente obscuro que destruiria tudo, inclusive ele mesmo?

Seria uma vingança contra ONO?!

É um mistério que essa história escrita por roteiristas viciados em entorpecentes e fitas cassetes do Jiban jamais nos revelará.

Entretanto, para mim, esse ainda é o vilão mais interessante destes VIDEOJOGOS.

Acharam que era o Kefka, Sephirot?

NÃO!


Daí, chegamos em Final Fantasy VI, suprassumo narrativo não só da série, como do gênero, e dono de um artigo dedicado aqui no blog que mais elogiei algo repetidamente na minha vida, e que você pode conferir AQUI.




O sexto título da família Final Fantasy é o PILAR da narrativa da franquia, e estabelece tudo aquilo que um fã de longa data procura, a tão citada "essência" que eu venho falando no artigo como se fosse algo misterioso, quando meio mundo já deve tá cansado de saber, e que eu pretendo discorrer mais em breve.

Dessa vez, os verdes campos clássicos da série dão lugar a um início frio, fúnebre e pessimista. 

O universo medieval começa a flertar com um steampunk absurdamente característico, saído do imaginário das artes de Amano, que nos entrega um jogo com um setting único, o primeiro da série a se desviar consideravelmente dos seus antecessores. Um padrão iniciado parcialmente aqui, e que perdurou na grande maioria das vezes até hoje.



 E podemos dizer que Nobuo Uematsu estava no "modo eminente" quando fez essa trilha. 

Tecnicamente, FF VI era exímio em seus aspectos técnicos, e entregava uma experiência convidativa e bem confortável. Já como trama, eu diria que foi o jogo mais visionário e ousado da sua época

Mas falo "ousado" de uma forma boa, não ousado como jogos de hoje que absorvem ideais políticos deturpados e desnecessariamente alusivos de seus produtores, é claro. 

São muitas das características que estruturam essa minha opinião.

Sendo breve, posso falar de Kefka, o vilão conhecido por sempre estar em alguma rinha aleatória com Sephirot, na procura desesperada de confirmar algum ponto de vista pessoal de um fã abobado da franquia.

Sim, falo do palhaço/capanga de terceira com requintes de psicopatia e trapalhadas que se desenvolve como o grande vilão da trama (com GOD COMPLEX DO MAL, é claro), manipulando, assassinando personagens importantes definitivamente, algo que já ia de contra mão com os ressuscitamentos exagerados de alguns dos títulos antecessores.

Não satisfeito, o vilão ainda vence os protagonistas, mergulhando o mundo em caos por puro prazer de expor uma visão niilista sobre a realidade.

Algo que poucos vilões do ENTRETENIMENTO GERAL tiveram a pachorra de conseguir.

Podemos falar também de Celes e o momento que ela encara a tentativa de se suicidar, até se deparar com as lembranças encorajadoras de alguém que ela ama/amou, o que lhe dá forças pra se erguer numa das cenas mais tocantes que um jogo de 16 bits já proporcionou nessa industria.


UM JOGO DE DEZESSEIS BITS.

Top 3 romances dos JRPGs.


Entre outras dezenas de exemplos, que apesar de densos e intensos, nos encaminham para um dos, senão o mais esperançoso final que um jogo do gênero já proporcionou.

O reconhecimento de FF6 não é atoa, e sinceramente, é até menor do que ele merecia. 

Porém, apesar de ter sido consideravelmente bem sucedido pra Square, não foi o suficiente para se comparar, no quesito financeiro e popularidade pelo menos, com o que vinha a seguir.

A SquareSoft queria atingir o mundo... TODO!

E foi com esse pensamento que ela criou um dos GREAT ONES cósmicos da popularidade na indústria, e que também conta com um artigo dedicado que mais me diverti escrevendo AQUI no recinto.

Logicamente, falo de Final Fantasy VII, o jogo o mais oportunista de todos os tempos.

Todo o conceito de criação do título é inteiramente fascinante, e no final quero indicar o meu texto favorito da INTERNET que detalha bem toda a situação.

FF VII é o marco do que se trata de sucesso e essência numa franquia, um exemplo que define bem o quanto a liberdade criativa de seus produtores pode dar certo.

Entre várias das suas grandes mudanças, posso citar o fato de ser o primeiro "da família" a adentrar o "mundo 3D". O primeiro a trazer uma mudança completa de settings de universo, nos presenteando com estruturas cyberpunk de uma das cidades mais icônicas do entretenimento.
Também foi o primeiro a trazer o sistema de turnos em trio e o primeiro a não usar os designs de Amano, que deram margem para que Nomura crescesse na empresa absurdamente desde então. 

Só pra deixar claro, eu tenho minhas ressalvas no quão positivo e negativo foi isso do Nomura, hein? 

Tá, parei.

Meu ponto é que o VII fez isso tudo atraindo a atenção de todo mundo, e fez tão absurdamente bem, mantendo a extrema qualidade de seu antecessor direto, que os momentos INTENSOS do roteiro não possuem só um PESO narrativo dentro do universo da trama. 

Eles são emblemáticos na INDUSTRIA, eles permeiam o imaginário de uma geração inteira. 


print da minha última run pré remake PORQUESIM

O twist do CLASSO FASTO que não é CLASSO FASTO, a morte mais emblemática do mundo dos VIDJOGUEIMIS, o vilão mais badass dos fóruns de 2004, enfim, é só você ver a quantidade de vídeos de reação que existe em torno do remake do dito cujo, pra você entender do que eu falo.

Tem muita superficialidade, vaidade e "poseragem" entre essas pessoas? Tem, pra caralho. Mas não são todos, dá pra ver que o apego ao jogo é bem real pra muitos fãs, e isso é algo bastante tocante de ver, e sempre vai ser.

Vocês já viram a dubladora da Aerith do remake chorando enquanto fazia live? Aquilo é lindo.

VII foi a porta de entrada pra muitos desses admiradores, o jogo que estabeleceu a essência da franquia pela popularidade. E isso é, de longe, a grande faísca das discussões comparativas de "qualidade" que se desenvolveram nas últimas décadas em torno dessa série inteira.

Se me perguntam o porquê... eu respondo!

Mas primeiro, quero que ver se a visão de um fã de longa data que jogou imbecilmente basicamente todos os títulos principais da franquia e a considera a sua coisa favorita no mundo dos games, consegue expressar o que é essa tal essência em palavras desconexas e pretensiosas que podem fazer sentido ou não, o qualificando como idiota em qualquer instância.


...


Sim, todos os jogos.

Que foi, acham que eu saio de casa? MAS É CLARO NÃO!

Digo... acham que esse "teórico fã imaginário" sai de casa? Eu aposto que não!



Antes de DBFZ, Dissidia foi o sonho molhado de jogo de luta que virou realidade.
Pena ele não ter um "porte" de jogo de luta de verdade, se é que me entendem.
Espero que isso mude um dia.
PS: O NT fede.



Final Fantasy é uma série onde personagens carismáticos e seus pensamentos, filosofias e desenvolvimento se entrelaçarão com uma trama homérica que envolverá um universo fascinante lotado de criaturas incríveis, realidades dimensionais e equilíbrio mundial em busca de salvação e conhecimento pessoal tanto do elenco, como do jogador, até o seu final, enquanto se une com um gameplay equilibrado, divertido, não necessariamente linear, de preferência de turno, com desafios, heróis a se recrutar, itens a se conseguir, criaturas poderosas a se evocar, dramas a se entender, mistérios a se descobrir, cidades a se interagir, minigames a se jogar, dinâmicas a se aperfeiçoar, naves enormes a se voar, até chegar no seu poderoso chefão final que pode destruir mundos com arrotos e será iminentemente derrotado pelos protagonistas que foram upados incessantemente nas últimas 100 horas de gameplay por um individuo que mora no porão da mãe e não deu as caras para a civilização pelos últimos 12 dias, num final emocionante com uma trilha sonora belíssima e marcante.

Faltou algo?

OHHH, CHOCOBOS, sim.

Moogles também? É... okay.

Um bom FF não precisa só ter todos esses elementos, como precisa executa-los bem.

Ou pelo menos é isso que um fã da franquia espera.

Certo?

Por que? Porque ele foi acostumado ASSIM. 

Ele tem culpa? Não necessariamente.

Olha... eu acho que as pessoas se "acostumaram" a reclamar das mudanças, e eu acho que existe uma linha tênue entre opinião pessoal e técnica aí. 

Só ressalto que mesmo que você não goste de algo, para formar uma opinião, você precisa saber ao menos RECONHECER feitos, e pra isso você precisa ter o mínimo de referência, até desenvolver um senso crítico.

Um FF não precisa ser excelente em todas estas citadas particularidades pra expressar sua qualidade, quanto mais pra definir se é um bom jogo. 

Existem casos e casos.

Dito isso, vamos ao PRÓXIMO TÓPICO.

Como os novos títulos lidaram com a tal "essência"?

Com tamanho do absurdo sucesso, a Square estava extasiada e provavelmente perdida demais buscando os elementos que fizeram o sétimo jogo da franquia decolar e garantir dinheiros exorbitantes que dessa vez não pagavam só fitas cassetes do Jiban, mas sim o PRÓPRIO JIBAN DANÇANDO PAGODINHO NO QUINTAL DA CASA DO DIRETOR DA EMPRESA.

Agora ela tinha um nome a zelar, uma fama de potência mundial no mundos dos videojoguinhos eletrônicos com designers, programadores e produtores de respeito.

Dá pra imaginar a pressão da equipe por trás de Final Fantasy VIII?

Eu tenho uma foto pra ilustrar, pois estava lá no dia:


Essa foi a segunda vez que Sakaguchi comeu papel.
Posso garantir que não foi a ultima. (FF Spirits)

O que? Claro que não é a mesma foto, deixem de bobalhice.



E com o intento de criar um novo jogo de sucesso absurdo que abalaria todas as estruturas  mais uma vez "certamente não gerando nenhum estresse pós-traumático nos envolvidos", a Square lançou  Final Fantasy VIII, o título com a opening mais fodástica de todos os seus irmãos de franquia.




PIPOOOOOS........ VI VOCÊ.......!

Se essa opening não consegue comprar um jogador, eu não sei qual consegue.

Vejam bem, eu nunca fui um "hater" de FF VIII. Dentre o meu círculo social, que se resume no meu walkman e meu cachorro, sempre fui o que menos fez piadas dos seus defeitos. CONTUDO, eu realmente entendo os motivos de alguém odiá-lo, mas ainda assim, devo dizer que entendo os motivos de alguém ama-lo também.

Tecnicamente, FF VIII sofre de um problema parecido com o do II, nos entregando um sistema de evolução problemático e bem pouco prático, o que torna seu gridding retardadamente PENOSO.

Acho que não é "questão de opinião" reconhecer que um jogo onde gridding é parte de sua alma, desencoraje a evolução de seus players, por lógica...

ENTRETANTO, há de se reconhecer o mérito do oitavo título da franquia se reinventar nesse aspecto.

Só acho que a produção estava bem pressionada e perdida no meio do alvoroço.

Por exemplo, na tentativa de repetir o sucesso de Cloud COOL EDGY GUY, um soldado repleto de traumas psicológicos e genéticos, eles nos entregaram Squall, um... adolescente edgy por motivos de...

adolescente...

...

Aí não, né?


essa é a imagem que me vem na cabeça sempre que alguém diz que FF 8 é o melhor da franquia.

Mas não quer dizer que o jogo não tenha pontos positivos!



Gráficos que explodiam a mente dos jogadores, na época, eram seu cartão de visita. Animações do Squall cortando o mundo em 2 estão nas minhas memórias até hoje. Eu gosto parcialmente de todo o elenco e acho que o questionamento/desfecho não só do enredo dimensional/temporal, como da vilã e o e sua real identidade são inteiramente fascinantes, e fazem desse jogo um dos títulos que mais aprecio a ideia de dedicar um artigo todo só pra ele. 

Ele é original, exótico e fascinante.

E qualé, a Gunblade é mó legal.

Também gosto muito do Squall mudar durante a jogatina, acho que temos a síntese clássica do JRPG que "melhora" do início pra o fim dentro de TODOS os exemplares do nicho.

Oh, não posso esquecer, Laguna e seus parças que sempre me deixavam feliz quando apareciam.

Não é atoa que é o meu main no Dissidia.

Ohhh, acharam que era o Cloud?

Ele também é.

Que foi? Sou um fanboy sem vergonha.

Se tivesse o Zack, entretanto, seria o main definitivo. 

QUE FOI? Sou um fanboy sem vergonha, já disse.

Suas interações com A Cloud of Darkness, que é dublada por aquela voz sensual americana, são legais.

Por que estou falando disso tópico de FF 8? Que desrespeito.

...

Sério, já ouviram a voz da Cloud of Darkness?

SENSUAL DEMAIS! Por que deixaram ela assim?

Ok, ela ficar seminua talvez explique o motivo...

... enfim, estou sendo sendo prolixo.


E então, o que acontece, ou melhor, o que acontecia com Final Fantasy quando a Square sabia que tinha feito alguma besteira?

HERE GO AGAIN PRA ZONA DE CONFORTO!!!



Final Fantasy IX não só voltava com sistemas clássicos de combate da série com 4 membros, mas voltava com os CRISTAIS e com o ar descompromissado de uma aventura sem precedentes com personagens que fugiam bastante do padrão edgy e soturno que a franquia tinha construído nos últimos 3 jogos sequenciais.

Mas esta não era uma simples aventura, a Square trazia ares nostálgicos, mas não sem trazer as influências da sua nova bagagem no embalo. Estamos falando de um dos títulos mais bem feitos graficamente de ps1, o que mostra a experiência da empresa no ramo. Sobre a trama, ela é tão bonita e complexa, com tantas nuances, não só do elenco, mas de universo,  que me deixa revoltado saber que tantas pessoas não a reconhecem devidamente.

Será que pelo efeito de falar dele sem jogar? 

Pode ser como já citado, a essência de Final Fantasy se tornou tão expressa para os fãs com a filosofia de "mudar sempre seu universo" radicalmente a cada título e nunca retroceder, que talvez explique  a estranheza com ele.

Mas, Final Fantasy IX é a prova que voltar às raízes pode fazer muito bem pra qualquer franquia.


E digo mais, essa é uma série de mundos fantásticos, eles possuem o direito de reviver seus conceitos  sempre que quiserem. E DIGO MAIS AINDA, não reclamaria se fosse feito de novo, acho que qualquer tentativa é válida pra nos entregar um bom jogo dessa franquia hoje em dia.

Por favor, façam isso...

De qualquer forma, o belíssimo artigo escrito pelo Uor, aqui no Blog MIL, consegue traduzir nossos sentimentos por essa masterpiece muito bem.

Cliquem AQUI  caso ainda não leram, não tenho mais nada a acrescentar. 


Então chegamos ao décimo título da franquia, Final Fantasy X, o jogo que marca a mudança de geração e serve para mostrar não só o poder gráfico da nova plataforma da sony, mas as habilidades extremas de seus desenvolvedores em criar jogos estonteantes e roteiros complexos embalados por uma trilha majestosa, mais uma vez.

Ele também foi o primeiro a introduzir diálogos dublados na série.

O que resultou numa dublagem (americana) comicamente ruim.

Muito ruim.

Mas tão ruim.

Tão ruim.

Que até hoje o jogo é zoado por isso.

Apesar de já considerar parte do seu "charme"...




Não da pra esquecer a sensação quando vi essa capa colada no mostruário da locadora.
Quando vi o jogo então...


Em FF X, as Batalhas em trio estão de volta, mas da forma mais gostosamente confortável de todos os tempos! Não existe ATB aqui, apenas o sistema de turno  de "BATEU, LEVOU", tão característico do gênero na sua forma mais clássica, exceto pela adição especial do conceito de "rodízio" dos membros da party durante o meio das pelejas, que disponibilizava uma rotatividade de personagens com funções e builds muito bem pré-estabelecidas pra chutar bundas de inimigos estrategicamente.

O que forma umas dinâmicas mais divertidas, intuitivas e imersivas que tive num jogo de turno...

na vida.

Não é exagero se eu disser que é meu sistema favorito do gênero.

HASTEGA, HASTEGA!

Em compensação, o "Sphere Grid" é certamente a árvore de habilidades mais extensa e desnecessariamente complexa que algum desses exemplares já teve.

Eu sei, ele parece querer morder seus dedos de início, mas acreditem, quando você pega a manha, ele vira seu amigo.  Por sinal, acho que as criticas referentes são bem exageradas, é só ver o quanto de MMOs e WRPGs atuais utilizam a mesmíssima estrutura.

A dublagem de FF X é tão péssima, que eu considero a sua versão ocidental uma ~EXPERIÊNCIA~. Mas no geral, acho que exceto pela parcial linearidade, foi o Final Fantasy que mais resgatou aquela "essência" originada desde VI e VII, sabe?

É um mundo tremendamente ÚNICO, parece um clipe de MGMT.

Temos um caso também de romance que engatilha toda a narrativa, muito semelhante ao VIII e IX, assim como os grandes twists que viraram algo padrão desde o sexto jogo da franquia.



Não esqueçamos de mencionar as melhores versões de summons da série. 


Pra concluir, eu diria que o décimo Final Fantasy possui um dos, senão o mais, "bonetenho/tristonho" final da SÉRIE.

Infelizmente, esse final perfeitamente agridoce foi estragado por FF X-2.

Quem foi o responsável por FF X-2?

O ONO?!?!?!

PRO INFERNO, VOCÊ, ONO!

Ele é desnecessário e queria bastante que ele não fosse canon, mas deixe-me expor a única contribuição do dito cujo pra humanidade:



Sim, é a OST mais linda de toda a franquia. Num jogo que nem devia existir, lidem com isso.


PRÓXIMO!

Talvez vocês já viram que existe uma falácia entre os bitolados da fanbase, onde dizem que a série morreu em FF X. Alguns são mais extremos e dizem que acabou no IX.

Logicamente, eu discordo de ambas opiniões imbecis.

Essa arte me faz feliz por existir.


Final Fantasy XII acabou parando nas mãos capazes do "Team Ivalice", que pra quem não sabe, é a mesma galerinha de Vagrant Story e FF Tactics, e qualquer semelhança entre estes não é mera coincidência, afinal, eles se passam no mesmo universo, porém em eras diferentes, claro.

E acredito que vocês saibam que estamos falando de um dos universos mais incrivelmente bem arquitetados do gênero, correto?

Não é atoa que FF XII seja tão magistral nesse aspecto. Ainda mais quando lembramos dos gráficos inacreditáveis que embalavam a sua jogatina.

Como conseguiram fazer aquilo rodar num ps2 em 2006?

MAGIA!!!

Mas ver algo do tipo, só me faz enxergar o quanto de potencial esse console escalafobético ainda podia propor para industria.

Apesar de gostar e reconhecer a grandiosidade de FF XII, devo reconhecer seus defeitos também. Seu enredo político é interessante, mas o desenvolvimento dos personagens praticamente é abandonado do meio para o final da jogatina, e isso é a coisa que mais me frusta nele para sempre.

O protagonista inicial, Vaan, é mais aleatório na trama do que o Thor em Vingadores 2, e o desfecho que envolve o mundo político de todas as nações me deixou com a sensação de... "eu não poderia me importar menos".

Bash, o protagonista que precisávamos, mas não merecíamos, aparentemente.
Vaan é tão off que se ele morrer de infarto numa cutscene ninguém liga.
E não tô exagerando.
Ele pode cair espumando pela boca no meio de uma cutscene tocante, e você não irá perceber.
APOSTO O MEU WALKMAN NISSO!!!

Ainda assim, a diversão de se aventurar naquelas localidades, se desafiar lutando com monstrengos dimensionais, explorar as opções apelativas do job system com aquele modo de batalha que é tão estranho quanto excelente, formam uma das experiências mais divertidas que tive em relação a jogatina nessa franquia, e guardarei um imenso carinho para sempre.

Sobre o elenco, temos  Fran e Balthier pra exalar algum carisma na união desses confrades, então tá tudo certo.

Uma hora esse jogo terá texto dedicado por aqui.

Dito isso, falemos da ovelha negra da série:




       TANANANA TANANANATANAN pode falar o que quiser desse jogo, mas essa ost é respetacule!

Confesso que aquela vertente de pensamento que diz: "cada FF é como um filho, e a gente acaba amando todos de um jeito ou de outro", fez sentido pra minha pessoa por um bom tempo.

Sabem, eu entendo que Final Fantasy XIII foi feito sob prazos de produções ardilosos para com seus desenvolvedores, que isso eventualmente pode ter gerado os vários defeitos, mais precisamente a tão reclamável linearidade que esse título exala pelos poros, fazendo com que todos os apelidem de CORREDOR, the game.

Eu também admito que o desenvolvimento de characters não é o ponto forte do jogo, que a metade do elenco é desinteressante, que ferraram a Shiva friamente (badun tss) transformando-a numa moto transformer tosca, que a Lightining é tão linda quanto inexpressiva, que o vilão é esquecível e que a trama não conseguiu me comprar, por ser complexamente cansativa.

Que é o lado mal da complexidade.

Tão ligados, né? Tem a complexidade boa e a ruim...

Essa é a ruim...

Ok, estou sendo prolixo demais, DE NOVO.

Pra resumir, dá pra dizer que FF XIII tenta pegar a essência clássica da série, mas falha em tantas delas que é impossível algum fã de longa considera-lo um bom Final Fantasy, se ele seguir essa vertente de pensamento, pelo menos.

Mas, sinceramente, ainda assim, é um jogo "legal".

É bem clichê falar isso, mas se não fosse um FF numerado, é certo que a torção de nariz pra ele seria bem menor na época. Talvez nem existisse.

Eu aposto meu walkman que se ele chamasse "Aventuras da Pesada da Lightining", ele teria se tornado um ícone cult para gamers CULTXIS o apreciarem em redes sociais na tentativa desesperada de se auto afirmarem como CULTXIS.


Melhor personagem, sim ou claro?


Eu acho a sua mecânica de turno okay, e eu acho que cheguei perto de me divertir com esse título, ou talvez seja apenas uma resistência "fanboy FF" da minha parte em me auto hipnotizar.

Pra ser sincero, não tive rancor algum desse game por um tempo, adorava ouvir sua trilha de tabela também, até que...

A Square simplesmente resolveu passar uma geração INTEIRA focando-se em continuações e marketing de FF XIII.

Tivemos até o FF 13-3.

2 CONTINUAÇÕES DE UM TÍTULO PRINCIPAL, isso nunca tinha acontecido antes, e acontece LOGO COM FF 13, MEU DEUS, SQUARE ENIX, QUEM ESTÁ GERINDO A EMPRESA HOJE EM DIA??!?!

O ONO?!?!

Pro inferno, você, ONO!

Após uma geração toda engajada em repetir o erro, com a Lightining estampando ações de marketing diversas, eu acabei ficando puto, não tinha como fugir.

Meus sinceros ENFIA FF13 NO SEU CU, SQUARE.

...

A-hem! Desculpem, eu precisava por isso pra fora.

Espero ter deixado claro minha opinião e experiência com Final Fantasy XIII.

Sobre suas continuações, eu diria que elas tentam tapar o sol com a peneira.

Tem coisas boas, sim, mas acho que esse universo já tinha me desinteressado demais para revitalizar a minha atenção pela trama.

Não estou dizendo que FF XIII tenha enredo ruim, ele é o único motivo que eventualmente irá me fazer joga-lo com o coração aberto quando eu inventar de fazer um artigo dedicado, num futuro distópico distante.

Mas ele não me comprou, e ISSO é questão de opinião pessoal.

Espero que mude no futuro.




Mas puta que pariu ein? Olha o desespero dos caras.
Me incomoda só de ver essa imagem.
E ainda bem que tiraram esse detalhe dourado da Buster no VIIRemake, ficou bem melhor sem isso.


Eu não sei o porquê de não detestar FF XIII logo de cara, talvez o fato de esperar o jogo que nunca foi e nem será lançado, desde 2006, o Final Fantasy Versus, me distraiu por uns anos.

Mas hoje em dia, o décimo terceiro título da franquia só me traz más lembranças mesmo. 

Ele é a síntese definitiva da nova gestão totalmente corporativista da SquareEnix, que assumiu após a saída do Sakaguchi. Uma época marcada por um CEO que se orgulhava em dizer que a empresa teve seus melhores anos fiscais sob seu comando.

A pior fase criativa da Square desde a época dos ripoffs, com ABSOLUTA certeza.

Bom, não sendo tão negativo, saiu uma ou outra coisa boa dela nesses anos, é claro.

E felizmente, o CEO já não é o mesmo, apesar que duvido muito que esse pensamento superficialmente capitalista deixe de ser o carro chefe da gestão algum dia.

Dito isso...

Chega a hora de falar do irmão número quinze da família.


Digamos que eu tenho uma relação bem conturbada com o jogo em questão.

Tudo começou em 2006, num anuncio que trazia FF 13 revelado para ps3 e FF Versus como parte do seu universo, também revelado para o mesmo console. 

Curiosamente, FF 13 parecia bem menos interessante que o Versus pra mim, já naquela época. 

Tanto é que eu ignorei ele completamente.

Ignoro até hoje, se deixar!

Tá, parei.

Esse trailer nostálgico foi o que me fez almejar um ps3...
...
A ost, a vibe... tudo era tremendamente interessante pra mim.

A ironia está em ELE NUNCA SAIR PARA PS3.
NEM PRA CONSOLE NENHUM!



Certamente, eu não fui o único a ter esse sentimento de fascínio pelo universo em questão, porque o projeto Versus logo foi "promovido" para um FF numerado, devido a demanda de interesse do público. Não só isso, não demorou muito pra o marketing voltado pra ele se tornar VIOLENTO, é fácil observar que eles almejavam um NOVO FF VII surgindo no mundo.

Apesar que a Square, até essa época pelo menos, sempre foi péssima na relação de tatear os anseios do seu próprio público, fico até surpreso pela decisão. 

Oras, se eles numeram FF ONLINE com toda a burrice marketeira possível, por que não iriam numerar um spin off tão interessante, não é mesmo?

A questão é que... FF Versus era um PUTA PROJETO ambicioso. Eu lembro de entrevistas com Nomura em meados de... sei lá, 2010, onde ele falava que queria trazer a experiência Advent Children no jogo. 

Imaginem só a audácia do filho da puta...

Era um hype sem limites.

Até filme com CGs de unzibilhão de dinheiros e um anime fizeram parte da festa, eu já sabia que se houvesse um tombo aí, ele seria bem feio.


Trilha desse jogo é divina, pelo menos isso se manteve.
Já o gameplay, nem tanto.

Provavelmente, pela incapacidade de conquistar feitos com a tecnologia da época, somada a um desenvolvimento caótico com prazos, mudança de diretores, e até mesmo, NA MAIOR CARA DE PAU, a já mencionada mudança de plataforma, os defeitos e inconstâncias começaram a se tornar perceptíveis. 

E foi aí que após uma novela de DEZ FUCKING ANOS, rolou o desastre.

Sim, eu considero Final Fantasy XV um desastre, pelo menos se pensarmos no que era pra ele ser.

Mas eu acho que ele é um desastre mais pela forma que ele foi gerido do que qualquer outra coisa, sabe?

Foi um jogo pra ser completado apenas com DLCs, e eles não informaram isso pra os compradores, a vanilla do jogo é picotada pra um CACETE, é um horror.

O gameplay supostamente legal dos trailers jamais encontraram a luz do sol, em vez disso nos deram o gameplay mais 8 ou 80 que me lembro de ter visto em absolutamente qualquer jogo.

ÀS VEZES é uma porcaria, você pressiona quadrado e o personagem faz todo o serviço no meio do combate, com saltos que, numa tentativa de realismo, parece deixar todo mundo suspenso a 15 fps. Outras vezes, eu admito, temos a chance de encaixar um combo fodão que envolve toda a party e gritar "UOWW, finalmente tá surpreendendo", mas no segundo seguinte estar olhando torto pra tela porque estou vendo o Noctis pela perspectiva da meia da bota dele.

É complicado... é complicado...

Mas depois de falar tantos defeitos, que há pra falar de bom nele?

Eu lembro que uma das primeiras reclamações de público, logo após o jogo ser formalmente anunciado com detalhes e datas de estreia, foi da party composta apenas por homens.

Mas não simples homens... claro que não!


HOMENS GATÕES, okay?

EVIBARÊEEEEEEEE
YEAAAAAAAAAAAAAAAHHHH!!!
NANANARÊEEEEE
YEAAAAAAAAAAAHHHH!!


Eu sinceramente achei estranho, mas e daí, vamos comprar a ideia e ver o que eles tem a oferecer, certo?

"vai que os Backstreetboys tinham um SINGLE legal dessa vez?", pensei.

E não é que eles tinham?

O que XV oferece, em termos de progressão básica, é certamente a viagem entre amigos mais verdadeiramente plausível possível.

Eles acampam, passam o dia dirigindo, ouvindo música, metendo a porrada em monstrengos, e ainda tem tempo de fazer churrasco ao ar livre.

O ponto é que tudo isso acontece embalado com uma verdadeira e palpável relação fraternal e de amizade, algo realmente bonito e cativante de observar. E nesse aspecto, o jogo me surpreendeu MUITO. Digo mais, a relação da party que os Backstreetboys protagonizaram é invejável num nível que eu não consigo pensar em quase nenhum jogo atingindo dentro ou fora do nicho.

Digo principalmente pela oportunidade que tiveram de usar as tecnologias atuais "pró-narrativa" ao seu favor. Hoje em dias temos a oportunidade de observar personagens expondo trejeitos e diálogos aleatórios em situações também aleatórias durante toda a jogatina, o que expande bastante a imersão com o game, quando feito certo.

Vemos que cada um cuidado do outro, comentando eventos inusitados ou fenômenos de trama.

Eu já observei FF VII Remake fazendo o mesmo, por exemplo, e isso me deixa bem feliz também.

Pra os "MACHÕEZÕES" que ficariam com a masculinidade fragilizada durante a jogatina, a Square preparou um Cid diretamente vindo do 4chan: A Cindy.

Eu sei que tem o Cid coroa mas ninguém liga.


mas gente... até marquinha tem.

Tá vendo porque digo que é o FF "8 ou 80" mesmo?

O designers, seguindo essa vibe de fantasia baseada na realidade, nos presenteou com um dos settings mais originais e bonitos que já vi num game. Carros, prédios, paisagens, tudo é fantástico.

Primeira vez que vi uma summon nesse jogo eu quase infartei, o empenho gráfico digno da Square não faz feio. 

Eu não duvido que ele seja a coisa mais bonita graficamente dessa geração de consoles, não.

Sobre a história, por mais que tenha algumas viagens do Tabata (também responsável por viajar num dos jogos mais importantes emocionalmente pra mim, o Crisis Core), consegue ser absurdamente fascinante.

É sério, que PUTA FINAL CORAJOSO, eu não entendo quem não respeita isso.

Ele tem uns defeitos terríveis de gameplay, mas eu consigo enxergar muita positividade quando pego pra julgar por todo seu contexto.

Enfim, jogos com desenvolvimento conturbado dificilmente ficam bons...

Eu relevo mais FF XV pra jogar hoje em dia, que ele melhorou mais.

Mas pra quem pegou só a vanilla, eu só deixo meu sinto muito mesmo.

Ah, e incrivelmente eu não fiquei sabendo se esse título foi rentável ou não, depois de todo aquele marketing absurdo...

Alguém sabe me dizer?

30 anos de "essência"



Primeiramente, se me perguntam sobre FF Tactics, ele já teve um momento todo dedicado AQUI no recinto.

Sobre os Final Fantasys ONLINEs, eu acho uma tremenda estupidez a ideia de numerar um, mas a Square foi além e numerou dois.

Sendo bem sincero, apenas testei o 14 parcialmente, e eu diria que pro gênero, ele é tremendamente bem feito e carrega os elementos da série com muito afinco e carinho. Se eu fosse adepto aos MMOs, certamente me interessaria, mas como não sou, não tenho muito a comentar sobre.

PS: eu adoro o que eles fazem com os chefões clássicos da franquia nesse jogo.




No texto, espero ter ilustrado o quanto FF se torna uma série interessante de se apreciar, quando percebemos que mesmo que tenha estabelecido padrões de conceitos de universo que se estendem em cada título, teve a sacada genial de sempre buscar a mudança completa da experiência proporcionada por cada um deles na mesma medida.

É um exemplo bem único na INDUSTRIA, se vocês repararem bem.

Espero ter ilustrado também o quão positivo cada jogo pode ser, mesmo com seus inúmeros defeitos.

Parece ÓBVIO, mas é válido enxergar cada um com uma experiência particular.

Enxergar qual é o intento por trás das decisões dos seus desenvolvedores, mantendo um senso crítico de qualidade ainda assim, é claro.

Esse artigo é basicamente um REMAKE/REBUILD de um texto lançado há 2 anos no recinto, com o exato mesmo tema. Ele não difere muito da sua primeira versão, em questão de conteúdo e piadinhas pra irritar fanbases, porque tem que ter, né.

Mas eu diria que hoje eu mantenho uma versão bem mais ponderada e "madura" sobre a série de forma geral, e eu queria fazer esse upgrade, afinal no ESPECIAL DE SMT eu fiz algo bem dedicado (não necessariamente de qualidade), enquanto o de FF eu só zoei. Então queria ter um pouco mais de cuidado com minha franquia favorita também (com outro texto de qualidade questionável, ainda assim).

Sobre a situação de TODA A SÉRIE ATUAL, posso dizer que... bem, exceto pelo FF VII Remake, já fazia um bom tempo que a Square não me fazia feliz de verdade.

Ultima vez que soltei um sorrisão pra ela foi no PSP, com Crisis Core e Dissidia...

Já a última vez que fiquei plenamente satisfeito do começo ao fim com um FF numerado, foi em 2001, OLHA O TEMPO.

Então eu reitero o clichê absolutamente óbvio repetido pela fanbase há mais de uma década:  a gestão da Square vive uma época muito problemática.

Esse logo é uma perfeição.
Amano godlike.


Eu creio que, pelo menos atualmente, a sensação "azeda" que os novos Final Fantasy's estão proporcionando não seja gerada apenas pelo fato de estarem sempre mudando completamente seus conceitos de universo. Tampouco seja por causa da fanbase chata reclamando.

Eu acho que o motivo está mais na inabilidade de fazer as mudanças de forma correta.

Por exemplo, imaginem o quão incrível seria FF XV se o gameplay action JRPG dele fosse realmente bem arquitetado, se a trama fosse entregue de forma honesta?

Dá pra afirmar que a Square também tá bem confusa com o público dela, e ela não sabe bem quem quer agradar, se é o público oriental ou ocidental, se é o público newgen ou oldschool.

E essa é a receita MASTER dos potenciais perdidos!

Bom, torçamos pra que isso mude, toda saga possui tempos difíceis, Final Fantasy não está imune a isso.

E bem, pelo menos, FF VII Remake parece estar trilhando um caminho corajoso e promissor, já temos um "alento" nesses tempos tempestuosos, e espero que continuemos tendo.





E aqui eu encerro mais um artigo no recinto.

Como vocês devem ter percebido, o Blog MIL esteve mais sumido por esses meses, e a razão pode ser resumida, COMO SEMPRE, em" responsabilidades de adulto".

Entretanto, eu não deixarei de escrever e não temos planos pra encerrar as atividades do site.

Ainda planejo "rebuildar" meu artigo sobre a Compilation do VII, por exemplo.

Mas... muito certamente passaremos por uma fase de HIATOS por aqui, pelo menos por enquanto, até passar essa época de se "restabelecer". Vocês já perceberam isso, mas é bom deixar oficialmente avisado.

EM CONTRA PARTIDA, estarei bem mais presente no https://twitter.com/Dan_Madra, pra quem quiser acompanhar, pois descobri que ali é uma boa plataforma para caçar artistas legais e postar screenshots de gameplay em boa qualidade, comentando de forma prática no processo.

Pra quem ficou ofendido com as PIADOCAS DO TEXTO, a barra de comentários está aí abaixo, sejam criativos, VAMOS LÁ!


E aqui me despeço, até dia MIL PROCÊS!

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